Capítulo 1
Meu marido me traiu com uma mulher quinze anos mais velha que ele. Para me vingar, eu fui atrás de um garoto de dezoito anos.
Mas eu jamais imaginei que, no momento em que eu estivesse com ele na cama, aquela mulher abriria a porta…
E pior — ela era alguém da família dele.
E quem entrou logo atrás… foi o meu marido traidor.
Descobri a traição de Ricardo no dia do aniversário de trinta anos dele.
Ele foi ao banheiro e esqueceu o celular na mesa. A tela acendeu, revelando a foto de uma mulher… junto de uma mensagem nojenta, carregada de insinuação:
“Hoje à noite, quer?”
Naquele instante, senti como se tivesse caído em um abismo gelado.
Desbloqueei o celular dele. O contato fixado no topo estava salvo como “Verônica”.
Verônica… era o primeiro amor do meu marido.
Quando começamos a namorar, ele chegou a mencioná-la.
Ela era irmã de um colega de faculdade dele. Ricardo já foi apaixonado por ela, mas depois ela foi para as grandes cidades — São Paulo, Rio, Brasília — e o abandonou. Mais tarde, ela se casou, teve um filho… e acabou se divorciando.
Passei os olhos por toda a conversa entre os dois.
Descobri que estavam se envolvendo há pelo menos seis meses. Aqueles dois canalhas vinham se encontrando às escondidas, várias vezes — inclusive na minha própria cama.
Peguei meu celular e comecei a gravar a tela do dele.
Depois de salvar todas as provas, fingi que nada tinha acontecido e esperei calmamente Ricardo sair do banheiro.
No momento em que o vi, já tinha tomado minha decisão.
Se ele podia me trair com uma mulher mais velha…
então eu também iria me vingar.
E faria isso de um jeito que ele jamais esqueceria.
Ele me colocou chifres com uma mulher madura?
Então eu devolveria com um garoto jovem, bonito e irresistível.
E o meu alvo… já estava escolhido.
Lucas Duarte — o filho de Verônica.
Nas mensagens, Verônica reclamava que o filho era extremamente independente. Mal tinha entrado na faculdade e já trabalhava meio período para se sustentar. Nos fins de semana, fazia bicos em uma cafeteria fora do campus.
Para criar um “encontro por acaso”, fui sozinha até essa cafeteria no fim de semana.
O nome do lugar era Mandy.
Mesmo já sabendo como Lucas era, quando o vi de perto — vindo em minha direção com uma bandeja de café nas mãos — não consegui evitar: meus olhos brilharam.
Ele era lindo.
Lucas colocou a xícara sobre a bandeja, prestes a servir na minha mesa.
Eu estendi a mão de propósito, fingindo ajudar… mas toquei só de leve.
— Ai!
A xícara tombou.
O café escuro e quente escorreu pela mesa, manchando minha roupa.
Levantei, assustada.
Lucas imediatamente ficou nervoso e se desculpou, aflito:
— Desculpa, moça!
— Onde fica o banheiro? Preciso me limpar — perguntei, franzindo levemente a testa enquanto o encarava.
Ele se apressou em me guiar.
A cafeteria não estava cheia, então ele não precisava atender outros clientes.
Entrei no banheiro de propósito, fingindo urgência. Deixei a água molhar ainda mais minha roupa… até que o tecido colasse no corpo, revelando até o sutiã preto por baixo.
Olhei meu reflexo no espelho…
e sorri, confiante.
Eu já tinha vencido metade do jogo.
— Moça… — Lucas me chamou quando saí.
Mas, ao ver minha roupa completamente molhada, desviou o olhar na mesma hora. A voz dele já não era tão firme quanto antes:
— Sua roupa… ficou encharcada. Assim você não pode sair… Se quiser, pode usar a minha sala de descanso pra trocar de roupa. Eu posso mandar a sua pra lavanderia.
Fingi hesitar por alguns segundos.
Então levantei o olhar, como se estivesse meio constrangida:
— …Tudo bem.
Entrar no espaço pessoal dele tão rápido…
nem eu esperava.
Fui até a sala de descanso dele, cruzando os braços sobre o peito, encarando-o.
— Essa camisa é nova… pode usar — disse ele, meio sem jeito.
Observei atentamente. Quando percebi a ponta das orelhas dele ficando vermelha… não consegui conter o sorriso.
Que garoto inocente…
— Obrigada, gatinho — falei, de propósito, num tom mais maduro.
Ele ficou visivelmente desconfortável. Saiu rapidamente e fechou a porta, ficando do lado de fora.
Tirei todas as minhas roupas.
Mas, em vez de vestir a camisa dele, gritei em direção à porta:
— Ai! Que susto!
— O que foi?! — Lucas não pensou duas vezes e empurrou a porta.
Mas, no instante em que viu claramente a cena diante dele, Lucas pareceu levar um choque — como se tivesse sido queimado — e saiu correndo, fechando a porta às pressas.
Eu sorri, satisfeita.
Depois de me vestir, saí da sala de descanso. Lucas já não estava mais ali na porta.
Meu objetivo de provocá-lo já tinha sido alcançado. Não havia motivo para continuar — afinal, não podia assustar demais um garoto de dezoito anos logo de cara.
Por causa da roupa, acabamos trocando contatos no WhatsApp. Arrumei minhas coisas e fui embora da cafeteria.
Alguns dias depois, finalmente recebi uma mensagem dele:
【Cami, a sua roupa já voltou da lavanderia. Onde você mora? Posso levar até você.】
Sorri, com os olhos brilhando:
【Não estou em casa. Me manda o endereço que eu vou até você.】
Logo em seguida, ele enviou a localização.
Era um bar.
Soltei um leve riso.
Um garoto tão jovem… e tão esforçado — sempre cheio de trabalhos.
Assim que entrei no bar, vi Lucas atrás do balcão, preparando drinks. Já estava cercado por várias mulheres.
Não fui direto até ele. Fiquei observando de longe… vendo ele recusar uma após a outra.
Depois da enésima mulher rejeitada, me aproximei do balcão e brinquei:
— Nossa… você faz sucesso assim com todo mundo, garoto?
O rosto dele corou na hora.
— Aqui está a sua roupa — disse, voltando a si, tirando um pacote debaixo do balcão e me entregando.
Peguei, mas não fui embora.
— Me dá uma garrafa de uísque.
Ele parecia querer dizer algo… mas acabou ficando em silêncio.
Peguei a garrafa e bebi direto, sem cerimônia, engolindo quase metade de uma vez só — até soltei um leve arroto.
O tempo foi passando.
Por volta da meia-noite, Lucas terminou o turno. E eu… estava “desmaiada” sobre o balcão, fingindo estar bêbada.
— Já está muito tarde… você bebeu demais. Vou ligar pra sua família — disse ele, preocupado, ao meu lado.
De repente, me levantei, cambaleando, e o abracei pela cintura, enterrando o rosto no corpo dele.
Hm… jovem, corpo firme… até com abdômen definido.
— Eu não tenho família… não se mete — murmurei, soltando-o logo depois. Joguei um punhado de dinheiro sobre a mesa e caminhei em direção à saída, tropeçando como se fosse cair a qualquer momento.
— Cami, você esqueceu a roupa — Lucas correu atrás de mim.
Era o meu momento de atuação.
Agachei no chão e comecei a chorar, como se estivesse completamente destruída.
— Eu sou tão ruim assim…? Por isso ninguém gosta de mim? Todo mundo me odeia?
— Se você não se importar… eu posso ser seu amigo — disse ele, com sinceridade.
Levantei o rosto e sorri para ele, completamente “bêbada”, como se não tivesse consciência de nada.
Até comecei a dançar na frente dele, como uma criança fazendo birra.
Mas, por entre os movimentos, percebi…
Lucas sempre com a mão pronta, tentando me segurar, com um leve sorriso no canto dos lábios.
Eu estava tecendo uma rede.
E ele… já estava entrando nela, sem perceber.
Poucos dias depois, decidi procurá-lo novamente.
Com as conversas que tivemos, já conhecia bem a rotina dele.
Queria preparar uma surpresa.
Às quatro da tarde, fiquei na entrada da Universidade Jiangcheng, segurando uma sombrinha florida.
Tirei uma foto do portão da universidade e postei nos stories — visível apenas para ele.
Depois disso, fiquei esperando, tranquila.
Esperando que ele viesse atrás de mim.
E, como esperado, menos de dois minutos depois…
【Cami, você veio pra faculdade?】
A mensagem dele apareceu.
Respondi por áudio, com um tom suave e levemente manhoso:
— Eu vim resolver umas coisas aqui perto… mas não imaginei que fosse chover tanto. Acabei me molhando toda… aí lembrei que você estuda aqui e pensei em te ver. Só fiquei com medo de atrapalhar sua aula…
Ouvi meu próprio áudio depois de enviar.
Um pouco exagerado… mas perfeito para um garoto inocente como ele.
Logo veio a resposta:
【Espera por mim!】
Eu não consegui evitar… ri.