《O Segredo Dentro Do Ouvido De Mafia Boss》Capítulo 7

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Mariana releu a mensagem de Eduardo pela quinta vez.

"Gabriel é a única prova que pode destruir Augusto."

Do outro lado da sala, o menino brincava com Lucas como se nada tivesse acontecido.

Dois carrinhos corriam pelo tapete.

Duas crianças riam.

E quatro adultos tentavam entender por que um dos homens mais poderosos do país poderia ter medo de uma criança de três anos.

Mariana apertou o celular antigo entre os dedos.

"Eu quero saber o que isso significa."

Isabela balançou a cabeça.

"Eu já disse tudo o que sei."

"Não."

Mariana olhou para ela.

"Você disse que Eduardo tentou proteger Gabriel. Não disse por que Augusto queria meu filho."

Dante permanecia perto da janela.

Desde que descobrira o nome do tio, algo nele havia mudado.

A raiva não desaparecera.

Tinha se tornado mais fria.

Mais perigosa.

"Talvez Gabriel não seja a prova."

Rafael falou.

Mariana virou.

"Como assim?"

"Talvez Eduardo estivesse falando de alguma coisa ligada a ele."

"Que coisa?"

Rafael não respondeu.

Mariana olhou novamente para o filho.

Por alguns segundos, um pensamento absurdo atravessou sua cabeça.

Uma possibilidade que ela não queria sequer formular.

Dante percebeu.

"O que foi?"

"Nada."

"Mariana."

Ela respirou fundo.

"Eduardo mentiu sobre o próprio nome."

Dante esperou.

"Mentiu sobre o trabalho."

A voz dela começou a tremer.

"Mentiu sobre o motivo de ter se aproximado de mim."

Isabela entendeu antes dos outros.

"Você está pensando na paternidade."

Mariana fechou os olhos.

"Eu não sei mais no que acreditar."

Dante virou completamente para ela.

"Gabriel não é meu filho."

Mariana abriu os olhos.

"Eu não disse que era."

"Mas pensou."

Ela não negou.

Dante se aproximou.

"Eu nunca tinha visto você antes de trabalhar na minha casa."

"Eu sei."

"Então não coloque mais uma mentira na sua cabeça antes de termos alguma prova."

Mariana riu amargamente.

"É fácil falar quando descobri nas últimas horas que quase tudo o que eu sabia sobre o pai do meu filho era falso."

Gabriel olhou para a mãe.

Mariana abaixou imediatamente a voz.

"Desculpa."

Lucas empurrou um carrinho na direção de Gabriel.

Os dois voltaram a brincar.

Isabela se aproximou.

"Eduardo amava Gabriel."

Mariana a encarou.

"Como você sabe?"

"Porque a única vez que vi Eduardo realmente apavorado foi quando ele falou sobre o que Augusto poderia fazer com vocês."

Mariana sentiu os olhos arderem.

"Então por que ele não me contou?"

"Talvez tenha contado."

A frase veio de Rafael.

Todos olharam para ele.

Mariana franziu a testa.

"Eu lembraria."

"Não necessariamente com palavras."

Rafael apontou para a mensagem.

"Um homem treinado em inteligência não deixaria uma prova importante em um lugar óbvio."

Dante concordou.

"Se Eduardo roubou alguma coisa de Augusto, ele precisava esconder."

"Com Gabriel?"

Mariana ficou indignada.

"Ele era um bebê."

"Não dentro dele."

Dante respondeu.

"Perto dele."

Mariana congelou.

Uma lembrança surgiu.

Pequena.

Quase insignificante.

Ela olhou para o pulso de Gabriel.

Não havia nada ali.

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"Meu Deus."

Dante percebeu.

"O quê?"

Mariana foi até a mochila do filho.

Abriu.

Procurou entre roupas, biscoitos e brinquedos.

Nada.

"Mariana?"

"Uma pulseira."

Ela continuou procurando.

"Que pulseira?"

"Eduardo deu para Gabriel quando ele nasceu."

Isabela se aproximou.

"Você ainda tem?"

"Tenho."

Mariana parou.

"Mas não está aqui."

Dante franziu a testa.

"Onde?"

"No apartamento."

Rafael imediatamente falou:

"Você não vai voltar para Vila Mariana."

"Eu preciso daquela pulseira."

"Se Augusto vigiava sua rotina, seu apartamento pode estar sendo observado."

Mariana fechou a mochila.

"Então mande alguém buscar."

Rafael olhou para Dante.

Dante assentiu.

"Equipe discreta."

Mariana pegou o celular.

"Ela está numa caixa de madeira dentro do meu guarda-roupa."

Rafael transmitiu as instruções.

A espera pareceu interminável.

Duas horas depois, um carro entrou na propriedade.

Um segurança apareceu carregando uma pequena bolsa lacrada.

Mariana abriu.

Dentro havia uma caixa simples.

Ela retirou uma pulseira infantil de prata.

Era pequena demais para servir em Gabriel agora.

No fecho havia uma placa retangular com uma letra gravada.

G.

Mariana passou o dedo sobre ela.

"Eduardo colocou no pulso dele no hospital."

A voz ficou mais baixa.

"Eu achei que fosse só um presente."

Dante pegou a pulseira.

Virou.

"Isso é pesado."

Mariana franziu a testa.

"Sempre foi."

Rafael examinou.

"Tem uma abertura."

"Não tem."

"Tem."

Ele pegou uma pequena ferramenta.

Mariana ficou tensa.

"Cuidado."

Rafael pressionou a lateral.

Nada.

Girou o fecho.

Um pequeno estalo.

A placa se abriu.

Mariana levou a mão à boca.

Dentro havia uma peça escura menor que uma unha.

Dante ficou imóvel.

"Memória."

Rafael assentiu.

"Provavelmente."

Mariana sentou-se.

Durante três anos, aquele objeto estivera guardado dentro do armário.

Ela havia pensado em vender a pulseira quando faltou dinheiro.

Nunca conseguiu.

Era uma das poucas coisas que Gabriel tinha do pai.

Agora entendia por quê.

"Eduardo deixou isso comigo."

"Com Gabriel."

Dante corrigiu.

Mariana olhou para o filho.

A mensagem ganhou outro significado.

Gabriel era a única prova.

Não por causa do sangue.

Não porque escondesse algum parentesco impossível.

Mas porque Eduardo havia colocado a prova literalmente no primeiro presente que dera ao filho.

Rafael levou a memória para os técnicos.

O conteúdo estava criptografado.

Foram necessárias quase três horas para abrir a primeira pasta.

Quando conseguiram, Dante chamou todos.

A tela mostrou dezenas de arquivos.

Nomes.

Contas bancárias.

Fotografias.

Relatórios.

Gravações.

No topo aparecia:

PROJETO VÉRTICE.

Rafael abriu o primeiro documento.

Seu rosto mudou.

"Isso é muito maior do que Victor."

Dante se aproximou.

"Leia."

"Empresas concorrentes."

Rafael rolou.

"Políticos."

Mais abaixo.

"Juízes."

"Delegados."

"Executivos."

Mariana sentiu o estômago revirar.

Havia relatórios sobre pessoas que jamais haviam pisado na Mansão Montenegro.

Escutas em escritórios.

Carros monitorados.

Telefones clonados.

Informações íntimas usadas para chantagem.

Dante apontou para uma coluna.

"Responsável operacional."

Rafael leu.

"Unidade 17."

Victor.

Outro documento mostrava pagamentos feitos por empresas de fachada.

No final de cada cadeia financeira apareciam fundos ligados a Augusto Montenegro.

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Isabela fechou os olhos.

"Eu sabia."

Dante não reagiu.

"Continua."

O técnico abriu uma pasta chamada TESTES.

Mariana ficou pálida.

Havia diagramas de dispositivos minúsculos.

Alguns eram parecidos com a peça retirada da orelha de Dante.

Rafael leu.

"Interferência auditiva localizada."

Dante ficou imóvel.

"Então eu fui um teste."

O técnico abriu outro relatório.

"Não exatamente."

"Como assim?"

"Os primeiros testes foram feitos antes."

Dante encarou a tela.

"Em quem?"

O homem hesitou.

"Não há nomes. Só códigos."

Mariana sentiu náusea.

Dante não desviou os olhos.

"Meu tio estava testando isso em pessoas."

Ninguém respondeu.

A resposta estava diante deles.

Dante bateu a mão na mesa.

"Eu quero cópia de tudo."

"Já estamos fazendo."

"Três cópias."

Rafael assentiu.

"Uma fica comigo."

Dante continuou.

"Uma vai para um advogado fora do Grupo Montenegro."

"E a terceira?"

"Se alguma coisa acontecer comigo, vai para a imprensa."

Isabela olhou para ele.

"Augusto vai perceber."

"Ótimo."

Dante respondeu.

"Quero que ele perceba que acabou."

O técnico interrompeu.

"Tem outra pasta importante."

Ele abriu registros financeiros.

Pagamentos feitos três anos antes.

Hospital São Gabriel.

Datas próximas ao período em que Dante esteve internado.

Rafael aproximou-se.

"Esses valores foram para funcionários do hospital."

"Suborno."

Mariana falou.

"Provavelmente."

Dante percorreu os nomes.

Enfermeiros.

Um técnico.

Um funcionário administrativo.

Então uma assinatura apareceu no final da autorização.

Dante parou.

"Amplia."

O técnico aumentou.

Todos ficaram em silêncio.

DR. HENRIQUE VASCONCELOS.

Mariana sentiu um frio atravessar o corpo.

"Henrique?"

Dante não respondeu.

O homem que examinara sua orelha.

O homem que dissera não reconhecer o dispositivo.

O médico que cuidava dele havia anos.

Isabela deu um passo para trás.

"Ele estava envolvido."

Dante ainda encarava a assinatura.

"Ou alguém queria que parecesse."

Rafael olhou para ele.

"Você ainda confia nele?"

Dante demorou.

"Eu não confio mais em ninguém sem verificar."

Ele pegou o telefone.

"Vamos voltar para São Paulo."

Isabela ficou alarmada.

"Agora?"

"Se Henrique participou, ele sabe que o dispositivo foi descoberto."

"Augusto pode estar esperando você."

Dante olhou para Lucas.

Depois para Gabriel.

"É por isso que vocês ficam aqui."

Mariana se levantou.

"Não."

"Você não vai comigo."

"Henrique examinou meu filho naquela mansão."

"Por poucos minutos."

"Isso já é demais."

Dante aproximou-se.

"Augusto passou três anos esperando eu ficar vulnerável."

A voz dele estava firme.

"Eu não vou levar Gabriel para perto dele."

Mariana queria discutir.

Olhou para o filho.

Desistiu.

"Traga respostas."

Dante assentiu.

"Eu vou trazer."

Horas depois, Dante e Rafael entraram novamente em São Paulo.

Foram direto para a clínica particular de Henrique, próxima à Avenida Paulista.

As portas estavam destrancadas.

A recepção estava vazia.

"Doutor Henrique?"

Rafael chamou.

Nenhuma resposta.

Dante entrou no corredor.

Um cheiro forte surgiu.

Queimado.

Eles correram até o escritório.

A porta estava aberta.

Pastas estavam espalhadas pelo chão.

Uma lixeira metálica ainda soltava fumaça.

Documentos haviam sido queimados às pressas.

Rafael tocou as cinzas.

"Recente."

Dante olhou ao redor.

"Henrique!"

Nada.

O computador havia desaparecido.

As gavetas estavam abertas.

Um armário estava vazio.

Rafael verificou a sala ao lado.

"Ele fugiu."

Dante ficou parado no centro do escritório.

Então viu alguma coisa na parede.

Letras grandes.

Escritas com tinta preta.

Rafael voltou.

Parou ao lado dele.

Nenhum dos dois falou durante alguns segundos.

A mensagem dizia:

"AUGUSTO SABE QUE VOCÊS ENCONTRARAM GABRIEL."

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