Helena não aguentou mais.
— Edward!
Edward a olhou com os olhos ainda avermelhados, como se ela fosse a pessoa cruel da história.
Helena soltou um suspiro e mudou de assunto.
— O que você está fazendo vestido com esse jaleco?
Edward abriu um sorriso enorme.
— A partir de hoje, eu sou seu colega de trabalho.
— Você não está feliz?
Desde aquele dia, Edward passou a se agarrar a Helena como um fantasma.
Ele chegou até a sair do castelo e comprar a casa ao lado da dela.
Na mesma noite, apareceu à sua porta
completamente encharcado
.
— Helena, a torneira da minha casa quebrou. Posso usar seu banheiro?
— Não.
Helena fechou a porta sem expressão.
O rosto de Edward desabou imediatamente.
Mas, antes que pudesse mergulhar na própria tristeza, uma ligação quebrou o silêncio.
— Jovem mestre, o ex-marido da senhorita Helena chegou ao País A.
…
O hábito era uma coisa assustadora.
Depois de mais de um mês sendo perseguida por Edward em todos os lugares, Helena já era capaz de lidar com certa calma com aquelas declarações de amor inesperadas que surgiam a qualquer hora.
Naquele dia, Edward a convidou para jantar.
Helena inicialmente não queria ir.
Mas só de imaginar Edward passando o dia inteiro com os olhos vermelhos, olhando para ela de forma lamentável com aquelas pupilas verdes…
Ela cedeu.
Resignada, entrou no carro que ele mandou buscá-la.
Assim que desceu, Edward foi ao seu encontro.
— Helena, você finalmente chegou.
Helena olhou para ele.
— Por que ficou me esperando do lado de fora?
Os olhos de Edward brilharam.
— Porque eu queria te ver o mais cedo possível.
Helena já estava acostumada com aquelas frases.
— Certo. Vamos entrar.
Edward ofereceu o braço.
— Helena, segure em mim.
Ela viu o sorriso no rosto dele e, achando difícil recusar, já ia aceitar.
Foi então que uma voz familiar surgiu às suas costas.
— Helena… é você?
Helena se virou.
Seus olhos se fixaram brutalmente no homem parado à entrada.
A umidade tomou conta de seu olhar.
Seus dedos se fecharam com força, as unhas cravando na pele.
Ela realmente não imaginava que voltaria a ver
Ricardo Faria
tão cedo.
Não houve alegria de reencontro.
Nem qualquer emoção feliz por revê-lo.
Tudo o que sentiu foi
medo
.
Um medo espesso e sufocante.
Nos olhos aparentemente calmos de Ricardo, escondia-se uma fúria violenta.
Mas ele a reprimiu e falou com suavidade:
— Querida… venha até mim.
Helena não se moveu.
Edward deu um passo à frente e se colocou diante dela.
Então expulsou Ricardo sem a menor cerimônia:
— Senhor, este é um lugar privado. Por favor, vá embora.
Ricardo estreitou os olhos.
Seu olhar percorreu Edward de cima a baixo com hostilidade evidente.
Quando rivais se encontram, a hostilidade nasce naturalmente.
No fundo, Ricardo sentiu crescer uma inquietação.
A presença daquele homem não perdia em nada para a dele.
Edward manteve o olhar inalterado.
Bateu palmas com naturalidade.
— Tirem este…
Ele examinou Ricardo com desprezo.
— …novo-rico daqui.
Ricardo nem teve tempo de reagir.
No instante seguinte, já havia sido arrastado para fora.
Helena ficou boquiaberta.
Viu Ricardo ser carregado dali quase como um pintinho indefeso.
Edward pareceu extremamente satisfeito com a eficiência dos próprios homens.
Mas, ao se virar e notar que Helena ainda estava olhando para Ricardo, franziu a testa.
— Helena, eu não gosto quando você olha para outros homens.
Ele se colocou de novo diante dela, com um ar profundamente ressentido.
Helena tocou o nariz, um pouco sem jeito.
— Vamos. Eu estou com fome.
Dentro do restaurante, havia apenas os dois.
Edward servia comida para ela o tempo todo.
A luz das velas era quente e refletia no verde brilhante de seus olhos.
O afeto em seu olhar era tão intenso que quase parecia afogá-la.
Talvez por causa daquela atmosfera.
Talvez porque, diante dele, pela primeira vez, Helena teve vontade de falar.
Foi a primeira vez que contou a Edward sobre o relacionamento fracassado que viveu com Ricardo.
Falou sobre o pânico da primeira vez em que descobriu a traição.
Falou sobre as provocações de Bianca.
Falou sobre o filho que perdeu.
Edward ouviu tudo em silêncio.
Seus olhos estavam cheios de compaixão e ternura.
No final, Helena acabou bebendo demais.
Desabou nos braços dele.
E começou a chamar sem parar:
— Edward…
Edward baixou os olhos para a mulher em seus braços.
Pela primeira vez, odiou tanto uma pessoa.
Odiou profundamente quem havia machucado Helena.
Quis destruir todos que a fizeram sofrer.
Na manhã seguinte, Helena acordou.
Acima de sua cabeça havia afrescos bizantinos luxuosos e complicados.
Ela se mexeu levemente, e o lençol escorregou por sua pele.
— Bom dia, querida.
Edward estava deitado ao lado dela, apoiando a cabeça com uma das mãos, olhando-a.
Os olhos de Helena se arregalaram.
— O que você está fazendo aqui?!
Edward sorriu com timidez.
Seus olhos verdes lembravam um lago primaveril.
— Helena… eu já sou seu agora.