localização atual: Novela Mágica Fantasia De Inútil a Rainha: Minha Jornada no Mundo das Feras com um Sistema de Fofura Capítulo 4 — Eu sou muito forte, de verdade

《De Inútil a Rainha: Minha Jornada no Mundo das Feras com um Sistema de Fofura》Capítulo 4 — Eu sou muito forte, de verdade

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— Hospedeira! Acorda! Você vai desmaiar de fome!

Borboleta pulava dentro da mente de Luna, e seu corpinho brilhante batia de um lado para o outro, fazendo até a consciência dela balançar.

— As cenouras do espaço já cresceram! Se você não acordar agora, a carne seca do seu sonho vai virar pedra!

Luna franziu as sobrancelhas miúdas. Ainda meio sonolenta, levou a patinha instintivamente até a boca e murmurou:

— Não enche… só mais uma mordida…

Mas o gosto da carne seca desapareceu de repente.

No lugar dele veio um aroma fresco e adocicado.

Cenoura.

Cenoura do espaço.

Ela estalou a língua, contrariada, e por fim abriu os olhos. Os olhos vermelhos ainda estavam cobertos por uma névoa de sono, até que o estômago roncou alto.

— Porra… tô com fome de novo.

Ela se apoiou nas patas dianteiras, sentou-se e sacudiu o pelo cheio de poeira. Com um simples pensamento, entrou no espaço do sistema.

Na terra preta, os brotinhos verdes já tinham despontado. As que cresciam mais rápido haviam produzido cenouras fininhas, da grossura de um dedo, com raízes alaranjadas enterradas na terra escura, frescas e suculentas só de olhar.

Luna arrancou uma com a pata e levou direto à boca, sem nem lavar.

Assim que mordeu, o suco doce e crocante explodiu na língua. Era cem vezes melhor do que aqueles biscoitos comprimidos horrorosos que ela comia no apocalipse.

— Isso sim é comida de verdade.

Ela mastigava e assentia, satisfeita, sem perceber que Borboleta estava olhando para sua patinha com cara de quem quase babava.

— Hospedeira, da próxima vez planta umas frutinhas, vai? Ouvi dizer que as frutinhas vermelhas daqui são doces demais!

— Quando eu juntar pontos suficientes, eu penso nisso.

Luna engoliu o último pedaço da cenoura, deu um tapinha na barriga e pegou novamente o manual da

Arte do Rei Coelho

.

As páginas estavam escritas em runas do mundo das feras, mas, com a tradução do sistema, ela conseguia entender tudo.

Logo na abertura dizia:

“A força do coelho está nas patas e nas orelhas. Vence-se o duro com o suave. Usa-se a força do inimigo contra ele.”

Perfeito para aquele corpinho pequeno.

Ela estava prestes a tentar fazer circular a energia de acordo com a técnica quando ouviu, do lado de fora da caverna, um estalo seco.

Como o som de um galho sendo pisado.

Na mesma hora, Luna ergueu as orelhas. Os olhos vermelhos se estreitaram, atentos, e as patinhas se retesaram por instinto.

Do lado de fora, o sol já havia descido até o topo das árvores da Floresta do Sul. A luz dourada do entardecer alongava cinco sombras pelo chão.

Leonardo já havia assumido a forma humana.

O cabelo dourado e a pele clara chamavam atenção na penumbra do crepúsculo. Ele vestia um robe branco com detalhes dourados, e a barra da roupa se movia com o vento. As sobrancelhas estavam franzidas enquanto ele chutava pedrinhas diante da entrada da caverna, ainda bloqueada por mato.

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— Já passou uma hora. Por que ela ainda não saiu?

Sua voz humana era mais grave do que na forma de fera, carregada de impaciência. Mesmo assim, havia preocupação escondida em seus olhos dourados.

Antes, ele tinha afastado as pedras da entrada com as patas e não sentira cheiro de sangue. Mas aquela coelhinha era medrosa; se tivesse surtado lá dentro, seria um problema.

Dante estava encostado no tronco de uma árvore, o cabelo negro caindo pelo peito. Seus olhos dourados passaram pela entrada da caverna, e um sorriso irritante curvou seus lábios.

— Pra que tanta pressa? Ela não vai morrer. E se morrer, a gente arruma outra fêmea. De qualquer forma, ela nem assumiu forma humana. Quando chegar o cio, também não vai servir pra muita coisa.

Era isso que ele dizia.

Mas, ao mesmo tempo, foi discretamente chegando mais perto da entrada e tocou com os dedos as videiras penduradas. Já tinha testado antes: por aquele buraco, só um coelho passava. Mesmo em forma humana, nenhum deles conseguiria entrar, quanto mais na forma de fera.

Sebastian balançou as nove caudas brancas, o traje roxo refletindo uma luz suave sob o pôr do sol.

Agachado no chão, ele brincava com um inseto que passava ali perto, os olhos âmbar cheios de diversão.

— Você fala como se estivesse tudo bem… mas esqueceu o que o tio Augusto e a tia Helena disseram quando entregaram a Luninha pra gente?

Ele ergueu os olhos e sorriu.

— “Se faltar um pelo da Luna, arrancamos as escamas de vocês e fazemos um cinto.”

Matheus estava parado mais perto da entrada que todos os outros. A roupa escura deixava seus ombros largos ainda mais evidentes, e os cabelos pretos caíam ao lado do rosto.

Os olhos de lobo permaneciam fixos na vegetação da entrada.

Ele não dizia nada.

Mas, se qualquer coisa se movesse, seria o primeiro a avançar.

De manhã, quando Luna caiu dali, fora ele o primeiro a encostar nela com o focinho. Ainda se lembrava do corpinho pequeno tremendo, leve como uma folha prestes a cair.

Adrian, por sua vez, estava sentado num galho ao lado. O cabelo branco havia sido tingido de dourado pela luz do entardecer. Os olhos azuis, frios como gelo, não se desviavam da entrada nem por um instante.

De repente, ele falou:

— Tem movimento lá dentro.

Todos ficaram em silêncio no mesmo instante.

Até Leonardo prendeu a respiração.

E realmente—

o mato da entrada se moveu de leve, revelando um tufo de pelo branco.

A orelha de Luna.

— Ela vai sair.

Leonardo deu um passo à frente, já cerrando a mão, mas antes que dissesse qualquer coisa, a orelha sumiu de novo.

No segundo seguinte, ouviu-se um

toc

abafado vindo lá de dentro.

Parecia que a coelha tinha batido a cabeça na parede de pedra.

Dante não segurou a risada.

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— Porra, que burra.

Mas o alívio já tinha aparecido no fundo dos olhos dele.

Se ela ainda conseguia bater a cabeça na parede, então não tinha virado cachecol ainda.

Sebastian também se levantou, as caudas roçando o chão.

— Pelo visto, vamos ter que dar um jeito de fazer ela sair. Não dá pra continuar bloqueando a entrada assim. Se o tio Augusto e a tia Helena aparecerem antes, a gente tá ferrado.

Matheus enfim abriu a boca, a voz baixa e firme:

— Vou buscar cenouras. Ela caiu de manhã porque saiu atrás de comida. Talvez, se vir comida, saia por conta própria.

Leonardo assentiu.

— Vai. E pega as mais frescas. Não traz as que sobraram de ontem.

Matheus se virou e começou a andar pela floresta.

Mal tinha dado alguns passos quando ouviu, ao longe, o som de passos apressados misturado a uma voz feminina em desespero:

— Luninha! Minha Luninha! Onde você tá?!

A casa de madeira da família Valente ficava no Vale Valente, na borda da Floresta do Sul. O telhado era coberto por palha grossa, e no espaço em frente à casa cresciam ervas aromáticas que Helena adorava cultivar.

Naquele momento, Helena apertava contra o peito uma pequena manta branca de pelo de coelho. Seus olhos estavam vermelhos, e a voz tremia enquanto ela andava de um lado para o outro no espaço aberto diante da casa.

— De manhã ela tava tão bem… disse que ia colher frutinhas… como é que desapareceu assim?

Os cabelos negros caíam soltos pelos ombros, e o vestido verde tremulava com o vento. De vez em quando ela enxugava as lágrimas. A mantinha em suas mãos era a que Luna usara para dormir na noite anterior e ainda guardava um restinho do calor da coelhinha.

— E se ela caiu do penhasco? Da outra vez ela quase caiu!

— Calma.

Augusto estava ao lado dela. O cabelo negro preso no alto e os olhos dourados cheios de autoridade davam a ele um ar naturalmente imponente.

Mas seus dedos batiam sem perceber no pingente de jade com desenho de dragão preso à cintura.

Ele acabara de voltar do Palácio das Feras do Sul e, assim que entrou em casa, ouviu que sua filha caçula tinha desaparecido.

Seu coração afundou no mesmo instante.

Luna podia ser uma coelhinha.

Mas continuava sendo filha dele.

O tesouro que ele colocava na palma da mão.

Se algo realmente tivesse acontecido com ela…

ele seria capaz de revirar a Floresta do Sul inteira.

Foi então que vozes ecoaram ao longe:

— Pai! Mãe! Voltamos!

Seis jovens de armadura prateada vieram correndo em direção à casa.

Na frente, Rafael, já em forma humana, vinha de cenho franzido e espada na mão, ainda úmida do orvalho.

— Nós fomos até o bosque das frutas do lado leste. Não encontramos a Luninha.

— O segundo irmão foi até o riacho do oeste, também não achou nada.

Bruno vinha logo atrás, segurando uma cestinha de frutas do tamanho da palma da mão.

Era a cesta que Luna levara de manhã.

Agora estava largada sobre uma pedra, perto do riacho.

Mas dela—

não havia sinal nenhum.

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