Capítulo 9
Leonardo virou-se para Rafael.
Rafael não parecia surpreso. Apenas perguntou:
— E a Sofia? Ela é um problema.
— Um problema que pode ser resolvido com dinheiro não é um grande problema — Leonardo sentou-se, com uma expressão raramente séria. — Você acha que, se eu for procurá-la agora, ela aceitaria ir comigo?
Rafael suspirou.
— Ela não tem ninguém neste mundo… mas vocês dois se odiaram por tantos anos. Talvez seja melhor você perguntar pessoalmente.
Leonardo desabotoou dois botões da camisa e olhou para o céu escuro.
Havia uma expressão profunda de desejo em seu rosto.
— Rafael… você sabe o quanto eu desejo… ter um lar com ela?
Até Rafael não conseguiu evitar um sorriso amargo.
Mesmo eu, a pessoa envolvida nisso tudo, quase já havia esquecido que, no começo, talvez tivéssemos tido algum calor entre nós.
O ódio havia encoberto tudo.
Ele me odiava porque, após a morte do pai dele, eu aproveitei a situação e tomei a última rota de contrabando da família Lu.
Eu o odiava porque, quando minha mãe estava gravemente doente, ele se recusou a ajudar e levou embora todo o dinheiro destinado ao tratamento.
Ele lamentava ter perdido o funeral do meu pai, sem conseguir ver com os próprios olhos a morte do inimigo.
E eu, sem dizer uma palavra, provoquei um “acidente” no caminho da mãe dele para o templo, deixando-a paralítica até hoje.
Nosso amor já havia sido distorcido e destruído pelo ódio.
Agora era impossível voltar atrás.
Quanto a falar sobre ter uma família comigo e viver em paz…
Nem ele mesmo acreditava nisso.
Leonardo olhou para o celular e começou a digitar.
【Volte amanhã. Precisamos conversar.】
【Não podemos viver como pessoas normais?】
【Desta vez eu cedo. Vamos parar de nos torturar.】
【Case comigo.】
— Sofia chegou — Rafael disse em voz baixa.
Leonardo levantou a cabeça.
Seus olhos encontraram os de Sofia, que estava parada na entrada do terraço.
Seus olhos estavam vermelhos, e ela apertava a barra do vestido com força.
Era óbvio que ela tinha ouvido grande parte da conversa.
Leonardo não tentou esconder nada.
Falou diretamente:
— Cinco milhões. Saia de Porto Victoria.
As lágrimas de Sofia caíram instantaneamente.
Ela tinha a pele clara; quando chorava, os olhos e a ponta do nariz ficavam vermelhos.
— Por quê? Por que não me quer?
— Ela esteve com você por dez anos! E eu? Eu estou com você desde os dezenove!
— Por quê?!
A chuva começou a cair do lado de fora.
Ela gritava desesperadamente sob a chuva.
Mas Leonardo apenas ficou sentado ali, sem dizer uma palavra, frio como uma estátua.
Ele sempre foi muito bom em enlouquecer as pessoas.
Observei Sofia passar de uma mulher cuidadosamente arrumada e animada…
para alguém completamente desmoronada, com o cabelo bagunçado e andando mancando enquanto se afastava.
Leonardo continuava olhando para a tela do celular, esperando uma resposta que nunca viria.
Aquele ar falso de amor era repugnante.
Leonardo…
Eu já estou morta.
Sua falsa devoção chegou tarde demais.
E também é nojenta demais.
Se houver uma próxima vida, eu não quero te encontrar novamente.
A chuva continuou até a tarde do dia seguinte.
Quando Leonardo saiu da empresa, quem o esperava embaixo era o doutor Li, com uma expressão pesada.
— O senhor é Leonardo Lu?
— Já o vi no hospital — respondeu Leonardo, franzindo a testa.
— Sou Li Ming, médico do Hospital Central. Meu colega tentou entrar em contato com o senhor antes. Vim perguntar oficialmente: o senhor pretende reconhecer o corpo da senhorita Valentina Jiang? Caso contrário, como ela não tem família, seguiremos o procedimento padrão de cremação.