《MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO》Capítulo 9

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Valentina saiu do apartamento de Augusto sem sentir as pernas.

Setenta e duas horas.

Era tudo o que restava antes que o Hotel Almeida Jardins pudesse ser tomado.

Ela entrou no carro, fechou a porta e ficou alguns segundos olhando para o volante.

Não chorou de imediato.

Primeiro veio a raiva.

Depois a humilhação.

Por fim, o medo.

O celular começou a tocar.

Helena.

Valentina atendeu.

"Filha, onde você está?"

"Indo para o hospital."

"Seu pai piorou."

Valentina fechou os olhos.

"O que aconteceu?"

"A pressão subiu de novo."

A voz de Helena tremia.

"Os médicos pediram para evitar qualquer estresse."

Valentina soltou uma risada vazia.

"Então não conta para ele que estamos a três dias de perder o hotel."

Helena ficou em silêncio.

"Valentina..."

"Eu chego em vinte minutos."

No Hospital Santa Cecília, Henrique dormia sob efeito de medicação.

Valentina entrou no quarto e ficou olhando para ele.

O homem que passara a vida repetindo que controle era tudo agora dependia de máquinas para medir cada batimento.

Helena se aproximou.

"O que Augusto queria?"

Valentina respondeu:

"O hotel."

Helena empalideceu.

"Como assim?"

"Se eu não assinar o novo financiamento, ele executa a garantia."

"Henrique nunca aceitaria isso."

"Aceitou sem perceber."

Helena levou a mão ao peito.

"Meu Deus."

Valentina virou-se.

"Ele montou tudo."

"Augusto?"

"Ele e a família."

A voz dela ficou amarga.

"Primeiro os fornecedores. Depois os empréstimos. Depois entrou na minha vida."

Helena fechou os olhos.

Valentina percebeu.

"Mãe?"

"Eu devia ter visto."

"Visto o quê?"

Helena apenas balançou a cabeça.

"Nada."

Valentina já estava cansada demais para insistir.

Saiu do quarto e caminhou até o corredor.

Foi ali que viu Gabriel.

Ele estava perto da janela.

Sozinho.

Valentina parou.

"Quem contou?"

"Mariana."

"Eu pedi para ela não envolver você."

Gabriel se aproximou.

"Ela não me envolveu."

"Então por que está aqui?"

"Porque quero saber o que Augusto fez."

Valentina soltou o ar.

"Não."

Gabriel franziu a testa.

"Não o quê?"

"Não quero sua ajuda."

Ele ficou imóvel.

"Valentina."

"Eu estou falando sério."

"Seu hotel pode ser executado em três dias."

"Eu sei."

"Então não temos tempo para orgulho."

Ela virou o rosto.

"Isso não é orgulho."

"Então o que é?"

Valentina olhou para ele.

"É limite."

Gabriel não respondeu.

Ela continuou:

"Você voltou. Descobriu quem eu sou. Descobriu que minha família está quebrando."

A voz dela começou a falhar.

"E agora parece que a solução para tudo é você."

"Eu nunca disse isso."

"Mas é assim que parece."

"Eu posso impedir Augusto."

"Com dinheiro."

Gabriel ficou em silêncio.

Valentina assentiu.

"Exatamente."

"Dinheiro é uma ferramenta."

"Para você."

"E pode ser para você também."

Ela riu.

"Não."

Gabriel se aproximou.

"Por que está fazendo isso?"

"Porque eu não quero passar o resto da vida pensando que tudo que você fez por mim foi pagamento."

"Pagamento de quê?"

Valentina sentiu os olhos arderem.

"De um sanduíche."

Gabriel ficou parado.

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Ela continuou:

"Metade de um sanduíche, Gabriel."

"Valentina..."

"Eu tinha nove anos."

"Eu também."

"Eu não salvei sua vida."

Gabriel olhou para ela de um jeito diferente.

"Salvou."

Valentina balançou a cabeça.

"Não diga isso."

"É verdade."

"Não é."

Gabriel se aproximou mais.

"Você quer saber o que eu lembro daquela época?"

Ela ficou em silêncio.

"Eu lembro de dormir com fome."

A voz dele saiu baixa.

"Lembro de gente mudando de calçada quando me via."

Valentina abaixou os olhos.

"Eu lembro de um homem me expulsando de uma padaria porque achou que eu ia roubar pão."

Gabriel respirou fundo.

"Lembro de levar tapa por uma carteira que eu nunca toquei."

Valentina sentiu as lágrimas caírem.

"Mas sabe do que eu lembro mais?"

Ela não respondeu.

"De você perguntando meu nome."

Valentina ergueu os olhos.

Gabriel continuou:

"Você não jogou comida para mim."

"Gabriel..."

"Você perguntou meu nome."

A voz dele falhou pela primeira vez.

"Isso parece pequeno para você porque sempre foi tratada como pessoa."

Valentina ficou imóvel.

"Para mim não era pequeno."

Ele passou a mão pelo rosto.

"Eu tinha nove anos e já estava começando a acreditar que talvez todo mundo tivesse razão."

"Razão sobre o quê?"

"Sobre eu não valer nada."

Valentina levou a mão à boca.

Gabriel falou:

"Você não me deu metade de um sanduíche."

Fez uma pausa.

"Você foi a primeira pessoa que me fez acreditar que eu ainda merecia viver."

Valentina chorou em silêncio.

"Então não transforme isso em uma dívida de novecentos milhões."

"Eu não estou transformando."

"Está sim."

"Não."

Gabriel balançou a cabeça.

"Eu não vou comprar sua família."

"Então o que vai fazer?"

"Ajudar você a recuperar o que já era de vocês."

Valentina franziu a testa.

"Como?"

"Seguindo o dinheiro."

Ela ficou calada.

Gabriel continuou:

"Se Augusto drenou o grupo por empresas ligadas a ele, essas transações podem ser contestadas."

"Isso leva meses."

"Não se conseguirmos provar fraude."

"E as setenta e duas horas?"

"Eu seguro a execução."

Valentina ergueu os olhos.

"Como?"

"Com uma garantia temporária."

Ela deu um passo para trás.

"Não."

"Escuta."

"Você acabou de dizer que não ia usar dinheiro."

"Eu disse que não vou comprar você."

"É a mesma coisa."

"Não é."

Gabriel falou com firmeza:

"Eu coloco capital suficiente para impedir a execução imediata."

"Em troca de quê?"

"Tempo."

"Participação?"

"Não."

"Controle?"

"Não."

Valentina o encarou.

"Então por quê?"

Gabriel respondeu:

"Porque Augusto quer que você tome uma decisão desesperada."

Fez uma pausa.

"Eu só vou comprar o tempo que ele quer tirar de você."

Valentina ficou em silêncio.

Gabriel continuou:

"E nesse tempo, nós encontramos o dinheiro que saiu da empresa."

"Nós?"

"Se você quiser."

Ela respirou fundo.

"Eu não confio mais em ninguém."

Gabriel assentiu.

"Então não confie."

A resposta a surpreendeu.

"Confira tudo que eu fizer."

Ele tirou o celular do bolso.

"Mariana revisa os contratos."

"Bruno abre os números."

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"Você aprova cada passo."

Valentina olhou para ele.

"Sem segredo."

"Sem segredo."

"Sem decidir por mim."

"Sem decidir por você."

"Sem usar a nossa história para me pressionar."

Gabriel respondeu:

"Nunca."

Valentina demorou alguns segundos.

Depois estendeu a mão.

"Então fazemos juntos."

Gabriel olhou para a mão dela.

Dessa vez, não havia grades entre os dois.

Ele apertou.

"Juntos."

Nas horas seguintes, o hotel virou uma sala de guerra.

Bruno assumiu os relatórios financeiros.

Mariana revisou contratos.

Valentina chamou dois funcionários antigos do setor contábil.

Gabriel colocou sua equipe de auditoria para cruzar fornecedores, notas fiscais e contas de destino.

O primeiro padrão apareceu antes da meia-noite.

Uma empresa recebia por serviços nunca prestados.

Outra repassava dinheiro para uma consultoria.

A consultoria transferia para uma holding.

A holding estava ligada à Montenegro Capital.

Valentina bateu na mesa.

"Eu sabia."

Bruno respondeu:

"Ainda não é suficiente."

"Quanto mais precisa?"

"Uma ligação direta."

Gabriel concordou.

"Precisamos mostrar que Augusto ou a família dele eram os beneficiários finais."

Mariana ergueu outra pasta.

"E talvez provar que os contratos foram montados para gerar inadimplência."

Valentina passou a mão pelo cabelo.

"E enquanto isso?"

Gabriel respondeu:

"Minha equipe jurídica entra amanhã cedo com a medida para suspender a execução."

"E se perder?"

"Não vamos perder."

"Você não pode garantir."

Gabriel olhou para ela.

"Então vamos trabalhar como se não houvesse outra opção."

Às duas da manhã, Helena apareceu no hotel.

Valentina se assustou.

"Mãe, por que você não está com o pai?"

"Ele dormiu."

Helena olhou para a sala cheia de documentos.

"O que vocês estão fazendo?"

"Descobrindo para onde foi o dinheiro."

Helena ficou tensa.

"Que dinheiro?"

Gabriel percebeu.

"O dinheiro desviado do grupo."

Helena segurou a bolsa com mais força.

Valentina não notou.

"Se encontrarmos os beneficiários, podemos bloquear parte da operação."

Helena assentiu devagar.

"Entendi."

"Você está bem?"

"Estou cansada."

"Vai para casa."

Helena hesitou.

Depois respondeu:

"Está bem."

Saiu.

Gabriel observou a porta fechar.

Alguma coisa naquele comportamento o incomodou.

Mas Bruno chamou antes que pudesse pensar mais.

"Gabriel."

Ele estava olhando para a tela.

"Encontrei uma transferência diferente."

"Quanto?"

Bruno não respondeu de imediato.

Valentina se aproximou.

"Bruno?"

Ele ampliou a planilha.

"Quarenta e seis milhões de reais."

Mariana levantou.

"Uma única operação?"

"Não."

Bruno apontou.

"Foi fracionada em oito transferências ao longo de onze meses."

Gabriel aproximou-se.

"Origem?"

"Empresas fornecedoras ligadas ao Grupo Almeida."

"Destino?"

"Passou por duas holdings."

Valentina sentiu o coração acelerar.

"E o beneficiário final?"

Bruno ficou em silêncio.

"Fala."

Ele virou a tela.

Valentina leu o nome.

O rosto perdeu a cor.

Gabriel também ficou imóvel.

Não era Augusto Montenegro.

Não era Otávio.

Não era nenhuma empresa da família Montenegro.

O nome exibido na tela era:

Helena Almeida.

Valentina deu um passo para trás.

"Minha mãe?"

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