《Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho》Capítulo 8

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O relógio digital na parede da suíte master marcou exatamente meia-noite em ponto.

O som abafado das badaladas do carrilhão ecoou pela propriedade como um chamado fúnebre.

Victória retirou a pesada cortina de veludo, revelando a escuridão da varanda sob a garoa fina.

Ela vestia uma calça preta de couro sintético e uma blusa de gola alta da mesma cor.

Seus cabelos platinados estavam presos firmemente em um coque baixo para não atraírem atenção.

Na mão direita, ela segurava a corda de escalada que amarrara firmemente à coluna de sustentação.

O coração batia descompassado em seu peito, mas a mente mantinha-se fria e cortante como aço.

Com movimentos calculados, ela transpassou a grade de ferro forjado e iniciou a descida vertiginosa.

O vento frio da madrugada fustigava seu rosto, enquanto as solas dos coturnos tocavam o gramado molhado.

Livre das amarras do quarto, ela sentiu o primeiro sopro de liberdade em meses invadir seus pulmões.

Aproximou-se sorrateiramente dos canteiros de azaléias, usando as sombras espessas das folhagens como disfarce.

O jardim da mansão parecia adormecido, banhado por uma neblina densa que encobria os muros de alvenaria.

Cada passo exigia precisão absoluta para evitar os sensores de vibração espalhados pelo solo britado.

Seu objetivo era o portão secundário dos fundos, onde a rota de fuga prometia a liberdade definitiva.

A cada metro conquistado, a sensação de que o pesadelo finalmente terminaria impulsionava suas pernas exaustas.

A poucos metros da grade de ferro oxidado, uma silhueta alta recortou-se na penumbra da neblina.

A respiração de Victória travou na garganta, transformando-se em um nó doloroso em seu peito.

Ela parou bruscamente atrás de uma touceira de palmeiras imperiais, espiando com os olhos cinzentos arregalados.

A figura masculina aproximou-se devagar, ostentando um terno impecável que parecia desafiar a umidade.

A luz fraca de um lampião dos fundos iluminou o rosto de Tomás, o antigo aliado e ex-procurador.

Um alívio momentâneo quase a fez correr em direção a ele para abraçá-lo e clamar por socorro.

No entanto, o comportamento do homem congelou qualquer passo adiante que ela pretendesse dar.

Tomás não exibia pressa alguma, tampouco olhava para os lados com a aflição de quem resgata uma fugitiva.

Pelo contrário, ele retirou do bolso interno um maço de cigarros importados com absoluta nonchalance.

Acendeu um fósforo, cuja chama alaranjada iluminou momentaneamente seus traços frios e distantes.

Nesse exato instante, o som de palmas lentas, irônicas e cadenciadas ecoou pela neblina dos fundos.

Christian emergiu das sombras da guarita de segurança, vestindo um sobretudo escuro de gola alta.

Ele trazia a inconfundível folha de papel amassada balançando entre os dedos longos e enluvados.

O mundo de Victória despencou em um abismo de gelo e traição no microssegundo seguinte.

O bilhete entregue na galeria de arte não fora um ato de resgate audacioso de um aliado fiel.

Era uma armadilha meticulosamente tecida para testar a lealdade e os limites da própria prisioneira.

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Tomás tragou o cigarro com naturalidade, lançando um olhar desdenhoso na direção de Victória escondida.

"Fiz exatamente o que combinamos, senhor Von Stock. A mercadoria caiu direitinho no anzol."

Disse Tomás com uma voz firme e indiferente, sem o menor pingo de remorso pelo disfarce.

Christian riu baixinho, um som gutural que cortou a neblina com uma crueldade palpável.

"Excelente trabalho, Tomás. A sua comissão corporativa já foi transferida para a conta na Suíça."

Respondeu o magnata, guardando a folha de papel amassada no bolso do casaco de grife.

Victória sentiu o sangue sumir do rosto, as pernas tremiam diante da dimensão daquela traição dupla.

Ela havia confiado em Tomás, acreditando que ele representasse a lei e a decência em meio à barbárie.

No fim das contas, todos naquele jogo sujo tinham um preço estipulado em apólices e contas offshore.

O desespero tentou tomar conta de sua alma, mas a fúria implacável logo queimou o pavor inicial.

Ela deu um passo para trás, planejando correr de volta para a segurança relativa da mata lateral.

Mas antes que pudesse girar os calcanhares, braços fortes e implacáveis a cercaram por todos os lados.

Os seguranças particulares de Christian, que aguardavam acampados na neblina, saltaram das sombras.

Eles agarraram seus braços com uma força brutal, imobilizando-a contra o tronco áspero de uma paineira.

A corda de escalada que ela trouxera despencou de sua mão, perdendo-se entre as raízes e a lama.

Christian caminhou pausadamente até parar a poucos centímetros de seu corpo subjugado e trêmulo.

Os olhos azul-gelo do predador faiscavam na escuridão com uma intensidade maníaca e aterrorizante.

Ele ergueu o queixo dela com a ponta dos dedos enluvados, forçando-a a encarar o próprio reflexo da derrota.

"Você realmente achou que conseguiria escapar da minha teia, minha doce e ingênua passarinha?"

Sussurrou Christian com um timbre aveludado que destilava um veneno puramente sádico e calculista.

"Você achou que um advogado corrupto e fracassado seria páreo para o império que eu construí com sangue?"

Victória cuspiu no rosto dele, um ato de desafeto puro que cortou o ar úmido da madrugada.

A saliva ensanguentada pelo lábio mordido escorreu pela bochecha impecável do magnata implacável.

Christian fechou os olhos por um segundo, limpando o rosto com as costas da luva preta de couro.

Quando voltou a abri-os, a última parcela de sanidade havia evaporado de suas pupilas dilatadas.

A máscara de civilidade e elegância corporativa desabou de vez, revelando o monstro em sua essência.

"Você passou dos limites desta vez, Victória. A sua audácia precisa de uma correção exemplar."

Rosnou ele, com a voz alterada pela primeira vez desde que o mundo o conhecera como um lorde.

Com um puxão violento que rasgou o tecido sintético da blusa de frio, ele a expôs à garoa.

Os seguranças recuaram dois passos em respeito à fúria cega do patrão, mantendo a guarda alta.

Christian ignorou a lama, a chuva e a presença dos empregados corrompidos ao seu redor.

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Ele inclinou o corpo musculoso e ergueu Victória do chão com uma facilidade assustadora e animalesca.

Apertou-a contra o peito como se ela não passasse de uma boneca de pano sem vontade própria.

Ela socou o peito dele com os punhos fechados, debatendo-se com toda a força que restava em seus braços.

"Me solta, seu monstro desgraçado! Prefiro mil vezes morrer a voltar para aquele inferno!"

Gritou ela, com a voz rouca cortando a noite enquanto era carregada de volta para a mansão.

Christian não proferiu mais nenhuma palavra em resposta aos gritos de desespero e revolta dela.

Ele apenas caminhou a passos largos em direção à entrada principal, ignorando a lama nos sapatos.

A porta de carvalho pesada abriu-se automaticamente diante da aproximação imponente do dono do clã.

O saguão de mármore ecoou com o som abafado dos passos apressados que subiam a escadaria central.

As luzes automáticas dos corredores acendiam-se em cascata à medida que eles avançavam para o andar superior.

Cada degrau vencido representava a condenação de Victória a um nível ainda mais profundo de isolamento.

Eles cruzaram o umbral da suíte master, onde o painel digital ainda exibia o alerta de segurança violada.

Christian jogou o corpo dela sobre a cama king-size com uma violência calculada e impiedosa.

O colchão de linho absorveu o impacto, mas o fôlego de Victória sumiu por completo de seus pulmões.

Antes que ela pudesse rolar para o lado e tentar alcançar a porta aberta, ele cobriu seu corpo.

O peso dele a esmagava contra os travesseiros, enquanto as mãos firmes prendiam seus pulsos acima da cabeça.

A respiração quente e ofegante de Christian batia diretamente contra a pele úmida do pescoço dela.

"A partir de agora, o jogo de gato e rato terminou, Victória. Não haverá mais segundas chances."

Sussurrou ele com um sorriso maníaco nos lábios, enquanto seus dedos rasgavam o restante de suas vestes.

A porta blindada do quarto começou a fechar-se lentamente pelo sistema de travamento automático central.

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