Ricardo estava muito mais magro.
Isso só deixava seus traços ainda mais frios, mais distantes… quase inalcançáveis.
Assim que me viu, ele apagou rapidamente o cigarro que tinha entre os dedos.
No meio da multidão, ele caminhou contra o fluxo de pessoas até parar diante de mim.
— “Camila… eu me arrependo.”
Olhei para o rosto pálido dele, por um instante me senti confusa.
Ele parecia ter mudado muito…
e, ao mesmo tempo, não tinha mudado nada.
Camisa branca, calça preta, aquele ar frio e elegante.
A única diferença era…
eu já não sentia mais nada por ele.
Sob o olhar fixo dele, perguntei com calma:
— “Se arrepende de quê?”
Ricardo me encarou, a voz baixa:
— “Vamos nos casar de novo… pode ser?”
Ao ouvir aquilo, balancei a cabeça sem hesitar.
— “Impossível. Eu estou muito bem sozinha.”
Ele pareceu não esperar essa resposta.
Ficou atônito por um segundo…
mas logo voltou àquela postura calma e elegante.
Pressionou os lábios, suavizou o olhar — como uma brisa leve de primavera.
— “Então… deixa eu te pagar um jantar.”
Olhei para ele.
Percebi que ele realmente não tinha mudado.
Sempre tão controlado…
mesmo quando não consegue o que quer, ainda mantém a aparência perfeita.
Dessa vez, eu não recusei.
Ricardo dirigia um
Bentley Bentayga
.
Sentei no banco do passageiro…
e, de repente, ele se inclinou para me ajudar a colocar o cinto de segurança.
Durante cinco anos de casamento…
éramos praticamente estranhos vivendo sob o mesmo teto.
Eu sabia que ele tinha aversão ao contato físico…
então nunca exigi nada dele.
Mas agora, seis meses depois do divórcio…
esse gesto só me deixou desconfortável.
Agradeci em voz baixa:
— “Obrigada.”
Ele não desviou o olhar da frente:
— “Não precisa.”
O destino no GPS fui eu quem escolheu —
um restaurante simples de hot pot perto da minha escola.
Achei que ele sugeriria mudar de lugar.
Afinal, antes ele jamais pisaria em um lugar desses.
Como médico, sempre dizia que comida de rua não era higiênica.
Sentamos perto da janela.
Peguei o cardápio com naturalidade e comecei a pedir:
carne com pimenta dupla, miúdos apimentados, cabeça de coelho picante…
todos os meus favoritos.
Depois de pedir, passei o cardápio para ele.
— “Pede o que quiser.”
Ricardo ficou alguns segundos em silêncio.
Talvez não esperasse que eu deixasse de considerar as preferências dele.
No final, pediu apenas alguns legumes leves.
O restaurante estava cheio, barulhento.
Na mesa ao lado, um casal jovem conversava —
o rapaz limpava os talheres para a garota com cuidado.
Logo depois…
vi Ricardo pegar meus talheres.
Com um movimento meio desajeitado, começou a lavar com água quente do bule.
Fiquei surpresa.
Ele parecia ter se queimado, os dedos ficaram levemente vermelhos,
mas ainda assim me entregou os talheres.
Hesitei por um momento, então disse:
— “Na verdade… você não precisa cuidar de mim assim. Nós somos, no máximo, amigos agora. Cada um cuida de si.”
Ricardo não respondeu diretamente.
Em vez disso, disse:
— “Camila… nesses seis meses, eu pensei muito.”
— “Eu não cumpri meu papel como parceiro. Me desculpa.”
Eu realmente não esperava ouvir aquilo.
Por um instante… não soube o que dizer.
Ele sorriu de leve, como se não quisesse me pressionar.
Depois continuou, com a voz suave:
— “Eu recusei a transferência do instituto. Vou ficar no país.”
— “Meus pais também preferem viver aqui. No Reino Unido, nem têm com quem conversar ou jogar mahjong.”
— “Além disso… Edimburgo chove demais.”
— “Você não gosta… e eu também não.”
Ao ouvir aquilo…
levantei a cabeça abruptamente e olhei para ele.
Encontrei o olhar dele — suave, com um leve arrependimento escondido.
Mas…
de que adiantava ele lembrar agora?
Eu já tinha dito antes:
“Não gosto de Edimburgo. Chove demais.”
Mesmo assim…
ele ficou lá por Helena durante um ano.
Até decidiu se estabelecer lá.
Agora…
eu já tinha esquecido aquela cidade chuvosa.
E ele vinha me lembrar disso.
Aquela refeição…
não teve sabor nenhum.
Terminou rapidamente.
Na saída do restaurante, Ricardo me olhou de repente e disse:
— “Camila… já que somos só amigos… você pode me tirar da lista de bloqueados?”
Fiquei em silêncio por alguns segundos…
e respondi de forma direta:
— “Desde que você não volte a falar de casamento, nem me incomode… pode.”
Ricardo ficou surpreso por um instante, depois assentiu:
— “Tudo bem.”
Suspirei e, no fim, peguei o celular…
e tirei o contato dele da lista de bloqueados.
Os olhos dele brilharam levemente, revelando um sorriso discreto.
Ele ainda quis me levar para casa, mas eu recusei.
Jantar com o ex-marido já era o suficiente.
Eu não tinha intenção de manter contato frequente.
Quando cheguei em casa, transferi para ele minha parte da conta do jantar, com a observação:
【Estamos quites.】
Depois do banho, recebi uma ligação da minha ex-sogra, Dona Teresa.
Nos últimos meses, ela às vezes ligava para saber como eu estava…
ou para falar sobre a vida dela e do marido no Reino Unido.
Deitada na cama, atendi com o viva-voz ligado.
— “Cami, daqui a alguns dias eu e seu sogro vamos voltar para o país. Esses meses no Reino Unido foram um sofrimento.”
— “Esses estrangeiros falando inglês o tempo todo… e aquela comida sem gosto que nem cachorro come…”
— “E o pior, achamos que íamos aproveitar a vida lá, mas acabamos cuidando da Helena todos os dias! Eu tinha que cozinhar pra ela, fazer tarefas domésticas…”
— “O ex-marido dela aparecia de vez em quando para causar confusão. Seu sogro já tem pressão alta e diabetes… agora até problema no coração apareceu. Ele não consegue dormir à noite.”
— “Nós dois emagrecemos muito…”
— “Cami… nossa família não teve sorte em te perder.”
Essa era praticamente uma frase padrão de Dona Teresa.
Arrependimento… lamento…
mas nunca um pedido para que eu voltasse com Ricardo.
Por isso, eu tratava os dois como pessoas mais velhas comuns —
ouvia, respondia, me preocupava com a saúde deles.
Depois de meia hora, desligamos.
Olhei o celular.
No chat com Ricardo, havia três mensagens não lidas.
Abri.
【Você chegou em casa? Me avisa quando chegar.】
【Cami… eu senti sua falta nesses meses.】
【Boa noite.】
Aquilo…
era mesmo o Ricardo que eu conhecia?
Eu mal conseguia acreditar.
Não sabia o que tinha acontecido nesses meses…
para transformar aquele homem reservado em alguém tão direto.
Saí da conversa, fechei o celular…
e não respondi.
Na manhã seguinte.
Saí de casa para ir trabalhar como de costume…
e o vi.
Ricardo estava parado embaixo de uma árvore, segurando um grande buquê de margaridas.
Assim que me viu, caminhou até mim.
— “Bom dia, Cami.”
Olhei para o buquê nas mãos dele…
e dei um passo para trás.
— “Ricardo… você não disse que não ia me incomodar?”
Ao perceber meu tom frio, ele abaixou o olhar, um pouco constrangido.
— “Cami… eu prometi não falar de casamento.”
— “Mas eu ainda tenho o direito de tentar te conquistar de novo… não tenho?”
— “Eu sei que te machuquei antes… agora só quero compensar.”
Olhei para o relógio.
Não queria continuar aquela conversa.
Respondi friamente:
— “Eu já disse quando nos divorciamos: eu não volto atrás.”
Talvez aquilo tenha atingido ele.
Ele não insistiu mais.
Mas, a partir daquele dia…
todas as manhãs e todas as noites, sem falhar, ele me mandava mensagens:
“bom dia”, “boa noite”,
“vai esfriar, se agasalha”,
“vai chover, não esquece o guarda-chuva”…
E, todos os dias, ao descer…
eu encontrava um buquê fresco de margaridas sobre meu carro.
Depois de algumas semanas…
eu finalmente perdi a paciência.
Coloquei a máscara, peguei o buquê…
e fui até o carro dele, estacionado ali perto.
Bati educadamente no vidro.
Quando ele abriu a janela, joguei o buquê para dentro.
Ele ficou confuso.
Cruzei os braços, minha voz carregada de cansaço — ou talvez irritação:
— “Ricardo… se você quer compensar ou tentar me conquistar, pelo menos deveria saber do que eu gosto.”
— “Depois de tanto tempo… você ainda não sabe que eu sou alérgica a margaridas?”
No instante em que terminei de falar…
vi o rosto dele empalidecer.