Bianca corou até a raiz dos cabelos, olhando para Leonardo:
— Eu… eu não sei…
Leonardo ficou imediatamente tenso.
— Depois eu te levo ao hospital para confirmar.
Só então pareceu perceber que Mel ainda estava ali.
Virou-se abruptamente.
Mas Mel sequer olhou para ele.
Seus olhos estavam apenas na avó.
— Vó… eu vou embora.
Ela se virou e saiu.
Sem hesitar.
Sem querer ficar nem mais um segundo.
— Mel!
Leonardo correu atrás dela.
Bianca observou os dois, o olhar escurecendo por um instante… e os seguiu rapidamente.
Leonardo segurou o pulso de Mel, baixando a voz:
— Mel, se acalma! Mesmo que a Bia tenha esse filho… ele vai te chamar de mãe. Você sempre será minha esposa perante a lei… a senhora da família Tavares…
Mel puxou a mão com força.
O olhar, frio como gelo.
— Outra mulher dá à luz o seu filho… e você quer que ele me chame de mãe?
Ela riu, amarga.
— Leonardo… você não sente nojo de si mesmo?
Nesse momento, Bianca chegou, puxando timidamente a manga de Mel:
— Irmã… a culpa é minha… não fique assim com ele…
A cena inteira…
parecia um drama barato.
Ridículo.
O peito de Mel pulsava com violência.
Sem pensar, ela a empurrou:
— Sai da minha frente!
Ela não usou força.
Mas Bianca caiu para trás, sentando com força no chão.
Sob a saia…
o sangue começou a se espalhar.
— Ah…
“PLÁ!”
O tapa ecoou alto.
Violento.
O impacto fez os ouvidos de Mel zumbirem.
Leonardo, com os olhos completamente vermelhos, não olhou para ela nem por um segundo.
Abaixou-se e pegou Bianca nos braços.
— Vamos para o hospital!
E saiu às pressas.
Mel caiu no chão.
O rosto ardia.
Mas a dor…
não chegava nem perto do que rasgava seu coração.
O homem que antes sofria só de vê-la franzir a testa…
agora…
a havia agredido por outra mulher.
…
A mãe de Leonardo correu atrás, nervosa:
— Meu neto não pode ter nada!
Ao passar por Mel, virou-se e ordenou friamente aos seguranças:
— Levem essa mulher também!
Mel tentou resistir.
Mas não conseguiu.
Foi arrastada à força e jogada dentro do carro.
…
Na emergência—
Após o exame, o médico suspirou aliviado:
— Um mês de gravidez. Há sinais de ameaça de aborto. É essencial evitar emoções fortes.
Antes mesmo que ele terminasse—
Helena entrou correndo.
Abraçou Bianca com força:
— Bia, não tenha medo! O bebê está bem! A mamãe está aqui!
Leonardo também estava ao lado.
Delicado.
Atencioso.
Enxugando o suor dela.
…
Mel observava tudo.
Um sorriso vazio surgiu em seus lábios.
Houve um tempo…
em que aquele amor era só dela.
Agora…
ela não passava de uma estranha.
…
Ela se levantou, cambaleando, querendo sair.
Mas Helena a bloqueou.
— Pare aí!
O tom era duro.
— Ajoelhe-se. Peça desculpas à Bia.
Mel ficou ereta.
— Eu não vou me ajoelhar.
— Sua desgraçada!
Helena perdeu completamente o controle.
— Você destruiu seu pai! Agora quer matar a Bia também?! Que maldição foi ter uma filha como você! A partir de hoje, você não é mais minha filha! Estamos rompidas!
O coração de Mel doeu.
Mas ela reprimiu tudo.
Tentou sair.
Leonardo foi mais rápido.
Segurou a mão dela.
O rosto, frio.
— Amélia… você deve um pedido de desculpas à Bia.
Uma pausa.
— Ela não fez nada de errado.
A voz ficou mais pesada:
— Você pode me odiar… pode me culpar… mas não pode machucar alguém inocente.
Inocente?
Mel olhou para ele.
Fixamente.
Seu coração…
foi se apagando aos poucos.
…
Com um simples olhar da mãe de Leonardo—
os seguranças avançaram.
Prenderam seus ombros.
— Eu mandei ajoelhar! Você não ouviu?!
Helena gritava, histérica.
A humilhação tomou conta de Mel.
Ela mordeu o lábio até sentir o gosto de sangue.
Lutou.
Mas era inútil.
Seus joelhos foram forçados contra o chão frio.
“BANG.”
As lágrimas escorreram silenciosamente.
Ela apertou os punhos.
Sem emitir um único som.
Bianca observava.
Um sorriso quase imperceptível passou por seus olhos.
Ela estendeu a mão, fingindo gentileza:
— Irmã… não fique brava… eu não te culpo…
Mel afastou sua mão.
Levantou-se sozinha.
E saiu.
Dessa vez—
ninguém a impediu.
Ela voltou para aquela casa vazia.
Fria.
Sua visão girava.
Ela abraçou a cabeça, encolhendo-se no sofá, tremendo.
Tudo o que aconteceu…
a fez desabar de novo.
Ela foi puxada de volta para aquele pesadelo.
Na beira do colapso…
pensou no Leonardo de dezesseis anos.
— Leo…
Ela murmurou, perdida:
— Me salva… Leo… eu estou com medo…
…
A porta se abriu.
Uma figura entrou, contra a luz.
Mel não conseguia enxergar direito.
Achou que fosse ele.
Que ele finalmente tinha voltado.
Ela tropeçou até a pessoa.
Abraçou sua cintura com força.
Escondeu o rosto em seu peito, chorando:
— Leo… você voltou… eu estou com tanto medo…
O assistente tinha vindo buscar um contrato.
Mas foi pego de surpresa por aquele abraço.
Ficou rígido.
Ia afastá-la—
quando, naquele exato momento—
Leonardo e Bianca entraram.
Bianca viu os dois abraçados.
Olhou para Leonardo… e então gritou, exageradamente:
— Vocês… o que estão fazendo?!
O assistente entrou em pânico:
— Sr. Tavares! A senhora me abraçou de repente! Eu… eu não sei o que aconteceu!
— Amélia!
Leonardo explodiu.
Arrancou Mel dos braços dele.
— Sai daqui!
O assistente fugiu desesperado.
…
No instante seguinte—
Leonardo puxou Mel.
Brutalmente.
Arrastou-a até o banheiro.
Seus olhos estavam tomados por ciúme e fúria.
Ele abriu a torneira.
Encheu a banheira com água fria.
E então—
agarrou os cabelos dela.
E afundou sua cabeça na água.
— Amélia! Acorda! Olha bem quem eu sou!
A água gelada invadiu sua boca e nariz.
A falta de ar veio instantaneamente.
Mel arregalou os olhos.
Debateu-se desesperadamente.
A água espirrava por todos os lados.
— Mm… me… solta…
O ar foi sendo esmagado.
A sensação de morte…
a engoliu por completo.
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