Amélia acabou sendo presa.
E ali, dentro da prisão, tornou-se alguém que qualquer um podia humilhar.
Na cela, a violência acontecia o tempo todo.
— Ei, novata, ajoelha e presta reverência pra nossa chefe!
Amélia não se moveu.
A resposta foi um chute violento no estômago.
Ela se encolheu de dor no chão, e a líder das presas puxou seus cabelos, forçando-a a levantar a cabeça.
— Olha só… ainda tem coragem de me encarar?
Sabendo que ela tinha medo de homens, elas fizeram de propósito.
Chamaram uma detenta de aparência masculina para provocá-la, que se aproximou, beijando e apalpando seu corpo com malícia.
— Calma, gatinha… o “irmão” aqui vai cuidar bem de você…
O corpo de Amélia começou a tremer violentamente.
O trauma voltou com força.
Ela entrou em crise novamente.
Mas o que recebeu em troca foram apenas risadas estridentes e cruéis.
…
A partir daí, todos os dias eram iguais.
Além das agressões e humilhações, ela ainda era obrigada a fazer trabalhos que nem eram dela.
Esfregar vasos sanitários de vários andares até vomitar.
Lavar roupas sujas até os dedos racharem e sangrarem…
À noite, quando voltava para a cela, não podia nem descansar.
Era obrigada a cantar para a “chefe”.
Se cantasse mal, era espancada de novo.
Apagavam pontas de cigarro em sua pele.
Cuspiam nela…
…
Uma vida pior que o inferno.
Depois de uma semana assim…
Amélia não aguentou mais.
…
Ela começou a escrever cartas.
Uma após a outra.
Desesperadamente.
Todas endereçadas a Leonardo.
Ela escreveu tudo.
As mentiras de Bianca.
A verdade.
Tudo.
Ela pensava…
Depois de vinte anos juntos, ele conhecia quem ela era.
Se ao menos ele lesse uma carta… ela poderia sair dali.
Era sua única esperança.
…
Mas uma semana depois—
O guarda jogou um monte de cartas diante dela.
— Para de escrever. Nenhuma foi aceita.
— Todas voltaram. Nem abriram.
Amélia olhou para aquelas cartas intactas.
Cobriu o rosto.
E riu.
Mas lágrimas salgadas escorriam entre seus dedos.
…
No dia do julgamento—
Amélia estava irreconhecível de tão magra.
Quando o juiz declarou:
“Prisão perpétua.”
Ela sequer teve forças para reagir.
…
De volta à prisão, um guarda que a conhecia suspirou e disse:
— Na verdade, você pegaria no máximo cinco anos.
— Mas o lado do Sr. Tavares pressionou.
— Disseram que a Srta. Bianca sofreu um aborto e um trauma psicológico grave.
— Então precisavam te punir severamente.
Amélia levantou a cabeça.
Olhou para o teto.
Piscou repetidamente, forçando as lágrimas a não cair.
Então… não era só que ele não acreditava nela.
Ele mesmo… a empurrou para o abismo.
…
Enquanto isso—
No escritório do presidente do Grupo Tavares.
O assistente hesitou ao relatar:
— Sr. Tavares… sua esposa recebeu prisão perpétua… isso não é pesado demais?
Leonardo nem levantou a cabeça.
Folheava os documentos com indiferença.
— É só uma lição.
Ele fez uma pausa e acrescentou:
— Não posso dar um nome oficial à Bia.
— Então pelo menos darei a ela um casamento grandioso como compensação.
— Depois do casamento, vá tratar da fiança da Amélia.
Era só um mês presa.
Depois ele a acalmaria… e tudo voltaria ao normal.
…
Um mês depois.
No refeitório da prisão.
A televisão transmitia notícias financeiras.
— “Segundo informações, o presidente do Grupo Tavares realizará um casamento de proporções históricas com a Srta. Bianca Ferreira…”
Na tela—
Leonardo colocava um anel no dedo de Bianca.
O olhar cheio de ternura.
Cheio de amor.
…
Amélia observava.
Segurando a colher.
E terminou, mecanicamente, o último pedaço de comida do prato.
…
Depois do jantar, durante o tempo de pátio—
Amélia foi sozinha até o pequeno bosque.
Ela pegou um fósforo.
Que havia escondido por muito tempo.
E acendeu as folhas secas.
O fogo se espalhou instantaneamente.
As chamas subiram alto.
— Sai daí! Você quer morrer?!
Os guardas gritavam desesperados.
Mas Amélia permaneceu ali.
Imóvel.
E balançou a cabeça com calma.
…
No instante em que a fumaça começou a consumir sua consciência—
Ela viu uma figura correndo em sua direção.
Alguém a puxou para um abraço.
A voz, familiar.
— Mel… não tenha medo.
— Eu cheguei.