《A Namorada do Milionário Tentou Ferir Seu Filho — Mas o Gravador no Avental da Governanta》Capítulo 6

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Sara saiu da sombra das árvores com o vestido rasgado nos joelhos e Leo preso ao peito.

Henrique atravessou o pátio, caiu de joelhos e segurou os dois. Retirou o filho do sling improvisado, verificou o rosto e beijou sua testa repetidas vezes.

— Vocês estão vivos.

— Eu prometi protegê-lo.

Helena aproximou dois paramédicos. Sara entregou Leo para avaliação e só então deixou que examinassem seus braços cortados.

Vitória permaneceu junto ao carro.

— Que cena comovente — disse. — Pergunte onde ela estava quando o fogo começou.

Sara retirou o gravador do bolso. O plástico estava arranhado, porém a luz vermelha continuava acesa.

— No seu telefone, a senhora falou alto.

Vitória perdeu a cor.

Sara apertou play. Primeiro surgiram passos e vento. Depois a voz nítida:

"O plano A falhou. Incendeie tudo hoje. Quero a casa no chão, com o bebê dentro."

Helena ouviu até o fim e ordenou a prisão. Vitória tentou entrar no carro; dois agentes algemaram seus pulsos.

— Isso foi montado!

— A perícia decide — respondeu Helena.

Rogério e os outros homens foram capturados na estrada do riacho. Um carregava o telefone criptografado com as mensagens de Vitória.

Sara descreveu a fuga: a grade, a varanda, a treliça e o tronco oco onde se escondera. Um perseguidor passara a menos de um metro. Leo encostara o rosto em seu ombro e permanecera quieto.

— Como voltou ao portão? — perguntou Helena.

— Eles desceram para o riacho. Eu subi pela trilha dos funcionários e segui as sirenes.

Henrique apertou a manta térmica em torno dos ombros dela.

— Você atravessou a casa em chamas com meu filho.

— Atravessei um duto. A casa estava em volta.

— Podia ter morrido.

— Ele também.

A resposta encerrou qualquer tentativa de agradecimento fácil.

No hospital, Leo recebeu oxigênio preventivo e foi liberado. Sara levou pontos no antebraço. Henrique tinha uma costela fissurada e queimaduras leves.

Durante a madrugada, os três permaneceram no mesmo quarto. Leo dormiu entre a poltrona de Sara e a cama de Henrique.

— Não volte a me trancar do lado de dentro — disse ela.

— Eu precisava tirar vocês da mira.

— Precisava confiar que eu ajudaria a decidir.

Henrique apoiou a cabeça no travesseiro.

— Tem razão.

— Essa resposta veio rápido.

— Quase perdi vocês. Algumas lições chegam sem espaço para orgulho.

Sara segurou a mão de Leo por cima do berço hospitalar. Henrique estendeu a sua do outro lado. Os dedos deles se tocaram junto ao punho do bebê.

— Vitória disse que eu queria sua vida — falou Sara. — Amanhã a imprensa vai repetir.

— Amanhã meu advogado entrega o áudio completo.

— Não quero ser transformada em santa nem em amante secreta.

— O que quer?

— Segurança para Leo. Contrato claro para mim. E que a fundação pare de tratar cuidadora como mobília.

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Henrique assentiu.

— Você vai participar de cada decisão.

Do corredor veio a notícia de que a ala oeste fora controlada. A sala clara, o piano e parte da galeria tinham sido destruídos.

Sara olhou para Leo.

— A casa pode ser refeita.

Henrique cobriu a mão dela.

— Família também?

Ela não retirou os dedos, mas deixou a pergunta sem resposta.

Pouco depois, Helena entrou no quarto com sacos de prova. O gravador havia sobrevivido, mas precisaria ser copiado antes que a bateria acabasse. Sara autorizou a retirada na presença de seu advogado.

— Eu não tenho advogado.

Henrique abriu a boca.

— A fundação vai fornecer um independente — disse Helena antes dele. — Pago pela instituição, escolhido pela senhora.

Sara assentiu.

A capitã colocou sobre a mesa o telefone de Rogério dentro de uma embalagem transparente. Na tela quebrada havia uma transferência de Vitória e uma mensagem:

A governanta usa gravador no avental. Pegue antes de queimar.

— Ela sabia do aparelho — disse Sara.

— Provavelmente ouviu você comentar o inventário — respondeu Henrique.

— Então o incêndio também servia para destruir prova.

Helena confirmou. O ferro, a bandeja e parte do sofá tinham sido resgatados antes de o teto ceder. Peritos localizaram acelerante em quatro pontos e o bloqueador junto ao quadro.

— Vitória alega que foi chamada por um funcionário e voltou para ajudar.

Sara mostrou os próprios pés enfaixados.

— Ela estava no jardim antes de a polícia chegar. Mandou dois homens atrás de mim.

— Seu depoimento será gravado amanhã. Hoje descanse.

Sara olhou Leo dormindo.

— Quando ele estiver num lugar com acesso controlado.

O hospital transferiu os três para um andar reservado. Dois policiais ficaram na porta. A equipe verificou nomes e bolsas. Sara pediu uma lista escrita de quem podia entrar.

Henrique observou enquanto ela prendia a folha à parede.

— Você ainda está trabalhando.

— Estou impedindo que a mesma coisa aconteça duas vezes.

— Deixe alguém cuidar de você.

Sara levantou o braço com pontos.

— A enfermeira cuidou. Agora preciso saber onde está Célia.

Henrique ligou para o hotel. Célia e os demais funcionários estavam seguros. O homem preso no quadro fora detido. A polícia capturara outro perto do riacho; Rogério continuava escondido.

— Enquanto ele estiver solto, ninguém anuncia onde estamos — Sara disse.

Helena concordou e proibiu boletins com localização.

Na madrugada, um alarme de equipamento tocou no corredor. Sara acordou de pé, segurando o suporte de soro como arma. Henrique abriu os olhos na cama ao lado.

— Foi uma bomba de infusão — explicou a enfermeira.

Sara soltou o metal. As mãos tremiam.

Henrique não se levantou nem tentou abraçá-la. Estendeu a palma sobre o lençol, deixando a distância para que ela escolhesse.

Sara sentou e colocou a mão na dele.

— Eu ouvi o maçarico de novo.

— Aqui é o hospital.

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— Eu sei onde estou.

Henrique permaneceu calado até a respiração dela diminuir.

Ao amanhecer, Helena recebeu uma mensagem da equipe na mata. Rogério fora encontrado numa cabine abandonada, com o telefone de Vitória, uma arma e o saldo restante do pagamento.

Sara apertou a mão de Henrique uma vez e soltou.

— Agora podemos começar a provar tudo.

O primeiro depoimento foi tomado no hospital. Sara pediu que Henrique não permanecesse na sala, evitando qualquer acusação de versões combinadas.

Ela descreveu apenas o que viu. Quando o investigador sugeriu que Vitória encostara o ferro, corrigiu:

— Vi o aparelho perto. Não vi contato com a pele.

— Isso pode enfraquecer a acusação.

— É o que aconteceu.

Na sala ao lado, Henrique deu sua versão separadamente. Os horários coincidiram. A gravação preencheu o que nenhum deles presenciara.

Quando terminaram, Sara pediu cópia do protocolo e guardou na pasta médica de Leo. Cada passo teria data, nome e responsável.

Henrique voltou apenas quando o investigador autorizou. Trouxe café, água e uma muda de roupa, deixando tudo sobre a cadeira.

— Posso ficar?

Sara olhou Leo dormindo entre eles.

— Pode. Sem responder por mim.

— Combinado.

Ele sentou no outro lado do quarto. Quando uma enfermeira pediu autorização para dar banho no bebê, Henrique esperou Sara conferir o nome no acesso antes de consentir.

O banho retirou fuligem das dobras do pescoço de Leo. Sara fotografou apenas as pequenas marcas para o prontuário, sem mostrar o rosto. Henrique assinou a autorização médica e pediu cópia dos exames.

Quando a enfermeira saiu, ele colocou o telefone no modo avião.

— A fundação pode esperar uma hora.

— Leo não vai dormir esse tempo todo.

— Então espero acordado com ele.

Sara recostou na poltrona pela primeira vez desde o incêndio. Henrique permaneceu junto ao berço, contando cada respiração sem tocar no bebê.

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