《MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ》Capítulo 6

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Henrique ficou olhando para a primeira página do testamento sem conseguir avançar.

O nome de Leonardo Montenegro aparecia no centro do documento.

Não como beneficiário secundário.

Como herdeiro direto.

Mariana puxou uma cadeira.

"Seu avô estruturou isso muitos anos antes de morrer."

Henrique continuou em pé.

"Eu conheço o testamento."

"Conhece uma parte."

Mariana abriu outra seção.

"Essa cláusula nunca foi discutida com você porque só teria efeito quando Léo atingisse determinada idade."

Henrique pegou a folha.

Leu devagar.

Depois leu de novo.

Parte das ações do Grupo Montenegro que ele sempre acreditara estarem sob controle patrimonial da família havia sido reservada à geração seguinte.

Ao herdeiro direto.

Ao filho dele.

"Léo é dono disso?"

"Em termos econômicos, sim."

"Quanto?"

Mariana respirou fundo.

"Considerando a avaliação atual do grupo, algumas centenas de milhões de reais."

Henrique soltou o papel.

"Você está me dizendo que meu filho de seis anos tem centenas de milhões em ações?"

"Estou dizendo que existe um patrimônio reservado a ele."

Henrique começou a andar pela biblioteca.

"Por que meu avô faria isso?"

"Para impedir que uma geração concentrasse tudo."

Henrique riu sem humor.

"Meu avô nunca confiou em ninguém."

"Exatamente."

Mariana virou outra página.

"Ele não confiava nem em você."

Henrique parou.

"Continua."

"Há uma estrutura de administração temporária."

"Até Léo completar dezoito?"

"Em condições normais."

Henrique percebeu imediatamente a forma como ela havia falado.

"Em condições normais?"

Mariana ficou séria.

"Existe uma cláusula excepcional."

Ela apontou para o documento.

Henrique leu.

Quanto mais avançava, mais gelado ficava.

Se o herdeiro fosse legalmente considerado incapaz de exercer futuramente autonomia patrimonial por motivo médico permanente, a administração das ações poderia permanecer nas mãos de um conselho fiduciário.

Henrique ergueu os olhos.

"Permanentemente?"

"Enquanto a condição fosse reconhecida."

"Quem decide isso?"

"Não uma pessoa só."

"Quem?"

"Médicos, representação jurídica e o conselho."

Henrique apertou o documento.

"Então laudos médicos podem impedir meu filho de controlar o próprio patrimônio."

"Podem contribuir para isso."

Henrique sentiu a ligação se formar diante dele.

Os diagnósticos.

Os relatórios.

Os pagamentos.

Os sedativos.

O comportamento de Léo sendo descrito durante dois anos como cada vez mais grave.

Tudo pareceu se reorganizar de uma vez.

"Meu Deus."

Mariana ficou em silêncio.

Henrique olhou para ela.

"Se alguém quisesse manter essas ações sob controle..."

"Henrique."

"Responde."

Mariana respirou fundo.

"Se alguém conseguisse demonstrar de forma consistente que Léo jamais teria condições de administrar o patrimônio, sim."

Henrique fechou os olhos.

"Então não precisavam tirar o dinheiro dele."

Mariana não respondeu.

"Bastava convencer todo mundo de que ele nunca teria capacidade de usar."

O silêncio confirmou.

Henrique bateu a pasta sobre a mesa.

"Quem administra esse conselho?"

Mariana hesitou.

Ele percebeu.

"Quem?"

"São três cadeiras."

"Os nomes."

Mariana abriu outro anexo.

"Uma delas é ocupada por mim como representante jurídica."

Henrique assentiu.

"A segunda?"

"Por um membro independente indicado pela família."

"E a terceira?"

Mariana olhou diretamente para ele.

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"Camila Montenegro."

Henrique não reagiu imediatamente.

Pareceu não entender.

"Minha irmã?"

"Sim."

"Camila?"

"Sim."

Henrique deu dois passos para trás.

Aquilo parecia mais absurdo que qualquer outra descoberta.

Camila crescera com ele.

Segurara Léo no colo quando ele nasceu.

Estivera no hospital.

Comprara o primeiro carrinho do menino.

Chamava o sobrinho de "meu pequeno Montenegro".

"Não."

Mariana fechou a pasta.

"Eu sabia que você reagiria assim."

"Ela não faria isso."

"Eu não disse que fez."

"Mas você veio até aqui porque acha alguma coisa."

Mariana ficou séria.

"Eu vim porque os pagamentos que você começou a investigar passam por estruturas que também se relacionam ao patrimônio de Léo."

Henrique sentiu a raiva voltar.

"Camila aprovou?"

"Alguns deles."

"Quais?"

"Consultorias médicas."

Henrique ficou imóvel.

"Do Rafael?"

"Sim."

A palavra pareceu explodir dentro da sala.

Henrique pegou o celular.

Mariana se levantou.

"O que vai fazer?"

"Ligar para ela."

"Talvez seja melhor esperar."

"Esperei demais."

"Você ainda não sabe se ela sabia o motivo dos pagamentos."

"Ela assinou."

"Diretores assinam centenas de documentos."

"Camila não assina nada sem ler."

Mariana não conseguiu contestar.

Henrique ligou.

Camila atendeu no terceiro toque.

"Você sumiu."

"Preciso falar com você."

"Agora?"

"Agora."

A voz dela mudou.

"O que aconteceu?"

"Você está em São Paulo?"

"Estou na Faria Lima."

"Vai para meu escritório."

"Henrique..."

"Vai para meu escritório."

Ele desligou.

Mariana observou.

"Você vai voltar para São Paulo?"

"Sim."

"Hoje?"

"Agora."

Henrique saiu da biblioteca.

No corredor, encontrou Léo sentado no chão com Isabela.

Os dois montavam um quebra-cabeça.

O menino levantou o rosto.

"Papai."

Henrique parou.

Por alguns segundos, toda a raiva desapareceu.

Aquela criança nem sabia que centenas de milhões de reais estavam ligados ao seu nome.

Nem sabia que adultos podiam transformar sua saúde em estratégia.

Henrique se abaixou.

"Preciso ir a São Paulo."

O sorriso de Léo sumiu um pouco.

"Você volta?"

"Hoje."

"De noite?"

"Sim."

Léo estendeu o dedo mínimo.

"Promete."

Henrique entrelaçou o seu.

"Prometo."

Léo então o abraçou.

Sem pedir.

Sem medo.

Henrique sentiu a garganta fechar.

Isabela percebeu a expressão dele.

"Está tudo bem?"

Henrique olhou para ela.

"Não."

Ela ficou séria.

"Mas vai ficar."

Henrique respondeu sem pensar.

"Eu espero."

Os dois se olharam por alguns segundos.

Léo voltou ao quebra-cabeça.

Henrique saiu.

No carro, pediu a Bruno que levantasse todas as autorizações assinadas por Camila nos últimos dois anos.

A lista começou a chegar durante o trajeto.

Consultoria médica.

Avaliação especializada.

Acompanhamento clínico.

Serviços extraordinários.

O nome de Rafael aparecia repetidamente.

E a assinatura de Camila também.

Quando Henrique entrou no escritório da Faria Lima, ela já estava esperando.

Camila Montenegro estava junto à janela, de braços cruzados.

"Você quase mandou um carro me buscar."

Henrique fechou a porta.

"Talvez devesse."

Ela franziu a testa.

"O que está acontecendo?"

Henrique jogou as cópias das autorizações sobre a mesa.

Camila olhou.

Depois para ele.

"Que palhaçada é essa?"

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"Você me diz."

Ela pegou a primeira folha.

"Pagamentos."

"Para Rafael."

"Sim."

"Você aprovou."

"Sou diretora."

"Quatrocentos mil reais."

Camila levantou o rosto.

"Você acha que eu memorizo todos os pagamentos do grupo?"

Henrique colocou outra pasta sobre a mesa.

"E o testamento?"

O rosto dela mudou.

Foi rápido.

Mas Henrique viu.

"Que testamento?"

"Não faz isso comigo."

Camila permaneceu em silêncio.

"Você sabe que Léo é beneficiário."

"Claro que sei."

"Desde quando?"

"Há anos."

"E nunca me contou."

"Não era segredo."

"Para mim era."

Camila soltou o ar.

"Nosso pai sabia. Mariana sabia. O conselho sabia."

"Eu sou o pai do menino."

"E seu avô decidiu estruturar tudo assim."

Henrique se aproximou.

"Você faz parte do conselho que pode controlar as ações dele."

"Faço."

"E aprovou pagamentos para o médico que insiste que meu filho é incapaz de desenvolver autonomia."

Camila arregalou os olhos.

"Você está me acusando de quê?"

"Eu quero ouvir de você."

"Você enlouqueceu."

"Responde!"

A voz dele ecoou pelo escritório.

Camila ficou pálida.

"Eu nunca faria nada contra o Léo."

"Então por que Rafael estava recebendo dinheiro do grupo?"

"Porque Vitória pediu."

Henrique ficou imóvel.

"O quê?"

"Ela disse que o tratamento estava ficando mais complexo."

"Vitória não tem cargo no grupo."

"Mas é sua companheira."

"Então você aprovava qualquer coisa que ela pedisse?"

Camila bateu as folhas sobre a mesa.

"Eu confiava nela."

Henrique riu sem humor.

"Conveniente."

"Você quer transformar todo mundo em criminoso porque descobriu que não conhece o próprio filho."

A frase doeu.

Henrique se aproximou.

"Cuidado."

Camila respirou fundo.

"Desculpa."

"Não. Continua."

Ela desviou o olhar.

"Vitória me procurou algumas vezes."

"Quantas?"

"Não lembro."

"Sobre Rafael?"

"Sobre o tratamento."

"O que ela dizia?"

"Que Léo precisava de avaliações extras."

"E você nunca perguntou por que isso saía da empresa?"

"Ela disse que fazia parte de uma estrutura patrimonial ligada ao benefício dele."

Henrique congelou.

"Ela sabia do testamento?"

Camila ficou em silêncio.

Henrique repetiu.

"Vitória sabia?"

"Sim."

A resposta mudou tudo.

Henrique sentiu o sangue gelar.

"Desde quando?"

"Não sei exatamente."

"Você contou?"

"Não."

"Então quem contou?"

"Talvez Augusto."

Henrique franziu a testa.

"Meu pai?"

"Ou Mariana. Ou algum advogado."

Camila fechou os olhos por um instante.

"Henrique, escuta."

"Estou ouvindo."

"Vitória sempre pareceu preocupada com Léo."

"Ela trancava meu filho num depósito."

Camila empalideceu.

"O quê?"

Henrique observou a reação.

Parecia genuína.

"Você não sabia."

"Claro que não!"

"Rafael sabia."

Camila balançou a cabeça.

"Eu só assinava pagamentos."

"Pagamentos que podiam ajudar a construir um histórico médico contra o seu próprio sobrinho."

"Eu não sabia!"

A voz dela falhou.

Henrique ficou olhando.

Parte dele queria acreditar.

Outra parte já não confiava em ninguém.

Camila pegou a bolsa.

"Fala com Vitória."

"Já falei."

"Então fala com Rafael."

"Vou falar."

Ela caminhou até a porta.

Henrique perguntou:

"Você tem alguma coisa a ganhar se Léo for declarado incapaz?"

Camila parou.

Ficou de costas por alguns segundos.

Depois virou.

"Você realmente acha que eu faria isso por dinheiro?"

Henrique não respondeu.

Os olhos dela ficaram marejados.

"Eu amo aquele menino."

"Então me ajuda a descobrir quem está fazendo isso."

Camila respirou fundo.

"Eu já te disse tudo."

Ela saiu.

Henrique permaneceu sozinho.

Mais tarde, já de volta a Campos do Jordão, Bruno entrou no escritório com o notebook nas mãos.

"Consegui recuperar parte dos arquivos apagados do sistema antigo."

Henrique levantou a cabeça.

"Que arquivos?"

"Trechos de gravação."

Bruno colocou o computador sobre a mesa.

"Alguém apagou manualmente algumas imagens de três meses atrás."

Henrique sentiu um arrepio.

"De onde?"

"Corredor dos quartos."

Bruno abriu o vídeo.

A imagem estava granulada.

O horário marcava 1h47 da madrugada.

Vitória apareceu primeiro.

Saiu do próprio quarto.

Olhou para os dois lados.

Esperou.

Alguns segundos depois, outra pessoa surgiu no fim do corredor.

Henrique se aproximou da tela.

A mulher caminhava rapidamente.

Vestia um casaco escuro.

Quando passou sob a luz, o rosto ficou visível.

Henrique parou de respirar.

Era Camila.

Sua irmã olhou para trás antes de entrar no quarto de Vitória.

E a porta se fechou atrás das duas.

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