《O Segredo Dentro Do Ouvido De Mafia Boss》Capítulo 8

PUBLICIDADE

Às sete e dez da manhã, a primeira manchete já estava em todos os portais.

"DANTE MONTENEGRO ESTÁ EM CONDIÇÕES DE COMANDAR O GRUPO?"

Às sete e vinte e três, surgiu outra.

"Herdeiro enfrenta crise após anos de problemas de saúde."

Às oito, a história já havia mudado.

"Dante Montenegro teria ameaçado funcionários armados dentro da própria mansão."

Mariana leu tudo no celular sem conseguir acreditar.

Cada nova notícia parecia pior.

Algumas usavam fotos antigas.

Outras mostravam imagens da noite do jantar.

Dante saindo apressado.

Seguranças armados.

Carros deixando a propriedade.

Nenhuma dizia uma palavra sobre o dispositivo retirado da orelha dele.

Nenhuma falava de Victor.

Nenhuma falava de Augusto.

Na propriedade segura, Gabriel e Lucas tomavam café em uma mesa pequena enquanto Isabela assistia televisão em silêncio.

Na tela, Augusto Montenegro aparecia diante de dezenas de jornalistas.

Terno escuro.

Gravata impecável.

Expressão de preocupação perfeitamente ensaiada.

"Minha prioridade sempre foi proteger minha família e os milhares de funcionários do Grupo Montenegro."

Mariana apertou o celular.

Isabela ficou pálida.

Augusto continuou.

"Meu sobrinho passou por problemas graves de saúde nos últimos três anos."

Ele fez uma pausa.

"Infelizmente, os acontecimentos recentes indicam que seu estado emocional também exige atenção."

Mariana soltou uma risada amarga.

"Ele está fazendo Dante parecer louco."

Isabela não respondeu.

Na televisão, um jornalista perguntou:

"Senhor Augusto, o senhor está dizendo que Dante Montenegro representa um risco?"

Augusto suspirou.

"Estou dizendo que uma empresa desse tamanho não pode depender das condições emocionais de uma única pessoa."

Mariana olhou para Isabela.

"Isso já estava preparado."

"Sim."

"Ele nem esperou Dante reagir."

"Porque sabia que Dante encontraria alguma coisa."

Isabela olhou para a tela.

"Augusto nunca joga depois do adversário."

Em São Paulo, Dante assistia à mesma coletiva no escritório da Mansão Montenegro.

Rafael estava ao lado dele.

Ninguém falava.

Augusto apareceu novamente.

"Por esse motivo, convoquei uma reunião extraordinária do conselho para esta tarde."

Dante desligou a televisão.

Rafael respirou fundo.

"Se você não for, ele usa como prova."

"Eu vou."

"Ele quer você nervoso."

"Eu sei."

"Vai provocar."

"Eu sei."

"Vai falar de Isabela."

Dante ficou em silêncio.

Rafael percebeu.

"É exatamente isso que ele quer."

Dante levantou os olhos.

"Então ele vai descobrir que eu aprendi alguma coisa nesses três anos."

Rafael franziu a testa.

"O quê?"

Dante pegou o paletó.

"Que silêncio também pode ser uma arma."

Às duas da tarde, o prédio do Grupo Montenegro na Avenida Paulista estava cercado de jornalistas.

Dante entrou pela garagem.

Mesmo assim, câmeras apareceram de todos os lados.

"Dante!"

"É verdade que você ameaçou Victor Ferraz?"

"Você está afastado da presidência?"

"Augusto vai assumir?"

Dante não respondeu.

Entrou no elevador com Rafael.

No último andar, os principais acionistas já estavam reunidos.

Augusto estava sentado na cabeceira.

Lugar que pertencia a Dante.

Dante parou na porta.

A sala ficou em silêncio.

Augusto levantou os olhos.

"Você veio."

Dante entrou.

PUBLICIDADE

"Essa cadeira é minha."

Augusto permaneceu sentado.

"Hoje, não."

Alguns conselheiros desviaram o olhar.

Dante percebeu.

"Levanta."

Augusto sorriu.

"Esse é exatamente o comportamento que me preocupa."

Dante ficou parado.

Rafael observava perto da porta.

Augusto apontou para uma cadeira lateral.

"Sente-se."

Dante não obedeceu.

"Você chamou o conselho para discutir minha saúde ou para tentar roubar minha empresa?"

Um murmúrio percorreu a sala.

Augusto continuou calmo.

"Nossa empresa."

"Não."

Dante se aproximou.

"Meu pai deixou o controle comigo."

"Seu pai deixou responsabilidades."

Augusto cruzou as mãos.

"E responsabilidades exigem estabilidade."

Dante riu sem humor.

"Você quer falar de estabilidade?"

"Quero falar de três anos de decisões tomadas por um homem que não conseguia ouvir."

A frase caiu pesada.

Alguns conselheiros olharam para Dante.

Augusto percebeu.

"E agora esse mesmo homem invade propriedades, persegue funcionários e circula acompanhado por homens armados."

Dante sentiu a raiva subir.

Mas não respondeu imediatamente.

Augusto esperou.

Queria uma explosão.

Dante sorriu.

"Terminou?"

Augusto perdeu o sorriso por um instante.

"Não."

Ele abriu uma pasta.

"Temos relatórios médicos."

Dante olhou.

"De Henrique Vasconcelos?"

Augusto hesitou.

Foi mínimo.

Mas Dante viu.

"Interessante."

Augusto retomou o controle.

"Os relatórios indicam episódios de estresse severo."

"Henrique desapareceu hoje."

O ambiente mudou.

Augusto ficou imóvel.

Dante continuou.

"Quer explicar?"

"Não tenho responsabilidade sobre os médicos que você escolhe."

"Tem certeza?"

Augusto fechou a pasta.

"Isso não muda o problema."

"Qual problema?"

"Você."

Dante inclinou a cabeça.

Augusto se levantou.

"Você acredita que todos ao seu redor conspiraram."

Dante encarou.

"Nem todos."

"Victor."

"Sim."

"Henrique."

"Talvez."

"Eu."

Dante sorriu.

"Principalmente você."

Alguns conselheiros se mexeram.

Augusto abriu os braços.

"Estão vendo?"

Dante não reagiu.

"Um homem convencido de que a própria família quer destruí-lo."

Então Augusto apertou um controle.

A tela ao fundo acendeu.

Uma fotografia apareceu.

Isabela.

Viva.

Com Lucas.

Dante sentiu o corpo endurecer.

Augusto observou.

"Talvez devêssemos falar disso."

Dante não respondeu.

Um conselheiro se inclinou.

"Isabela está viva?"

Outro falou.

"Você sabia?"

Dante olhou para Augusto.

"Você sabia."

Augusto ignorou.

"A senhorita Isabela Duarte foi declarada morta há três anos."

Outra imagem apareceu.

Uma casa.

Uma conta bancária.

Documentos.

"E ainda assim viveu escondida usando outro nome."

Dante apertou a mandíbula.

Augusto continuou.

"Existe uma investigação interna sobre transferência irregular de patrimônio."

"Mentira."

"Então explique."

Dante levantou a voz.

"Ela estava escondida porque foi ameaçada."

Augusto fez exatamente a expressão que queria.

Preocupação.

"Por quem?"

Dante ficou em silêncio.

Augusto abriu as mãos.

"Está vendo?"

Um dos conselheiros falou.

"Dante, se existe prova..."

"Existe."

"Então apresente."

Dante não podia.

Ainda não.

Os arquivos de Eduardo precisavam ser preservados.

Validados.

Copiados.

Entregá-los ali significaria revelar tudo antes de saber quem estava comprado.

Augusto percebeu a hesitação.

E atacou.

"Você não tem prova."

Dante olhou para ele.

"Tenho mais do que você imagina."

Augusto sorriu.

"Então talvez devesse mostrar antes que o conselho decida seu afastamento temporário."

A palavra atingiu a sala.

PUBLICIDADE

Afastamento.

Dante finalmente entendeu.

Augusto não queria apenas controlar a narrativa.

Queria tirar o poder formal dele.

Naquela mesma tarde.

Mariana viu a notícia chegar ao celular.

"CONSELHO PODE AFASTAR DANTE MONTENEGRO."

Logo abaixo havia outra.

E essa tinha sua fotografia.

Uma imagem tirada na porta da Mansão Montenegro.

"FUNCIONÁRIA TERIA USADO FILHO PARA SE APROXIMAR DE BILIONÁRIO."

Mariana sentiu o sangue ferver.

Abriu.

O texto insinuava que ela havia levado Gabriel propositalmente ao evento.

Que buscava acesso ao patrimônio de Dante.

Que depois da descoberta de Isabela, teria se aproximado ainda mais.

Mariana jogou o celular sobre a mesa.

"Filhos da mãe."

Isabela se aproximou.

"Não leia."

"Estão dizendo que eu usei meu filho."

"É isso que Augusto quer."

"Eu sei."

Mariana pegou o aparelho novamente.

"Mas ele escolheu a pessoa errada."

Horas depois, Dante voltou para a propriedade.

O conselho não havia conseguido votos suficientes para afastá-lo imediatamente.

Mas Augusto conseguira abrir um processo interno.

E a imprensa já tratava Dante como um homem prestes a cair.

Ele entrou na sala.

Mariana estava esperando.

Dante tirou o paletó.

"Não quero discutir."

"Ótimo."

Ele olhou para ela.

"Então o que quer?"

Mariana colocou o celular sobre a mesa.

A manchete estava aberta.

Dante leu.

Seu rosto endureceu.

"Eu vou tirar isso do ar."

"Não."

Dante olhou novamente.

"Não?"

Mariana respirou fundo.

"Se tirar uma matéria, aparecem dez."

"Posso processar."

"E eles vão dizer que você está tentando calar a imprensa."

Dante ficou quieto.

Ela se aproximou.

"Você sabe lutar com homens armados."

"Sim."

"Sabe fechar portões."

"Sim."

"Sabe mandar gente investigar."

Dante franziu a testa.

"Mariana..."

"Mas você não pode atirar numa mentira publicada às oito da manhã."

A frase fez Dante parar.

Mariana continuou.

"Augusto sabe disso."

Ela pegou o celular.

"Ele não precisa provar que você é louco."

"Basta repetir até as pessoas acreditarem."

"Exatamente."

Dante passou a mão pelo rosto.

"Então o que você sugere?"

Mariana ficou diante dele.

"Se eles estão usando mentiras, nós vamos destruir tudo com a verdade."

Dante a encarou.

"E como?"

"Parando de reagir."

Ela apontou para os arquivos.

"E começando a contar a história antes deles."

Dante ficou em silêncio.

Mariana continuou.

"Você tem Isabela."

"Tem o dispositivo."

"Tem registros."

"Tem a assinatura de Henrique."

"Tem o chip que Eduardo deixou."

Ela respirou fundo.

"E tem Gabriel."

Dante olhou para o menino.

Mariana completou.

"Augusto está com medo."

"Então precisamos descobrir do quê."

Rafael apareceu na porta.

"Talvez eu tenha alguém que saiba."

Dante se virou.

Rafael estava sujo.

Havia sangue seco na camisa.

"O que aconteceu?"

"Nós achamos Victor."

A sala inteira ficou imóvel.

Dante deu um passo.

"Vivo?"

"Sim."

"Traga."

Poucos minutos depois, dois seguranças entraram.

Victor caminhava entre eles.

Estava machucado.

Um corte atravessava a sobrancelha.

A camisa estava rasgada.

Uma das mãos parecia quebrada.

Mariana puxou Gabriel para perto.

Victor viu.

E sorriu.

Dante avançou.

"Quem fez isso?"

Victor sentou com dificuldade.

"Seu tio."

Dante parou.

"Por quê?"

"Porque eu falhei."

"Em me manter surdo?"

"Entre outras coisas."

Victor cuspiu sangue em um lenço.

"Augusto não gosta de falhas."

Dante se aproximou.

"Você vai contar tudo."

Victor riu.

"Agora você quer ouvir minha voz?"

Dante segurou a gola dele.

"Eu quero saber o que ele vai fazer."

Victor perdeu o sorriso.

"Você ainda acha que a guerra é pelo Grupo Montenegro."

Dante soltou devagar.

"Não é?"

Victor olhou para Isabela.

Depois para Lucas.

Então para Mariana.

Por último, para Gabriel.

O olhar demorou.

Mariana percebeu.

Ficou na frente do filho.

Victor respirou fundo.

"Augusto nunca confiou em ninguém."

Dante franziu a testa.

"Nem em você?"

"Principalmente em mim."

"Então?"

"Ele sempre tinha um plano caso eu falhasse."

Rafael se aproximou.

"Qual?"

Victor olhou novamente para Gabriel.

Mariana sentiu o corpo inteiro ficar frio.

Dante percebeu.

"Augusto não quer mais o império."

Victor ficou em silêncio.

Dante deu outro passo.

"Então o que ele quer?"

Victor levantou os olhos.

"O menino."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia