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《Memória Seletiva: A Farsa do Marido》Capítulo 1

Capítulo 1

No dia do sétimo aniversário de casamento, descobri que meu marido estava dentro do carro, beijando apaixonadamente a estudante que eu mesma havia patrocinado.

Um descuido no volante — e os dois foram parar no hospital.

O médico disse que o airbag havia acionado a tempo, e Rafael não sofreu ferimentos graves.

Fora o susto da garota e o fato de o Cullinan recém-comprado ter sido completamente destruído, não houve maiores consequências.

Mas quando Rafael acordou e me viu ao lado da cama, hesitou por alguns segundos antes de perguntar:

— Você… é a nova cuidadora?

Eu me recusei a acreditar que ele se lembrava de todos… menos de mim.

Segurando o prontuário médico, fui atrás do médico para exigir uma explicação. Quando voltei, encontrei Rafael conversando com um amigo dentro do quarto.

O amigo brincava:

— Você é corajoso mesmo, hein? Cuidado pra não acabar num “inferno de reconquista” na meia-idade!

Rafael, com expressão séria, respondeu:

— Mesmo com amnésia, tenho certeza de uma coisa: eu nunca me apaixonaria por uma mulher tão manipuladora quanto ela. Se eu realmente me casei com alguém assim, só pode ter sido por conveniência.

Ele continuou, firme:

— Meu tipo ideal nunca mudou. Eu amo mulheres puras, gentis.

Do lado de fora, assistindo às imagens do gravador do carro enviadas pela seguradora — fotos dele beijando a garota —, eu apenas sorri.

Peguei o celular e liguei imediatamente para um advogado.

Uma hora depois, empurrei a porta do quarto e disse:

— Aqui está o acordo de divórcio. Assine.

Minha entrada repentina congelou o ar dentro do quarto.

O amigo tossiu sem graça e tentou amenizar:

— Cunhada, o Rafael acabou de sofrer um acidente, ainda está confuso… não leve isso a sério. Você sabe como ele é, né? Em toda a cidade, todo mundo sabe que ele é completamente apaixonado pela Lívia!

A Lívia de quem ele falava… era eu.

Se eu não tivesse ouvido aquelas palavras antes, talvez ainda acreditasse que Rafael me amava profundamente.

Dei um leve sorriso, mas ele me interrompeu:

— Não sei por que, nos últimos dez anos, acabei me apaixonando por você. Mas agora… eu não me lembro desse amor. Quero corrigir esse erro.

Ele franziu a testa, sério:

— O que é entre nós dois não deve envolver terceiros. Eles são inocentes.

O olhar dele, cheio de cautela, parecia enxergar em mim uma ameaça.

Soltei uma risada fria e joguei o acordo de divórcio sobre ele:

— Claro.

— Assine. Amanhã vamos formalizar o divórcio.

Sem nem levantar a cabeça, Rafael folheou rapidamente algumas páginas e assinou com facilidade:

— Interessante… alguém como você não quis me arrancar uma fortuna?

Fiquei atônita.

“Alguém como eu”?

Que tipo de pessoa ele achava que eu era?

Antes que eu pudesse perguntar, o amigo percebeu a tensão e tentou intervir:

— Ei, vocês dois, calma! Esse divórcio está sendo decidido rápido demais!

— E amanhã já vão divorciar? Vocês ao menos têm a certidão de casamento?

A intenção dele era nos fazer recuar e reconsiderar.

Mas suas palavras nos fizeram lembrar de algo.

Rafael e eu ficamos imóveis ao mesmo tempo, olhando um para o outro.

No instante em que nossos olhares se cruzaram, ele desviou rapidamente, com evidente repulsa.

Crescemos juntos desde crianças. Éramos namorados desde jovens.

Assim que atingimos a idade legal, fomos registrar o casamento.

Até hoje me lembro: foi no dia 1º de abril, o Dia da Mentira.

Na época, eu disse que aquela data não era apropriada, queria escolher um dia auspicioso.

Mas Rafael fez beicinho, com um ar quase choroso:

— Nós combinamos que casaríamos no dia seguinte ao seu aniversário. Eu não consigo esperar nem mais um dia.

Ele me persuadiu com carinho:

— Seu aniversário e o aniversário de casamento juntos… isso não é um ótimo dia? É praticamente um presente do destino!

E ainda fingiu enxugar lágrimas.

Depois de registrarmos o casamento, ele tirou fotos da certidão em todos os ângulos possíveis e postou oito vezes seguidas nas redes sociais.

Os amigos, inundados pelas postagens, riram e zombaram:

— Casar no Dia da Mentira? Cuidado, pode ser tudo mentira!

Era só uma brincadeira.

Mas Rafael entrou em pânico.

Arrancou a certidão das minhas mãos e disse, com expressão séria:

— Não é mentira.

E, num impulso, rasgou a certidão em pedaços.

Segurando meus ombros, declarou com convicção:

— Sem certidão, você nunca vai conseguir se divorciar de mim.

As lembranças invadiram minha mente.

Eu ainda conseguia ver o sorriso jovem e inocente dele.

Mas, no segundo seguinte, aquela imagem foi substituída pela expressão impaciente do homem diante de mim.

O rosto ainda bonito agora carregava leves rugas no canto dos olhos.

Ele continuava atraente… mas já não era mais o Rafael da minha memória.

Respirei fundo.

Endireitei a postura e me aproximei dele.

Sob seu olhar desconfiado, peguei de volta o acordo de divórcio.

Sorri levemente:

— Quando somos jovens, fazemos coisas impensadas… agora isso só virou um problema.

Dito isso, virei-me e fui embora.

Ao abrir a porta, esbarrei em Sofia, que segurava uma marmita térmica.

O collant justo delineava o corpo ainda imaturo da jovem, suor brilhando em sua testa.

Ao me ver, ela encolheu os ombros e se curvou:

— Senhora…

Sua postura tímida me fez lembrar de quando começou a receber meu apoio financeiro — assustada como um coelhinho.

Mas eu sabia bem…

Ela não era um animal inofensivo.

— Pode entrar. Ele está esperando por você há muito tempo.

Minhas palavras a fizeram estremecer ainda mais.

— Lívia! — Rafael a repreendeu com severidade. — Cuidado com o que diz!

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