Sophia não sabia como ele a encontrara, mas não tinha a menor intenção de vê-lo naquele momento. Então, de fora, ligou para o hotel pedindo para cancelarem seu quarto e trazerem sua bagagem.
Com a mala em mãos, foi direto para o aeroporto, remarcou seu voo para o mais próximo possível e deixou o lugar.
Enquanto isso, Vincent ainda esperava do lado de fora, aguardando o assistente enviar o número confirmado do quarto. Assim que o recebeu, subiu correndo, mas chegou em um quarto vazio.
A pista pela qual tinham procurado incansavelmente por dois meses se rompia novamente. Vincent ficou parado no local, desesperado. Era o lugar mais próximo de Sophia em dois meses.
Na manhã seguinte, Sophia chegou ao aeroporto. Desta vez, não ficou em hotel. Alugou um apartamento, arrumou suas coisas e foi até o endereço no cartão.
Era um hospital privado com um ambiente muito bom. Ela mostrou o cartão, pulou a fila de cadastro e foi levada até o consultório do Dr. Leonardo Costa.
A enfermeira pediu que ela se sentasse no sofá: "O Dr. Costa está fazendo a ronda. Pode esperar aqui um momento."
Sophia assentiu, olhando ao redor. O consultório era espaçoso, mas simples. Enquanto observava, uma voz aveludada soou.
"Não me lembro de ter paciente marcado para esta tarde."
Ela se virou e viu um homem alto entrando. Ele tirava a caneta do bolso do jaleco enquanto falava. Seus olhos amendoados pousaram levemente sobre ela.
A enfermeira, que voltara com um copo d'água para Sophia, disse: "Esta senhorita veio com seu cartão. Você mesmo disse que o cartão era passe livre. Então trouxe direto."
Leonardo então se lembrou: "Ah, certo. Obrigado, então."
A enfermeira acenou com a mão e saiu, fechando a porta. Por um momento, ficaram apenas os dois.
Sophia ficou hipnotizada por seu rosto. Porque ele era realmente muito bonito. Diferente da beleza masculina de Vincent, ele tinha uma beleza quase deslumbrante.
Leonardo sentou-se atrás da mesa. Vendo-a absorta, seus olhos se estreitaram levemente, e ele brincou: "Vai furar um buraco em mim."
Ela voltou a si rapidamente, as bochechas ardentes, e sentou-se à sua frente. Colocou o cartão na mesa: "Foi o Dr. Liang que me mandou. Minha voz está bem danificada."
Leonardo também deixou a brincadeira de lado e começou a examiná-la com seriedade.
Ao ver os raios-X, ele disse o mesmo que o Dr. Liang: "Suas cordas vocais foram danificadas após um corte..."
Enquanto falava, olhou para Sophia. A expressão em seus olhos era difícil de ler.
Ela baixou a cabeça, evitando o contato visual, e permaneceu em silêncio. Leonardo não insistiu. Em um dia, traçou um plano de tratamento.
Sophia segurou a prescrição, os olhos ligeiramente arregalados: "Dá para curar?"
Leonardo apoiou uma mão na mesa, inclinando o torso para frente, sobre ela, aproximando-se. Seu dedo indicador apontou para as instruções no papel. "Também depende de você segui-las direitinho. Caso contrário, não posso garantir."
O aroma fresco de pinho envolveu-a, deixando-a tonta por um instante. "Vou seguir."
O tratamento durou mais de seis meses. Ela ia ao hospital pontualmente, conforme o cronograma. Gradualmente, sua voz melhorou visivelmente. Agradecida, comprou um presente para Leonardo.
Ele olhou para a caixa e a empurrou de volta com uma mão: "Se for por gratidão, não precisa. Nosso hospital não aceita presentes. Mas se for porque
você
quer dar, que tal dar com outro pretexto? Tipo, meu aniversário."
Sophia pareceu confusa com o comentário, mas entendeu que ele não aceitaria naquele dia.
A última fase do tratamento envolvia uma cirurgia. O trauma da última operação a deixou aterrorizada. No dia anterior, ela já estava nervosa.
Deitada na mesa de operação, estava tão tensa que ficou pálida, todo o seu corpo tremendo levemente.
Leonardo, de máscara, apenas seus olhos amendoados visíveis, inclinou-se sobre ela. Seu olhar estava repleto de ternura: "Não fique nervosa. Não vou deixar nada acontecer com você. Toda cirurgia tem riscos, mas aqui, minha taxa de sucesso é de 100%."
Ela gradualmente se relaxou.