《O Segredo Dentro Do Ouvido De Mafia Boss》Capítulo 10

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Mariana sentiu o corpo inteiro gelar.

Augusto continuava diante dela, calmo, como se tivesse acabado de comentar qualquer detalhe sem importância.

Do outro lado do galpão, Gabriel olhava para a mãe sem entender.

"Você está mentindo."

Augusto ergueu as sobrancelhas.

"Eu não preciso mentir sobre Eduardo."

Mariana apertou os punhos.

"Ele foi embora."

"Foi isso que você acreditou."

"Ele abandonou a gente."

Augusto sorriu sem humor.

"Não."

Mariana ficou imóvel.

Augusto caminhou devagar até uma mesa metálica.

"Eduardo se aproximou de você porque recebeu uma ordem."

A frase doeu.

Mesmo sabendo parte da verdade, ouvir da boca daquele homem parecia pior.

"Ele trabalhava com Victor."

"Eu sei."

"Não sabe tudo."

Augusto apoiou as mãos na mesa.

"Eduardo era um dos melhores homens da Unidade 17."

Mariana respirou fundo.

"Então tudo entre nós foi falso."

"No começo."

Ela fechou os olhos.

Gabriel chamou de longe:

"Mamãe?"

Mariana virou rapidamente.

"Está tudo bem, meu amor."

Augusto soltou uma risada.

"Você ainda tenta proteger ele da verdade."

Mariana voltou para ele.

"Não fala do meu filho."

"Foi por causa dele que Eduardo perdeu o controle."

Ela ficou em silêncio.

Augusto continuou.

"Quando Eduardo entrou na sua vida, a missão era simples."

"Me vigiar?"

"Você ainda não era importante."

Mariana franziu a testa.

"Então por quê?"

"Porque você trabalhava num restaurante frequentado por pessoas que interessavam ao Projeto Vértice."

Mariana entendeu.

Ela havia sido um caminho.

Uma pessoa comum usada para aproximar Eduardo de alvos maiores.

Augusto se serviu de água como se estivesse em casa.

"Ele deveria ficar perto de você por algumas semanas."

"Mas ficou quase um ano."

"Sim."

"Por quê?"

Augusto olhou diretamente para ela.

"Porque se apaixonou."

Mariana sentiu o peito apertar.

Não queria acreditar.

Mas queria.

Talvez esse fosse o pior.

"Você está tentando mexer comigo."

"Não preciso."

Augusto bebeu um gole.

"Eduardo fez isso sozinho."

Ele continuou.

"Começou a faltar a operações."

"Questionava ordens."

"Escondia informações."

"E então você engravidou."

Mariana baixou os olhos por um segundo.

Lembrou da reação de Eduardo.

O choque.

Depois o sorriso.

Depois o abraço apertado.

Na época, acreditou que era felicidade.

"Ele queria sair."

Augusto falou.

"Victor tentou convencer ele a continuar."

"Eu também."

"Eduardo recusou."

Mariana apertou os lábios.

"Então por que ele não saiu?"

"Porque ninguém simplesmente saía."

Augusto se aproximou.

"Ele sabia demais."

Mariana olhou para Gabriel.

"Vocês ameaçaram meu filho."

Augusto sorriu.

"Eu lembrei Eduardo das consequências."

Ela perdeu o controle.

"ELE ERA UM BEBÊ!"

Gabriel se assustou.

Mariana respirou fundo e abaixou o tom.

Augusto não demonstrou nada.

"Eduardo reagiu como homens apaixonados costumam reagir."

"Fez uma estupidez."

"Qual?"

"Roubou meus arquivos."

Mariana ficou imóvel.

"Projeto Vértice."

Augusto assentiu.

"Contas."

"Pagamentos."

"Operações."

"Gravações."

"Subornos."

"Quase tudo."

Mariana entendeu.

A pulseira.

A mensagem para Isabela.

O desaparecimento.

"Ele deixou a prova com Gabriel."

"Parte dela."

Augusto corrigiu.

"Depois tentou negociar."

"Com você?"

"Sim."

"O quê?"

Augusto olhou para o menino.

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"A vida de vocês."

Mariana sentiu as lágrimas surgirem.

"Eduardo disse que entregaria o acesso se eu garantisse que você e Gabriel desapareceriam de São Paulo sem serem perseguidos."

"E você aceitou?"

Augusto sorriu.

"Eu disse que sim."

Mariana sentiu nojo.

"Então matou ele."

Augusto não respondeu imediatamente.

O silêncio respondeu por ele.

"Como?"

Ela perguntou.

"Mariana..."

"COMO?"

Augusto olhou para Gabriel.

"Não faça seu filho ouvir isso."

Ela congelou.

Gabriel estava longe.

Mas estava olhando.

Mariana engoliu as lágrimas.

"Ele morreu achando que a gente estava segura?"

Augusto ficou sério.

"Sim."

Aquilo destruiu algo dentro dela.

Durante anos, Mariana havia odiado Eduardo.

Chamado ele de covarde.

De irresponsável.

Tinha prometido a si mesma que Gabriel nunca sentiria falta de um homem que escolhera fugir.

E agora descobria que Eduardo havia morrido tentando manter os dois vivos.

Augusto percebeu a mudança.

"Agora me dê o acesso."

Mariana limpou o rosto.

"Não."

Ele sorriu.

"Então tudo isso foi inútil."

"Não."

A voz dela ficou firme.

"Eduardo morreu para impedir você."

Augusto se aproximou.

"E se você continuar resistindo, Gabriel morre também."

Mariana sentiu o ar faltar.

Um dos homens segurou o braço do menino.

Gabriel começou a chorar.

"Mamãe."

"Não toca nele!"

Augusto estendeu a mão.

"Senha."

Mariana segurou a bolsa.

"Me deixa chegar perto dele."

"Primeiro a senha."

"Eu preciso dos dados da certidão."

"Então lembra."

"Eu não lembro do horário exato."

Augusto estreitou os olhos.

Mariana continuou.

"Eduardo guardava essas coisas."

"Você é a mãe."

"E eu estava sedada depois do parto."

A mentira veio rápido.

Augusto não sabia.

Ela percebeu.

"Tenho uma foto da pulseira no celular."

Augusto olhou para um dos homens.

"Traga."

Mariana entregou o telefone.

Enquanto ele examinava, um ruído baixo vibrou em outro aparelho dentro da bolsa.

Quase imperceptível.

O transmissor que Rafael havia escondido.

Dante estava ouvindo.

Do lado de fora do perímetro, Rafael acompanhava tudo através de um fone.

Dante estava ao lado.

"Ela está enrolando."

Rafael assentiu.

"Está dando tempo."

Victor, algemado no banco traseiro de outro veículo, observava o mapa.

"Augusto vai sair pelo túnel do cais."

Dante virou.

"Que túnel?"

"Debaixo do galpão."

Rafael franziu a testa.

"Você tem certeza?"

Victor riu sem humor.

"Eu ajudei a construir as rotas."

Dante olhou para ele.

"Por que está ajudando?"

Victor demorou.

"Porque ele tentou me matar."

"Isso não é arrependimento."

"Não."

Victor encarou Dante.

"Mas talvez seja o começo."

Rafael marcou duas equipes.

"Entrada sul e acesso do cais."

Dante pegou a arma.

"Gabriel sai primeiro."

Rafael segurou o braço dele.

"Se você entrar atirando, Augusto usa o menino."

Dante sabia.

Aquilo era o pior.

Tinha força.

Homens.

Armas.

Mas nada disso servia enquanto Gabriel estivesse no meio.

Dentro do galpão, Augusto devolveu o celular.

"Última chance."

Mariana olhou para Gabriel.

Depois para o teto.

Uma lâmpada velha balançava sobre uma pilha de caixas.

Ela teve uma ideia.

"Eu preciso conectar a memória."

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Augusto fez sinal.

Um notebook foi colocado sobre a mesa.

Mariana abriu.

As mãos tremiam de verdade agora.

Augusto ficou atrás dela.

"Digita."

Mariana inseriu a unidade falsa.

A tela carregou.

Campos apareceram.

Data de nascimento.

Horário.

Código hospitalar.

Augusto sorriu.

"Finalmente."

Mariana começou a preencher.

Data.

Hospital.

Nome.

Quando chegou ao horário, parou.

"Não lembro."

Augusto perdeu a paciência.

"Mariana."

"Foi de manhã."

"Que horas?"

"Não sei."

Ele se inclinou.

"Se errar três vezes, o sistema apaga."

Mariana olhou para ele.

"Então não me pressiona."

Augusto apertou a mandíbula.

Ela digitou um horário.

Erro.

Gabriel começou a chorar mais forte.

"Mamãe..."

Mariana sentiu o coração quebrar.

"Eu estou aqui."

Augusto apontou para o computador.

"De novo."

Ela digitou outro.

Erro.

Restava uma tentativa.

Augusto perdeu a calma.

"Se você errar agora..."

Mariana se levantou de repente.

"EU PRECISO OLHAR PRA ELE."

Augusto recuou por reflexo.

Foi o segundo que ela precisava.

Mariana empurrou a mesa.

O notebook caiu.

Ela acertou a lâmpada com a bolsa.

Vidro explodiu.

A área mergulhou em escuridão.

"AGORA!"

Ela gritou.

As portas laterais explodiram.

Rafael entrou com a equipe.

Dante veio pelo outro lado.

Augusto agarrou Gabriel.

Colocou uma arma junto ao corpo do menino.

"PARA!"

Todos congelaram.

Dante levantou as mãos.

"Augusto."

"Joga a arma."

Dante deixou cair.

Mariana ficou alguns metros à frente.

Gabriel chorava.

"Mamãe."

Ela olhou para ele.

"Olha pra mim."

Augusto apertou o menino.

"Não chega mais perto."

Mariana continuou olhando para Gabriel.

"Meu amor, lembra da brincadeira do gato?"

Gabriel soluçou.

"Quietinho?"

"Isso."

Augusto franziu a testa.

"O que você está fazendo?"

Mariana deu outro passo.

"Eu disse para não chegar."

Ela parou.

"Gabriel."

O menino olhou.

"Quando a mamãe falar agora, você abaixa."

Augusto percebeu tarde demais.

"Não..."

"AGORA!"

Gabriel se jogou para baixo.

Mariana avançou e atingiu o braço de Augusto com a bolsa.

O disparo foi para o teto.

Dante correu.

Rafael derrubou Augusto no chão.

Mariana puxou Gabriel.

O menino se agarrou nela.

"Mamãe!"

"Eu estou aqui."

Ela chorava.

"Eu estou aqui."

Dante segurou Augusto pelo colarinho.

Durante um segundo, parecia capaz de matar o próprio tio.

Augusto sorriu, mesmo imobilizado.

"Vai."

Dante apertou o punho.

"Faz."

Rafael gritou.

"Dante."

Ele ficou parado.

Depois soltou Augusto.

"Não."

Augusto pareceu surpreso.

Dante olhou para os policiais entrando.

"Você vai viver para ouvir cada coisa que fez ser dita em público."

Augusto foi algemado.

Nas semanas seguintes, o caso explodiu.

O Fórum João Mendes ficou cercado de jornalistas.

Gravações foram apresentadas.

Contas no exterior.

Pagamentos a policiais.

Juízes.

Executivos.

Funcionários do Hospital São Gabriel.

A ligação entre Victor, Augusto e a Unidade 17.

A manipulação da audição de Dante.

O desaparecimento forçado de Isabela.

A perseguição contra Mariana.

E a morte de Eduardo.

Henrique foi localizado tentando deixar o país.

Ele confessou ter assinado documentos falsos sob ordens de Augusto.

Victor aceitou colaborar.

Em troca, não recebeu liberdade.

Recebeu apenas a possibilidade de uma pena menor.

Mariana assistiu a uma das audiências segurando Gabriel pela mão.

Quando o promotor falou de Eduardo, ela abaixou a cabeça.

Pela primeira vez, não sentiu raiva.

Sentiu luto.

Depois da sessão, Dante saiu acompanhado por Rafael.

Tudo parecia ter terminado.

Augusto estava preso.

O Projeto Vértice havia sido desmontado.

Isabela e Lucas poderiam voltar a viver sem se esconder.

Mariana poderia finalmente levar Gabriel para casa.

Então um agente se aproximou.

"Dante."

Ele virou.

"Victor pediu para falar com você."

Dante ficou sério.

"Sobre o quê?"

"Disse que só fala pessoalmente."

Minutos depois, Dante entrou numa sala reservada do fórum.

Victor estava algemado.

Mais magro.

Sem o terno impecável.

Sem poder.

Sem arrogância.

Dante sentou à frente dele.

"Fala."

Victor levantou os olhos.

"Ainda falta uma gravação."

Dante franziu a testa.

"Sobre Augusto?"

Victor balançou a cabeça.

"Não."

Dante esperou.

Victor respirou fundo.

"Sobre seu pai."

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