Sophia sentiu a cabeça zumbir. Seus pensamentos paralisaram completamente naquele momento. O que significava entrar em um quarto de hotel? Ela se recusava a adivinhar.
Um fio de esperança ainda persistia em seu coração. Talvez ele estivesse apenas levando Camila de volta ao quarto?
Ela se aproximou da porta. Até que ouviu, do outro lado, na entrada, sons ofegantes e o barulho úmido de beijos. Aquele último fio de esperança evaporou.
Sophia não arrombou a porta. Já estava suficientemente humilhada. Não queria se rebaixar ainda mais.
Cobriu a boca para conter os soluços que ameaçavam escapar e fugiu cambaleante do hotel.
Naquela noite, Sophia sentou-se no sofá, olhando pela janela, imóvel a noite toda.
Sua mente repetia incessantemente o que poderia ter acontecido depois naquele quarto. A dor no peito era indescritível.
No dia seguinte, Vincent finalmente voltou para casa. Suas roupas estavam amassadas, com manchas de líquido não identificado, e seu corpo todo exalava o perfume de Camila.
Os olhos de Sophia, vermelhos de insônia, fitaram-no: "Você dormiu com a Camila ontem."
A mão de Vincent, que ajustava a gravata, hesitou por um segundo. Então ele falou: "Sinto muito. Eu agi mal. Mas ela bebeu algo estragado ontem. A reação foi forte. Só eu podia ajudá-la..."
"Mas vocês ainda dormiram juntos. Você lembra que tem uma noiva?" Ela se levantou e foi até ele, sua voz trêmula, o tom quase histérico.
Vincent não tinha dormido a noite toda, sua cabeça latejava e sua paciência era pouca: "Eu disse que foi só para ajudar. E foi só desta vez. Não pense demais. Eu vou me casar com você, com certeza. O casamento é daqui a pouco. Não cause problemas."
Dito isso, ele se virou e saiu de casa, como se não quisesse lidar com sua suposta "cena irracional".
Com o som da porta sendo fechada com força, Sophia desabou no chão, sem forças. Lágrimas escorreram incontroláveis, mas ela sorriu.
Sentiu-se ridícula. Sabia perfeitamente que ela era apenas uma obrigação para Vincent. Pelo que diabos ainda estava esperando?
Não soube por quanto tempo ficou sentada ali. Finalmente, como um zumbi, Sophia arrastou-se para a cama e caiu num sono profundo.
Foi sacudida e puxada para fora da cama por Vincent. Ele a arrastou até o carro, não importando o quanto ela se debatesse.
"Vincent! O que você está fazendo?!"
O carro disparou pelas ruas, guiado por ele. Seu tom de voz era sombrio ao extremo: "Pergunta o que estou fazendo? Eu disse para não causar problemas. Por que você tirou fotos da cama para ameaçar a Camila?!"
Sophia estava completamente perdida: "Eu não fiz isso."
"Se não foi você, quem mais poderia ser? Hoje à tarde, Camila deixou a carta de demissão e foi para a borda do terraço do hospital. Se algo acontecer com ela, não vou perdoá-la." Sua voz era carregada de rancor, como se realmente a odiasse profundamente.
Chegaram rapidamente ao hospital. Ela foi novamente arrastada, desta vez até o terraço. E lá estava Camila, sentada na beirada.
Os curiosos haviam sido contidos nos andares inferiores. No terraço, só havia eles três.
Vincent olhava para Camila, tenso, sua voz suave: "Camila, eu a trouxe. Ela vai garantir que as fotos não serão divulgadas. Desce daí, por favor. É perigoso."
Ele nem sequer deu a Sophia a chance de se explicar. Já havia julgado. Seu coração doía como se espetado por inúmeras agulhas. "Eu disse que não fui eu", ela falou friamente.
Camila se levantou. Havia uma dor perfeitamente medida em seus olhos. "Doutor, se essas fotos vazarem, minha reputação estará arruinada. Para que viver, então?"
Vincent estava desesperado. Puxando Sophia, ele se aproximou lentamente, sua voz trêmula: "Camila, não seja impulsiva. Eu não vou deixar as fotos vazarem..."
Ele a acalmava, aproximando-se cada vez mais, até ficar a apenas dois passos de distância.
No momento em que Camila baixou a guarda, ele soltou o braço de Sophia e puxou Camila para o lado seguro, para dentro do terraço. Sophia, empurrada, perdeu o equilíbrio e caiu direto do quarto andar.
Tudo pareceu acontecer em câmera lenta. A imagem de Vincent, desesperado, abraçando Camila, cravou-se profundamente em seus olhos.
A sensação de queda livre foi avassaladora. Olhando para o céu azul, ela fechou os olhos em desespero.
A dor foi mais intensa do que imaginara. Tão intensa que ela desmaiou antes mesmo de as lágrimas terem tempo de cair.