《“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior》Capítulo 9

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A gravação continuou.

Alexandre permaneceu imóvel diante do aparelho.

Por alguns segundos, ninguém na sala ousou respirar direito.

Na fita, Adriana respondeu imediatamente.

"Se Vitória descobrir que eu estou seguindo essas contas, ela vai apagar tudo."

A voz de Augusto veio logo depois.

"É exatamente por isso que ninguém pode descobrir isso."

Alexandre levantou os olhos.

Isabela se aproximou do gravador.

A expressão dela mudou.

Não era uma ameaça.

Era medo.

Augusto continuou falando.

"Você não vai confrontar Henrique."

"Ele está usando empresas de fachada."

"Eu sei."

"Então por que você ainda deixa ele entrar nesta casa?"

"Porque enquanto Henrique acreditar que não sabemos de nada, ele continua cometendo os mesmos erros."

Adriana ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois perguntou:

"E Vitória?"

A resposta de Augusto veio baixa.

"Vitória é mais perigosa quando se sente acuada."

Alexandre fechou os olhos.

Agora tudo fazia sentido de uma maneira diferente.

Augusto não estava silenciando Adriana.

Estava tentando protegê-la.

Mariana pegou um dos documentos encontrados na caixa.

"Continua."

A fita avançou.

Adriana começou a citar valores.

Transferências pequenas no início.

Depois operações maiores.

Empresas que recebiam dinheiro do Grupo Montenegro e, poucos dias depois, repassavam os valores para outras estruturas.

Henrique aparecia em várias procurações.

Vitória assinava autorizações internas.

"Quanto já saiu?"

Adriana perguntou.

Augusto respondeu:

"Mais do que eles imaginam que eu sei."

"Quanto?"

"Quase cento e vinte milhões."

Alexandre olhou imediatamente para Mariana.

Era o mesmo número que tinham encontrado.

Mas a gravação era de mais de vinte anos atrás.

Mariana percebeu primeiro.

"Então aqueles cento e vinte milhões não são o total."

Alexandre sentiu o estômago apertar.

Na gravação, Augusto continuou.

"Eu consegui recuperar uma parte."

"Como?"

"Criei contas de preservação."

Adriana pareceu surpresa.

"Em meu nome?"

"Era a única forma segura."

Alexandre se levantou.

"Meu Deus."

Mariana pegou os extratos ligados a A.M.

Adriana Montenegro.

Os setenta milhões.

Tudo começava a se encaixar.

A.M. não era uma beneficiária secreta roubando dinheiro.

Era o nome usado por Augusto para retirar parte dos recursos do alcance de Vitória e Henrique.

Na gravação, Adriana perguntou:

"E se descobrirem?"

"Os valores ficarão congelados."

"E depois?"

"Serão devolvidos ao patrimônio quando tivermos provas suficientes."

Mariana espalhou os documentos sobre a mesa.

"Os setenta milhões não foram desviados."

Isabela completou:

"Foram recuperados."

Alexandre sentiu uma onda de alívio.

Por alguns minutos, acreditara que Augusto também poderia estar envolvido.

Agora descobria que o pai havia lutado praticamente sozinho.

Mas o alívio durou pouco.

Mariana pegou a calculadora.

"Temos um problema maior."

"Qual?"

"Se Augusto identificava quase cento e vinte milhões desviados naquela época..."

Ela começou a somar.

"Depois encontramos outros cento e vinte milhões em movimentações posteriores."

Rafael, que acompanhava tudo pelo notebook, abriu os registros mais recentes.

"Mas setenta milhões daqueles valores antigos foram preservados."

Mariana assentiu.

"Então não podemos somar tudo de forma simples."

Ela reorganizou as datas.

Separou valores recuperados.

Valores devolvidos.

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Valores nunca encontrados.

O cálculo levou quase uma hora.

No final, Mariana olhou para todos.

"R$ 190 milhões."

Alexandre ficou em silêncio.

"Esse é o valor realmente retirado sem justificativa e que não voltou ao patrimônio."

Isabela respirou fundo.

"Cento e noventa milhões."

Rafael completou:

"E ainda não sabemos para onde foi todo o restante."

Alexandre sentou.

A dimensão do esquema era maior do que imaginava.

Não era um desvio isolado.

Era uma operação construída durante décadas.

E agora havia outro problema.

Adriana.

Na gravação, ela dizia que pretendia buscar documentos finais numa empresa ligada a Henrique.

Três dias depois, morreu na escada da mansão.

Mariana desligou o aparelho.

"Essa fita muda a investigação."

Alexandre olhou para ela.

"Em que sentido?"

"Prova que Augusto e Adriana estavam investigando Vitória e Henrique."

"Também prova que Adriana temia ser descoberta."

"E reforça a necessidade de reabrir a morte dela."

Rafael se levantou.

"Vou levar cópias para o delegado responsável."

Alexandre fez um gesto.

"Leva tudo."

"Tem certeza?"

"Não vou esconder mais nada."

Isabela olhou para ele.

Alexandre percebeu.

"Nem se isso me atingir."

Horas depois, a investigação finalmente saiu do campo privado.

A Polícia Civil recebeu o conjunto de documentos.

Extratos.

Procurações.

Cópias de contratos.

A gravação de Adriana.

A carta de Augusto.

E os registros relacionados ao Fundo Patrimonial Montenegro.

Vitória e Henrique passaram a ser oficialmente citados em uma apuração por possíveis crimes financeiros.

A notícia ainda não era pública.

Mas dentro do Grupo Montenegro, o clima mudou imediatamente.

Diretores começaram a ligar.

Conselheiros pediram explicações.

Bancos solicitaram reuniões.

Alexandre acreditou, por algumas horas, que finalmente estava avançando.

Então Vitória fez seu movimento.

Na manhã seguinte, duas viaturas pararam diante da sede do Grupo Montenegro.

Alexandre estava chegando quando viu Mariana esperando no saguão.

O rosto dela estava tenso.

"O que aconteceu?"

"Vitória entregou documentos ao Ministério Público."

Alexandre parou.

"Que documentos?"

"Autorizações de transferência."

"E?"

Mariana não respondeu imediatamente.

"Fala."

Ela abriu a pasta.

Na primeira página havia uma movimentação de R$ 14 milhões.

Autorização digital.

Responsável:

Alexandre Augusto Montenegro.

Ele franziu a testa.

"Isso é falso."

"Olha a assinatura."

Alexandre aproximou o documento.

Certificado digital válido.

Identificação dele.

Horário.

Terminal vinculado à presidência do grupo.

"Eu nunca autorizei isso."

Mariana mostrou outro.

R$ 9 milhões.

Outro.

R$ 18 milhões.

Outro.

R$ 6,5 milhões.

Todos tinham a mesma coisa.

Assinatura eletrônica de Alexandre Montenegro.

"Quantos?"

Mariana respirou fundo.

"Até agora, vinte e três operações."

Alexandre empalideceu.

"Isso é impossível."

"Vitória afirmou que todas foram aprovadas por você."

"Ela está mentindo."

"Eu sei o que você diz."

Alexandre encarou Mariana.

"O que isso significa?"

"Significa que, a partir de agora, você também será investigado."

Ele deu um passo para trás.

"Ela está tentando jogar tudo em cima de mim."

"Sim."

Alexandre pegou o celular.

Ligou para Vitória.

Ela atendeu no segundo toque.

"Finalmente."

"Você entregou meu nome?"

Vitória respondeu com calma.

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"Eu entreguei documentos."

"Documentos falsificados."

"Suas assinaturas estão lá."

"Você sabe que eu nunca autorizei essas transferências."

"Talvez você devesse ter lido melhor o que assinava."

Alexandre ficou em silêncio.

A frase parecia preparada.

"Foi você."

Vitória não respondeu.

"Você usou minha assinatura."

"Alexandre, eu passei a vida inteira tentando proteger essa família."

"Para de dizer isso."

"Agora você trouxe polícia, promotores e jornalistas para dentro do grupo."

"Porque você roubou."

A voz de Vitória endureceu.

"Cuidado com as acusações."

"Você destruiu minha relação com Sofia para impedir uma auditoria."

"Isso é o que Isabela colocou na sua cabeça."

"Não coloca Isabela nisso."

"Ela já está nisso."

Vitória respirou fundo.

"Quando tudo isso acabar, talvez você descubra que confiou na pessoa errada."

Alexandre desligou.

Minutos depois, recebeu a convocação.

Reunião extraordinária do Conselho de Administração.

Duas horas.

Sede do Grupo Montenegro.

Alexandre entrou na sala sabendo que alguma coisa estava errada.

Doze conselheiros estavam presentes.

Mariana ficou do lado de fora.

Vitória estava sentada na extremidade oposta da mesa.

Impecável.

Calma.

Como se não estivesse no centro de uma investigação.

O presidente do conselho, Roberto Salles, abriu a reunião.

"Alexandre, recebemos informações que não podem ser ignoradas."

"Informações entregues por Vitória."

Roberto evitou responder.

"Há documentos indicando autorização direta da presidência em operações sob investigação."

"Minha assinatura foi usada sem autorização."

"Isso será apurado."

Vitória cruzou as mãos.

Alexandre olhou para ela.

"Você sabe exatamente o que está fazendo."

Ela sustentou o olhar.

Roberto continuou.

"Precisamos proteger o grupo."

"De mim?"

"Da instabilidade."

Alexandre soltou uma risada amarga.

"Minha mãe desvia dinheiro durante anos e a instabilidade sou eu?"

Um dos conselheiros interveio.

"Não há condenação contra Vitória."

"Também não há contra mim."

"Mas existem documentos assinados por você."

Alexandre bateu a mão na mesa.

"Eu não assinei!"

O silêncio caiu.

Vitória inclinou levemente a cabeça.

Quase como se esperasse aquela explosão.

Alexandre percebeu tarde demais.

Ela queria que ele parecesse descontrolado.

Roberto respirou fundo.

"A votação já foi realizada."

Alexandre ficou imóvel.

"Votação?"

"Sim."

"Sem mim?"

"Você é parte interessada."

Alexandre olhou ao redor.

Pessoas que conhecia havia anos evitavam seu olhar.

Alguns deviam suas carreiras a ele.

Outros haviam sido contratados por Augusto.

Nenhum falou.

Roberto abriu a ata.

"Por decisão majoritária do Conselho de Administração..."

Alexandre voltou os olhos para Vitória.

Pela primeira vez em dias, ela sorria.

Um sorriso pequeno.

Controlado.

Vitorioso.

Roberto terminou:

"Alexandre Montenegro está afastado da presidência do Grupo Montenegro."

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