《O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta》Capítulo 11

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A voz de Marcelo atravessou a sala.

"Seu pai devia ter entregado aquilo quando teve chance."

Ninguém se mexeu.

O áudio continuou.

A voz de Isabela veio em seguida.

"Foi você?"

Então Marcelo.

"Eu tinha dezenove anos."

O rosto dele perdeu completamente a expressão tranquila.

Seu advogado se levantou.

"Essa gravação precisa ter sua autenticidade verificada."

Delegada Mariana respondeu antes de Isabela.

"E será."

Marcelo olhou para Isabela.

Ela conhecia aquele olhar.

Durante dois anos, bastava aquilo para fazê-la rever uma frase, baixar a voz ou pedir desculpas por algo que não tinha feito.

Dessa vez, não.

Isabela deixou o áudio continuar.

"Quer saber quem pode responder?"

Uma pausa.

"Pergunte à mãe do Dante."

Vitória fechou os olhos.

Augusto Ferraz virou o rosto para o filho.

Marcelo percebeu.

"Pai..."

Augusto não respondeu.

Isabela desligou a gravação.

"Isso não é tudo."

O advogado de Marcelo tentou interromper.

"Senhorita Isabela, qualquer material obtido..."

Mariana levantou a mão.

"Deixe ela terminar."

Isabela abriu a pasta.

A mesma pasta que Dante havia colocado diante dela semanas antes.

Naquela ocasião, ele tinha dito que a escolha seria sua.

Agora era.

"Meu pai, Antônio Oliveira Martins, participou de um sistema ilegal de movimentação financeira."

Um murmúrio atravessou a sala.

Isabela continuou.

"Eu gostaria de poder dizer que ele foi inocente desde o começo."

Olhou para os documentos.

"Não foi."

Dante observava em silêncio.

"Ele ajudou a construir parte do sistema."

Augusto ergueu levemente o queixo.

Como se aquela confissão pudesse ajudá-lo.

Isabela percebeu.

"Mas ele tentou sair."

O sorriso quase invisível de Augusto desapareceu.

"Antônio bloqueou transferências, abandonou autorizações e guardou registros quando percebeu que o esquema continuaria."

Mariana colocou uma cópia do livro-caixa diante dos advogados.

Isabela continuou:

"Ele também descobriu que pretendiam usar a assinatura de Dante Montenegro para uma operação de quase quarenta milhões de reais."

Dante olhou para Augusto.

Augusto permaneceu imóvel.

"Meu pai retirou a autorização antes que Dante assinasse."

Isabela respirou fundo.

"Poucos dias depois, morreu."

O advogado de Augusto levantou-se.

"Não existe prova de que meu cliente tenha qualquer relação com essa morte."

"Correto."

Isabela virou-se para ele.

"Por isso o caso será investigado."

A resposta o surpreendeu.

Ela não precisava inventar certezas.

Não mais.

Mariana completou:

"O inquérito sobre a morte de Antônio Oliveira Martins será reaberto com base nos novos elementos."

Augusto finalmente falou.

"Depois de quinze anos?"

Mariana olhou diretamente para ele.

"Tempo não transforma verdade em mentira, senhor Ferraz."

Augusto ficou em silêncio.

Isabela abriu outro envelope.

"Também existem registros mais recentes."

Rafael levantou os olhos.

Dante percebeu.

"Transferências realizadas três anos atrás."

Isabela colocou as cópias sobre a mesa.

"Com assinaturas de Rafael Vasconcelos Montenegro."

Vitória fechou os olhos.

Rafael soltou o ar.

"Já disse que fui pressionado."

Dante olhou para o irmão.

"Você passou a localização dela para Marcelo."

"Eu não sabia o que ele faria."

Isabela respondeu:

"Você sabia o suficiente."

Rafael virou-se.

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"Eu nunca mandei ele ameaçar você."

"Não."

Ela sustentou o olhar.

"Você só entregou a ele as ferramentas."

Rafael ficou calado.

Bruno colocou outro conjunto de documentos diante de Mariana.

"Contratos com a empresa de monitoramento digital."

Depois outro.

"Pagamentos."

Outro.

"Registros de acesso."

Mariana folheou.

"Isso será anexado."

Marcelo começou a perder o controle.

"Isso é ridículo."

Todos olharam.

Ele apontou para Isabela.

"Ela está fazendo isso porque quer dinheiro."

Isabela não reagiu.

"Ela se aproximou de Dante Montenegro e, de repente, aparece com documentos de quinze anos atrás?"

Dante fez menção de falar.

Isabela olhou para ele.

Um pequeno gesto.

Dante parou.

Ela mesma responderia.

"Eu não me aproximei de Dante."

Marcelo riu.

"Claro."

"Eu estava trabalhando."

A voz dela permaneceu calma.

"Você entrou no meu trabalho para me buscar depois de eu terminar com você."

O sorriso de Marcelo desapareceu.

"Você segurou meu braço."

"Eu estava tentando conversar."

"Eu disse não."

"Você estava nervosa."

"Eu disse não."

Marcelo apertou o maxilar.

Isabela percebeu o velho homem surgindo por trás da máscara.

"Você sempre foi instável."

Silêncio.

A palavra ficou no ar.

Isabela quase sorriu.

"É isso."

Marcelo franziu a testa.

"Isso o quê?"

"O que você sempre fez."

Ela se aproximou da mesa.

"Quando eu discordava, estava confusa."

Marcelo ficou imóvel.

"Quando eu queria sair, estava nervosa."

Isabela continuou.

"Quando eu escondia meu celular porque você verificava minhas mensagens, eu estava criando problemas."

"Isso é mentira."

"Quando você controlava meu dinheiro, dizia que estava me ajudando."

"Eu estava."

"Quando eu parei de usar roupas que você não gostava, dizia que era respeito."

Marcelo olhou para o advogado.

"Não responde."

Mas já era tarde.

Isabela retirou outro conjunto de folhas.

"Eu guardei suas mensagens."

Marcelo empalideceu.

Camila havia ajudado.

Durante dias, as duas recuperaram conversas antigas, capturas de tela, e-mails e mensagens armazenadas em backups.

"Você acha que pode se esconder de mim?"

Isabela leu.

Depois outra.

"Eu sei onde você está."

Mais uma.

"Isso ainda não acabou."

Mariana recebeu as cópias.

Marcelo tentou se levantar.

"Eu vou embora."

A delegada respondeu:

"Sente."

Ele olhou para ela.

"Isso não é uma prisão."

"Ainda não."

Marcelo sentou.

Pela primeira vez, Isabela viu algo que jamais imaginou encontrar no rosto dele.

Medo.

Não o medo de Dante.

Não o medo de Augusto.

Medo das próprias palavras.

Augusto permaneceu calado.

Até que Dante falou.

"Você sabia que Marcelo estava se aproximando dela?"

Augusto respondeu:

"Não."

Rafael riu.

Todos olharam.

Augusto virou-se para ele.

"Cuidado."

Rafael balançou a cabeça.

"Chega."

Vitória ficou rígida.

"Rafael..."

"Chega, mãe."

Ele olhou para Mariana.

"Augusto sabia."

O rosto do empresário endureceu.

"Você está desesperado."

"Talvez."

Rafael respirou fundo.

"Mas não vou cair sozinho."

Dante não demonstrou satisfação.

Apenas cansaço.

Rafael continuou:

"Marcelo tinha que encontrar o que Antônio deixou."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"E você sabia que ele estava namorando comigo."

"Soube depois."

"Por que não impediu?"

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Rafael olhou para Dante.

"Porque Augusto dizia que era perfeito."

Augusto bateu a mão na mesa.

"Cala a boca."

Mariana imediatamente virou-se.

"Deixe ele falar."

Rafael riu amargamente.

"Perfeito porque ninguém suspeitaria de um namorado."

Isabela fechou os olhos por um segundo.

Era verdade.

A confirmação final.

Marcelo não havia esbarrado por acaso numa mulher segurando duas taças.

Não tinha aparecido por destino.

Alguém sabia quem ela era.

"Ele foi ao evento por minha causa."

Rafael assentiu.

"Sim."

Marcelo virou-se.

"Rafael!"

"Acabou."

Isabela abriu os olhos.

Dois anos de sua vida tinham começado como uma operação.

Talvez algumas emoções de Marcelo tivessem sido reais.

Talvez nenhuma.

Já não importava.

Ela não precisava mais entender o homem que a machucara para conseguir abandoná-lo.

Mariana recolheu os últimos documentos.

"Teremos muito trabalho."

As consequências não vieram de uma vez.

Vieram em ondas.

A gravação de Marcelo foi periciada.

Autêntica.

Os registros de monitoramento foram confirmados.

As transferências ligadas a Rafael foram rastreadas.

Empresas relacionadas ao Grupo Ferraz entraram no centro de uma investigação financeira.

O antigo inquérito sobre a morte de Antônio foi reaberto.

Augusto passou a ser formalmente investigado por sua participação na estrutura financeira e pelas circunstâncias que antecederam a morte.

Rafael perdeu suas funções dentro do Grupo Montenegro.

Mas os Montenegro não saíram ilesos.

E Dante não tentou fazer isso acontecer.

Auditorias independentes encontraram operações antigas que haviam beneficiado empresas da família.

Otávio estava morto.

Mas suas decisões continuavam produzindo consequências.

Vitória prestou depoimento.

Admitiu que sabia das provas.

Admitiu que permaneceu calada.

Admitiu que escolhera proteger os filhos.

Quando saiu, encontrou Isabela no corredor.

As duas ficaram em silêncio.

Vitória falou primeiro.

"Eu devia ter procurado sua mãe."

"Devia."

"Eu estava com medo."

Isabela olhou para ela.

"Minha mãe também."

Vitória abaixou os olhos.

"Eu sei."

Dessa vez, Isabela acreditou que ela realmente sabia.

Não houve abraço.

Não houve perdão instantâneo.

Algumas feridas não desapareciam porque alguém finalmente dizia a verdade.

Mas o silêncio tinha acabado.

Dante também mudou.

Durante anos, estava acostumado a resolver problemas com influência.

Um telefonema.

Um nome.

Uma ameaça nunca dita completamente.

Quando Bruno perguntou o que fariam se Augusto tentasse pressionar testemunhas, Dante respondeu:

"Nada fora da lei."

Bruno arqueou uma sobrancelha.

"Você está falando sério?"

"Estou."

"Isso é novo."

Dante olhou através da janela do escritório.

"Estou experimentando."

Bruno quase sorriu.

Dante continuou:

"Entrega tudo para Mariana."

"Até o que prejudica o grupo?"

"Principalmente isso."

Meses se passaram.

Isabela voltou a trabalhar.

Não porque precisasse fingir que nada havia acontecido.

Mas porque queria recuperar coisas que Marcelo tinha transformado em símbolos de fraqueza.

Seu trabalho.

Suas amizades.

Suas roupas.

Seu dinheiro.

Seu telefone.

Sua vida.

Dona Helena chorou quando ela apareceu no restaurante dos Jardins.

"Você tem certeza?"

Isabela sorriu.

"Tenho."

"Se aquele homem aparecer..."

"Eu sei o que fazer."

Helena abraçou-a.

"Você está diferente."

Isabela olhou para o salão.

"Estou."

Naquela noite, perto das oito, quatro homens entraram.

Isabela reconheceu Bruno primeiro.

Depois Dante.

Ela soltou uma pequena risada.

"Não acredito."

Dona Helena olhou.

"Que foi?"

"Nada."

Dante caminhou pelo salão.

Parou exatamente diante da mesma mesa.

Mesa 17.

Sentou-se.

Dessa vez, estava sozinho.

Bruno seguiu para o balcão e cumprimentou Helena.

Isabela preparou um café.

Colocou a xícara sobre uma pequena bandeja.

Ficou olhando por um segundo.

Lembrou do caldo balançando.

Da porcelana quase caindo.

Do pulso acelerado.

Da porta.

Do medo.

Então caminhou.

Dante a viu se aproximar.

Isabela colocou a xícara diante dele.

Nenhuma gota caiu.

Ele olhou para o café.

Depois, deliberadamente, para a mão dela.

Isabela percebeu.

"Nem começa."

Dante sorriu.

"Você não está tremendo."

"Não."

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

"O que mudou?"

Isabela olhou para ele.

Poderia ter dado muitas respostas.

Marcelo estava respondendo pelo que fizera.

Augusto estava sendo investigado.

Rafael tinha sido exposto.

A morte de Antônio finalmente tinha voltado a ser tratada como uma pergunta que merecia resposta.

Mas nada disso era a resposta.

Ela colocou a bandeja sobre a mesa.

"Eu parei de fugir."

Dante sustentou o olhar.

Depois estendeu a mão.

Parou no meio do caminho.

Não segurou seu pulso.

Não puxou seus dedos.

Não decidiu por ela.

Apenas deixou a mão ali.

Esperando.

Isabela olhou para ela.

Depois para Dante.

E sorriu.

Dessa vez, foi Isabela quem avançou.

Ela colocou a própria mão sobre a dele.

Firme.

Sem tremer.

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