《De Inútil a Rainha: Minha Jornada no Mundo das Feras com um Sistema de Fofura》Capítulo 5 — A mãe chegou

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Assim que Helena viu a cestinha, as lágrimas caíram ainda mais forte.

— Essa cesta é da Luninha! Então ela foi mesmo pro lado do riacho! E se alguma fera levou ela?!

— Mãe, não aconteceu nada.

Diego se aproximou e a segurou com cuidado, a voz suave e firme:

— Quem teria coragem de tocar em alguém da família Valente?

— Eu já mandei avisar as tribos vizinhas. Se a Luninha ainda estiver na Floresta do Sul, nós vamos encontrá-la.

Augusto puxou o ar devagar e falou em tom grave:

— Todo mundo se divide em seis grupos. Um vai para a região do penhasco, outro para as cavernas do norte. Os demais procuram em todas as matas ao redor do Vale Valente.

Ele fez uma pausa, a voz ficando ainda mais pesada:

— Lembrem-se. Quero ver a coelha viva… ou o corpo—

A frase morreu no meio.

Ele fechou a expressão e corrigiu na mesma hora:

— Não. Vocês vão encontrá-la viva.

— Sim!

Os seis irmãos responderam em uníssono.

Rafael foi o primeiro a se virar. A armadura prateada brilhava sob a luz do entardecer.

— Bruno, você leva um grupo pro penhasco. Diego, você vai pras cavernas. Eu vou para a mata do leste.

— Eu vou com você, irmão!

Enzo, o mais novo, era também o mais apegado a Luna. Segurava a espada com força, os olhos cheios de determinação.

— A Luninha com certeza tá esperando a gente encontrar ela!

Helena observou os filhos saírem e enxugou os olhos. Em seguida, virou-se e entrou em casa.

Abriu um armário e de lá tirou um pequeno sino de bronze.

Era um sino de proteção que Augusto havia feito especialmente para Luna. Se a coelhinha estivesse por perto, o som chegaria até seus ouvidos.

Segurando o sino, Helena correu na direção do penhasco.

— Luninha! Tá ouvindo a mamãe? Sai, meu amor!

O tilintar claro do sino se espalhou pelo entardecer e viajou pela floresta, alcançando a direção da caverna.

Dentro da caverna, Luna massageava a cabeça ainda dolorida da pancada de antes, quando escutou ao longe o som conhecido do sino, junto com a voz de Helena.

— Mãe?

Ela congelou por um instante. As orelhas tremeram no mesmo segundo.

Era a mãe coelha dela.

Luna correu para a entrada, afastou o mato e tentou espiar. Não conseguia ver ninguém, mas o som do sino vinha cada vez mais perto. Havia ansiedade naquela voz, desespero até.

E, sem aviso, o coração dela esquentou.

No apocalipse, ela nunca teve família.

A única companheira em quem confiou acabou traindo-a por meio pedaço de pão.

Mas agora…

havia alguém mobilizando o Vale Valente inteiro só para encontrá-la.

— Porra… por que isso tá me emocionando?

Luna fez cara feia, mas os olhos mesmo assim avermelharam. A patinha arranhou de leve a pedra da entrada.

Há pouco ela ainda pensava em se esconder dos pais.

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Agora, tudo o que queria era sair correndo e se enfiar nos braços de Helena.

— Hospedeira, é a sua mãe! — Borboleta pulava sem parar em sua consciência. — Sai logo! Senão ela vai começar a chorar!

Luna não respondeu.

Mas a cabeça já fazia contas rápido.

Se saísse, aqueles cinco futuros companheiros iam pegá-la.

Se não saísse, Helena continuaria desesperada.

Além disso… com os pais e os irmãos por perto, aqueles cinco provavelmente não ousariam fazer nada com ela.

Provavelmente.

Foi nesse momento que a voz de Matheus veio do lado de fora:

— Luninha, sai. Eu trouxe cenouras pra você.

Luna franziu o cenho e já ia retrucar, quando de repente ouviu ao longe o grito de Rafael:

— Luninha! Você tá aí? Se estiver ouvindo, responde!

Era o irmão mais velho.

Pronto.

Aquilo foi o suficiente.

Antes mesmo de terminar de pensar, Luna afastou o mato da entrada com tudo e saltou para fora.

Sob a luz dourada do entardecer, ela viu os cinco homens parados não muito longe. Matheus realmente segurava algumas cenouras nas mãos.

Mais adiante, pela trilha, vinha correndo uma mulher de vestido verde, com um sino na mão.

No instante em que Helena a viu, seus olhos se iluminaram.

— Luninha!

Ela correu até Luna e a puxou para os braços num abraço apertado. As mãos passaram repetidas vezes sobre o pelo branco da filha, a voz embargada:

— Você matou sua mãe de susto! Onde você foi parar?

Luna ficou envolvida naquele abraço quente, respirando o cheiro familiar de ervas do corpo de Helena. O nariz ardeu, e ela não resistiu: esfregou a cabeça de leve na mão dela.

— Mãe, eu tô bem. Só caí e acabei dormindo dentro da caverna.

— Onde você se machucou? Tá doendo? Me mostra.

Helena se apressou em examiná-la. Ao ver a sujeira nas patinhas, enxugou os olhos outra vez.

— Nunca mais sai sozinha desse jeito!

— Tá bom, mãe.

Luna respondeu obediente.

Mas, pelo canto do olho, observou os cinco companheiros.

Leonardo mantinha os olhos dourados fixos nela, como se ainda estivesse preocupado.

Dante torceu a boca, mas não falou mais nada sobre luvas.

Sebastian balançava as caudas com ar divertido, os olhos cheios de interesse.

Matheus estendeu silenciosamente as cenouras.

Adrian permanecia encostado à árvore, e o gelo nos olhos azuis parecia menos frio do que antes.

Leonardo deu um passo à frente.

— Tia Helena.

Ele fez uma reverência respeitosa.

— O importante é que a Luninha está bem. Nós ficamos aqui o tempo todo, com medo de que alguma coisa perigosa acontecesse.

Helena levantou os olhos e lançou um olhar atravessado para todos eles.

— Vocês parem de assustar minha filha o tempo todo! Se ela sofrer de novo, eu vou falar com os pais de vocês!

— Não ousaríamos.

Os cinco responderam juntos, sem coragem de rebater.

Ninguém ali era idiota a ponto de irritar Helena, uma fêmea S-rank. E Augusto era conhecido por proteger a esposa como se a vida dele dependesse disso; se Helena saísse magoada, ele seria capaz de arrancar as escamas de qualquer um deles na força.

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Nesse instante, ouviu-se novamente a voz de Rafael:

— Mãe! Acharam a Luninha?

Luna levantou a cabeça e viu os seis irmãos de armadura prateada se aproximando em passos rápidos.

Rafael vinha na frente. Assim que a viu nos braços de Helena, soltou enfim o ar preso no peito.

— Ainda bem que encontramos você. Senão o pai ia mesmo mandar a gente guardar o Templo das Feras como punição.

— Irmão!

Luna saiu dos braços de Helena e correu até Rafael, esfregando a cabeça na barra da roupa dele.

Afinal, aquilo ali era apoio de verdade.

Com os irmãos por perto, queria ver aqueles cinco ousarem tratar ela mal.

Rafael se abaixou e a pegou no colo, coçando de leve o queixo dela com um dedo. A voz dele saiu suave:

— Se você fugir tão longe de novo, eu vou confiscar todas as suas cenouras.

Luna torceu a boca, mas não rebateu.

Ela sabia que aquilo era preocupação.

O sol terminou de desaparecer no horizonte.

Helena carregava Luna no colo. Atrás delas vinham os seis irmãos, e logo depois os cinco futuros companheiros. Todo o grupo seguiu de volta para o Vale Valente.

Deitada nos braços da mãe, Luna observou a família ao redor e então lançou um olhar para os cinco homens atrás deles.

Um pensamento surgiu de repente.

Com tantos apoios assim…

não seria muito mais fácil acumular pontos de fofura?

Por exemplo: se comportar direitinho na frente dos pais, fazer charme com os irmãos… e quanto àqueles cinco…

bem, por enquanto eles podiam servir como guarda-costas gratuitos.

— Sistema — ela perguntou mentalmente —, se eu mandar o Leonardo caçar uma fera pra mim, quantos pontos eu ganho?

Borboleta pensou por um momento.

— Bastante, eu acho! Mas… você tem certeza de que ele vai te obedecer?

Luna sorriu. Um brilho astuto passou pelos olhos vermelhos.

— Só espera. Eu tenho um monte de jeito pra fazer eles me obedecerem.

A noite foi descendo devagar.

Os insetos da Floresta do Sul começaram a cantar, e o grupo foi seguindo pela trilha, conversando enquanto voltava para casa.

Ninguém percebeu que, nas sombras distantes entre as árvores, um par de olhos castanho-escuros observava Luna sem piscar.

Cheios de inveja.

Era Camila Duarte.

Ela queria acompanhar Leonardo desde muito tempo. Mas, ao ver o quanto ele agora prestava atenção naquela coelha inútil, sentiu o peito ser atravessado por algo afiado.

— Luna… espera só.

Camila mordeu o lábio.

— Eu não vou deixar você roubar o Leonardo de mim.

E desapareceu na escuridão da floresta.

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