Capítulo 5
Ele não havia amado Valentina Nunes profundamente um dia?
Quando foi que começou a sentir que ela já não era digna dele?
Filha de uma dançarina de cabaré, sem sequer terminar o ensino fundamental, só sabia brigar e resolver tudo com violência.
Além disso, ela não iria embora.
Afinal, quem havia colocado a impressão digital naquele pacto tinha sido ela. O próprio irmão praticamente a tinha “vendido”. Ela não tinha para onde ir.
Mas ela foi embora.
Ele procurou por todo o hospital, por toda a casa deles.
Não deixou nem um fio de cabelo para trás.
Em toda Jinghai, ela simplesmente desapareceu.
Até aquele dia.
A mãe de Isabela veio ver o neto. Enquanto assistia a vídeos curtos no celular, de repente exclamou:
— Isabela, isso é algum drama de gangsters sendo filmado?
Ele olhou de relance… e congelou.
Na tela, um Maybach preto com placas de três regiões diferentes estava parado na entrada de um hotel.
Henrique Nunes carregava uma mulher nos braços.
A mulher estava com a cabeça baixa. Seus longos cabelos negros caíam soltos, revelando metade do rosto — pálido e magro.
Mas ele a reconheceu de imediato.
Valentina Nunes.
Quando ela foi colocada dentro do carro, seu braço caiu frouxo. Havia gaze enrolada no dorso de sua mão.
O comboio partiu.
Seis carros, todos pretos, com seguranças vestidos de preto.
A cena parecia uma comitiva recebendo alguma figura extremamente importante.
Mas com ele…
Ela nem sequer levou uma troca de roupa.
Ele abandonou tudo e correu para Macau.
Só então descobriu que, nesses anos, Henrique Nunes já havia se reerguido completamente.
Estava ainda mais poderoso do que antes.
Aquela impressão digital no pacto…
Se Valentina não reconhecesse mais aquilo, ninguém teria coragem de forçá-la.
Então por que ela não foi embora antes?
Para proteger a reputação da família Nunes no submundo?
Para manter a honra da gangue?
Ou…
Será que ela realmente o amava tanto assim?
Macau era pequena.
Mas com o poder atual da família Nunes, se Valentina não quisesse vê-lo, ele jamais conseguiria chegar perto dela.
Ele começou a investigar o passado.
Quatro anos atrás, para ajudá-lo a conseguir um recurso crucial.
Valentina havia se aproximado deliberadamente de seu concorrente, Victor Zhou.
Durante aqueles três meses… ela acabou engravidando.
Usando seus contatos, Eduardo finalmente encontrou Victor Zhou.
Seu negócio havia falido.
Ele vivia escondido numa pequena cidade do Sudeste Asiático, parecendo um homem derrotado.
Eduardo voou até lá para encontrá-lo.
Victor Zhou riu ao vê-lo.
— Senhor Paiva, que vento trouxe você até aqui?
Eduardo foi direto ao ponto.
— Aqueles três meses com minha esposa, quatro anos atrás. O que realmente aconteceu?
Victor levantou uma sobrancelha.
Acendeu um cigarro e soltou lentamente a fumaça.
— Quer ouvir a verdade?
— Fale.
— Ela fingiu ficar comigo por três meses. Só para me fazer baixar a guarda.
Ele estreitou os olhos e sorriu.
— Eu a tive. Mais de uma vez.
Eduardo apertou os punhos.
— Mas sabe qual é a parte mais engraçada?
Victor bateu a cinza do cigarro, olhando para ele com uma estranha expressão de pena.
— Quando ela engravidou, eu pensei que o filho fosse meu.
Ele começou a rir.
A risada ecoou pelo quarto miserável.
— Eu fiquei tão feliz, porra.
— Fui procurá-la e disse: se o bebê nascer, eu vou criá-lo. Sabe o que ela respondeu?
Eduardo o encarava com os olhos vermelhos.
Victor continuou:
— Ela disse: o filho não é seu. É do Eduardo Paiva. Eu me aproximei de você para ajudá-lo. Desde o começo até o fim… só existia ele.
Victor levantou-se e caminhou até a janela.
Ficou de costas para Eduardo.
— Eu investiguei depois. No dia em que ela fez o aborto, fiquei sentado sozinho do lado de fora do hospital a tarde inteira.
— Eu não conseguia entender. Em que eu era inferior a você?
Ele se virou.
Seu sorriso era afiado como uma faca.
— Então quando você veio me procurar mais tarde… eu não te contei.
— Eu deixei você adivinhar.
— Deixei você se torturar sozinho, tentando descobrir de quem era aquele filho.
Eduardo avançou e agarrou o colarinho dele.
Victor não resistiu.
Apenas sorriu.
— Vá em frente. Me bata.
— Mesmo que me mate… ela nunca mais vai voltar para você.