《Ela Empurrou Minha Mãe Da Escada… Sem Saber Quem Ela Realmente Era》Parte 6

PUBLICIDADE

Alexandre Montenegro passou a madrugada inteira olhando para o nome de Ricardo.

Era como se aquelas sete letras tivessem desmontado uma parte da infância dele.

Ricardo Montenegro não era apenas um diretor do grupo.

Era o irmão mais novo de Eduardo.

O tio que aparecia nos aniversários.

O homem que, depois da morte do pai, dizia a Alexandre que a família precisava permanecer unida.

Foi Ricardo quem o levou pela primeira vez à antiga sede da empresa.

Foi Ricardo quem lhe ensinou a ler um balanço.

Foi Ricardo quem repetiu durante anos:

"Seu pai teria orgulho de você."

Agora, pela primeira vez, Alexandre se perguntava se alguma dessas frases tinha sido sincera.

Mariana permaneceu sentada do outro lado da mesa.

"Não podemos acusá-lo ainda."

Alexandre soltou uma risada sem humor.

"Você está vendo o mesmo documento que eu."

"Estou."

"Uma empresa ligada a ele pagou a consultoria usada para investigar minha mãe."

"Sim."

"Isso já é bastante."

"É bastante para investigar."

Alexandre levantou.

"Para mim, é bastante para perguntar."

Mariana fechou a pasta.

"Se Ricardo estiver envolvido, você não pode mostrar que sabe."

"Ele é meu tio."

"Justamente."

Ela apontou para os documentos.

"Se ele fez isso durante meses sem você perceber, não vai confessar porque você entrou na sala dele gritando."

Alexandre ficou em silêncio.

Sabia que Mariana estava certa.

E odiava isso.

Naquela manhã, a Polícia Civil já havia mudado o tom do caso.

O que inicialmente parecia uma agressão provocada por uma discussão começava a apresentar elementos diferentes.

O delegado responsável solicitou acesso a movimentações financeiras, mensagens e contatos relacionados a Vitória.

O advogado dela tentou impedir parte das diligências.

Não conseguiu.

Vitória permanecia detida preventivamente enquanto a investigação avançava.

E, pela primeira vez desde a prisão, parou de repetir que tudo tinha sido um acidente.

Começou a dizer menos.

Muito menos.

Mariana percebeu.

"Ela está com medo."

Alexandre olhou para ela.

"Da cadeia?"

"Talvez de alguém."

"Ricardo."

"Não sabemos."

"Eu sei."

"Você suspeita."

"É diferente."

Alexandre ficou diante da janela.

"Se Vitória estava procurando os documentos da minha mãe, precisava saber que eles existiam."

"Sim."

"Eu não sabia."

"Sim."

"Minha mãe mal sabia o que tinha assinado."

"Sim."

"Então quem sabia?"

Mariana não respondeu.

Não precisava.

Ricardo estivera no inventário.

Ricardo acompanhara Helena.

Ricardo conhecia os advogados.

Ricardo conhecia a estrutura da empresa antes de Alexandre sequer saber falar.

O nome dele aparecia perto demais de todas as partes da história.

Mariana pediu ao escritório que aprofundasse as transferências.

No fim da manhã, chegaram os primeiros resultados.

Vitória havia recebido dinheiro de uma empresa chamada Alvorada Consultoria Patrimonial.

No papel, era uma pequena consultoria empresarial.

Na prática, não tinha funcionários suficientes para justificar a movimentação.

Não possuía escritório real.

Não mantinha atividade compatível com os valores recebidos.

Alexandre leu o relatório.

"Empresa de fachada."

"É o que parece."

"Quanto ela recebeu?"

Mariana apontou para a tabela.

PUBLICIDADE

"Em onze meses, quase setecentos mil reais."

Alexandre ergueu os olhos.

"Vitória dizia que vivia dos próprios investimentos."

"Parte do dinheiro pode ter vindo daqui."

"Por quê?"

"Essa é a pergunta."

Os pagamentos começaram três semanas antes de Vitória conhecer Alexandre num jantar beneficente nos Jardins.

Isso chamou atenção imediatamente.

Alexandre ficou parado.

"Antes de me conhecer?"

"Sim."

"Então não foi depois que começamos a nos relacionar."

"Não."

"Ela já recebia dinheiro antes."

"Exatamente."

Alexandre sentiu um desconforto profundo.

Lembrou daquela noite.

Vitória tinha surgido ao lado de uma amiga de um investidor.

Vestido preto.

Sorriso discreto.

Nenhuma tentativa óbvia de chamar atenção.

Ela não tinha ido diretamente até ele.

Fez o contrário.

Esperou.

Deixou que Alexandre se aproximasse.

Na época, ele interpretou aquilo como naturalidade.

Agora parecia estratégia.

"Quem apresentou ela naquele jantar?"

Mariana abriu outro arquivo.

"Um empresário chamado Sérgio Bastos."

"Não lembro."

"Ele presta serviços para empresas ligadas ao grupo."

Alexandre franziu a testa.

"Ligadas a quem?"

Mariana demorou um segundo.

"Ricardo."

Alexandre fechou os olhos.

Cada novo detalhe parecia empurrar a mesma porta.

E atrás dela estava o próprio tio.

No início da tarde, Mariana conseguiu outro dado.

A Alvorada Consultoria havia sido aberta em nome de um contador.

Mas a empresa utilizava um endereço comercial que pertencia a uma administradora patrimonial.

A administradora, por sua vez, estava ligada a uma holding.

A holding pertencia a Ricardo Montenegro.

Alexandre jogou o relatório sobre a mesa.

"Chega."

"Alexandre."

"Ele pagava Vitória antes de ela me conhecer."

"Indiretamente."

"Pagava."

"E precisamos provar a finalidade."

"Ela se aproxima de mim. Depois começa a pesquisar meu testamento. Minha participação no grupo. Minha mãe. Os documentos antigos."

Ele se aproximou de Mariana.

"E tudo isso financiado por uma empresa ligada ao Ricardo."

"Eu sei."

"Então me diga qual explicação inocente existe."

Mariana ficou em silêncio.

Não havia uma boa.

Alexandre saiu da Faria Lima sem avisar para onde ia.

Vinte minutos depois, entrou no Hospital Santa Cecília.

Helena tinha voltado para uma consulta de controle.

Quando viu o filho, percebeu imediatamente o estado dele.

"O que aconteceu?"

Alexandre fechou a porta.

"Preciso perguntar sobre Ricardo."

Helena ficou séria.

"Por quê?"

"Quando meu pai morreu, foi ele quem cuidou dos documentos?"

"Em grande parte."

"Ele sabia do dinheiro do terreno?"

"Sabia."

"Sabia da sua participação?"

"Sabia."

Alexandre sentiu a mandíbula travar.

"Você confiava nele?"

Helena demorou a responder.

"No começo."

"E depois?"

"Depois eu só queria distância."

"Ele já ameaçou você?"

Helena olhou para o filho.

"Não exatamente."

"Isso não é resposta."

Ela respirou fundo.

"Havia frases."

"Quais?"

"Que seria melhor para você se eu não criasse conflitos com a família."

"Que tipo de conflitos?"

"Patrimônio."

Alexandre ficou imóvel.

"Ele falou isso?"

"Mais de uma vez."

"Por que nunca me contou?"

"Porque você era criança."

"E depois?"

"Porque você cresceu."

Alexandre soltou uma risada amarga.

"Essa não faz sentido."

"Faz para uma mãe."

PUBLICIDADE

"Não para mim."

Helena ficou com os olhos marejados.

"Você admirava Ricardo."

"E daí?"

"Ele foi uma referência masculina para você."

Alexandre ficou em silêncio.

Helena continuou.

"Você já tinha crescido sem seu pai. Eu não queria arrancar mais uma pessoa da sua vida."

A frase atingiu Alexandre com força.

"Então você ficou calada."

"Sim."

"Mesmo desconfiando dele."

"Eu não tinha provas."

"Mas tinha medo."

Helena não respondeu.

Isso bastou.

Alexandre se afastou da cama.

De repente, todos os anos pareciam contaminados.

As viagens de família.

Os aniversários.

Os conselhos.

Os abraços.

Ricardo tinha ocupado um espaço que pertenceria ao irmão morto.

E talvez tivesse feito isso enquanto escondia da viúva desse irmão uma parte do patrimônio que era dela.

"Vitória pode ter sido colocada perto de mim por ele."

Helena empalideceu.

"O quê?"

"Os pagamentos começaram antes de eu conhecê-la."

Helena ficou completamente quieta.

Alexandre percebeu que a mãe estava assustada.

"Você acha possível?"

Ela respirou devagar.

"Ricardo sempre foi paciente."

"Isso é um sim?"

"É um aviso."

Alexandre aproximou-se.

"Que aviso?"

"Seu tio nunca faz nada sem pensar no que vai acontecer depois."

Na mansão, Bruno Almeida também investigava.

Alexandre havia pedido que ele revisasse todas as imagens dos últimos meses.

Não apenas o dia da queda.

Tudo.

Entradas.

Saídas.

Visitas.

Horários.

A tarefa parecia simples até Bruno perceber que alguns períodos apresentavam falhas.

Não eram falhas comuns.

Determinadas gravações tinham sido apagadas manualmente.

Ele ligou para Alexandre.

"Temos um problema."

Alexandre saiu do quarto de Helena.

"Que problema?"

"Alguém apagou imagens do sistema."

"Vitória?"

"Pode ser."

"Ela tinha acesso?"

"Não deveria."

"Mas tinha?"

Bruno hesitou.

"Ela sabia a senha de um terminal interno."

Alexandre apertou o telefone.

"Consegue recuperar?"

"Talvez."

"Faz."

Durante horas, Bruno trabalhou com um técnico externo.

Recuperaram pequenos trechos.

Alguns segundos.

Depois minutos.

Uma gravação mostrava Vitória entrando no escritório de Alexandre.

Outra mostrava ela fotografando uma gaveta.

Outra mostrava uma conversa rápida com um homem num corredor lateral.

O rosto dele não aparecia.

Mas o relógio, a postura e parte do terno chamaram atenção de Bruno.

Ele conhecia aquele jeito de andar.

Ainda assim, não queria tirar conclusões.

Continuou procurando.

Já era noite quando encontrou uma gravação de áudio vinculada ao sistema interno.

Uma câmera havia sido desligada visualmente.

Mas o canal de som continuara registrando.

Bruno aumentou o volume.

Primeiro, ouviu passos.

Depois a voz de Vitória.

Baixa.

Nervosa.

"Eu já procurei no escritório."

Uma voz masculina respondeu.

O som estava ruim.

Bruno aplicou filtros.

Ouviu de novo.

Desta vez, reconheceu.

Seu corpo ficou rígido.

Ele ligou imediatamente para Alexandre.

"Senhor, venha para casa."

"Encontrou alguma coisa?"

"Encontrei um áudio."

"De quem?"

Bruno olhou para a tela.

"Da Vitória."

"E mais quem?"

Ele demorou um segundo.

"É melhor o senhor ouvir."

Alexandre chegou à mansão pouco depois.

Mariana foi com ele.

Bruno os levou para a sala de segurança.

Na tela havia apenas uma imagem escura de corredor.

"Esse trecho foi apagado."

Bruno explicou.

"Mas o áudio ficou armazenado num canal secundário."

Alexandre cruzou os braços.

"Toca."

Bruno apertou o botão.

Ruído.

Passos.

Depois Vitória.

"Ricardo, ela ainda não assinou."

Alexandre parou de respirar.

Mariana virou o rosto para ele.

O áudio continuou.

Vitória parecia irritada.

"Eu já tentei convencer. Ela desconfia de mim."

Alguns segundos de silêncio.

Então veio a voz masculina.

Clara.

Fria.

Inconfundível.

Ricardo Montenegro.

"Então faça a velha desaparecer."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia