《Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança》Capítulo 6

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Eliza não respondeu. O silêncio empurrou Sienna para longe da porta.

— Ele me ajudou quando eu estava numa fase ruim — continuou. — Eu devia dinheiro. Garrett conhecia gente. No começo achei que era amizade.

— Vocês ficaram juntos?

Sienna tirou os óculos. Os olhos estavam inchados, e a maquiagem escura se acumulara nas pálpebras.

— Algumas vezes.

— Antes de ele me conhecer?

— Sim.

Eliza sentou na ponta da cama de Margaret. O colchão afundou no mesmo lugar onde a mãe passara as últimas tardes lendo relatórios. Sienna permaneceu de pé junto à janela.

— E depois?

A irmã olhou as rosas.

— Uma vez, depois que vocês começaram a sair.

Eliza retirou a aliança, examinou a marca clara no dedo e tornou a colocá-la. Ainda precisava que Garrett acreditasse no casamento até a reunião de segunda-feira.

— Por que ele se aproximou de mim?

Sienna começou a chorar. O som veio baixo, preso na garganta.

— Ele dizia que você era boa. Que tinha passado por muita coisa. Eu juro que no início não achei que fosse por dinheiro.

— Quando percebeu?

— Quando começou a perguntar sobre a empresa. Sobre o fundo, as casas, quem herdaria se a mamãe morresse.

— E você contou.

Sienna enfiou a mão no bolso e retirou um papel dobrado. Colocou-o sobre o banco aos pés da cama.

— Eu estava devendo a ele.

Era um comprovante de transferência. Garrett quitara parte de uma dívida com cobradores informais e registrara o valor como empréstimo pessoal. Juros mensais apareciam numa planilha anexada.

— Ele transformou isso numa coleira — Sienna disse. — Queria informações. Dizia que, quando você recebesse tudo, nós duas estaríamos protegidas.

— Como?

— Você colocaria o patrimônio numa estrutura administrada por ele. Depois ele me ajudaria.

Eliza dobrou o comprovante na marca original.

— A ligação de quarta era com você?

— Não.

A resposta veio rápida. Sienna deu um passo na direção da cama.

— Eu estava no pátio. Fui falar com ele, mas ouvi parte da conversa antes. Ele chamou a pessoa de Mason.

— Mason Cole?

Sienna franziu a testa.

— Acho que sim.

— Por que você riu?

— Garrett disse que você nunca lia contratos quando estava triste. Falou como se fosse uma piada interna. Eu ri de nervoso. Depois fui embora.

Eliza pegou o telefone.

— Você vai contar isso a Harrison.

Sienna recuou.

— Ele vai mandar tudo para a polícia.

— Você prefere que Garrett assine por mim?

— Não.

— Então escolhe.

Sienna cobriu o rosto com as mãos. Eliza não a abraçou. Durante anos, fizera isso antes que a irmã terminasse de admitir o dano. Esperou.

— Eu conto — Sienna disse.

— Tudo.

— Tudo que eu souber.

Eliza ligou para Harrison diante dela. O advogado ouviu o nome Mason e pediu que não discutissem mais detalhes por telefone. Marcou encontro numa sala do programa de recuperação, longe da casa.

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Quando as duas desceram, Garrett estava na cozinha. A pasta da procuração desaparecera da mesa, mas Harrison já conservara cópia integral.

— Resolveram? — ele perguntou.

— Ainda não — Eliza respondeu.

Sienna vestiu os óculos. Garrett tentou tocar o braço dela quando passou. A irmã desviou e saiu pela porta principal.

— Ela pediu dinheiro? — Garrett perguntou.

— Pediu tempo.

— Você sabe como ela fica quando está desesperada.

— Sei.

Ele observou o carro desaparecer na chuva.

— Margaret fez a coisa certa com as condições.

Eliza virou o rosto para ele. Na leitura do testamento, Garrett correra atrás de Sienna para garantir que ela ficasse bem. Agora aprovava a trava que poderia usar contra ela.

— Você mudou de opinião.

— Estou tentando proteger você.

— Claro.

Na manhã seguinte, Sienna entregou a Harrison mensagens antigas, comprovantes e dois endereços de e-mail. Garrett aparecia usando frases de cuidado que terminavam em pedido de informação. Mason surgia copiado numa conversa sobre "arquitetura pós-sucessória".

Harrison reconheceu a empresa.

— Mason Cole foi sócio de Garrett numa aquisição imobiliária. A sociedade encerrou atividades depois de ações de investidores.

Renato entrou por chamada de vídeo e confirmou que o e-mail de recuperação usado nas tentativas de acesso pertencia a uma empresa atual de Mason.

— Segunda-feira, Garrett vai trazer a procuração — Eliza disse.

Harrison alinhou os papéis.

— Teremos dois curadores do fundo presentes. A gravação da sala será autorizada por todos, exceto ele até que entre. Ao entrar, será informado.

— Se souber que está sendo gravado, talvez não fale.

— O documento fala por ele.

Sienna apertou o comprovante da dívida.

— Eu preciso estar lá.

Eliza olhou para a irmã.

— Para quê?

— Para contar antes que ele conte por mim.

Na segunda-feira, às nove e cinquenta e nove, a recepcionista avisou que Garrett subia com uma pasta de couro.

Sienna entrou na sala lateral e fechou a porta.

Harrison revisou o protocolo. Os curadores assinariam como observadores. Renato falaria somente sobre registros técnicos. Eliza conduziria as perguntas sobre o casamento.

— Se ele se levantar? — Sienna perguntou pela fresta.

— A segurança está avisada — Harrison respondeu. — Você pode sair a qualquer momento.

Eliza foi até a sala lateral. A irmã segurava o comprovante da dívida com as duas mãos.

— Você não precisa enfrentá-lo para provar que está do meu lado.

— Preciso falar por mim.

— Então entre quando estiver pronta, não quando ele mandar.

Sienna assentiu. Eliza retornou ao assento, alinhou uma folha em branco e apoiou os pés no chão. Garrett costumava notar mãos trêmulas. Ela as manteve sob a mesa e esperou.

Renato entregou a Harrison um resumo impresso dos registros. Três colunas separavam fato confirmado, inferência técnica e informação ainda pendente. Eliza pediu uma cópia para Sienna.

— Ela não faz parte da empresa — um curador observou.

— Faz parte do evento investigado — Eliza respondeu.

Sienna recebeu o documento pela fresta e leu o próprio nome ligado ao e-mail de recuperação que Garrett usara anos antes. Reconheceu um endereço secundário e o marcou a caneta.

— Ele criou isso quando pagou minha dívida.

Renato verificou o domínio. A conta aparecia como contato administrativo de uma empresa de Mason. O vínculo que faltava à procuração agora tinha origem documentada.

Harrison guardou a folha no envelope de evidências e lacrou diante das duas irmãs. Ninguém poderia dizer depois que o dado surgira após a reunião.

Eliza ouviu a maçaneta principal girar.

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