《O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta》Capítulo 10

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Dante releu a assinatura três vezes.

Rafael Vasconcelos Montenegro.

O nome continuava ali.

Isabela observava o rosto dele mudar lentamente.

Primeiro incredulidade.

Depois cálculo.

Por fim, uma raiva fria.

"Isso não faz sentido."

Bruno pegou o documento.

"Por causa da idade dele?"

Dante assentiu.

"Rafael tinha dezoito anos quando Antônio morreu."

Isabela olhou para a data no canto superior da folha.

Então percebeu.

"Espera."

Ela puxou o papel para mais perto.

"Isso não é de quinze anos atrás."

Dante abaixou os olhos.

A data estava impressa com clareza.

Três anos antes.

Bruno ficou imóvel.

"Então esse documento não faz parte do começo da operação."

"Não."

Dante ergueu lentamente o rosto.

"Faz parte da continuação."

O silêncio dentro do depósito pareceu ficar ainda mais pesado.

Isabela abriu novamente o livro-caixa.

As primeiras páginas eram antigas.

Papel amarelado.

Datas de quinze, dezesseis, dezessete anos atrás.

Mas perto do final, a caligrafia mudava.

Havia anotações mais recentes.

Empresas que nem existiam na época em que Antônio morreu.

Bruno virou outra página.

"Aqui."

Um registro de quatro anos antes.

Depois outro.

Três anos.

Dois anos.

Dante sentiu o maxilar endurecer.

"Isso nunca acabou."

Isabela olhou para ele.

"Você achava que tinha acabado?"

"Otávio disse que sim."

Ela não precisou responder.

Dante já sabia o peso daquela frase.

Outra mentira herdada.

Bruno começou a fotografar os documentos.

"Temos nomes atuais."

"Quais?"

"Rafael aparece em seis autorizações."

Dante ficou imóvel.

"Augusto?"

"Quatro."

"E Marcelo?"

Bruno virou mais páginas.

"Indiretamente."

Isabela se aproximou.

"Como?"

"Uma das empresas que recebeu dinheiro pertence a uma holding administrada por Marcelo."

O sangue dela gelou.

"Então ele também fazia parte."

"Sim."

Dante perguntou:

"Desde quando?"

Bruno verificou.

"Pelo menos três anos."

Isabela soltou o ar devagar.

Marcelo tinha entrado na vida dela dois anos antes.

A ligação era impossível de ignorar.

"Ele já estava trabalhando com Rafael antes de me conhecer."

Dante olhou para ela.

"Sim."

Isabela passou a mão pelo rosto.

"Então não foi acaso."

Dessa vez ninguém tentou suavizar.

Bruno abriu outro documento.

"Tem uma coisa pior."

Dante soltou uma risada sem humor.

"Claro que tem."

Bruno mostrou uma sequência de pagamentos.

"Empresa de segurança digital."

"Do grupo?"

"Terceirizada."

"Responsável por quê?"

Bruno leu.

"Localização de dispositivos, monitoramento corporativo, recuperação de dados."

Isabela ficou imóvel.

"Meu celular."

Bruno olhou para ela.

"Pode ter sido."

Ela sentiu a garganta fechar.

"Eu troquei de número."

"Se o aparelho permaneceu o mesmo, talvez não importasse."

"E quando troquei o aparelho também?"

Bruno abriu outra folha.

"Você manteve a mesma conta de e-mail?"

Isabela assentiu lentamente.

"Sim."

Bruno não precisou continuar.

Ela entendeu.

Marcelo não era mágico.

Não a conhecia tão bem quanto dizia.

Ele tinha ajuda.

Acesso.

Gente por dentro.

Isabela olhou para Dante.

"Foi assim que ele sabia onde eu estava."

Dante permaneceu em silêncio.

"Foi assim que ele me encontrou no restaurante."

"Provavelmente."

"E quando eu comecei a ficar perto de você?"

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Bruno encontrou outra sequência.

"Há registros de contato entre Rafael e Marcelo naquela mesma noite."

Dante virou-se rapidamente.

"Que horas?"

"Pouco depois de você mandar investigar Marcelo."

Isabela sentiu um arrepio.

"Então Rafael soube imediatamente."

"Sim."

Dante pegou o celular.

Ligou.

Rafael atendeu no terceiro toque.

"Dante?"

"Onde você está?"

Silêncio breve.

"No escritório."

"Fica aí."

"Por quê?"

"Porque eu estou indo."

Rafael riu.

"O que aconteceu?"

Dante desligou.

Isabela o encarou.

"Você vai confrontá-lo agora?"

"Vou."

"Sem polícia?"

"Primeiro quero olhar na cara dele."

Isabela balançou a cabeça.

"Não."

Dante franziu a testa.

"Não?"

"Você acabou de me dizer que eu escolho o que faço com as provas."

"Sim."

"Então eu quero fazer isso direito."

Dante ficou em silêncio.

"Se Rafael está ligado a Marcelo e Augusto, qualquer confronto agora pode fazer eles destruírem o resto."

Bruno concordou.

"Ela tem razão."

Dante não gostou.

Mas assentiu.

"Então ninguém liga para Rafael de novo."

Isabela perguntou:

"E agora?"

Bruno respondeu:

"Agora fazemos cópias de tudo."

Trabalharam durante quase uma hora.

Fotografias.

Digitalizações.

Cópias das fitas.

Registro do livro.

Quando terminaram, Bruno separou o material em três conjuntos.

"Um comigo."

Dante pegou outro.

"Um com advogado."

Isabela segurou o terceiro.

"E um comigo."

Dante olhou para ela.

"Tem certeza?"

"Tenho."

Ele não discutiu.

Na saída da casa, o celular de Bruno vibrou.

Ele leu e empalideceu.

"Dante."

"Que foi?"

"Rafael saiu do escritório."

"Para onde?"

"Não sabemos."

Poucos segundos depois, outro alerta.

"Ele acessou o sistema interno do arquivo Montenegro."

Dante ficou tenso.

"Ele sabe."

Isabela perguntou:

"Sabe o quê?"

"Que alguém encontrou os registros."

Bruno já estava ligando para a equipe.

"Temos que voltar para São Paulo."

A viagem de volta foi rápida.

Tensa.

Quase sem conversa.

Quando chegaram ao arquivo privado do Grupo Montenegro, perto da Avenida Paulista, a porta lateral estava aberta.

Um funcionário estava caído no corredor.

Consciente.

Atordoado.

Bruno correu.

"Quem entrou?"

"Senhor Rafael."

Dante passou por eles.

No fundo do arquivo, ouviu-se vidro quebrando.

Depois cheiro de fumaça.

"Droga."

Bruno correu.

Isabela foi atrás.

Dante tentou segurá-la por reflexo.

Parou antes de tocar.

"Fica atrás de mim."

Ela respondeu:

"Eu fico onde eu decidir."

Mesmo naquela situação, ele quase sorriu.

"Então não morre."

Entraram.

Rafael estava diante de uma mesa metálica.

Uma pequena lixeira ardia.

Documentos queimavam dentro.

Bruno avançou e apagou o fogo com um extintor.

Rafael virou-se.

"Dante."

Dante olhou para as cinzas.

"Você sempre teve péssimo timing."

Rafael tentou rir.

"Não sei do que está falando."

Isabela entrou.

A expressão dele mudou.

Foi rápido.

Mas suficiente.

"Ela."

Dante percebeu.

"Sim. Ela."

Rafael olhou para Bruno.

Depois para a porta.

Bruno se colocou no caminho.

"Nem tenta."

Rafael endureceu.

"Você vai me impedir de sair da empresa da minha própria família?"

Bruno respondeu:

"Hoje, vou."

Dante jogou sobre a mesa uma cópia da assinatura.

Rafael olhou.

O rosto perdeu a cor.

"Isso é falso."

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"Três anos atrás."

"Não fui eu."

"Tem seis autorizações."

"Assinatura pode ser copiada."

Isabela se aproximou.

"E as mensagens para Marcelo?"

Rafael olhou para ela.

"Que mensagens?"

"Na noite em que ele apareceu no restaurante."

Silêncio.

"Você avisou."

"Não."

"Você passou minha localização."

"Não."

Isabela soltou o celular.

Mostrou uma captura que Bruno havia encontrado nos registros.

Rafael ficou imóvel.

Dante não precisou perguntar.

A culpa estava no rosto dele.

"Por quê?"

Rafael respirou fundo.

"Dante..."

"Por quê?"

A voz do irmão mais velho ecoou pelo arquivo.

Rafael perdeu parte da máscara.

"Porque você nunca entendeu como esse grupo funciona."

"Então me explica."

"Você acha que tudo se sustenta com discurso, conselho e auditoria?"

Dante deu um passo.

"Você manteve o esquema."

"Eu mantive a empresa viva."

"Com Augusto Ferraz."

"Com quem fosse necessário."

Isabela sentiu a raiva crescer.

"E Marcelo?"

Rafael olhou para ela com desprezo.

"Marcelo tinha uma tarefa."

"Me vigiar."

"Encontrar o que Antônio escondeu."

A confirmação caiu como um golpe.

Dante ficou furioso.

"Você colocou esse homem na vida dela?"

Rafael respondeu:

"Eu não mandei ele namorar."

Isabela sentiu nojo.

"Mas sabia."

"Era útil."

Dante avançou.

Bruno entrou entre os dois.

"Dante."

Rafael riu.

"Vai me bater agora?"

Dante parou.

Olhou para o irmão.

"Não."

Rafael pareceu surpreso.

Dante pegou o celular.

"Você vai falar com alguém que não é da família."

Duas horas depois, a Delegada Mariana Costa entrou na sala de reuniões do Grupo Montenegro.

Quarenta e poucos anos.

Postura firme.

Pasta debaixo do braço.

Ela olhou para Dante.

Depois para Isabela.

Depois para Rafael.

"Quero ouvir desde o começo."

Isabela colocou os documentos diante dela.

"Vai demorar."

Mariana sentou.

"Tenho tempo."

A investigação ganhou velocidade nas horas seguintes.

As fitas foram encaminhadas para perícia.

Os documentos foram preservados.

As movimentações financeiras foram cruzadas.

E, pela primeira vez, Augusto Ferraz deixou de ser apenas um nome enterrado em arquivos antigos.

Virou alvo formal.

Marcelo também.

Rafael foi intimado.

Dias depois, o conflito chegou ao Fórum João Mendes.

Não como uma audiência simples.

Havia advogados.

Representantes das empresas.

Imprensa no corredor.

Funcionários.

Familiares.

Dante ficou ao lado de Bruno.

Vitória chegou acompanhada de advogado.

Rafael evitava olhar para o irmão.

Augusto Ferraz entrou por último.

Elegante.

Frio.

Ao lado dele, Marcelo.

Isabela sentiu o coração acelerar.

Mas não recuou.

Marcelo percebeu.

Sorriu.

Era o mesmo sorriso do restaurante.

O mesmo sorriso de quem sabia parecer razoável diante dos outros.

Quando chegou a vez de falar, o advogado de Marcelo começou exatamente como Isabela imaginava.

"Minha cliente..."

Ele se corrigiu.

"Senhorita Isabela mantém uma relação emocionalmente instável com meu cliente."

Isabela soltou uma pequena risada.

Marcelo olhou para ela.

O advogado continuou:

"Há mensagens fora de contexto, acusações sem comprovação direta e evidente interesse financeiro decorrente de sua aproximação com o senhor Dante Montenegro."

Dante endureceu.

Mariana permaneceu imóvel.

O advogado olhou para Isabela.

"Também há relatos de comportamento impulsivo."

Marcelo inclinou-se para frente.

"Eu tentei ajudar."

Isabela sentiu algo antigo dentro dela.

Aquela vontade de explicar.

De provar que não era louca.

De convencer todo mundo.

Então lembrou do restaurante.

"Ela está passando por uma fase difícil."

A mesma estratégia.

Só que agora ela sabia reconhecer.

Marcelo falou:

"Isabela sempre teve dificuldade de aceitar o fim das coisas."

Ela olhou diretamente para ele.

"Você terminou comigo?"

Ele hesitou.

"Isso não importa."

"Importa."

O advogado tentou intervir.

Mas Isabela já havia aberto a bolsa.

Retirou o celular.

Marcelo viu.

O sorriso desapareceu.

"Que é isso?"

Isabela levantou o aparelho.

Suas mãos estavam firmes.

"Quer ouvir sua própria voz, Marcelo?"

Ele ficou pálido.

Isabela apertou o botão.

E a gravação começou.

"Seu pai devia ter entregado aquilo quando teve chance."

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