《Dez Anos de Destruição: Até a Última Respiração​》Capítulo 8

Capítulo 8

Minha consciência parecia se desprender daquele corpo pesado, flutuando no ar.

Vi o doutor Li, com as mãos tremendo, soltar lentamente meu braço já sem sinais de vida. Ele se virou e enxugou discretamente as lágrimas no canto dos olhos.

Minha doença já havia devorado tudo dentro de mim.

Continuar o tratamento significaria apenas viver ligada a tubos, perder todos os cabelos durante intermináveis sessões de quimioterapia, emagrecer até virar pele e osso — sobrevivendo entre dores atrozes e a perda total da dignidade.

Eu não queria aquilo.

Na televisão pendurada no corredor do hospital, passava uma reportagem.

Leonardo estava cercado por repórteres na entrada do hospital.

— Senhor Leonardo, sobre o recente incidente de atropelamento, como o senhor pretende lidar com isso? Pensando no relacionamento antigo, o senhor pretende mostrar misericórdia com essa ex-namorada que esteve ligada ao senhor por dez anos?

Diante das câmeras, Leonardo abriu um sorriso frio e cruel.

— Claro que não. Vou esmagar os ossos dela um por um. Só assim poderei aliviar o ódio no coração da minha noiva.

Depois de dizer isso, pareceu extremamente satisfeito.

O sorriso dele ficou ainda mais evidente.

— Pena que ela fugiu ontem. Quando eu a encontrar, vou deixar a própria Sofia quebrar cada osso dela com as próprias mãos.

Com o apoio de Leonardo, a câmera se voltou para Sofia.

Ela sorria de forma delicada e frágil, mas havia orgulho em seus olhos.

Essas duas criaturas hipócritas… como conseguem sorrir de forma tão repugnante diante da mídia?

Naquele momento, arrependi-me profundamente de ter desistido do tratamento.

Ou talvez me arrependesse de não ter simplesmente atropelado os dois até a morte ontem… e costurado a boca deles depois.

Nesse instante, o telefone de Leonardo tocou.

Ele franziu a testa e desligou duas vezes.

Por fim, atendeu com impaciência.

— Alô?

— O senhor é Leonardo Lu? — perguntou uma voz formal.

— Sou eu. Fale.

— Aqui é do necrotério do Hospital Central. Gostaríamos de saber quando o senhor pode vir reconhecer o corpo da senhorita Valentina Jiang.

A expressão de Leonardo congelou instantaneamente.

Logo depois, ele soltou uma risada cheia de sarcasmo.

— Fugir não adianta. Diga a ela que, dentro de três dias, apareça aqui por conta própria!

Sem esperar resposta, desligou.

Rafael estava encostado na porta do quarto, murmurando:

— Pelo jeito dela… não parece o tipo de pessoa que usaria esse tipo de truque para se esconder…

Leonardo franziu a testa.

— Você não percebeu? Desta vez ela está diferente. Quando ela fugiu ontem… parecia estar muito mal.

Rafael assentiu.

Sofia se aninhou suavemente nos braços de Leonardo, com uma voz aparentemente inocente, mas cheia de malícia.

— Encontrá-la não é difícil. As cinzas da mãe dela desapareceram… mas o túmulo do pai ainda deve existir. Podemos ir até lá…

Antes que ela terminasse, percebeu que todos ao redor tinham mudado de expressão.

O rosto de Leonardo ficou frio de repente, seus olhos afiados como lâminas.

— Ainda não aprendeu a lição de ontem?

— Leonardo! — Sofia fez um biquinho de indignação. — A família Lu domina Porto Victoria. Você está mesmo com medo dela?

— Mesmo que a família Lu domine tudo, e daí? — respondeu Leonardo, com uma irritação que ele mesmo não percebia. — Valentina Jiang jamais vai se curvar.

Segui Leonardo até o terraço vazio do hospital.

Na noite escura, estavam apenas ele e Rafael.

— Rafael.

— Hm?

Leonardo hesitou várias vezes antes de falar.

Continuava bebendo o vinho em seu copo.

— Rafael.

— Eu…

Ele respirou fundo.

— Eu não quero mais continuar brigando com Valentina.

 

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