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《A Madrasta Contratada pelo Don》Capítulo 8

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Nora não entrou no quarto.

— A mãe de Léo?

Luca assentiu. Pegou a fotografia e limpou a poeira com a manga.

— Isadora. Ela comprou o boneco quando estava grávida.

— Augusto disse que a última candidata tentou entrar no seu quarto.

— Tentou vender fotografias daqui. A janela era no térreo. Augusto prefere versões educativas.

Nora quase riu, mas o rosto de Luca impediu.

— O que aconteceu naquela noite?

Ele recolocou a foto.

— Uma família rival invadiu a casa de praia. Eu estava numa reunião. Isadora escondeu Léo num armário e correu para afastar os homens. Morreu no corredor. Ele ouviu tudo.

— E você trancou o andar.

— Tranquei qualquer pessoa que lembrasse ela do lado de fora.

— Inclusive seu filho.

Luca fechou os olhos por um segundo.

— Helena diz o mesmo.

— Ela está certa.

— Você sempre fala assim com homens armados?

— Só com os que pedem honestidade e entregam relatório censurado.

Luca encostou na cômoda. A postura perdeu a rigidez.

— Quando Léo recusa comida, eu volto para o quarto onde o encontrei. Quando ele atravessou o portão com você, passei uma hora esperando uma ligação dizendo que alguém tinha levado os dois.

— Você podia ter contado.

— Contar torna o risco real.

— O risco já é real.

Nora tocou o bolso onde guardava o anel.

— Se quer um casamento verdadeiro, começa com informação verdadeira. Quero saber quais áreas são seguras, quem pode chegar perto de Léo e que plano existe se algo acontecer. Helena participa. Augusto também. Nada de homens entrando armados na ala da criança.

— Você está impondo condições.

— Estou escolhendo se fico.

Luca endireitou-se.

— Amanhã, oito da manhã. Reunião de segurança. Você recebe tudo.

— Sem monitorar meu computador.

— Sem monitorar seu computador.

Nora entrou no quarto e abriu as cortinas. A luz da manhã alcançou a cama coberta.

— Léo deve escolher o que fazer com as coisas da mãe.

— Ainda não.

— Com Helena presente.

Luca olhou a fotografia.

— Com Helena presente.

A reunião durou três horas. Nora descobriu rotas de saída, nomes de seguranças e protocolos. Retirou câmeras do interior do seu quarto e do de Léo. Exigiu que qualquer ameaça fosse comunicada em linguagem apropriada à criança.

Helena aprovou a abertura gradual do terceiro andar. Léo entrou segurando as mãos dos dois. Parou diante da fotografia e reconheceu o boneco.

— Era dela?

— Era seu — disse Luca. — Ela comprou para você.

Léo colocou o herói ao lado da moldura.

— Pode ficar aqui de noite e comigo de dia.

Luca se ajoelhou e abraçou o filho. Léo permaneceu rígido por alguns segundos, depois envolveu o pescoço do pai.

Nora saiu para dar privacidade. No corredor, apoiou a cabeça na parede.

Quando voltou do primeiro dia de trabalho no centro, estava com febre. Tentou subir sem ser vista, mas Luca a encontrou agarrada ao corrimão.

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— Você está doente.

— Cansada.

Ele encostou a mão na testa dela.

— Trinta e oito, no mínimo.

— Desde quando é termômetro?

Luca a levou até o sofá, chamou o médico e preparou uma bebida quente na cozinha. Nora observou o homem mais temido de São Paulo rasgar um sachê de antigripal com os dentes.

— Isso é seguro?

— Eu sei seguir instruções.

— Evidência insuficiente.

Ele entregou a caneca e puxou uma manta sobre as pernas dela.

— Durma.

Nora acordou horas depois no próprio quarto. Luca estava na poltrona, trabalhando em silêncio. Léo dormia ao lado dela com máscara infantil para não pegar gripe.

— Vocês não precisam ficar.

— Ele insistiu — disse Luca.

— E você?

— Também.

Nora bebeu água. O anel estava sobre a mesa de cabeceira. Luca devia tê-lo encontrado no bolso ao ajudá-la a trocar o casaco.

— Não coloquei de volta — disse ele.

— Eu vi.

— Quero que use quando decidir.

Luca levantou e saiu antes que ela respondesse.

Na manhã seguinte, Nora encontrou uma mensagem de Sebastião: Estou no portão. Saia ou entro.

Ela desceu para impedir uma cena. Sebastião esperava junto à calçada, sem paletó, olheiras marcadas.

No dia anterior, Nora levara Léo à primeira visita curta à escola. Ele escolheu uma carteira próxima da porta e colocou o herói dentro da mochila. Quando a professora fechou a sala, sua mão procurou a maçaneta.

Nora abriu novamente e perguntou se ele preferia uma fresta. Léo deixou dois dedos de espaço. Ficou oito minutos, desenhou a família e saiu antes da crise.

Luca esperava no carro. Ao ver o desenho, perguntou por que aparecia longe dos outros dois.

— Você trabalha — respondeu Léo.

Naquela noite, Luca cancelou uma reunião de jantar. Sentou no tapete e pediu ao filho que desenhasse de novo. Na segunda folha, as três figuras ficaram sob o mesmo teto.

Nora guardou os dois desenhos. O primeiro mostrava o medo que ainda existia; o segundo, a possibilidade que Luca começava a construir. Na manhã seguinte, ele levou Léo à escola sem comboio visível e esperou na calçada. Quando o menino saiu, Luca não perguntou se tivera medo. Perguntou qual brinquedo escolhera. Léo respondeu por cinco minutos.

Durante a abertura do terceiro andar, Helena pediu que Luca descrevesse a mãe de Léo sem falar da morte. Ele contou que Isadora cantava mal, escondia doces no piano e havia comprado o herói antes de saber se teria menino ou menina. Léo ouviu sentado no tapete.

— Ela tinha medo? — perguntou.

— Tinha — respondeu Luca. — E mesmo assim colocou você no lugar mais seguro que encontrou.

Helena explicou que coragem podia existir junto do medo. Léo escolheu uma fotografia para o quarto e outra para a sala. Pediu que o restante continuasse ali até estar pronto.

Nos dias seguintes, Nora e Luca alternaram as visitas ao terceiro andar. Nenhum dos dois transformou o espaço em prova de amor. Léo entrava, fazia uma pergunta e saía. À noite, os pesadelos diminuíram.

Luca também compareceu a uma sessão individual. Voltou irritado, deixou o telefone na gaveta e passou vinte minutos montando o mesmo quebra-cabeça com o filho. Nora não perguntou o que Helena dissera. Quando Léo terminou a borda, Luca encostou a testa na dele e ficou assim até o menino rir.

— Você acabou com minha empresa.

— Saia daqui.

Ele agarrou o pulso dela.

— Você volta comigo hoje.

A porta da mansão se abriu. Léo correu pelos degraus.

— Solta a minha mãe!

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