Eu achei… que nunca mais teria qualquer ligação com Lucas.
Mas naquela mesma noite, recebi uma mensagem dele:
【Cami, me desculpa… peço desculpas pela minha mãe também. Eu não vou mais te incomodar.】
Fiquei olhando aquela mensagem…
E, sem perceber, comecei a chorar.
Não respondi.
Bloqueei todos os contatos dele.
Fui eu mesma quem cortou qualquer possibilidade entre nós.
Tudo parecia um sonho…
E eu voltei à minha rotina.
Assim que o período de espera terminou, finalizei o divórcio com Ricardo.
Soube que ele e Verônica ficaram juntos, mas brigavam com frequência.
Ela estava grávida… e internada para manter a gestação.
Mas nada disso tinha mais a ver comigo.
Livre de um homem desprezível e de uma mulher desprezível…
eu me senti renascida.
Tirei uma foto da minha certidão de divórcio e postei:
“À liberdade que eu sempre vou amar.”
Muitos amigos comentaram, preocupados.
Eu não respondi.
Na verdade… eu só queria saber—
se Lucas teria curtido.
Mas então lembrei…
Eu o tinha bloqueado.
Ele nem poderia ver.
Mesmo assim…
Eu sonhava com ele.
Sonhava com tudo que vivemos.
E, ao acordar… meus olhos ficavam úmidos.
Só então percebi—
Eu não estava apenas o usando.
Eu tinha perdido meu coração.
Olhei para as fotos que tirei dele escondida…
e sorri, amarga.
Em junho, comecei a me sentir mal e fui ao hospital fazer exames.
No corredor…
reconheci aquele rosto de costas imediatamente.
Era ele.
Lucas parecia mais alto… mais magro.
Meu instinto foi fugir.
Mas, antes que eu pudesse sair, ele se virou.
Nossos olhares se encontraram.
— Cami…
Aquela voz…
Depois de tanto tempo.
— O que você faz aqui? — perguntei, tentando parecer natural.
Ele apertou os lábios:
— Minha mãe… perdeu o bebê. Tentou suicídio. Trouxemos ela pro hospital. Foi reanimada hoje de manhã.
— Entendi…
Respondi seco… e tentei ir embora.
O clima entre nós era estranho. Pesado.
— Cami… — ele me chamou novamente.
Antes que eu reagisse, ele segurou meu pulso.
Fiquei em silêncio, esperando o que ele diria.
Achei… que ele fosse me culpar.
Mas não.
Lucas… era gentil até o fim.
— Se eu disser que gosto de você… você me daria mais uma chance? Pra gente recomeçar?
Os olhos dele estavam cheios de luz.
Fiquei sem reação.
— E a sua mãe? — perguntei, instintivamente.
Ele respondeu, firme:
— Então eu corto relação com ela.
— Você… — aquilo me chocou.
Ele puxou as mangas.
Seus braços estavam cobertos de marcas.
— Quem fez isso? — minha voz tremeu.
Ele sorriu, amargo:
— Minha mãe. Estranho, né? Todo mundo acha que eu não tenho mãe… que sou quase um órfão. Porque ela sempre me deixou de lado… e descontava tudo em mim. Se estava feliz, me batia. Se estava triste, também. Porque ela acha que eu destruí a vida dela.
Meu coração… se partiu.
— Eu aguentei tudo isso por anos… fiz tudo que podia. Mas se ela ainda quiser me impedir de gostar de você… então eu vou embora de vez.
Naquele momento…
eu finalmente entendi.
Entre toda essa história absurda—
Lucas… era o mais inocente de todos.
Meus olhos ficaram marejados… mas ainda assim segurei as lágrimas.
— Cami… — Lucas me puxou para um abraço, com a voz embargada — agora você pode me perdoar?
Eu o empurrei de leve, fingindo indiferença:
— Tem muita gente atrás de mim, sabia? A fila de pretendentes dá a volta até a França.
Lucas riu, com aquele jeito meio manhoso:
— Então… você pode me deixar furar a fila?
— E por que eu faria isso? O que você tem de tão especial?
Ele se inclinou até o meu ouvido e sussurrou, com a voz baixa:
— Eu tenho resistência… consigo te satisfazer.
Meu rosto ficou vermelho na hora.
Em plena luz do dia… no meio do hospital…
e ele falando esse tipo de coisa?!
Depois disso…
nós ficamos juntos.
Verônica, claro, não aceitou.
Mas ela estava ocupada demais com a própria vida para conseguir interferir.
No meio do caminho, Ricardo apareceu, arrependido, querendo reatar comigo.
Mas Lucas o expulsou sem hesitar.
Eu ri, provocando:
— Lucas… você nunca foi de brigar, desde quando virou assim?
Ele beijou o canto dos meus lábios, suave:
— Por você… eu faço qualquer coisa.
Depois que começamos a viver juntos…
descobri que Lucas tinha um temperamento incrivelmente bom.
Mas também… um forte senso de posse.
E, ao mesmo tempo, ele me dava uma segurança que eu nunca tinha sentido antes.
Sempre que eu ia buscá-lo na faculdade, ou quando encontrávamos colegas dele — inclusive garotas que gostavam dele —
Lucas me puxava para os braços e dizia, com naturalidade:
— Essa é a minha namorada.
No começo, eu me importava com o que os outros pensavam —
uma mulher mais velha, com um garoto de dezoito anos…
Mas, aos poucos, isso deixou de importar.
Porque, pela primeira vez…
eu estava feliz.
Um tipo de felicidade que eu nunca tinha experimentado antes.
Era o amor dele — puro, direto, sem medo.