Como eram muitas pessoas, pegaram dois carros.
Sophia e Larissa foram com Leonardo; os outros foram de táxi.
Sophia, que enjoava, sentou no banco da frente. Larissa, atrás, ainda olhava pela janela: "Aquele cara de antes era tão bonito! Mesmo parecendo cansado, não dava para esconder a beleza. Queria muito o contato dele."
Sophia permaneceu em silêncio. Leonardo, notando, falou para quem estava atrás: "Pode fechar a boca? Para você, todo cara bonito tem que ter pelo menos noventa pontos. Não sei onde você enfia os olhos."
Imediatamente, a atenção de Larissa foi desviada. Ela esqueceu Vincent e começou a discutir com o irmão.
Sophia olhava as sombras das árvores passando rapidamente pela janela, sua mente ainda naquela única palavra de Vincent. Não havia surpresa em sua voz, então não foi coincidência. O que ele queria, encontrando-a?
Já se passara tanto tempo. Ele e Camila provavelmente já estariam casados. Então, menos razão para procurá-la.
Pensou durante todo o caminho, sem chegar a uma conclusão. Decidiu não pensar mais. De qualquer forma, não tinha mais nada a ver com ela.
Durante o jantar, Sophia esteve distraída. Depois, entrou no carro. Leonardo levou Larissa para casa primeiro, depois seguiu em outra direção.
Foi quando ela percebeu que não era o caminho de volta: "Para onde estamos indo?"
Leonardo segurava o volante com uma mão: "Vou te levar para espairecer. Você anda tensa ultimamente."
Sophia hesitou, pensando: 'Estou?'
Pensando bem, sim. Havia uma lacuna muito grande, sua voz estava recentemente recuperada, e antes da competição, ela praticava todos os dias, com medo de errar.
Não imaginara que Leonardo tivesse notado. Uma onda de calor percorreu seu peito.
Leonardo a levou a um clube de kart. As pessoas lá obviamente o conheciam, e mesmo na hora de fechar, deixaram-no entrar.
Depois de algumas voltas, Sophia sentiu-se realmente mais relaxada. As emoções reprimidas desde o reencontro com Vincent evaporaram.
No final, ele a levou para casa. Ao descer, Sophia disse de repente: "Obrigada por hoje."
Leonardo cruzou as mãos sobre o volante, inclinando-se para a frente, olhando para ela de lado: "Você é minha paciente. Claro que sou responsável por você."
Ela baixou a cabeça, sorrindo. Não mencionou que o bem-estar psicológico não estava em seu escopo de tratamento. Desceu do carro, curvou-se na janela, acenou para ele e subiu.
Aquele encontro inesperado com Vincent foi apenas um incidente isolado. Provavelmente não se repetiria.
Mas, em seu próximo show, Sophia o viu na plateia. Ela hesitou por um instante, mas não teve tempo para pensar, começando a se apresentar.
Vincent estava sentado no melhor lugar, seus olhos fixos na pessoa no palco. Quando ainda a tinha, nunca fora assisti-la. Agora, ele só podia observá-la, inalcançável, da plateia, com a mesma posição de qualquer outro fã.
Uma dor pontilhada surgiu em seu coração.
Após o show, Sophia e os colegas foram para os bastidores, em direção aos camarins. Ao virar a esquina, ela o viu parado diante da porta.
Seu olhar era direcionado a ela. Larissa, ao lado, não percebeu, agarrando sua mão animada.
Só dentro do camarim Larissa falou, eufórica: "Aquele gato também veio?! Isso deve ser destino! Desta vez, vou..."
"Lari, vou sair um instante", Sophia interrompeu, dando um tapinha suave em seu braço.
Ela saiu. Passou por Vincent sem parar, seguindo em direção ao corredor na esquina.
Vincent, vendo-a se aproximar, teve um brilho nos olhos. Então, seguiu-a até a esquina.