《“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior》Capítulo 6

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Augusto Montenegro entrou no Hospital Santa Cecília caminhando.

Quatro horas depois, saiu de lá morto.

Durante seis anos, Alexandre nunca havia encontrado nada estranho nessa história.

Agora, cada detalhe parecia errado.

Mariana conseguiu uma cópia do prontuário naquela mesma tarde.

Alexandre abriu o arquivo sobre a mesa e sentiu um arrepio ao ver a data.

Era o dia que ele jamais esqueceria.

Augusto tinha sessenta e oito anos.

Hipertenso.

Tomava medicamentos diariamente.

Mas não havia sido levado ao hospital por uma emergência.

A consulta estava marcada.

"Ele foi fazer uma avaliação cardiológica de rotina."

Mariana apontou para a primeira página.

"Pressão um pouco elevada. Sem dor no peito. Sem falta de ar. Sem sinais de infarto na entrada."

Alexandre franziu a testa.

"Então por que ele ficou internado?"

"Essa é uma das perguntas."

Segundo o prontuário, Augusto realizou exames pela manhã.

Pouco depois do almoço, o médico decidiu mantê-lo em observação devido a uma alteração no ritmo cardíaco.

Às 17h20, ainda estava consciente.

Às 19h48, seu quadro piorou abruptamente.

Às 20h31, Augusto Montenegro foi declarado morto.

Alexandre fechou os olhos.

"Eu recebi a ligação depois das nove."

Mariana olhou para ele.

"Quem ligou?"

"Minha mãe."

"E o que ela disse?"

Alexandre se lembrava perfeitamente.

"Que meu pai tinha sofrido uma parada cardíaca e que os médicos não conseguiram salvá-lo."

"Ela disse quando ele passou mal?"

"Não."

"E você perguntou?"

"Eu estava em choque."

Mariana não insistiu.

Alexandre abriu outra página.

Havia uma lista de acompanhantes.

Vitória Montenegro.

E outro nome.

Henrique Ferraz.

Alexandre sentiu o maxilar endurecer.

"Ele estava lá."

"Sim."

"Por que um advogado estaria acompanhando uma avaliação cardiológica?"

Mariana não tinha resposta.

Na manhã seguinte, Isabela chegou ao Hospital Santa Cecília acompanhada de Rafael Almeida.

Rafael era advogado especializado em investigações empresariais e crimes financeiros.

Mariana confiava nele.

Mais importante, Rafael não tinha qualquer ligação anterior com os Montenegro.

"Arquivos de seis anos atrás não vão ser simples."

Rafael olhou para o enorme prédio.

Isabela ajustou a bolsa no ombro.

"Então começamos pelo que ainda existe."

O hospital havia mudado de administração duas vezes.

Parte dos registros antigos já tinha sido digitalizada.

Outra parte permanecia arquivada.

Depois de horas entre autorizações e pedidos formais, Rafael encontrou algo.

Não no prontuário.

No sistema administrativo.

"Isabela."

Ela se aproximou.

"O que foi?"

Rafael apontou para a tela.

"Registro de ocorrência interna."

Data da morte de Augusto.

Horário: 21h06.

Responsável: enfermeira Patrícia Nogueira.

Isabela leu rapidamente.

"Cadê o relatório?"

"Não está disponível."

"Por quê?"

Rafael desceu a tela.

Uma observação aparecia no dia seguinte.

Ocorrência retirada pela própria responsável.

Isabela franziu a testa.

"Ela registrou alguma coisa na noite em que Augusto morreu e retirou no dia seguinte?"

"Exatamente."

"Ela ainda trabalha aqui?"

Rafael pesquisou.

A resposta apareceu.

Desligamento voluntário.

Doze dias depois da morte de Augusto.

Os dois se entreolharam.

"Precisamos encontrar essa mulher."

Não foi fácil.

Patrícia havia deixado São Paulo por alguns anos.

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Depois voltara.

Agora trabalhava em uma pequena clínica de reabilitação em Santana.

Quando Isabela apareceu diante dela naquela tarde, Patrícia ficou pálida ao ouvir o nome Montenegro.

"Eu não tenho nada para falar."

"Eu nem fiz a pergunta ainda."

"Não importa."

Patrícia tentou fechar a porta.

Isabela colocou a mão no batente.

"É sobre Augusto Montenegro."

A enfermeira congelou.

"Por favor."

A voz de Isabela ficou mais baixa.

"Eu só quero saber o que aconteceu naquela noite."

Patrícia olhou para Rafael.

"Quem é ele?"

"Advogado."

"Então eu não quero conversar."

Rafael tirou um cartão do bolso.

"Não represento o Grupo Montenegro. E não estamos aqui para ameaçar você."

Patrícia riu nervosamente.

"Vocês não sabem com quem estão mexendo."

Isabela respondeu:

"Infelizmente, eu sei."

A mulher ficou alguns segundos em silêncio.

Depois abriu a porta.

O apartamento era simples.

Patrícia ofereceu café.

Ninguém aceitou.

Ela sentou no sofá e entrelaçou as mãos.

"Eu tentei esquecer."

Isabela se sentou à frente.

"O que você escreveu naquele relatório?"

Patrícia ergueu os olhos rapidamente.

"Como encontrou isso?"

"Ele ainda aparece no sistema."

A enfermeira respirou fundo.

"Eu era responsável por parte daquele corredor."

"E Augusto?"

"Estava em observação."

"Ele estava mal?"

"Não daquele jeito."

Isabela inclinou-se.

"O que quer dizer?"

"Estava irritado por precisar ficar no hospital. Queria ir embora."

Patrícia lembrou que Augusto falava normalmente.

Reclamara da comida.

Pedira café e ouvira que não podia tomar.

Até brincara com uma técnica de enfermagem.

Nada indicava que morreria poucas horas depois.

"Então alguma coisa mudou."

Patrícia assentiu.

"No início da noite."

"O quê?"

"Ele começou a ficar agitado."

"Sentia dor?"

"Não lembro de ele reclamar de dor."

A mulher apertou os dedos.

"Ele queria fazer uma ligação."

"Para quem?"

Patrícia olhou diretamente para Isabela.

"Para o filho."

Isabela sentiu um arrepio.

"O Alexandre?"

"Ele repetiu várias vezes."

Patrícia fechou os olhos, buscando a memória.

"Chamem meu filho."

Isabela ficou imóvel.

"Ele falou exatamente isso?"

"Mais de uma vez."

"Chamem meu filho."

Patrícia assentiu.

"Eu disse que poderíamos ligar."

"Mas não ligaram."

A enfermeira respirou fundo.

"A esposa dele apareceu."

"Vitória."

"Sim."

Patrícia lembrava dela perfeitamente.

Elegante.

Controlada.

Sem demonstrar pânico.

Quando a enfermeira disse que Augusto queria falar com Alexandre, Vitória respondeu imediatamente.

"Meu filho está fora do país."

Isabela franziu a testa.

"Fora do país?"

"Foi o que ela disse."

"Tem certeza?"

"Absoluta."

Patrícia continuou.

"Ela disse que Alexandre estava numa viagem de negócios e que não havia necessidade de preocupá-lo."

Isabela pegou o celular.

Ligou para Alexandre.

Ele atendeu quase imediatamente.

"Encontraram alguma coisa?"

"Preciso confirmar algo."

"Fala."

"Na noite em que Augusto morreu, onde você estava?"

Houve silêncio.

"Em São Paulo."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Tem certeza?"

"Eu estava num jantar no Fasano com dois investidores."

"Você não estava viajando?"

"Não."

Alexandre percebeu o tom.

"Por quê?"

Isabela olhou para Patrícia.

"Vitória disse ao hospital que você estava fora do país."

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Silêncio.

Alexandre demorou alguns segundos para responder.

"Meu pai pediu por mim?"

Isabela fechou os olhos.

"Sim."

A respiração dele mudou.

"Ele pediu?"

"Várias vezes."

Do outro lado, Alexandre não disse nada.

Isabela ouviu apenas sua respiração.

"Ela não me contou."

A voz dele saiu baixa.

"Eu estava a quinze minutos dali."

Isabela sentiu um nó na garganta.

"Alexandre..."

"Continua investigando."

Ele desligou.

Patrícia estava chorando.

"Eu deveria ter ligado."

"Você acreditou na esposa dele."

"Não foi só isso."

Isabela se aproximou.

"O que mais aconteceu?"

Patrícia enxugou o rosto.

"Um homem chegou."

"Quem?"

"Eu não sabia o nome naquela época."

Rafael abriu no celular uma fotografia de Henrique Ferraz.

Colocou diante dela.

Patrícia perdeu a cor.

"Era ele."

Isabela sentiu o estômago afundar.

"O que Henrique fez?"

"Conversou com Vitória no corredor."

"E depois?"

"Entrou no quarto."

"Com ela?"

Patrícia balançou a cabeça.

"Sozinho."

"Por quanto tempo?"

"Uns dez minutos. Talvez quinze."

"E Augusto estava sozinho com ele?"

"Sim."

Rafael perguntou:

"Algum médico autorizou a visita?"

"Na época, ele foi apresentado como advogado e amigo da família."

"Depois que Henrique saiu, o que aconteceu?"

Patrícia respirou fundo.

"Augusto recebeu a medicação da noite."

"Qual?"

"Não lembro."

"Você administrou?"

"Não."

"Quem administrou?"

Patrícia hesitou.

"Essa é uma das coisas que coloquei no relatório."

Isabela sentiu o corpo inteiro ficar tenso.

"Por quê?"

"Porque a anotação da medicação apareceu no sistema, mas eu não reconheci a rubrica."

Rafael e Isabela se entreolharam.

"Você avisou alguém?"

"Sim."

"E no dia seguinte retirou o relatório."

Patrícia começou a chorar novamente.

"Mandaram retirar."

"Quem?"

"Um supervisor."

"Por ordem de quem?"

"Ele nunca disse."

"Por que você obedeceu?"

Patrícia olhou para Isabela.

"Porque naquela manhã um homem me esperava na garagem."

"Henrique?"

"Não."

"Quem?"

"Eu nunca tinha visto."

Patrícia apertou as mãos.

"Ele sabia onde minha mãe morava."

O silêncio ficou pesado.

"Doze dias depois, eu pedi demissão."

Rafael perguntou:

"O hospital ainda tem as imagens das câmeras?"

Patrícia balançou a cabeça.

"Duvido."

Ela estava certa.

As gravações daquele período haviam sido apagadas automaticamente anos antes.

Não havia imagens.

Não havia amostra preservada de sangue.

Não havia relatório original.

A assinatura da medicação era praticamente ilegível.

Havia suspeitas.

Muitas.

Mas nenhuma prova direta.

Quando Alexandre recebeu todas as informações naquela noite, permaneceu sozinho na sala de reuniões do Grupo Montenegro.

Não chorou.

Não gritou.

Ficou olhando para o celular.

Seu pai havia pedido por ele.

Ele estava em São Paulo.

E Vitória havia impedido que o hospital ligasse.

Às 22h13, o telefone tocou.

Número desconhecido.

Alexandre atendeu.

"Alô?"

Uma voz masculina respondeu.

"Alexandre."

Ele reconheceu imediatamente.

Henrique.

Alexandre se levantou.

"Onde você está?"

"Quero conversar."

"Depois de trinta e sete anos?"

"Não por telefone."

Alexandre apertou o aparelho.

"Me dá um motivo para eu não entregar seu nome à polícia agora."

Henrique ficou em silêncio.

Depois respondeu:

"Porque eu sei o que Augusto estava investigando."

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Alexandre parou.

"Então venha."

Henrique apareceu quarenta minutos depois.

Entrou sozinho.

Sem maleta.

Sem advogado.

Sem a segurança que sempre carregava no rosto.

Pela primeira vez, Alexandre olhou para aquele homem sabendo que compartilhavam o mesmo sangue.

Não sentiu nada.

Henrique tentou falar.

"Alexandre..."

"Não me chama assim como se tivesse esse direito."

Henrique parou.

Alexandre apontou para a cadeira.

"Você tem cinco minutos."

Henrique não sentou.

"Vitória contou sobre nós?"

"Contou o suficiente."

"Não contou tudo."

"Você estava no hospital quando Augusto morreu."

Henrique ficou sério.

"Sim."

"Entrou sozinho no quarto."

"Sim."

"Por quê?"

"Augusto me chamou."

"Meu pai estava pedindo por mim."

A palavra atingiu Henrique.

Meu pai.

Alexandre percebeu.

Mas não se importou.

"Você saiu do quarto. Pouco depois, ele recebeu uma medicação registrada com uma assinatura que ninguém reconhece. Depois morreu."

Henrique respirou fundo.

"Eu não matei Augusto."

"Por que eu deveria acreditar?"

"Não deveria."

Alexandre deu um passo à frente.

"Então começa a falar."

Henrique olhou para ele por alguns segundos.

"Você encontrou as transferências."

"Mais de cento e vinte milhões."

"Esse número está errado."

Alexandre franziu a testa.

"Como você sabe?"

"Porque eu acompanhei aquelas contas."

"Então admite que participou?"

Henrique não respondeu diretamente.

Alexandre perdeu a paciência.

"Minha mãe disse que você falsificou o exame de Sofia. Meu pai deixou uma carta dizendo que vocês desviavam dinheiro. Você estava no hospital na noite em que ele morreu."

Henrique apertou a mandíbula.

"Vitória quer que você pense exatamente isso."

Alexandre riu.

"Agora vocês vão começar a culpar um ao outro?"

"Eu fiz coisas das quais me arrependo."

"Que conveniente."

"Mas você está procurando a pessoa errada."

Alexandre se aproximou.

"Pessoa errada para quê?"

Henrique sustentou seu olhar.

"Sua mãe está mentindo para você."

Alexandre ficou imóvel.

"Sobre o quê?"

Henrique respirou fundo.

"Sobre quem roubou aquele dinheiro."

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