Capítulo 7
Eduardo Paiva alugou um pequeno apartamento.
Ficava apenas duas ruas abaixo da casa do meu irmão.
Todas as manhãs ele ia a uma casa de chá tomar mingau.
Ao meio-dia sentava-se no cais.
À noite ficava um tempo diante da casa do meu irmão.
Quando escurecia, ia embora.
Não se ajoelhava.
Não implorava.
Não fazia escândalo.
Os homens do meu irmão o vigiavam o tempo todo.
Ele sabia disso.
Mesmo assim, continuava aparecendo todos os dias, faça chuva ou faça sol.
Em Macau temos um ditado:
As flores de bauínia florescem… e inevitavelmente caem.
As pessoas chegam… e inevitavelmente partem.
O que deve vir, vem.
O que deve ir, vai.
Tudo tem seu tempo.
Ele se arrependeu tarde demais.
Eu já havia decidido partir.
O tempo já tinha passado.
Todas as tardes, Henrique Nunes vinha caminhar comigo.
Ele andava na frente, chutando as pétalas grossas que cobriam o chão, abrindo um caminho para mim.
— Irmão, eu ainda consigo andar sozinha.
Ele não se virou.
— Com essa barriga enorme, e se você cair?
Passei a mão sobre a barriga e sorri.
Sentia uma tranquilidade que não experimentava havia muito tempo.
Eu soube do desinvestimento do meu irmão pelas notícias.
As ações da Yibai Tecnologia despencaram sessenta por cento.
Quando Eduardo apareceu em uma entrevista, seus olhos estavam fundos e ele parecia extremamente abatido.
O jornalista perguntou qual seria o próximo passo dele.
Ele respondeu:
— Esperar alguém.
Eu sabia quem ele estava esperando.
Mas eu já não podia esperar por ele.
Outro dia de chuva.
Eduardo estava parado diante do portão.
Sem guarda-chuva.
Completamente encharcado.
Segurava um documento na mão.
— Valentina — ele me chamou do outro lado do portão de ferro. — Queria conversar sobre a empresa.
Eu não saí.
No dia seguinte ele apareceu com coisas para bebê.
Roupinhas, sapatinhos e uma lata de leite em pó importado.
— Comprei para a criança. Eu sou o pai dele.
Eu ainda não saí.
No terceiro dia…
Da janela, vi Henrique parado no portão, conversando com ele.
Vi apenas Eduardo baixar a cabeça, assentir levemente e ir embora.
Quando Henrique entrou em casa, seu rosto estava sombrio.
— O que ele disse?
— Nada.
Ele me serviu uma tigela de sopa.
— Beba.
Tomei um gole e o encarei.
— Irmão… você quer me dizer alguma coisa?
Ele ficou surpreso por um momento.
Depois sorriu.
— Valentina.
Sentou-se diante de mim.
— Desde o dia em que você tinha sete anos, quando nossos pais se foram… eu só pensei em uma coisa: como proteger você nesta vida.
Ele fez uma pausa.
— Mas eu nunca imaginei que um dia você se tornaria de outro homem.
Fiquei sem reação.
— Eu sei que ainda existe um lugar para ele no seu coração.
— Pense com calma. De qualquer forma, o filho que você está carregando… eu vou criar como se fosse meu.
Depois disso ele se levantou e foi embora.
Eu fiquei sentada sozinha à mesa.
A sopa esfriou, e eu não toquei nela novamente.
Naquela noite…
Henrique estava sentado no jardim, sob a árvore de bauínia, olhando para o chão coberto de pétalas caídas.
Coloquei um casaco e saí.
Sentei-me ao lado dele.
Ele encarava a árvore.
De repente falou:
— Você sabe por que eu o odeio?
— Não é por causa daquele pacto. Nem porque ele fez você sofrer por sete anos.
Ele virou o rosto para mim.
Seus olhos estavam vermelhos.
— É porque ele não merece você… e mesmo assim você o ama.
Ele respirou fundo.
— Valentina, quando eu tinha dezesseis anos, meu pai se casou com sua mãe.
Aquele passado ele nunca mencionava.
Naquele ano eu tinha sete anos.
Minha mãe, levando-me consigo, casou-se com o pai de Henrique.
Duas famílias quebradas tentaram começar de novo.
Eles foram para Xangai.
Disseram que havia mais oportunidades lá.
Quando ganhassem dinheiro, voltariam para nos buscar.
E realmente ganharam.
No terceiro mês enviaram dois mil yuan para casa.
Naquela época, dois mil yuan eram suficientes para uma família viver durante um ano inteiro.
Nós dois seguramos aquele comprovante de transferência e ficamos tão felizes que não conseguimos dormir a noite inteira.
Ele me disse:
— Valentina, nossos pais vão voltar. Agora nós temos uma família.
Mas eles nunca voltaram.
Para economizar no preço das passagens, não pegaram avião.
Viajaram em uma balsa noturna.
A embarcação sofreu um acidente no mar.
Nós ficamos sem pai e sem mãe.
Henrique usou aqueles dois mil yuan para montar uma pequena barraca no mercado subterrâneo.
Vendia roupas peça por peça.
Foi assim que me criou.
Ele me alimentou, me vestiu, me mandou estudar.
Sempre assumiu todos os problemas por mim.
O vento da noite soprou.
As flores de bauínia caíam suavemente, pousando sobre seus ombros e sobre meu colo.
Olhei para aquele homem que me protegeu durante vinte anos.
De repente…
Eu não sabia o que dizer.