Capítulo 5
Peguei meu celular e apontei para os dois.
Clique. Clique.
O som do obturador ecoou claramente.
Helena saiu rapidamente dos braços de Ricardo e recuou alguns passos. Seu rosto demonstrava arrependimento e confusão, como se só naquele momento tivesse percebido o que acabara de fazer.
Ela me olhou nervosa e tentou explicar apressadamente:
— Eu… eu esqueci… não foi de propósito, eu—
Ela não conseguiu continuar.
Porque eu apenas a observava friamente.
— Você não precisa dizer nada. Eu falo.
Ricardo interrompeu em voz grave.
Ele virou-se para mim e, em um instante, recuperou a compostura fria e imponente de sempre — o advogado brilhante e racional.
— Clara, se há algo para discutir, vamos falar em casa. Sua universidade fica perto daqui. Muitos estudantes entram e saem do parque. Fazer escândalo aqui não é bom para você.
Ele lançou um olhar para o chão sujo e acrescentou:
— Além disso… intimidar uma mulher sozinha e desamparada tem alguma graça?
Olhei para ele friamente.
Minha voz permaneceu calma.
— Você também sabe que muitos dos meus alunos passam por aqui. Então, como meu marido, abraçar uma viúva desse jeito em público… não acha excitante?
O olhar de Ricardo endureceu.
Entre a indignação havia também surpresa.
Afinal, diante dele eu sempre fui gentil, elegante e controlada.
Ele nunca tinha me visto assim.
Nem mesmo eu.
— Embora eu tivesse todo o direito de dar um tapa em vocês dois agora, não vou aceitar que joguem a culpa em mim.
Virei-me para Helena, que estava silenciosamente limpando a bagunça.
— Senhora Helena, então você não diz nada porque realmente pretende colocar essa culpa em mim?
Ela estremeceu.
Depois de alguns segundos, levantou lentamente o queixo e disse em voz alta:
— Chega! Vocês dois parem de discutir! Não foi ela… fui eu que derrubei a panela. Isso basta?
Com os olhos vermelhos, ela olhou para Ricardo com uma expressão magoada.
— Advogado Ricardo, agora leve sua esposa embora. Não atrapalhem meu trabalho. E no futuro também não farei mais negócios com você. Por favor, não venham mais aqui!
Alguns clientes começaram a se aproximar.
— O que aconteceu aqui? Como ficou assim?
— Helena, alguém está te intimidando?
— Quem ousa intimidar Helena? Eu não aceito!
Vários olhares hostis caíram sobre mim.
Ricardo franziu o olhar.
Ele segurou meu braço e me puxou em direção ao estacionamento.
Eu tentei me soltar, mas não consegui.
Enquanto caminhávamos, encontrei alguns alunos conhecidos segurando bolas e sorrindo.
— Professora Clara!
Sorri educadamente.
— Olá.