《Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada》Capítulo 6

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Camila conseguiu a tutela médica provisória numa quinta-feira de manhã.

Não foi ao quarto da mãe para contar.

Mandou Sérgio Tavares entregar a decisão.

Beatriz estava na cadeira de rodas quando o advogado entrou na mansão com dois documentos impressos e um funcionário do cartório.

Lívia leu a primeira página.

Depois a segunda.

"Isso é absurdo."

Sérgio manteve a voz calma.

"É uma medida temporária."

"Temporária para quê?"

"Para garantir que dona Beatriz receba o tratamento adequado enquanto não possui condições de decidir por si mesma."

Lívia fechou a pasta com força.

"Ela já tem médico."

"Agora terá uma equipe completa."

"Henrique acompanha minha mãe há doze anos."

"Dr. Henrique Valverde não possui autoridade exclusiva sobre o caso."

Beatriz observava tudo em silêncio.

Camila apareceu alguns minutos depois.

Vestia preto.

Não parecia uma filha prestes a discutir a saúde da mãe.

Parecia uma executiva entrando numa reunião que já sabia que venceria.

"Arrumem as coisas dela."

Lívia virou lentamente.

"O quê?"

Camila colocou a bolsa sobre a mesa.

"Ela vai ser transferida hoje."

"Para onde?"

"Clínica Santa Cecília."

Lívia ficou imóvel.

"Uma instituição de longa permanência?"

"Uma clínica de reabilitação."

"Não precisa disso."

Camila respondeu sem hesitar:

"Você não é médica."

"Henrique também acha que ela pode ser tratada em casa."

"Henrique está emocionalmente envolvido."

Lívia deu um passo à frente.

"E você não?"

Camila sorriu sem humor.

"Eu estou tentando salvar o que ainda pode ser salvo."

Beatriz entendeu imediatamente.

Aquilo não era sobre reabilitação.

Era sobre isolamento.

Na mansão, Lívia estava perto.

Marina controlava os medicamentos.

Henrique podia aparecer a qualquer momento.

Na clínica, Camila poderia controlar quem entrava.

Quem examinava.

Quem medicava.

E quem saía.

"Ela não vai", disse Lívia.

Camila ergueu o documento.

"Vai."

"Eu vou contestar."

"Conteste."

"Você está afastando nossa mãe de todo mundo que acompanha o tratamento dela."

"Estou afastando ela de interferências."

Lívia riu de incredulidade.

"Interferências?"

Camila apontou para ela.

"Você."

O silêncio tomou a sala.

Camila continuou.

"Desde que ela adoeceu, você se colocou no centro de tudo."

"Eu cuidei dela."

"Exatamente."

"Isso virou crime?"

"Virou problema quando você começou a impedir médicos, questionar decisões e controlar quem entra na casa."

Lívia arregalou os olhos.

"Eu impedir médicos?"

"Álvaro é especialista."

"Álvaro prescreveu sedativo antes de sequer examinar a mamãe."

Camila estreitou os olhos.

"Como você sabe?"

Lívia percebeu tarde demais.

Não respondeu.

Camila deu um passo à frente.

"Você está acessando o prontuário dela?"

"Eu estou protegendo ela."

"De mim?"

Lívia sustentou o olhar.

"Talvez."

Camila sorriu.

Frio.

"Ótimo."

Depois se virou para Sérgio.

"Registra isso também."

Beatriz sentiu uma raiva profunda.

Camila não estava apenas retirando a mãe de casa.

Estava construindo outra narrativa.

Lívia, a filha adotiva instável.

Lívia, a diretora envolvida em transações suspeitas.

Lívia, a mulher que interferia no tratamento da bilionária incapaz.

Tudo começava a se encaixar.

Duas horas depois, uma ambulância particular entrou pelo portão da mansão no Jardim Europa.

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Funcionários assistiram de longe.

Alguns choraram.

Outros apenas abaixaram a cabeça.

Beatriz foi colocada numa maca.

Camila acompanhou tudo pelo telefone.

"Leva as roupas básicas."

Lívia olhou para ela.

"Ela tem uma vida inteira aqui."

"Não vai precisar de uma vida inteira de roupas."

Beatriz sentiu a frase como uma ameaça.

Ou talvez Camila nem tivesse percebido o peso do que disse.

Não importava.

Já havia palavras demais que não podiam ser desouvidas.

Augusto não apareceu.

Quando a ambulância deixou a mansão, o celular de Camila vibrou.

Ela olhou rapidamente.

Lívia também viu.

Era o grupo da família.

Augusto tinha enviado uma mensagem.

"Força, mãe ????❤️"

Nada mais.

Beatriz quase riu.

O filho não tinha tempo para acompanhar a mãe até uma clínica.

Mas tinha tempo para escolher dois emojis.

A Clínica Santa Cecília ficava numa região arborizada da zona sul.

Do lado de fora, parecia sofisticada.

Dentro, os corredores eram limpos, silenciosos e impessoais.

Camila havia solicitado um quarto simples.

Lívia percebeu assim que entrou.

Uma cama.

Uma poltrona.

Um armário pequeno.

Uma janela voltada para um muro lateral.

Nenhuma decoração.

Nenhum objeto pessoal.

Beatriz Montenegro Sampaio, dona de apartamentos, edifícios comerciais, casas no litoral e terrenos avaliados em centenas de milhões, foi colocada num quarto que parecia preparado para alguém que ninguém visitaria.

Camila assinou os documentos.

"Qualquer alteração, me liguem."

A recepcionista assentiu.

"Claro."

"Visitas apenas autorizadas."

Lívia virou.

"O quê?"

Camila continuou falando com a funcionária.

"Especialmente fora do horário."

"Você não pode fazer isso."

"Eu sou a responsável legal temporária."

"Eu sou filha dela."

Camila olhou diretamente para Lívia.

"Legalmente, não é você quem decide."

Lívia sentiu o golpe.

Camila sabia exatamente onde acertar.

Beatriz também.

"Camila."

Lívia falou baixo.

"Um dia você vai ter vergonha disso."

"Quando esse dia chegar, eu lido com ele."

Ela se aproximou da mãe.

Por um instante, Beatriz esperou alguma coisa.

Um beijo.

Uma mão.

Uma palavra.

Camila apenas ajeitou a manta sobre suas pernas.

"Você vai ficar bem."

Beatriz olhou para o vazio.

Camila saiu.

Não voltou naquele dia.

Marina permaneceu porque constava oficialmente como enfermeira particular da paciente.

Lívia não teve a mesma sorte.

Às oito da noite, um segurança pediu que ela deixasse o prédio.

"Eu volto amanhã."

Marina assentiu.

"Eu fico com ela."

Lívia se inclinou perto da mãe.

Falou baixo.

"Não faz nenhuma loucura."

Beatriz quase respondeu.

Esperou a porta fechar.

Depois abriu os olhos.

"Ela já fez a loucura por mim."

Marina se aproximou.

"Você precisa sair daqui."

"Não."

"Beatriz."

"Quanto falta para a assembleia?"

"Dois dias."

"Então faltam dois dias."

"Você ouviu Henrique. Isso ficou perigoso."

"Já era perigoso."

"Agora Camila controla a clínica."

"É justamente por isso que eu preciso ficar."

Marina cruzou os braços.

"Você quer prova."

"Quero saber até onde eles vão."

"Já não sabe?"

Beatriz olhou para ela.

"Suspeita não é condenação."

"Você está começando a falar como Lívia."

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"Talvez ela tenha me ensinado alguma coisa."

Mais tarde, a porta abriu discretamente.

Lívia entrou usando um crachá temporário de fornecedor.

Marina arregalou os olhos.

"Como você entrou?"

"Otávio conhece um dos prestadores de manutenção."

Beatriz quase sorriu.

"Eu devia ter dado mais poder para vocês há anos."

Lívia fechou a porta.

"Levanta."

Beatriz franziu a testa.

"Para quê?"

"Vamos embora."

"Não."

"Não estou perguntando."

"Lívia."

"Tem um carro esperando na saída de serviço."

"Eu disse não."

Lívia perdeu a paciência.

"Você está numa clínica controlada por Camila."

"Eu sei."

"Ela pode colocar qualquer médico aqui."

"Eu sei."

"Ela já tentou alterar seus medicamentos."

"Eu sei."

"Então para de agir como se fosse invencível."

Beatriz ficou em silêncio.

Lívia respirou fundo.

"Você está tentando provar alguma coisa para quem?"

"Para ninguém."

"Mentira."

Beatriz a encarou.

"Depois de amanhã, Camila tenta assumir o controle definitivo do grupo."

"Deixa ela tentar."

"Eu quero que tente."

Lívia ficou imóvel.

Beatriz continuou.

"Quero tudo documentado."

"Você está usando sua própria vida como isca."

"Estou dando espaço para eles terminarem o que começaram."

"E se terminarem?"

Beatriz não respondeu.

Lívia se aproximou.

"Se alguma coisa acontecer com você aqui, não existe empresa, prova ou assembleia que valha isso."

Beatriz tocou o braço dela.

"Eu vou sair."

"Quando?"

"Na hora certa."

Lívia fechou os olhos.

"Você continua querendo controlar até a própria queda."

Beatriz soltou a mão.

"Talvez."

"Isso não é força."

"Eu sei."

Lívia abriu a porta.

Antes de sair, virou.

"Se eu achar que você está em risco de verdade, eu tiro você daqui nem que tenha que chamar a polícia."

Beatriz assentiu.

"Justo."

Às onze e quarenta e sete, Marina recebeu uma mensagem no celular.

Dr. Álvaro chegaria em dez minutos.

Sem visita registrada.

Sem solicitação de Henrique.

Ela mostrou a tela para Beatriz.

"Chegou a hora."

Marina já havia preparado tudo.

A câmera minúscula estava posicionada dentro de um suporte de televisão.

A gravação transmitia para um servidor externo configurado por Otávio.

O acesso venoso de Beatriz parecia normal.

Mas Marina havia fechado discretamente a conexão principal.

Qualquer substância injetada no tubo secundário não chegaria ao corpo dela.

À meia-noite e dois, Álvaro entrou.

Sozinho.

Carregava uma pequena maleta.

"Ela acordou?"

Marina respondeu:

"Pouco."

"Quanto?"

"Abriu os olhos duas vezes."

A expressão dele endureceu.

"Falou?"

"Não."

Álvaro abriu a maleta.

Retirou uma seringa já preparada.

Marina observou.

"O que é isso?"

"Medicação."

"Qual?"

"Está no protocolo."

"Eu quero o nome."

Álvaro olhou para ela.

"Você está questionando minha conduta?"

"Estou registrando."

Ele se aproximou da cama.

Beatriz manteve os olhos fechados.

Sentiu a mão dele tocar o acesso.

Álvaro conectou a seringa.

Empurrou lentamente o êmbolo.

Marina olhou para a câmera escondida.

Depois para o médico.

"Até quando ela precisa dormir?"

Álvaro continuou injetando.

"Até a assembleia acabar."

Marina sentiu o coração acelerar.

"E depois?"

"Depois a gente reduz."

"Quem pediu isso?"

Ele parou.

"Você faz perguntas demais."

"É minha paciente."

"Então faça seu trabalho."

Marina não recuou.

"E se ela não acordar?"

Álvaro retirou a seringa.

Olhou para Beatriz.

Não havia culpa em seu rosto.

Nem medo.

Apenas indiferença.

"Aos sessenta e seis anos, acontece."

Guardou a seringa vazia.

Fechou a maleta.

"Se houver qualquer reação, me ligue antes de chamar emergência."

Marina ficou imóvel.

"Antes?"

"Você ouviu."

Ele saiu.

A porta fechou.

Marina esperou cinco segundos.

Dez.

Quinze.

Depois correu até a cama.

Beatriz abriu os olhos.

Sentou.

Estava pálida.

Não porque tivesse recebido a droga.

Mas porque tinha acabado de ouvir quanto valia sua vida para aquelas pessoas.

Lívia surgiu de trás da porta do banheiro.

Não tinha ido embora.

Tinha decidido ficar escondida.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e raiva.

"Chega."

Beatriz não respondeu.

Marina retirou o acesso venoso.

"Ela tem razão."

Beatriz colocou os pés no chão.

Ficou de pé.

Durante alguns segundos, nenhuma das três falou.

Então Beatriz olhou para a seringa vazia que Álvaro havia deixado no recipiente de descarte.

Sua voz saiu baixa.

Fria.

"Agora eles não estão tentando roubar minha empresa."

Lívia olhou para ela.

Beatriz ergueu os olhos.

"Estão apostando na minha morte."

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