《Minha Mãe Comprou Passagens Para Todos… Menos Para Mim》Parte 10

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Eduardo Montenegro chegou à mansão no fim da tarde.

Não veio sozinho.

Patrícia entrou logo atrás dele.

Henrique já os esperava na sala.

Rafael estava ao lado da janela.

Gabriel permanecia perto da escada.

Vitória estava sentada ao lado de Dona Lúcia.

Quando Eduardo viu a menina, sua expressão não mudou.

"Então é isso?"

Henrique respondeu:

"É."

Eduardo tirou o paletó.

"Você transformou um problema familiar num escândalo."

Henrique deu uma risada curta.

"Não fui eu."

Eduardo ignorou.

"Rafael também está aqui?"

"Está."

"Como advogado?"

"Como testemunha de que eu não vou deixar nada ser apagado de novo."

Patrícia fechou os olhos.

"Henrique, ainda dá tempo de resolver isso sem destruir todo mundo."

Vitória abaixou a cabeça.

Henrique percebeu.

"Destruir?"

Ele apontou para a filha.

"Você passou dois anos fazendo uma menina acreditar que precisava merecer um lugar dentro da própria casa."

Patrícia respondeu:

"Eu errei."

"Errou?"

Henrique avançou um passo.

"Errar é esquecer uma data."

"É perder um compromisso."

"É falar alguma coisa no impulso."

Ele apontou para Rafael.

"Dois anos de mensagens."

"Dois anos de exclusão."

"Dois anos de mentira."

"Isso não é um erro."

Eduardo interrompeu:

"Chega desse teatro."

Dona Lúcia se levantou.

"Teatro foi o que sua filha fez durante anos."

Eduardo olhou para ela.

"Isso não é assunto seu."

Dona Lúcia riu.

"É minha neta."

Ele desviou o olhar.

Foi o suficiente para Henrique perceber.

"Fala."

Eduardo franziu a testa.

"O quê?"

"Fala o que você pensa."

"Henrique..."

"Você escreveu."

Henrique pegou algumas folhas.

"Você mandou mensagens."

"Falou de linhagem."

"Falou de patrimônio."

"Falou que Gabriel estava perdendo o que era dele."

Eduardo cruzou os braços.

"E estava."

Gabriel levantou a cabeça.

Patrícia ficou pálida.

Henrique se aproximou.

"Repete."

Eduardo sustentou o olhar.

"Seu filho biológico está sendo prejudicado."

Vitória ficou imóvel.

Henrique percebeu.

"Meu filho?"

Eduardo apontou discretamente para Gabriel.

"Seu filho."

Henrique respirou fundo.

"Eu tenho dois."

Eduardo soltou uma risada sem humor.

"Não da mesma forma."

Vitória apertou a mão de Dona Lúcia.

Gabriel avançou.

"Vô, para."

Eduardo ignorou.

Henrique perguntou:

"Qual é a diferença?"

"Você sabe."

"Não."

Henrique ergueu a voz.

"Quero ouvir."

Patrícia tentou intervir.

"Pai, chega."

Mas Eduardo já tinha escolhido continuar.

Ele olhou para Vitória.

"Ela não tem o nosso sangue."

O silêncio caiu sobre a sala.

Vitória não se mexeu.

Henrique foi imediatamente para a frente dela.

Seu corpo ficou entre Eduardo e a filha.

"Mas tem o meu sobrenome."

Eduardo riu.

"Um sobrenome colocado num documento."

Henrique endureceu.

"Não."

Eduardo abriu os braços.

"É literalmente isso."

"Uma adoção."

"Um papel."

Henrique olhou para ele.

"Não."

Sua voz saiu baixa.

"Ela tem doze anos da minha vida."

Eduardo ficou em silêncio.

Henrique continuou.

"Doze aniversários."

"Doze Natais."

"Febre de madrugada."

"Primeiro dia de escola."

"Dente caindo."

"Pesadelo."

"Apresentação."

"Boletim."

"Medo."

"Abraço."

Ele apontou para o peito.

"Ela tem doze anos aqui."

Vitória começou a chorar.

Henrique não olhou para trás.

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"Você pode pegar todos os documentos do mundo."

"Não vai apagar isso."

Eduardo apertou o maxilar.

"Sentimento não administra patrimônio."

Henrique respondeu imediatamente:

"Nem patrimônio administra família."

Rafael deu um passo à frente.

"E já que o senhor mencionou patrimônio..."

Eduardo virou o rosto.

Rafael colocou uma pasta sobre a mesa.

"Os documentos entregues por Aline dos Santos foram encaminhados para análise."

Patrícia empalideceu.

Eduardo ficou imóvel.

"Que documentos?"

Rafael abriu a pasta.

"Registros da Montenegro Serviços Logísticos."

"Contratos."

"Pagamentos."

"Documentos trabalhistas."

"E material suficiente para pedir revisão de procedimentos daquela época."

Eduardo deu uma risada fria.

"Depois de doze anos?"

"Alguns fatos podem estar prescritos."

Rafael respondeu.

"Outros podem ter consequências civis, societárias e reputacionais."

Henrique completou:

"E eu também quero saber se houve pressão ilegal sobre Aline."

Eduardo virou-se para ele.

"Você vai atacar minha família por causa dessa menina?"

Vitória fechou os olhos.

Gabriel não aguentou.

"Para de chamar ela assim."

Eduardo olhou para o neto.

"Você também?"

"Sim."

"Você não entende o que está colocando em risco."

"Entendo."

"Seu futuro."

Gabriel deu de ombros.

"Já falei."

"Não quero futuro nenhum que dependa de tratar minha irmã como intrusa."

Eduardo ficou vermelho.

"Você foi manipulado."

Gabriel riu.

"Por quem?"

"Por ela?"

Ele apontou para Vitória.

"Ela nem sabia de nada."

Eduardo ficou sem resposta.

Patrícia começou a chorar.

"Chega."

Todos olharam.

Ela se aproximou de Henrique.

"Eu fiz coisas horríveis."

Henrique não respondeu.

"Eu sei."

Ela respirou fundo.

"Mas ainda dá para consertar."

Vitória levantou os olhos.

Henrique permaneceu imóvel.

"Como?"

Patrícia hesitou.

"Voltando ao normal."

Henrique franziu a testa.

"Normal?"

"Antes de tudo explodir."

Henrique ficou incrédulo.

"Você ainda acha que existia normal?"

Patrícia começou a falar rápido.

"Eu posso mudar."

"Posso parar de ouvir meu pai."

"Posso rever tudo."

"Posso pedir desculpas."

"Posso..."

Ela olhou para Vitória.

Parou.

Henrique percebeu.

"Pode o quê?"

Patrícia apertou os lábios.

"Talvez ela pudesse ficar um tempo com sua mãe."

Dona Lúcia levantou.

"O quê?"

Patrícia continuou.

"Não para sempre."

"Só até as coisas acalmarem."

Henrique perdeu a cor.

Vitória ficou paralisada.

Gabriel soltou:

"Você não aprendeu nada."

Patrícia virou-se.

"Eu estou tentando salvar essa família."

Henrique respondeu:

"Mandando minha filha embora."

"Temporariamente."

"É assim que você chama?"

Patrícia começou a chorar.

"Henrique, olha tudo que aconteceu."

"Gabriel está contra mim."

"Você me odeia."

"Meu pai está sendo investigado."

"Nossa vida virou um inferno."

Vitória abaixou os olhos.

Henrique percebeu.

"Não coloca isso nela."

"Eu não estou colocando."

"Está."

"Você está dizendo que se Vitória sumir, o problema some."

Patrícia ficou em silêncio.

Henrique foi até a escada.

"Gabriel."

O rapaz se aproximou.

Henrique estendeu a mão para Vitória.

"Vem aqui."

Ela hesitou.

Depois levantou.

Henrique colocou Gabriel de um lado.

Vitória do outro.

Os três ficaram diante de Patrícia.

Henrique olhou para a esposa.

"Olha."

Ela chorava.

"Olha para eles."

Patrícia tentou desviar.

"Olha."

Ela obedeceu.

Henrique segurou a mão de Vitória.

Depois colocou a outra no ombro de Gabriel.

"Qual dos meus filhos você quer que eu abandone?"

Patrícia ficou sem ar.

"Henrique..."

"Qual?"

"Não faz isso."

"Você está fazendo isso há dois anos."

Ele apontou para Gabriel.

"Esse?"

Depois para Vitória.

"Ou essa?"

Patrícia começou a chorar mais forte.

"Eu amo meu filho."

Henrique ficou imóvel.

Vitória ouviu.

Gabriel também.

Henrique perguntou:

"Qual?"

Patrícia não respondeu.

"É isso que eu pensei."

Ela enxugou o rosto.

"Você está acabando com nosso casamento."

Henrique balançou a cabeça.

"Não."

"Nosso casamento acabou quando você decidiu que uma criança precisava desaparecer para proteger dinheiro."

Patrícia ficou pálida.

"Eu quero que você saia."

Ela fechou os olhos.

"Definitivamente?"

Henrique demorou.

"Sim."

Vitória apertou a mão dele.

Patrícia olhou para a menina.

Depois para Gabriel.

"Você vem comigo."

Gabriel ficou imóvel.

"Não."

"Gabriel."

"Não vou."

"Eu sou sua mãe."

"Eu sei."

"Então pega suas coisas."

Gabriel balançou a cabeça.

"Eu vou ficar com a minha irmã."

Patrícia pareceu receber outro golpe.

"Depois de tudo que eu fiz por você?"

Gabriel respondeu:

"Foi justamente por tudo que você fez."

Eduardo pegou o paletó.

"Vamos embora."

Patrícia não se mexeu.

"Patrícia."

Ela olhou mais uma vez para os filhos.

Depois para Henrique.

Nenhum deles foi até ela.

Patrícia pegou a bolsa.

Caminhou lentamente até a porta.

Eduardo saiu primeiro.

Ela parou no hall.

Virou-se uma última vez.

Henrique estava abraçado aos dois filhos.

Dona Lúcia chorava em silêncio.

Rafael recolhia os documentos.

Patrícia abriu a porta.

Deu um passo para fora.

Então ouviu uma voz atrás dela.

"Mãe."

Patrícia congelou.

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