《Dez Anos de Destruição: Até a Última Respiração​》Capítulo 5

Capítulo 5

Do outro lado da linha houve três segundos completos de silêncio.

Então veio a risada sarcástica de Leonardo.

— Valentina, alguém tão maldosa quanto você, com uma vida dura como a de uma barata, normalmente vive muito tempo. Mas, se um dia você morrer antes de mim, fique tranquila. Eu vou te enterrar com toda pompa e circunstância. Farei toda Porto Victoria acender velas eternas por você.

Com essa resposta dele, desliguei satisfeita.

Ao sair do hospital, encontrei na porta a mesma mãe e filha de antes.

A garotinha batia no peito com convicção, falando com uma inocência firme:

— Quem disse que quem não tem família não tem ninguém que se importe? Eu me importo com ela!

— Vamos logo, ou vamos perder o ônibus… Ei, o ônibus! — a mãe a puxou apressada para correr atrás do transporte.

Caminhei até o estacionamento e entrei no meu carro preto.

Quando vi que elas não tinham conseguido pegar o ônibus, por algum impulso estranho baixei o vidro.

— Entrem. Eu deixo vocês no caminho.

Levei as duas até o centro da cidade. Elas desceram agradecendo repetidas vezes.

Eu já estava prestes a ir embora quando ouvi uma voz extremamente irritante.

— Ora, ora… Valentina, então você também faz boas ações? Faz sentido. Já está na hora de acumular algum mérito.

Alguns dos amigos de Leonardo acabavam de sair de um clube ali perto.

Sofia estava agarrada ao braço dele, e seu olhar se cravou em mim como agulhas envenenadas.

Não queria me envolver com eles.

Levantei o vidro do carro, pronta para ir embora.

Mas Sofia caminhou rapidamente e pressionou a mão contra o vidro da janela.

Um sorriso falso pendia de seus lábios, mas seus olhos eram frios.

— Irmã, só agora descobri sobre sua relação com o Leonardo no passado. Ontem… eu não fui desrespeitosa com você, fui?

Nem me dei ao trabalho de olhar para ela.

Tentei fechar a janela novamente.

Mas ela se agarrou à borda do vidro.

— Irmã, eu trouxe algo para você. Não tenho más intenções.

— Não tenho paciência para ouvir suas bobagens. Vá embora.

Minha paciência tinha acabado.

De repente, Sofia soltou a mão.

No momento em que liguei o carro, ela tirou da bolsa uma pequena urna de cinzas.

— Ouvi dizer que o memorial da sua mãe foi destruído na loja. Tive medo de que você não tivesse mais nada para lembrar dela. Então hoje de manhã fui até as ruínas e trouxe um pouco das cinzas para você.

Sua voz era doce.

Mas o gesto era cruel.

Ela enfiou a mão pela janela e, bem diante de mim, despejou o conteúdo da urna no banco do motorista.

— Ah! Irmã… você… você não conseguiu pegar? — ela recuou um passo, com uma expressão inocente e ao mesmo tempo maliciosa. — Você não vai me culpar, vai?

Observei sua encenação.

Uma chama de raiva surgiu no fundo do meu peito, queimando momentaneamente até a dor da minha doença.

Muito bem.

Ela que tinha vindo me provocar.

Os homens em frente ao clube não entendiam o que estava acontecendo e ainda elogiavam Sofia.

— Nossa pequena cunhada é realmente atenciosa. Mesmo achando essa mulher azarada, ainda veio conversar com ela e até trouxe um presente.

Sofia virou-se com orgulho e caminhou em direção ao Porsche novinho estacionado à minha frente, balançando a chave do carro com satisfação.

Baixei a janela e gritei:

— Sofia! Eu também tenho um presente para você!

Ela cruzou os braços, olhando para mim com interesse.

— Irmã, o que você quer me dar?

Apertei o cinto de segurança.

Meus olhos se fixaram nela.

— Vou te mandar para o outro mundo.

Assim que terminei a frase, pisei no acelerador.

— BANG!

O impacto violento ecoou.

A frente do meu carro bateu com força na traseira do Porsche.

O carro de Sofia deslizou alguns metros para frente, descontrolado.

Engatei a ré imediatamente.

Então acelerei novamente e bati outra vez.

Pelo retrovisor, vi que aqueles homens, que antes ainda estavam meio bêbados, haviam despertado completamente.

— Ela enlouqueceu! Ela realmente enlouqueceu!

— Eu disse que ela era uma louca! Vocês que ficaram provocando!

— Fiquem tranquilos, ela não vai fazer nada de verdade. Só quer assustar um pouco. Depois que descarregar a raiva…

Ele nem terminou a frase.

De fato, depois que eu descarregasse minha raiva, estaria tudo bem.

Mas naquele momento…

Eu ainda não tinha descarregado o suficiente.

Sofia saiu cambaleando do carro fumegante.

Seu rosto estava pálido como papel.

Mesmo assim, ela ainda tentou assumir aquela aparência frágil.

— Leonardo… eu… fiz algo errado?

A testa de Leonardo estava cortada por estilhaços de vidro e sangrava.

Ele correu para o outro lado do carro para protegê-la.

Bastou um olhar para que ele entendesse completamente minha intenção.

— Valentina! Você se atreve?!

Que piada.

O que eu teria a temer?

Fixei meu olhar em Sofia, frio como gelo.

E pressionei o acelerador até o fundo.

O motor rugiu.

O carro disparou direto na direção dela.

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