Como sempre, Leonardo a levou para casa, mas ela sentiu que algo era diferente.
Ao descer, ele entregou-lhe uma caixa embrulhada: "Presente de aniversário."
No caminho do portão do prédio até a entrada, seus passos foram mais rápidos que o normal, pois queria abrir o presente.
Mas, ao chegar, ao ver Vincent, seus pés paralisaram.
Ela ficou de pé, observando-o de longe. Vincent segurava um bolo e um presente, caminhando em sua direção.
Nervoso, ele estendeu o presente, sua voz rouca: "Feliz aniversário, Sophia. Eu disse que comemoraria todos os seus aniversários com você. Ainda bem que não perdi este."
De fato, Vincent nunca faltara a um de seus aniversários. Mesmo com uma agenda lotada de cirurgias, ele arranjava tempo. Mesmo que custasse uma noite em claro, ele nunca faltara.
Mas isso era passado. Sophia pegou o presente. Antes que Vincent pudesse sorrir, ela o jogou no lixo ao lado.
Seu rosto empalideceu instantaneamente. Seu coração parecia ser espremido por uma mão invisível, dificultando sua respiração.
Ela falou com frieza: "Agora você não precisa mais cumprir essas responsabilidades inúteis. Fique longe de mim."
Vincent falou com amargura: "Não é por responsabilidade, Sophia. Sinto muito. Realmente sei que errei, me arrependi. Me dê uma chance. Farei melhor do que antes..."
"Com que direito?" Ela o interrompeu, sua voz gelada.
O ar ficou pesado por alguns segundos. Sophia sorriu com ironia, segurou o presente que ganhara e passou por ele.
Vincent ficou parado lá embaixo, imóvel, a noite toda.
Alguns dias depois, Sophia precisou voltar ao seu país de origem para resolver uma burocracia. Vincent, por 'coincidência', estava no mesmo voo. E, 'por acaso', no assento ao lado.
Ela não deu atenção àquelas atitudes sem sentido. Durante todo o voo, ficou de olhos fechados, em silêncio.
Vincent, vendo-a adormecer assim que entrou no avião, pensou que estava cansada. Permaneceu quieto, sem perturbá-la.
Só quando a viu abrir os olhos precisamente após o pouso, percebeu que ela apenas não queria conversar. Uma dor pontilhada surgiu em seu peito.
Saindo do saguão, Sophia foi até a calçada para pegar um táxi. Vincent a seguiu, solícito: "Sophia, para onde vai? Eu levo. É difícil pegar táxi aqui..."
Ela entrou no táxi que parou, sem expressão, deixando-o para trás.
Após resolver seus assuntos, no dia seguinte, ela foi até a mansão dos Alves.
Seria provavelmente sua última volta. Queria ver o Sr. Henrique uma última vez.
No escritório, Sophia e o Sr. Henrique estavam sentados frente a frente. Ele estava cheio de remorso e pena: "Nunca imaginei que aquele idiota faria algo assim. Fui um péssimo pai. Sophia, você sofreu demais."
Ela falou baixinho: "As escolhas que ele fez foram dele. Não têm nada a ver com o senhor. O senhor sempre será meu querido Tio Henrique."
Isso o deixou ainda mais com o coração partido: "Ah, querida. Fique para jantar hoje. Depois que você for, não terei mais companhia. Este velho fica muito sozinho."
Claro que Sophia não recusaria.
Foi quando bateram na porta: "Senhor, o jovem senhor voltou."
O Sr. Henrique ficou furioso: "O que ele veio fazer aqui? Expulsem-no!"
A empregada respondeu, constrangida: "Tentamos, mas ele não vai embora. Já derrubou três seguranças."
O Sr. Henrique bateu com força na mesa: "Chamem todos os seguranças. Não acredito nisso."
A empregada ia sair, mas Sophia a chamou: "Deixa ele entrar."
Encontrando o olhar do Sr. Henrique, ela o acalmou: "Está tudo bem. Não fique bravo, vai fazer mal à saúde."