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《A Madrasta Contratada pelo Don》Capítulo 10

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Luca não tocou no anel.

— Explique.

Nora colocou ao lado da joia o contrato pré-nupcial, uma proposta de revisão e o comprovante de salário.

— Quero continuar casada. Quero outro acordo.

Ele puxou a cadeira para ela.

— Estou ouvindo.

— Minha remuneração como cuidadora termina quando Léo entrar na escola em período integral. O dinheiro já recebido continua meu, como prometido. Minha profissão não depende desta casa. As decisões sobre Léo são conjuntas e seguem Helena. Você não acessa meus dispositivos. Eu recebo informações de segurança que afetem nossa rotina.

— E os quartos?

Nora segurou o olhar dele.

— Retiramos a proibição. Não significa convite permanente.

— Entendido.

— Você vai discutir alguma coisa?

— Estou pensando na cláusula mais importante.

— Qual?

— O que acontece quando você decidir que me ama.

— Convencido.

— Esperançoso.

Nora pegou o anel e colocou no dedo.

— Ainda estou decidindo.

Luca levantou. Parou perto o bastante para que ela sentisse o cheiro de cedro do perfume.

— Posso beijar você?

Nora esperou. Pela primeira vez, ele não preencheu o silêncio com uma ordem.

— Pode.

O beijo começou cuidadoso. Luca manteve as mãos na cintura dela, esperando qualquer recuo. Nora segurou a gola da camisa e o puxou. Quando se afastaram, Léo gritou no corredor que Augusto queimara a pipoca.

Nora encostou a testa no peito de Luca.

— Família.

— Aparentemente.

Os meses seguintes não tiveram a simplicidade de um contrato. Léo voltou da escola chorando no primeiro dia em que outro menino mencionou mães. Helena trabalhou com ele a diferença entre Isadora, que morrera, e Nora, que escolhera ficar. Luca quis retirar o filho da escola. Nora o fez esperar uma semana. No oitavo dia, Léo entrou sem segurar nenhuma mão.

No centro infantil, Nora criou oficinas para famílias com crianças que recusavam alimentos após trauma. Usava bonecos, jogos e escolhas graduais. A diretora ampliou sua carga horária e a convidou para coordenar o programa.

Luca financiou uma cozinha experimental. Nora aceitou desde que a doação fosse institucional e sem interferência. Ele assinou.

— Está aprendendo — disse ela.

— Recebo avaliação trimestral?

— Diária.

Sebastião perdeu o cargo executivo após investidores exigirem auditoria. A Ferraz Capital sobreviveu sob gestão profissional. Nora soube pela imprensa. Não comemorou. Guardou a notícia numa pasta e voltou à oficina.

A medida protetiva tornou-se definitiva depois que mensagens e imagens confirmaram a perseguição. Sebastião tentou enviar um pedido de desculpas por meio da mãe. A advogada devolveu sem abrir.

Luca também mudou a estrutura da própria casa. Reuniões violentas saíram da residência. Armas ficaram restritas à equipe externa. O terceiro andar deixou de ser mausoléu: Léo escolheu fotografias da mãe, do pai e de Nora para um corredor novo. O quarto de Isadora virou sala de música e memória, sem apagar o nome dela.

Nora manteve o próprio quarto durante cinco meses. Na sexta noite de inverno, atravessou o corredor com um travesseiro.

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Luca abriu a porta.

— Problema com a lareira?

— Não.

— Pesadelo?

— Seu ego vai estragar isso.

Ele se afastou para deixá-la entrar.

Um ano depois da noite da chuva, Augusto colocou flores na mesma sala onde Léo derrubara a sopa. Não houve centenas de convidados. Helena, Augusto, colegas de Nora e poucas pessoas escolhidas por Luca ocuparam as cadeiras.

Léo levou as alianças numa caixa junto do herói de capa vermelha.

Nora usou um vestido creme feito para seu corpo, sem costuras desenhadas para escondê-lo. Caminhou sozinha até a metade do salão. Léo correu e segurou sua mão.

— Posso levar você até o papai?

— Pode.

Luca esperava diante da lareira. Quando Nora chegou, ele não estendeu a mão até ela oferecer a sua.

— Da primeira vez, você me pagou para casar — disse ela.

— Uma negociação ruim.

— Para quem?

— Eu teria oferecido tudo se soubesse.

— Ainda bem que não sabia.

Augusto pigarreou. Helena riu na primeira fila.

Luca fez votos curtos. Prometeu contar antes de decidir, perguntar antes de proteger e voltar para o jantar quando dissesse que voltaria. Nora prometeu não desaparecer para evitar conflito e lembrar que pedir ajuda não a tornava dependente.

Léo levantou a caixa.

— Agora beija.

Eles obedeceram.

Na festa, Léo comeu sozinho, escolheu brócolis e deixou o purê. Nora não insistiu. Luca tentou oferecer uma colher, recebeu um olhar dos dois e recuou.

— Estou cercado.

— Está em família — disse Nora.

Ao anoitecer, os três saíram para o jardim. O portão principal estava aberto para os últimos convidados. Léo parou diante dele.

— Vamos até a praça?

— Agora? — perguntou Luca.

— O mundo é grande.

Nora ofereceu a mão esquerda. Luca ofereceu a direita. Léo segurou as duas e atravessou o portão entre eles.

Nenhum carro blindado foi chamado. Caminharam pela calçada, devagar, enquanto as luzes da casa diminuíam atrás das árvores.

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