《Quando O Bilionário Voltou A Andar, Sua Família Entrou Em Pânico》Parte 8

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Isabela não teve tempo de pensar.

Rafael agarrou seu braço e a puxou para trás de uma coluna no instante em que o carro avançou.

O veículo passou tão perto que o retrovisor atingiu Rafael e o lançou contra o concreto.

O som foi seco.

"Rafael!"

Isabela se ajoelhou ao lado dele.

O médico estava consciente, mas havia sangue escorrendo perto da sobrancelha.

O carro freou alguns metros adiante.

Por um segundo, Isabela achou que o motorista voltaria.

Então outro veículo entrou no estacionamento.

Bruno saiu antes mesmo de o carro parar.

Dois seguranças vieram atrás.

O motorista do carro preto acelerou.

Pneus cantaram sobre o concreto.

Segundos depois, desapareceu pela saída.

Bruno correu até Isabela.

"Você está ferida?"

"Não."

Ele olhou para Rafael.

"Chame uma equipe médica."

Rafael segurou o braço de Isabela.

"Não."

"Você precisa ser atendido."

"Primeiro eu preciso falar."

Bruno se aproximou.

Rafael viu o chefe da segurança.

Seu rosto perdeu a cor.

"Não aqui."

Isabela percebeu.

"Por quê?"

Rafael olhou para Bruno.

"Porque eu não sei mais em quem confiar."

Bruno ficou imóvel.

Pouco depois, Rafael foi levado para uma área reservada do Hospital São Gabriel.

O ferimento não era grave.

O ombro havia sofrido uma contusão, mas não havia fratura.

Augusto chegou menos de meia hora depois.

Quando viu Isabela, não disse nada.

Apenas segurou o rosto dela entre as mãos.

"Você está bem?"

"Estou."

"Tem certeza?"

"Augusto."

Ele respirou fundo.

"Eu pedi para você não vir."

"Agora não."

"Quase atropelaram você."

"Eu sei."

Augusto fechou os olhos.

Por um instante, parecia querer gritar.

Em vez disso, encostou a testa na dela.

"Você vai acabar comigo."

Isabela tocou sua mão.

"Eu estou aqui."

Augusto abriu os olhos.

"Por pouco."

Rafael chamou os dois.

Bruno tentou acompanhá-los.

O médico imediatamente reagiu.

"Ele não."

Augusto franziu a testa.

"Bruno trabalha para mim."

Rafael respondeu:

"É exatamente por isso."

O silêncio mudou.

Bruno encarou o médico.

"Está me acusando de alguma coisa?"

"Estou pedindo para falar com meu paciente."

Augusto fez um gesto.

"Espere lá fora."

Bruno hesitou.

Depois saiu.

Quando a porta se fechou, Augusto virou para Rafael.

"Agora fale."

Rafael respirou fundo.

"Eu alterei parte dos seus relatórios."

Augusto ficou imóvel.

Isabela já suspeitava.

Ouvir a confissão, porém, era diferente.

"Quais?"

"Os registros de resposta motora."

"Você apagou minha melhora."

"Sim."

Augusto segurou o braço da cadeira.

"Por quê?"

Rafael baixou os olhos.

"Porque fui ameaçado."

"Por Ricardo?"

O médico hesitou.

"Eu achava que sim."

Isabela se aproximou.

"Achava?"

"Os contatos nunca eram diretos."

"Mas Ricardo visitava Augusto sempre que as doses mudavam."

Rafael assentiu.

"Eu sei."

Augusto falou entre os dentes:

"Então era ele."

"Não."

Rafael ergueu os olhos.

"Ricardo pressionava para receber informações sobre sua condição. Perguntava se você voltaria a andar, quanto tempo levaria, se poderia voltar ao trabalho."

"Mas?"

"Ele nunca me mandou aumentar medicamento."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Quem mandou?"

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Rafael passou a mão pelo rosto.

"Eu não sei."

Augusto perdeu a paciência.

"Chega de dizer que não sabe."

"Os pedidos vinham por intermediários."

"Que intermediários?"

"Um fundo médico privado."

Rafael respirou fundo.

"Instituto Horizonte."

Isabela franziu a testa.

"Nunca ouvi falar."

"Porque quase não existe."

"Como assim?"

"Formalmente, financia cuidados particulares e tratamentos de alta complexidade."

Augusto percebeu.

"Pagavam você."

Rafael ficou envergonhado.

"Pagaram minha dívida."

"Que dívida?"

"Minha clínica estava quebrando."

Ele abaixou a cabeça.

"Eu devia quase dois milhões."

Augusto riu sem humor.

"Então vendeu meus prontuários por dois milhões."

"Não foi assim."

"Foi exatamente assim."

Rafael levantou a voz.

"Depois ameaçaram minha filha."

Augusto parou.

"Eu tentei sair."

O médico estava quase chorando.

"Recebi fotos dela na escola. Da minha esposa saindo de casa. Disseram que bastava continuar fazendo o que pediam."

Isabela perguntou:

"E os medicamentos?"

"Eu assinava parte das prescrições."

"Parte?"

"Algumas doses apareciam depois."

Augusto franziu a testa.

"Alguém alterava?"

"Sim."

"Quem tinha acesso?"

"Equipe de enfermagem, administração do hospital e quem controlava os pagamentos do fundo."

Isabela sentiu um arrepio.

"Precisamos descobrir quem está por trás do Instituto Horizonte."

Augusto olhou para ela.

"Vamos descobrir."

Na manhã seguinte, Sofia Braga chegou à Mansão Montenegro com uma pasta e um notebook.

Seu rosto já indicava que as notícias não eram boas.

"Encontrei o fundo."

Augusto estava no escritório com Isabela.

Bruno permanecia junto à porta.

"Continue."

"O Instituto Horizonte foi criado há cinco anos."

Sofia colocou documentos sobre a mesa.

"Passou por três empresas, duas associações e uma administradora."

"Quem é o dono?"

"Não existe um dono formal fácil de identificar."

Augusto ficou irritado.

"Então por que está aqui?"

"Porque encontrei quem autorizou pagamentos recentes."

Sofia abriu uma planilha.

"Uma empresa de segurança."

Bruno franziu a testa.

"Qual?"

Sofia não respondeu imediatamente.

Augusto percebeu.

"Sofia."

Ela virou a tela.

"BS Proteção Patrimonial."

O silêncio caiu.

Bruno ficou imóvel.

Augusto olhou para ele.

"BS."

Sofia assentiu.

"A empresa foi registrada anos atrás por Bruno Siqueira."

Isabela sentiu o estômago apertar.

Augusto não piscou.

"Isso é impossível."

Bruno deu um passo à frente.

"Eu vendi essa empresa há anos."

Sofia respondeu:

"Não oficialmente."

"Eu saí da administração."

"Mas sua assinatura ainda aparece em movimentações."

Bruno olhou para Augusto.

"Você sabe que eu nunca faria isso."

Augusto permaneceu calado.

Aquilo parecia doer mais do que qualquer suspeita contra Ricardo.

Bruno estava com ele havia mais de uma década.

Tinha sido segurança.

Confidente.

O homem que entrava primeiro quando havia perigo.

Anos antes, durante uma tentativa de assalto na saída de um restaurante nos Jardins, Bruno havia levado um tiro protegendo Augusto.

Depois do acidente, era uma das poucas pessoas que Augusto ainda permitia entrar no quarto sem avisar.

"Olhe para mim."

Bruno se aproximou.

"Eu não fiz isso."

Augusto levantou os olhos.

"Então explique sua empresa."

"Eu não posso explicar algo que não controlo."

"Seu nome está nos pagamentos."

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"Alguém está usando."

Augusto riu amargamente.

"Essa frase está ficando popular nesta família."

Bruno entendeu a referência a Ricardo.

"Você acha que eu traí você?"

Augusto não respondeu.

Bruno ficou ferido.

"Eu teria morrido por você."

"Talvez."

A palavra destruiu alguma coisa.

Bruno recuou.

"Talvez?"

Augusto fechou os olhos.

"Eu não sei mais em quem acreditar."

Bruno permaneceu alguns segundos diante dele.

Depois saiu.

Na manhã seguinte, desapareceu.

Seu celular estava desligado.

O carro não estava na garagem.

Nenhum segurança sabia onde ele tinha ido.

Augusto mandou abrir o quarto usado por Bruno na propriedade.

Dentro, encontraram pastas.

Extratos.

Cópias de documentos do Grupo Montenegro.

Fotografias.

Isabela começou a examinar o material.

Sofia encontrou uma imagem.

"Augusto."

Ela colocou a fotografia sobre a mesa.

Bruno aparecia entrando em um restaurante na região da Faria Lima.

Ao lado dele estava Ricardo.

A data impressa no canto inferior indicava a véspera do acidente.

Augusto ficou branco.

"Ele se encontrou com Ricardo."

Sofia assentiu.

"Um dia antes."

Augusto pegou a fotografia.

As mãos tremiam.

"Eu confiei nele."

Isabela observou a imagem.

Alguma coisa a incomodava.

Não eram os homens.

Era a data.

Ela aproximou a fotografia da luz.

"Espere."

Augusto olhou.

"O quê?"

Isabela apontou para um reflexo na fachada.

"Esse restaurante estava em reforma na época do acidente?"

Sofia pegou o celular.

"Posso verificar."

Minutos depois, encontrou fotos públicas antigas.

A fachada mostrada na fotografia só havia sido instalada semanas depois do acidente.

Augusto ergueu os olhos.

"Então essa foto não é da véspera."

"Não."

Isabela analisou a impressão.

"Alguém alterou a data."

Sofia ficou séria.

"Para fazer parecer que Bruno encontrou Ricardo antes do acidente."

Augusto largou a foto.

"Estão tentando me fazer desconfiar de todo mundo."

Isabela olhou para ele.

"E está funcionando."

Antes que Augusto respondesse, o telefone de Sofia tocou.

Ela atendeu.

Seu rosto mudou.

"Quando?"

Silêncio.

"Entendi."

Desligou.

Augusto perguntou:

"O que foi?"

Sofia respirou fundo.

"Ricardo convocou uma reunião extraordinária do conselho."

"Para quê?"

"Votar seu afastamento definitivo da administração."

Augusto ficou imóvel.

"Qual justificativa?"

Sofia hesitou.

"Incapacidade física."

Ela olhou para Isabela.

"E instabilidade emocional."

Augusto riu.

"Quando?"

"Amanhã, às dez."

Na manhã seguinte, a sede do Grupo Montenegro, na Faria Lima, estava cercada por jornalistas.

No último andar, os conselheiros ocuparam seus lugares.

Ricardo estava na cabeceira.

Vitória sentava-se alguns lugares adiante.

Uma cadeira permanecia vazia.

A de Augusto.

Às dez e quinze, Ricardo olhou para o relógio.

"Vamos começar."

Alberto Nogueira abriu os documentos.

"Considerando a ausência do senhor Augusto Montenegro..."

A porta da sala se abriu.

Todos olharam.

Isabela estava parada na entrada.

Ricardo franziu a testa.

Então ela deu um passo para o lado.

O som veio primeiro.

Seco.

Regular.

A ponta de uma bengala tocando o chão.

Augusto apareceu.

Em pé.

Uma mão segurava a bengala.

A outra permanecia livre.

Ele deu um passo.

Depois outro.

O esforço estava estampado no rosto.

Mas continuou.

Ninguém falou.

Um diretor se levantou.

Depois outro.

Em poucos segundos, toda a sala estava de pé.

Augusto atravessou o salão lentamente.

Passo por passo.

Até parar diante da cadeira que Ricardo havia deixado vazia.

Ricardo estava completamente pálido.

Augusto apoiou a mão sobre a mesa.

Olhou para o irmão.

E disse:

"Pode continuar a reunião."

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