《MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO》Capítulo 7

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Gabriel leu o sobrenome mais uma vez.

Almeida.

O papel antigo parecia pesado demais em suas mãos.

Bruno permanecia em silêncio do outro lado da mesa.

"Tem certeza de que isso veio do meu processo?"

"Tenho."

"Sem erro de arquivo?"

"Já conferi."

Gabriel colocou a folha sobre a mesa.

"Quero a origem dessa assinatura."

Bruno assentiu.

"Já pedi uma perícia documental."

Gabriel não respondeu.

Por alguns segundos, só conseguia pensar em Henrique Almeida.

No homem que o expulsara da porta da escola.

No pai que arrancara Valentina daquele convívio.

No homem que dissera, vinte e cinco anos antes, que ele nunca mais chegaria perto da filha.

A conclusão parecia óbvia demais.

E talvez por isso incomodasse tanto.

Na manhã seguinte, Gabriel procurou Valentina.

Ela estava no escritório do hotel.

Tinha acabado de sair de uma ligação com o banco quando o viu entrar.

"Precisamos conversar."

Valentina percebeu imediatamente que havia algo errado.

"O que aconteceu?"

Gabriel colocou uma cópia do documento sobre a mesa.

Ela leu.

O rosto mudou.

"De onde veio isso?"

"Do meu processo de adoção."

Valentina ergueu os olhos.

"Não estou entendendo."

"Houve uma tentativa de impedir que eu fosse adotado."

Ela voltou ao papel.

"Quem?"

Gabriel apontou para a assinatura.

Valentina congelou.

"Não."

"Você reconhece o sobrenome."

"Isso não prova nada."

"Prova que alguém da sua família esteve envolvido."

Valentina levantou.

"Não diga isso."

"Estou mostrando um documento."

"Um documento de vinte e cinco anos."

"Com o sobrenome do seu pai."

Ela apertou os lábios.

"Não é a assinatura dele."

Gabriel ficou em silêncio.

Valentina continuou:

"Eu conheço a assinatura do meu pai."

"Você tinha nove anos naquela época."

"Hoje não tenho."

Gabriel cruzou os braços.

"Então quer dizer que alguém falsificou o nome dele?"

"Quero dizer que você está acusando sem saber."

A voz dela ficou mais dura.

Gabriel respondeu:

"E você está defendendo sem saber."

Valentina encarou.

"Ele podia ser difícil. Controlador. Arrogante."

Respirou fundo.

"Mas impedir a adoção de uma criança?"

Gabriel riu sem humor.

"Você esqueceu quem era a criança."

"Não."

"Então lembra que ele me tratava como ameaça."

"Ele achava que estava protegendo a filha."

"De um menino com fome?"

Valentina fechou os olhos.

"Não faça isso."

"Isso o quê?"

"Não transforme meu pai em monstro só porque ele tratou você mal."

Gabriel se aproximou.

"Eu não preciso transformar ninguém em nada."

A voz dele baixou.

"Eu só quero saber por que alguém tentou destruir a única chance que eu tinha de sair da rua."

Valentina ficou em silêncio.

Gabriel apontou para o documento.

"Se foi ele, eu vou descobrir."

Ela respondeu imediatamente:

"Se você vier atrás da minha família como se todos fossem culpados, eu vou ficar contra você."

Gabriel parou.

A frase atingiu mais do que ele esperava.

"Então estamos entendidos."

Valentina respirou fundo.

"Gabriel..."

Mas ele já pegava a pasta.

"Não precisa."

"Eu não quis..."

"Quis sim."

Ele caminhou até a porta.

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Valentina falou:

"Você sempre acha que precisa enfrentar tudo sozinho."

Gabriel parou sem se virar.

"Foi assim que eu aprendi."

Saiu.

Foi a primeira vez desde o reencontro que os dois se separaram realmente feridos.

Na mesma tarde, Henrique teve uma nova crise de pressão.

Foi levado para o Hospital Santa Cecília.

Valentina chegou primeiro.

Helena veio logo depois.

Augusto apareceu quase uma hora mais tarde.

Gabriel soube por Bruno.

"Ele foi internado."

Gabriel continuou olhando para o relatório.

"Estado?"

"Estável."

"Então não é problema nosso."

Bruno observou o chefe.

"Você quer mesmo que eu finja que acredita nisso?"

Gabriel levantou os olhos.

Bruno apontou para o documento antigo.

"Se quer respostas, talvez seja a melhor oportunidade."

Gabriel não gostou.

Mas sabia que ele tinha razão.

No início da noite, foi ao hospital.

Valentina estava no corredor.

Quando o viu, endureceu.

"Por que você veio?"

"Falar com seu pai."

"Agora?"

"Agora."

"Ele acabou de sair de uma crise."

"Eu não vou gritar com ele."

Valentina soltou uma risada amarga.

"Que alívio."

Gabriel ficou sério.

"Eu preciso saber."

"Você não consegue esperar um dia?"

"Esperei vinte e cinco anos sem saber que precisava perguntar."

Valentina não respondeu.

Helena apareceu na porta do quarto.

"Ele acordou."

Olhou para Gabriel.

Depois para a filha.

"Talvez seja melhor acabar com isso."

Valentina fechou os olhos.

"Se ele piorar..."

Gabriel interrompeu.

"Eu saio."

Henrique estava pálido.

Tinha um acesso venoso no braço e monitores ao lado da cama.

Quando viu Gabriel entrar, a expressão mudou.

"Você."

Gabriel fechou a porta.

Henrique soltou uma risada seca.

"Demorou para aparecer."

"Você sabia quem eu era desde o começo?"

"Quando ouvi seu nome completo, sim."

Gabriel parou ao lado da cama.

"E não falou nada."

Henrique deu de ombros.

"Você também não."

Gabriel tirou a cópia do documento.

"Conhece isso?"

Henrique leu.

O rosto endureceu.

"De onde tirou?"

"Do meu processo de adoção."

Henrique demorou alguns segundos.

"Então você finalmente encontrou."

Gabriel sentiu o sangue ferver.

"Finalmente?"

Henrique percebeu a interpretação.

"Não foi isso que eu quis dizer."

"Então explique."

Henrique olhou para a assinatura.

Gabriel falou:

"Você tentou impedir minha adoção?"

"Não."

A resposta veio imediata.

Gabriel não piscou.

"Você quer que eu acredite?"

"Não me importa no que acredita."

Henrique ainda tinha o mesmo orgulho.

Gabriel aproximou o documento.

"Seu sobrenome está aqui."

"Meu sobrenome não é uma assinatura."

"Você me queria longe da Valentina."

"Queria."

Henrique não hesitou.

Gabriel ficou imóvel.

Henrique continuou:

"Eu mandei a escola impedir que você rondasse o portão."

"Eu tinha nove anos."

"Eu sei."

"Mandou segurança me expulsar."

"Mandei."

"Transferiu sua filha."

"Transferi."

Gabriel sentiu o maxilar travar.

Henrique falou:

"Eu achava que você se aproveitava da bondade dela."

"Eu nunca pedi nada."

"Hoje eu sei."

Gabriel não esperava ouvir aquilo.

Henrique desviou o olhar.

"Na época eu não sabia."

"Então fez o quê depois?"

"Nada."

Gabriel bateu o dedo no documento.

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"E isso?"

"Não fui eu."

"Conveniente."

Henrique virou o rosto.

"Olhe direito."

Gabriel empurrou a folha.

Henrique apontou para o final.

"Minha assinatura nunca foi assim."

"Pode ter mudado."

"Não mudou."

"Você espera que eu confie na sua palavra?"

Henrique respirou fundo.

Depois olhou para Valentina, que permanecia perto da porta.

"Traga minha pasta."

Ela franziu a testa.

"Qual?"

"A azul."

Helena abriu a bolsa e retirou alguns documentos médicos e procurações.

Henrique pegou uma folha antiga.

"Compare."

Gabriel colocou os papéis lado a lado.

As assinaturas eram diferentes.

Não um pouco.

Muito.

O traço do H.

A inclinação.

A forma do sobrenome.

Gabriel ficou em silêncio.

Henrique falou:

"Eu fiz muita coisa errada naquela época."

A voz dele saiu mais baixa.

"Mas não fiz isso."

Gabriel olhou para ele.

"Então quem fez?"

Henrique fechou os olhos.

"Não sei."

"Alguém usou seu nome."

"Sim."

"Por quê?"

Henrique abriu os olhos.

"Essa é a pergunta que você deveria estar fazendo."

Gabriel sentiu um desconforto novo.

Até então, tudo parecia consequência do desprezo de Henrique.

Mas uma falsificação mudava tudo.

Valentina se aproximou.

"Gabriel."

Ele não respondeu.

Henrique falou:

"Se alguém tentou impedir sua adoção, talvez não tivesse nada a ver com minha filha."

Gabriel encarou.

"Então tinha a ver com quê?"

Henrique balançou a cabeça.

"Com você."

A frase ficou no quarto.

Gabriel saiu do hospital diferente de como entrou.

A raiva não tinha desaparecido.

Mas agora havia outra coisa.

Medo de descobrir que sua infância continha algo que ninguém nunca lhe contou.

Na manhã seguinte, Bruno recebeu autorização para ampliar a investigação.

Registros públicos.

Arquivos de assistência social.

Documentos de cartório.

Informações antigas de hospitais.

Mariana também entrou na busca.

Valentina procurou a amiga em segredo.

"Quero saber a verdade."

Mariana perguntou:

"Mesmo se seu pai estiver envolvido?"

Valentina demorou.

"Mesmo assim."

Dois dias depois, Mariana ligou para Gabriel.

"Encontrei uma coisa."

Eles se reuniram no escritório da Ferraz Participações.

Mariana chegou com uma pasta cinza.

"Seu registro de nascimento original estava vinculado a um processo antigo de proteção social."

Gabriel pegou os papéis.

"Por que estava fechado?"

"Porque houve inconsistências depois do desaparecimento dos seus pais."

Ele parou.

"Desaparecimento?"

Mariana respirou fundo.

"Seu pai não morreu quando você era bebê."

Gabriel levantou os olhos.

"O quê?"

"Os registros indicam que ele desapareceu quando você tinha seis anos."

Gabriel sentiu o chão mudar.

"Qual era o nome dele?"

Mariana abriu a última página.

Gabriel leu.

Rogério Costa.

O nome não significava nada.

Até Mariana deslizar outro documento sobre a mesa.

Era um registro trabalhista antigo.

Empresa empregadora:

Montenegro Participações e Empreendimentos Ltda.

Gabriel ficou imóvel.

Bruno se aproximou.

"Montenegro?"

Mariana assentiu.

"Seu pai trabalhou quase oito anos para a família."

Gabriel tornou a olhar para o nome.

E, naquele instante, Augusto deixou de ser apenas o noivo de Valentina.

Passou a fazer parte do passado que alguém tinha tentado esconder dele.

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