《MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ》Capítulo 7

PUBLICIDADE

Henrique assistiu à gravação seis vezes.

Em todas elas, Camila aparecia no corredor às 1h47 da madrugada.

Em todas, olhava para trás antes de entrar no quarto de Vitória.

E, em todas, permanecia lá por quase cinquenta minutos.

"Quero saber o que minha irmã estava fazendo nessa casa naquela noite."

Bruno fechou o notebook.

"Ela não aparece no registro oficial de hóspedes."

Henrique levantou os olhos.

"Então entrou sem ser registrada."

"Provavelmente pela garagem lateral."

"Descobre."

Bruno assentiu.

Henrique caminhou até a janela.

Não queria confrontar Camila ainda.

Se a irmã tivesse mentido no escritório da Faria Lima, uma acusação direta apenas faria com que ela apagasse o que ainda restava.

Dessa vez, ele queria chegar antes.

Nas quarenta e oito horas seguintes, Bruno levantou e-mails, atas de reuniões e mensagens corporativas às quais Camila tinha acesso como diretora do Grupo Montenegro.

O que encontrou não provava um crime.

Mas mostrava ressentimento.

Em uma reunião do conselho ocorrida dois anos antes, Camila havia discutido com Augusto Montenegro, pai dos dois.

A ata registrava apenas parte da conversa.

Bruno conseguiu localizar uma gravação interna.

A voz de Camila estava clara.

"Eu trabalho nesta empresa há quinze anos."

Augusto respondeu:

"E Henrique será o presidente."

"Por quê?"

"Porque está preparado."

"E eu não?"

"Não transforme isso numa disputa pessoal."

Camila riu, amarga.

"É fácil dizer isso quando todo o futuro da família já tem nome."

Augusto ficou em silêncio.

Ela continuou.

"Henrique primeiro. Depois Léo. E eu fico onde?"

Henrique desligou o áudio.

Bruno observou sua reação.

"Tem mais."

"Não preciso."

"Talvez precise."

Henrique olhou para ele.

Bruno colocou outro documento sobre a mesa.

Era uma proposta antiga de reorganização societária.

Camila defendia que o controle futuro do grupo deveria permanecer com administradores profissionais, não passar automaticamente para Léo.

Henrique leu a anotação feita por ela.

"Patrimônio não pode ser confundido com competência."

Ele soltou a folha.

"Ela estava falando do meu filho."

"Na época, Léo tinha quatro anos."

"Exatamente."

Henrique sentiu a raiva crescer.

Mas ainda havia uma coisa que não fazia sentido.

Camila podia querer poder.

Podia se ressentir do irmão.

Podia considerar injusta a estrutura criada pelo avô.

Mas isso não explicava como o tratamento de Léo havia começado.

"Quero o primeiro relatório do Rafael."

Bruno procurou no arquivo digital.

"Já temos vários."

"O primeiro."

Poucos minutos depois, encontrou.

A data era anterior aos pagamentos aprovados por Camila.

Anterior até ao envolvimento direto de Vitória na rotina médica.

Henrique leu a recomendação.

Dr. Rafael Ferraz sugeria acompanhamento intensivo e considerava a possibilidade de medicação prolongada.

Henrique sentiu um frio no peito.

"Quando Camila começou a autorizar os pagamentos?"

"Quase cinco meses depois."

"E Vitória?"

"Os e-mails dela sobre aumento de acompanhamento aparecem ainda mais tarde."

Henrique ficou olhando para a linha do tempo.

Camila tinha interesses.

Vitória tinha mentido.

Mas a primeira pessoa a transformar o comportamento de Léo em um problema médico permanente havia sido Rafael.

PUBLICIDADE

"Foi ele."

Bruno assentiu.

"Ele abriu a porta."

Henrique pensou por alguns segundos.

"Então vamos ver se ele ainda acha que pode entrar por ela."

Naquela tarde, Henrique ligou pessoalmente para Dr. Rafael.

O médico atendeu com frieza.

"Finalmente resolveu falar comigo?"

Henrique controlou a voz.

"Talvez você estivesse certo."

Houve silêncio.

"Sobre o quê?"

"Léo."

Rafael pareceu surpreso.

Henrique continuou.

"Ele ficou agitado ontem."

Era mentira.

Na verdade, Léo passara a manhã inteira brincando no jardim.

"Que tipo de agitação?"

"Chorou. Não quis dormir."

"E a medicação?"

"Continuamos sem dar."

Rafael respirou fundo.

"Eu avisei que isso poderia acontecer."

Henrique olhou para Bruno.

"Talvez seja melhor voltar."

A resposta veio rápido demais.

"Eu posso ir até aí."

Henrique quase sorriu.

"Hoje?"

"Hoje."

"Você não precisa."

"Preciso avaliar o menino."

Henrique desligou.

Bruno ergueu uma sobrancelha.

"Ele mordeu."

"Agora vamos ver por quê."

Rafael chegou a Campos do Jordão antes das seis da tarde.

Trouxe uma maleta médica.

Vitória pareceu surpresa ao vê-lo, mas Henrique percebeu uma troca rápida de olhares entre os dois.

"Você chamou o Rafael?"

"Chamei."

Vitória tentou esconder a satisfação.

"Finalmente."

Henrique conduziu o médico ao escritório.

Rafael colocou a maleta sobre a mesa.

"Quero examinar Léo antes de qualquer coisa."

"Primeiro quero entender o tratamento."

"Já expliquei dezenas de vezes."

"Explica de novo."

Rafael respirou fundo.

"Seu filho apresenta um quadro complexo."

"Desde quando?"

"Desde a primeira avaliação."

"E naquela primeira avaliação você já recomendou medicação prolongada."

"Como possibilidade."

"Antes de Vitória falar em crises frequentes."

Rafael ficou sério.

"Não sei onde quer chegar."

Henrique se inclinou.

"Eu também não."

O médico fechou a maleta.

"Henrique, você está procurando um culpado."

"Talvez."

"Porque é mais fácil culpar alguém do que aceitar que seu filho precisa de ajuda."

Henrique sustentou o olhar.

"Então me ajuda a aceitar."

Rafael hesitou.

"Quero todos os registros originais."

"Você já recebeu."

"Quero anotações clínicas, prescrições, alterações de dose e justificativas."

Rafael ficou em silêncio.

"Tem algum problema?"

"Não."

"Ótimo."

Henrique levantou-se.

"Então manda tudo para Mariana até amanhã."

Rafael pegou a maleta.

"Vou examinar Léo."

"Hoje não."

"Você me trouxe até aqui."

"Eu queria conversar."

Rafael percebeu.

"Isso foi uma armadilha."

Henrique abriu a porta.

"Se você não tem nada para esconder, não deveria parecer tão preocupado."

O médico saiu sem responder.

Henrique observou quando ele encontrou Vitória no corredor.

Ela tentou falar com Rafael.

Ele passou direto.

Aquilo foi suficiente para aumentar ainda mais sua desconfiança.

Mas antes que pudesse seguir os dois, ouviu uma discussão no andar de cima.

Uma funcionária gritou.

"Senhor Henrique!"

Ele subiu rapidamente.

O barulho vinha da área destinada aos funcionários.

Quando entrou no corredor, encontrou Isabela diante da porta do próprio quarto.

Duas funcionárias estavam ao lado dela.

Vitória segurava uma pequena caixa de madeira.

"O que está acontecendo?"

Isabela virou-se.

Estava pálida.

"Eu não sei."

Vitória abriu a caixa.

Dentro havia um relógio infantil de ouro, uma pequena medalha com as iniciais de Léo e vários maços de dinheiro.

PUBLICIDADE

Henrique parou.

Reconheceu a medalha.

Augusto a havia dado ao neto no batizado.

"De onde veio isso?"

Vitória respondeu.

"Do quarto dela."

Isabela balançou a cabeça.

"Não."

Vitória ergueu a caixa.

"Estava dentro do armário."

"Isso não é meu!"

Henrique olhou para Isabela.

"Quanto dinheiro?"

Bruno começou a contar.

"Quase trinta mil."

Isabela levou as mãos à cabeça.

"Eu nunca vi esse dinheiro."

Vitória soltou uma risada curta.

"Claro."

"Eu não roubei nada."

"Então apareceu sozinho?"

Isabela avançou.

"Você colocou isso aqui!"

Vitória arregalou os olhos.

"Eu?"

"Sim!"

"Isabela."

Henrique falou firme.

Ela parou.

Os olhos estavam cheios de lágrimas.

"Eu não fiz isso."

Henrique não respondeu.

Vitória aproximou-se.

"Agora você entende?"

Henrique virou o rosto.

"Entendo o quê?"

"Por que ela se aproximou do Léo."

Isabela ficou vermelha.

"Não fala isso."

Vitória ignorou.

"Uma funcionária chega aqui, conquista a confiança de uma criança vulnerável e, de repente, objetos começam a desaparecer."

"Você está mentindo!"

"Estou?"

Vitória levantou a medalha.

"Isso estava onde?"

Uma das funcionárias respondeu, nervosa.

"No fundo do armário."

Vitória olhou para Henrique.

"Você estava disposto a destruir nossa família para defender essa mulher."

Henrique permaneceu em silêncio.

Isabela parecia não acreditar no que estava acontecendo.

"Senhor Henrique, olha para mim."

Ele olhou.

"Eu nunca roubei nada dessa casa."

Henrique conhecia provas.

Sabia que objetos encontrados num quarto eram evidência.

Sabia também que evidências podiam ser fabricadas.

Mas, naquele instante, não tinha como demonstrar nenhuma das duas coisas.

Vitória se aproximou mais.

"Ela manipulou Léo."

"Chega."

"Você precisa ouvir."

"Eu disse chega."

Vitória apontou para Isabela.

"Ela sabia que ele era emocionalmente vulnerável. Fez o menino depender dela e depois começou a tirar proveito."

Isabela chorava.

"Eu amo aquele menino."

Vitória riu.

"Exatamente o que alguém nessa posição diria."

Henrique fechou os olhos por um instante.

Rafael apareceu no corredor.

"O que houve?"

Vitória mostrou a caixa.

"Encontramos isso no quarto de Isabela."

O médico observou.

Depois olhou para Henrique.

"Eu avisei sobre dependência emocional."

Henrique sentiu a raiva subir.

"Não se mete."

"É diretamente relacionado ao paciente."

"Meu filho não é seu paciente a partir de agora."

Rafael ficou imóvel.

Vitória perdeu a expressão.

"O quê?"

Henrique repetiu.

"Rafael não chega mais perto de Léo sem minha autorização."

"Você perdeu a cabeça."

"Talvez eu tenha recuperado."

Isabela enxugou o rosto.

"Eu vou embora."

Henrique virou-se.

"Não."

"Não quero causar mais problema."

"Você não vai sair até eu descobrir como isso foi parar aqui."

Vitória riu.

"Então você acredita nela."

Henrique olhou para a caixa.

Depois para Isabela.

"Eu acredito que essa história está conveniente demais."

Vitória ficou séria.

"Conveniente?"

"Justamente quando começo a investigar vocês, aparecem dinheiro e joias no quarto dela."

"Você está paranoico."

Henrique não respondeu.

Foi então que uma voz pequena surgiu atrás deles.

"Isa?"

Todos se viraram.

Léo estava no fim do corredor.

Isabela tentou esconder as lágrimas.

"Está tudo bem."

O menino olhou para a caixa nas mãos de Vitória.

Depois viu a medalha.

Seu rosto mudou.

Vitória se aproximou.

"Léo, volta para o quarto."

Ele não obedeceu.

Caminhou até Isabela.

Ficou diante dela.

Vitória endureceu a voz.

"Léo."

O menino segurou a mão de Isabela.

Henrique observou.

"Filho, você sabe alguma coisa sobre isso?"

Léo olhou para o pai.

Estava assustado.

Muito.

Mas, dessa vez, não abaixou a cabeça.

Vitória avançou.

"Ele não sabe de nada."

Léo recuou e se colocou na frente de Isabela, como se aquele corpo pequeno pudesse protegê-la de todos os adultos no corredor.

Henrique se abaixou.

"Pode falar comigo."

Léo olhou diretamente para Vitória.

Ela empalideceu.

E, pela primeira vez desde que tudo começara, o menino não se escondeu.

Apontou para ela.

"Foi a Vitória."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia