Capítulo 7
Fiquei parada diante da UTI, encarando a porta fechada, sem dar um único passo.
Às três da manhã, o médico finalmente saiu.
— A cirurgia foi um sucesso. Mas a paciente perdeu muito sangue, e com o trauma craniano… ainda precisa de observação.
Assenti, deslizando lentamente até me sentar no chão, encostada na parede.
Quando o dia começava a clarear… ouvi passos no fim do corredor.
Levantei os olhos.
Lucas estava ali.
O jaleco branco manchado de sangue, o rosto exausto.
Ele caminhou até mim e parou.
— A Camila já está fora de perigo.
Eu não disse nada.
Ele se agachou, tentando tocar meu braço.
Afastei-me.
— Sofia… sobre ontem… eu errei. Mas a Camila realmente cortou os pulsos. Havia sangue por todo lado… eu não podia ignorar.
Levantei a cabeça, finalmente olhando para ele.
— Ela cortou os pulsos… por culpa.
— Sim.
— E essa culpa veio porque ela foi até a minha casa provocar… e fez minha mãe cair.
Ele franziu a testa:
— Aquilo foi um acidente—
— E você?
Eu o interrompi.
— Empurrar minha mãe foi um acidente. Impedir a ambulância de levá-la primeiro foi um acidente. Usar todo o sangue RH negativo na Camila também foi um acidente?
Ele abriu a boca… mas não conseguiu responder.
Levantei-me, ficando frente a frente com ele.
— Lucas Almeida, se a minha mãe morrer… você é um assassino.
O rosto dele empalideceu.
— Que absurdo você está dizendo—
— Absurdo?
Eu ri, fria.
— Ontem, na porta da cirurgia, quando ela precisava de sangue… onde você estava?
— Você estava abraçando a Camila, dizendo “não foi sua culpa”.
Ele segurou meu pulso de repente.
— Sofia, eu sei que você está com raiva. Mas a Camila realmente fez isso por sua causa—
— Por minha causa?
Arranquei meu braço.
— Ela fez isso por mim… ou para roubar meu marido?
— Ela se culpa por mim… ou quer me destruir junto com minha mãe?
As pupilas dele se contraíram.
— O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer—
Encarei-o, palavra por palavra:
— Hoje ela corta os pulsos. Amanhã pode pular de um prédio.
— Toda vez que algo acontece com ela… você abandona tudo e corre para salvá-la.
— Ela sabe exatamente que você vai escolhê-la.
— Ela sabe que você nunca vai me escolher.
A expressão dele mudou várias vezes.
— Não fale dela como se fosse alguém sujo—
— Sujo?
Eu ri, gelada.
— Lucas Almeida… seja honesto consigo mesmo.
— O que ela sente por você… é mesmo só uma relação de paciente e médico?
Ele ficou em silêncio.
Passei por ele, indo em direção à UTI.
Atrás de mim, a voz dele ecoou:
— E você?
— Se inscrever para a missão na África, cortar investimentos da minha família… isso é digno?
Parei.
Sem me virar.
— Eu faço isso… porque você não me ama.
— E você faz tudo aquilo… porque não ama ela?
O corredor ficou em silêncio.
Tão longo… que achei que ele tivesse ido embora.
Então, ouvi sua voz rouca:
— Eu… tenho sentimentos por ela.
— Mas não são do tipo que você imagina—
— Isso não importa mais.
Eu o interrompi.
— Lucas Almeida, vamos nos divorciar.
O acordo de divórcio foi entregue no escritório dele por um advogado.
Ouvi dizer que ele rasgou na hora.
No dia seguinte— um novo documento, junto com a intimação judicial, foi enviado para a casa da família Almeida.
O pai dele começou a me ligar.
Uma vez.
Duas.
Dez vezes.
Eu não atendi nenhuma.
Ele veio me procurar no hospital.
Naquele dia… minha mãe finalmente tinha saído da UTI e sido transferida para o quarto comum.
No corredor, Sr. Almeida estava esperando.
O cabelo já branco pela metade.
Parecia ter envelhecido dez anos de uma vez.
— Sofia…
Levantei a mão, interrompendo-o.
— Sr. Almeida, se veio pedir clemência… não precisa.
Os lábios dele tremiam.
— Sofia… o Lucas errou, eu sei… mas cortar investimentos, bloquear a família… você está nos levando à ruína!
— Todos os negócios da família Almeida… acabaram!
Olhei para ele.
Minha voz era calma.
— Sr. Almeida…
— Minha mãe quase morreu.
Ele ficou imóvel.