《Promessa de Ódio, Sussurro de Amor》Capítulo 7

Naquela noite, Sophia teve uma febre alta. Ficou deitada, febril, por dois dias, até que sua consciência gradualmente retornou.

Vincent estava sentado à beira da cama. Ao vê-la acordar, tocou sua testa: "A febre finalmente baixou um pouco."

Ela continuou olhando para o teto com um olhar vazio, não reagindo a nada que ele dissesse, até que ele falou: "Sophia, não precisa se preocupar tanto. Com certeza vou curar sua voz."

Seus olhos se moveram, fitando-o. Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu. Uma sensação de queimação subiu em sua garganta.

Vendo a expressão de pânico em seu rosto, ele a acariciou, explicando: "Sua febre estava muito alta, a garganta inflamou e danificou suas cordas vocais. Uma pequena cirurgia vai resolver."

Sua voz era confiante, e Sophia gradualmente se acalmou.

Três dias depois, Sophia tinha um show. Precisou de uma injeção para a dor para conseguir cantar até o fim.

A galera da banda, que não a via havia dias, insistiu para saírem. Ela recusou. A cirurgia seria no dia seguinte.

Embora decepcionados, não insistiram: "Podemos sair depois. Temos muito tempo..."

"Eu vou embora." Sophia olhou para eles, falando devagar. "A passagem é daqui a cinco dias."

A frase deixou todos paralisados. Depois de um tempo, alguém falou: "Mas, mana, seu casamento não é daqui a seis dias? Nós recebemos os convites."

Ela baixou a cabeça. "Não vai ter mais. Esqueçam os convites."

Um silêncio pesado tomou conta. Todos sabiam o quanto ela gostava de Vincent.

Sophia sorriu, dando um soco leve no mais próximo. "O que foi isso? Dizem que o casamento é um túmulo. Se eu não vou entrar no túmulo, por que estão tristes? Fiquem tranquilos, não vou desistir de cantar. Afinal, agora só tenho isso..." As últimas palavras eram quase inaudíveis.

Vendo sua expressão sincera, eles relaxaram.

"Então, mana, não se esqueça de voltar para nos ver, hein? Não suma só porque vai embora..."

Sophia sentiu uma mão agarrando a dela. A voz grave de Vincent soou em seu ouvido: "Para onde você vai?"

Vincent tinha vindo buscá-la.

Ela não respondeu, se despedindo da banda. Já no carro, ele perguntou novamente. "Estou pensando em sair da banda."

Vincent pareceu surpreso, virando o volante com uma mão. "Por que sair? Você não gostava?"

"Agora não gosto mais", ela respondeu sem emoção.

Ele não disse mais nada. "A cirurgia é amanhã de manhã. Já está tudo marcado."

Sophia presumiu que Vincent faria a cirurgia, ou no mínimo um médico-chefe. Por isso, não perguntou mais.

Até que, no dia seguinte, já deitada na mesa de operação, sob o efeito da anestesia, percebeu que a cirurgiã principal era Camila. Vincent estava ao lado dela, como assistente.

Ela prezava demais por sua voz para entregá-la a uma estagiária.

Sophia, em pânico, tentou se levantar. Mas a anestesia a deixou fraca. Sua voz era entrecortada: "Troca... Ela não... Vincent... Você faz..."

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Vincent acariciou seu rosto com suavidade. "Fica quietinha. A Camila precisa de experiência prática para sua tese. Ela tem as melhores notas. Não se preocupe. É só dormir um pouco."

Com essas palavras, Sophia perdeu totalmente a consciência.

Ao acordar, já estava em seu quarto. Após alguns segundos de estupor, todas as memórias de antes da cirurgia inundaram sua mente. Ela abriu a boca para falar, mas só saíram sílabas estilhaçadas, como o som de um fole.

Sophia pressionou a garganta, desesperada, tentando de novo. Nenhuma melhora. Seus olhos ficaram vermelhos de desespero.

A porta do quarto se abriu. Vincent entrou. Camila vinha atrás dele.

Ela olhou para ele, apontando para a própria garganta com urgência. Vincent evitou seu olhar por um segundo antes de falar: "Houve uma pequena complicação na cirurgia. Mas fique tranquila, com certeza vou curar sua voz."

Os olhos de Sophia se arregalaram. Seu corpo inteiro paralisou, como se tivesse sido atingida por um raio.

Uma pequena complicação? Se fosse pequena, ele estaria agindo assim?

Inadvertidamente, seus olhos encontraram os de Camila, que estava atrás de Vincent. Havia provocação e satisfação neles.

Incredulidade brilhou em seus olhos. Antes do incidente das fotos, Sophia não tinha desconfiado dela. Pensou que uma garota não iria tão longe a ponto de orquestrar tudo aquilo.

Mas agora estava claro. Tudo foi obra dela. Por causa dela, sua mãe se foi. Por causa dela, sua voz estava arruinada. Uma fúria cega surgiu em seu peito. Sophia pegou um objeto decorativo próximo e o atirou.

Vincent franziu a testa, dando um passo para o lado, protegendo Camila em seus braços. "Sophia! Você está louca?!"

Suas mãos se cerraram com força, seus olhos cheios de ódio fixos nela. "Ela... fez... de propósito."

Ao ouvir isso, a testa de Vincent franziu ainda mais. Sua voz ficou fria. "Cirurgias têm riscos. O que ela tem a ver com isso? Não saia atacando as pessoas só porque as coisas não saíram como você queria."

O olhar de Sophia ficou vazio. Lentamente, ela o encarou.

Seu rosto estava repleto de impaciência com o que considerava um ataque irracional. Ela baixou a cabeça, puxando os lábios num sorriso. Como tinha se esquecido? Sem a crença incondicional de Vincent, que estrago Camila poderia ter feito?

Nos dias seguintes, Sophia não proferiu uma única palavra. Vincent visitava seu quarto todos os dias, repetindo sua promessa de curar sua voz. Ela nunca o fitou.

Na quarta noite, ela recebeu uma mensagem do Sr. Henrique com os detalhes do voo e uma quantia em dinheiro.

[Sophia, fique com este dinheiro. Tenha uma boa vida com sua mãe.]

Ela não havia contado a ele sobre a morte de sua mãe, para não preocupá-lo. Ela respondeu com um simples 'Ok'.

Mal havia salvo as informações, Vincent, no sofá, falou: "Sophia, tenho um compromisso. Não vou ficar aqui esta noite. A nova cirurgia já está marcada. Será depois do casamento, em dois dias."

Sophia nem levantou a cabeça. Dez minutos depois, Camila postou uma atualização. A foto mostrava Vincent acompanhando-a para ver fogos de artifício.

Sua mão tremeu. Por fim, ela abriu o perfil de Camila e apertou 'Excluir Contato'.

No dia seguinte, quando Sophia partiu, a chuva intensa que durava dias havia parado. O sol rompia as nuvens, iluminando o chão. Ao pé do hospital, ela quebrou o chip do celular e o jogou no lixo.

Assim, sob a luz do sol, sozinha, ela partiu em direção à sua nova vida. Uma vida totalmente nova, sem Vincent.

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