《Quando O Bilionário Voltou A Andar, Sua Família Entrou Em Pânico》Parte 10

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Augusto leu a cláusula três vezes.

Depois fechou a pasta.

Não disse nada.

Isabela permaneceu diante dele, observando a mudança lenta em seu rosto.

Não era surpresa.

Era compreensão.

Uma compreensão amarga.

"Então era isso."

A voz dele saiu baixa.

"Vitória não precisava que Ricardo herdasse."

Isabela assentiu.

"Precisava que você saísse do caminho."

Augusto se levantou com apoio da bengala.

Caminhou até a janela.

"Meu pai colocou aquilo no testamento."

"Sim."

"Por quê?"

Dona Helena respondeu:

"Otávio confiava na família Albuquerque."

Augusto virou o rosto.

"Confiava em Vitória?"

"Na família dela."

Helena hesitou.

"Anos atrás, os Albuquerque ajudaram seu pai a evitar uma crise enorme no grupo."

Augusto apertou a bengala.

"Então ele amarrou parte do patrimônio a ela."

Sofia chegou pouco depois.

Assim que leu o documento, entendeu a gravidade.

"Se essa cláusula fosse ativada, Vitória teria controle indireto sobre uma parte enorme das ações."

Augusto perguntou:

"Quanto?"

"Com os percentuais atuais, o suficiente para influenciar qualquer sucessão."

Isabela olhou para ele.

"Agora temos motivo."

Augusto respondeu:

"Motivo não é confissão."

Sofia colocou outra pasta sobre a mesa.

"Talvez não precisemos esperar muito."

Ela havia cruzado os registros encontrados por Bruno com os acessos internos do Grupo Montenegro.

Pagamentos.

Procurações.

Fundos.

Autorizações.

Quase tudo passava perto de Vitória sem carregar diretamente seu nome.

Mas havia um padrão.

Sempre que Ricardo tomava uma decisão que favorecia o afastamento de Augusto, uma empresa ligada à família Albuquerque surgia na sequência.

"Ela estava preparando isso há anos."

Sofia falou baixo.

Augusto fechou os olhos.

"Ricardo sabia?"

"Nenhuma prova de que soubesse de tudo."

Isabela perguntou:

"Mas ele sabia dos desvios."

"Provavelmente de parte."

Augusto riu sem humor.

"Meu irmão achava que estava roubando meu lugar."

Ele abriu os olhos.

"E alguém estava roubando o dele."

Naquela mesma tarde, Ricardo foi chamado à mansão.

Chegou irritado.

"Se isso for outra acusação baseada em acesso de computador, eu não tenho mais nada a dizer."

Augusto empurrou a cópia do testamento na direção dele.

Ricardo leu.

A expressão mudou.

"De onde tirou isso?"

"Responda primeiro."

Ricardo passou os olhos pela cláusula.

"Eu nunca vi esse documento."

"Vitória viu?"

"Como eu saberia?"

Augusto se aproximou.

"Porque ela é sua esposa."

Ricardo ergueu os olhos.

"E daí?"

"Ela se torna beneficiária se eu morrer."

Ricardo ficou imóvel.

"Não."

"Está escrito."

"Isso é alguma armadilha."

Sofia respondeu:

"É uma cópia autenticada."

Ricardo continuou olhando para o papel.

O rosto começou a perder a cor.

"Ela nunca falou disso."

Augusto se inclinou sobre a mesa.

"Talvez porque você não fosse o homem que deveria ganhar."

Ricardo empurrou a cadeira para trás.

"Chega."

"Você queria meu cargo."

"Sim."

A palavra saiu explosiva.

Todos ficaram em silêncio.

Ricardo respirava pesado.

"Sim. Eu queria."

Ele apontou para Augusto.

"Passei a vida inteira atrás de você."

Augusto ficou imóvel.

"Meu pai dizia que você era mais frio, mais inteligente, mais forte."

Ricardo riu amargamente.

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"Eu era o filho mais velho e mesmo assim você herdou tudo."

Augusto respondeu:

"Eu não escolhi isso."

"Mas nunca recusou."

"Nem você recusou administrar quando eu quase morri."

Ricardo se aproximou.

"Eu achei que finalmente era minha vez."

A honestidade feriu mais do que uma mentira.

Augusto manteve a voz baixa.

"Você desviou dinheiro?"

Ricardo hesitou.

"Eu movi recursos."

"Quanto?"

"Não sei exatamente."

"Quase trezentos milhões."

Ricardo desviou o olhar.

Isabela sentiu o ambiente ficar ainda mais pesado.

"Então você participou."

Ricardo respondeu:

"Eu estava preparando uma estrutura para assumir o grupo."

Augusto ficou pálido de raiva.

"Você roubou a empresa para comprar a própria sucessão."

"Eu ia devolver."

Augusto riu.

"Você realmente acredita nisso?"

Antes que Ricardo respondesse, uma voz surgiu na porta.

"Ele sempre acreditou no que precisava acreditar."

Vitória entrou.

Vestido claro.

Salto impecável.

Rosto sereno.

Como se não estivesse entrando em uma sala onde todos finalmente tinham entendido quem ela era.

Ricardo virou.

"Vitória."

Ela olhou para o testamento sobre a mesa.

Depois sorriu.

"Então encontraram."

Augusto sentiu o corpo inteiro endurecer.

"Você sabia."

"Claro."

Ricardo deu um passo na direção dela.

"Você sabia disso?"

Vitória olhou para o marido.

"Há anos."

Ricardo pareceu receber um golpe.

"Por que nunca me contou?"

"Porque você não precisava saber."

"Eu sou seu marido."

"Era mais útil quando achava que fazia tudo sozinho."

O rosto dele desmoronou.

Augusto ficou em silêncio.

Vitória caminhou até a mesa.

"Ricardo sempre teve uma fraqueza."

Ela tocou a borda da pasta.

"Precisava provar que era melhor que você."

Ricardo cerrou os punhos.

"Você me usou."

"Eu dei a você o que sempre quis."

"Você me fez roubar meu irmão."

"Não."

Vitória sorriu.

"Você fez isso porque queria."

A frase destruiu qualquer tentativa de defesa.

Ricardo recuou.

Isabela observou Vitória.

"Foi você quem organizou o acidente?"

O sorriso dela desapareceu.

Pela primeira vez, a máscara caiu.

"Augusto não deveria ter sobrevivido."

Dona Helena levou a mão à boca.

Ricardo ficou sem ar.

Augusto não piscou.

"Você mandou mexer no carro."

Vitória respondeu:

"Eu organizei para que o carro errado chegasse às suas mãos."

"Os freios."

"Também."

Ricardo explodiu:

"Você tentou matar meu irmão?"

Vitória virou para ele.

"Você queria o lugar dele."

"Eu queria a empresa!"

Ricardo gritou.

"Não queria ele morto!"

Vitória respondeu sem emoção:

"Detalhes morais sempre aparecem tarde demais."

Ricardo parecia prestes a vomitar.

Augusto perguntou:

"E quando eu sobrevivi?"

Vitória se virou.

"Foi inconveniente."

A frieza da resposta encheu a sala.

"Então mudou o plano."

"Sim."

"Os medicamentos."

"Sim."

"Os relatórios."

"Sim."

"Rafael."

"Foi fácil."

Vitória deu de ombros.

"Homens desesperados vendem princípios muito barato."

Isabela sentiu raiva.

"E o ataque contra mim?"

Vitória olhou para ela.

"Você começou a fazer perguntas demais."

Augusto deu um passo à frente.

A bengala bateu forte no chão.

"Não olhe para ela."

Vitória sorriu.

"Finalmente."

"O quê?"

"Você encontrou alguém que consegue transformar em fraqueza."

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Augusto ficou imóvel.

"Não."

Ela inclinou a cabeça.

"Claro que sim."

Augusto respondeu:

"Ela é a razão pela qual eu parei de ser fraco."

Vitória perdeu o sorriso por um segundo.

Ricardo passou as mãos pelo rosto.

"Eu vou à polícia."

Vitória riu.

"Vai?"

Ela abriu a bolsa.

Retirou um pen drive.

Colocou sobre a mesa.

"Então leve isso."

Sofia se aproximou.

"O que tem aí?"

"Vinte anos de negócios da família Montenegro."

Augusto ficou sério.

Vitória continuou:

"Empresas de fachada."

"Propinas."

"Contratos manipulados."

"Contas fora do país."

Dona Helena fechou os olhos.

Augusto não se mexeu.

"Meu pai."

"Seu pai."

Vitória sorriu.

"E você."

Isabela olhou para Augusto.

Ele não negou.

Aquilo a assustou mais.

Vitória continuou:

"Se eu cair, o Grupo Montenegro cai comigo."

Ricardo arregalou os olhos.

"Você guardou tudo."

"Claro."

"Por quê?"

"Seguro."

Ela olhou para Augusto.

"Você sabe como funciona."

Augusto sabia.

Durante anos, aquele tipo de informação havia sido poder.

Ameaça.

Proteção.

Controle.

Vitória pegou a bolsa.

"Você tem duas opções."

Ela apontou para o pen drive.

"Entrega isso às autoridades e destrói o império que seu pai construiu."

Depois apontou para si mesma.

"Ou resolve comigo como um Montenegro sempre resolveu problemas."

O silêncio ficou sufocante.

Vitória saiu.

Ricardo permaneceu parado.

"Ela está certa."

Augusto olhou para ele.

"Sobre o quê?"

"Se isso for público, acabou."

Augusto não respondeu.

Ricardo se aproximou.

"Há outras formas."

Isabela percebeu imediatamente.

As mesmas formas antigas.

Influência.

Dinheiro.

Pressão.

Ameaça.

Talvez violência.

Augusto olhou para o pen drive.

Durante anos, aquela teria sido uma decisão simples.

Proteger o nome.

Proteger o grupo.

Enterrar a ameaça.

Naquela noite, ele ficou sozinho no jardim.

Isabela o encontrou sentado perto da piscina.

A bengala estava ao lado.

"Você sabia?"

Augusto demorou a responder.

"De algumas coisas."

"Participou?"

Ele olhou para ela.

"Sim."

A sinceridade doeu.

Isabela sentou-se diante dele.

"Até onde?"

"Contratos que eu sabia que não eram limpos."

"Pagamentos."

"Pressão política."

Ele respirou fundo.

"Eu dizia que era necessário para proteger milhares de empregos."

"E acreditava?"

"Na época, sim."

Isabela permaneceu em silêncio.

Augusto olhou para as mãos.

"Se eu entregar tudo, posso perder a empresa."

"Eu sei."

"Posso ser investigado."

"Eu sei."

"Meu sobrenome vai ser destruído."

Isabela aproximou-se.

"Talvez seja isso que precise acontecer."

Ele levantou os olhos.

"É fácil quando não é sua vida."

"Não."

Ela falou com firmeza.

"Não é fácil."

Isabela segurou a mão dele.

"Mas voltar a andar não significa voltar a ser quem você era."

Augusto ficou imóvel.

Ela continuou:

"Você passou meses tentando recuperar as pernas."

"Agora precisa decidir que homem vai usar essas pernas quando sair daqui."

A frase ficou entre os dois.

Augusto olhou para a mansão.

A casa do pai.

O império.

Tudo aquilo que havia passado a vida tentando proteger.

Depois olhou para Isabela.

"Se eu fizer isso..."

"Faça porque acredita."

Ela apertou a mão dele.

"Não por mim."

Na manhã seguinte, São Paulo acordou com a notícia.

O Grupo Montenegro estava sob suspeita de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro.

Repórteres cercaram a Faria Lima.

Câmeras aguardavam diante do Fórum João Mendes.

Pouco depois das nove, um carro preto parou diante da entrada.

Augusto desceu.

Sem cadeira de rodas.

Com a bengala.

Isabela caminhava alguns passos atrás.

Sofia vinha ao lado dos advogados.

Os jornalistas avançaram.

"Augusto!"

"O senhor conhecia os pagamentos ilegais?"

"O Grupo Montenegro financiou políticos?"

"O senhor vai proteger Ricardo?"

Augusto continuou andando.

Então uma jornalista gritou:

"O senhor vai negar as acusações contra sua família?"

Augusto parou.

Todas as câmeras se voltaram para ele.

Isabela observou em silêncio.

Ele olhou diretamente para as lentes.

"Não."

Os jornalistas começaram a falar ao mesmo tempo.

Augusto levantou a mão.

O barulho diminuiu.

Ele respirou fundo.

"Eu vim contar tudo."

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