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《A Madrasta Contratada pelo Don》Capítulo 7

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Nora leu a mensagem duas vezes.

A primeira regra da casa era não subir ao terceiro andar. A segunda parecia ser obedecer quando Luca mudava a primeira sem explicar.

Ela preparou café e parou diante da escada. Augusto surgiu no corredor.

— Ele mandou chamar.

— Eu sei.

— Então pode subir.

— E a candidata jogada pela janela?

— Não foi convidada.

Nora segurou a bandeja com as duas mãos. No andar superior, encontrou um corredor mais simples, sem quadros recentes. Uma porta aberta revelava o escritório de Luca. Ele estava diante da janela, sem paletó.

— Deixe ali.

Nora colocou a xícara na mesa. Havia fotografias antigas, relatórios de segurança e um desenho infantil com três figuras de mãos dadas.

— Por que me chamou?

— Para o café.

— Augusto faz café.

— Queria saber se você subiria.

— Isso é teste?

Luca se virou.

— Ontem, você saiu do carro como se eu tivesse ameaçado você.

— Você quase me beijou e recuou dizendo que bebeu.

— Eu não queria usar álcool como desculpa para ultrapassar o contrato.

— Então não use.

Ele pegou a xícara.

— Está procurando emprego.

Nora viu a tela do notebook dela impressa entre os relatórios.

— Você entrou no meu computador?

— A rede desta casa é monitorada.

— A rede, não minha vida.

— Preciso saber se pretende sair.

— Pretendo trabalhar. Está no contrato.

Luca deixou a xícara.

— O centro pertence a um grupo que não consigo proteger.

— Eu não pedi proteção lá.

— Quem carrega meu sobrenome vira alvo.

— Você me deu o sobrenome sem me dar todos os riscos.

O tom dela chamou dois homens ao corredor. Luca fechou a porta diante deles.

— Não discutimos isso aqui.

— Estamos discutindo agora.

Nora retirou o anel e colocou sobre a mesa.

— Eu não saí da casa de Sebastião para entrar numa casa maior onde outro homem lê meus formulários e decide onde posso trabalhar.

Luca olhou o anel.

— Pegue.

— Primeiro responda: sou sua esposa ou parte da segurança?

— Você é a pessoa que mantém meu filho vivo o bastante para brincar.

— Esse não é meu nome.

A porta abriu. Léo estava no corredor, esfregando os olhos.

— Vocês estão brigando?

Nora pegou o anel e se agachou.

— Estamos falando alto. Vamos resolver.

— Você vai embora?

— Hoje, não.

Luca se ajoelhou do outro lado.

— A culpa é minha. Eu li algo que não devia.

Léo olhou para o pai.

— Pede desculpa.

— Desculpa, Nora.

O menino esperou.

— E não faz de novo — completou Luca.

Léo pareceu satisfeito. Nora guardou o anel no bolso, sem colocá-lo.

Mais tarde, recebeu uma ligação do centro. A entrevista seria na semana seguinte. Nora contou a Luca durante o jantar. Ele perguntou horário e endereço, sem vetar.

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— Posso organizar segurança discreta?

— Pode sugerir. Eu aprovo o profissional.

— Certo.

Augusto observou os dois como quem via a mobília mudar de lugar sozinha.

No domingo, Sebastião ligou. Nora bloqueou o número. Dez minutos depois, outra chamada entrou.

— A Ferraz Capital está sangrando por sua causa — disse ele.

— Luca encerrou contratos antes de eu saber.

— Você sempre foi vingativa. Só escondia atrás daquela cara de coitada.

— Não me ligue novamente.

— Você vai rastejar quando o Castellano cansar do seu corpo.

Nora desligou. Léo havia escutado da porta.

— Ele falou que você é feia?

— Falou coisa de adulto que não sabe perder.

— Papai diz que homem que ofende mulher é fraco.

— Seu pai acerta de vez em quando.

Léo subiu na cadeira ao lado dela.

— Eu acho você bonita.

— Obrigada.

— E faz macarrão bom.

— Esse elogio vale mais.

Na entrevista, Nora apresentou um projeto para crianças com seletividade alimentar. Usou o caso de Léo sem identificá-lo: cartões de escolha, personagens lúdicos, participação da família e exposição progressiva. A diretora ofereceu vinte horas semanais.

Ao sair, Luca esperava dentro do carro, sozinho.

— Não precisava vir.

— Léo perguntou a cada quatro minutos.

— E você?

— A cada cinco.

Nora entrou. O anel continuava no bolso. Luca não perguntou por ele.

Naquela noite, ela passou pelo terceiro andar para devolver um livro. Uma porta no fim do corredor estava aberta. Dentro, havia um quarto infantil coberto por lençóis brancos. Sobre a cômoda, o boneco de capa vermelha aparecia numa fotografia, nas mãos de uma mulher morena.

Luca surgiu atrás dela.

— Esse andar era dela.

No caminho de volta da entrevista, Luca pediu que Nora explicasse o projeto. Ela descreveu a diferença entre fome, seletividade e medo condicionado. Ele ouviu sem interromper e perguntou quanto custaria atender famílias que não podiam pagar.

— Ainda não sei.

— Quando souber, me apresenta uma proposta. Como doação, não como favor.

— E sem meu nome numa placa.

— Negociável.

— Não.

— Então sem placa.

Ao chegarem, Léo correu para saber se ela conseguira o trabalho. Nora respondeu que ainda faltava uma etapa. Luca corrigiu o filho quando ele anunciou que o pai podia comprar a vaga.

— Sua mãe quer conquistar sozinha.

Foi a primeira vez que Luca usou a palavra sem olhar para Léo como intermediário.

Nora não corrigiu. Abriu a porta do carro e encontrou Léo esperando no degrau com o calendário nas mãos. Ele havia circulado a segunda-feira, primeiro dia de trabalho dela, e desenhado uma seta de volta para casa. Nora escreveu o horário ao lado. Luca assinou embaixo, testemunha de uma promessa que não podia cumprir por ela.

Na entrevista do centro infantil, Nora precisou explicar a lacuna no currículo. A diretora perguntou por que uma profissional formada aceitara depender financeiramente do marido.

— Porque comecei cedendo uma tarde — respondeu. — Depois cedi uma semana. Quando notei, alguém chamava minha desistência de falta de ambição.

Apresentou cartões usados com Léo, registros de peso e um protocolo revisado por Helena. Não citou Luca nem o sobrenome Castellano. A diretora marcou uma segunda conversa e pediu que Nora conduzisse uma oficina-piloto.

Na oficina, uma menina atirou o prato no chão. A mãe pediu desculpas. Nora recolheu apenas os cacos perigosos e ofereceu duas opções novas, sem forçar. A criança tocou uma fruta pela primeira vez em meses.

Quando Nora contou em casa, Luca ouviu até o fim.

— Você é boa nisso.

— Eu era antes de conhecer você.

— Continua sendo.

Ela não colocou o anel de volta, mas deixou de carregá-lo escondido e passou a mantê-lo sobre a mesa de cabeceira.

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