《O Segredo Dentro Do Ouvido De Mafia Boss》Capítulo 6

PUBLICIDADE

O vidro ainda caía quando Rafael puxou Mariana para trás da parede de pedra.

Gabriel chorava agarrado ao pescoço da mãe.

Do outro lado da sala, Dante estava abaixado sobre Lucas, protegendo o menino com o próprio corpo.

"Todo mundo para os fundos!"

Rafael apontou para uma porta estreita perto da cozinha.

Dois seguranças responderam aos tiros pelas janelas.

A casa inteira parecia estremecer.

Isabela se arrastou pelo chão até Dante.

"Tem uma saída atrás da despensa."

"Você sabia que isso podia acontecer?"

Ela não respondeu.

Dante percebeu.

"Isabela."

Outro disparo atravessou a parede.

Ela fechou os olhos.

"Depois."

Dante não gostou.

Mas não havia tempo.

Rafael abriu a porta dos fundos.

"Vamos!"

Mariana correu segurando Gabriel.

Isabela puxou Lucas.

Dante ficou por último.

O grupo atravessou um corredor curto e saiu para uma área coberta atrás da casa.

A neblina da manhã escondia parte do terreno.

Os tiros continuavam vindo da mata.

Rafael levou todos até uma garagem lateral.

"Carro blindado."

Um segurança abriu a porta de uma SUV.

Mariana colocou Gabriel no banco.

Isabela entrou com Lucas.

Dante olhou para trás.

Uma silhueta surgiu entre os pinheiros.

Ele levantou a arma.

O homem atirou primeiro.

A bala atingiu a lateral do veículo.

Dante respondeu.

A figura caiu.

Rafael correu até ela.

"Entra!"

Dante não se moveu.

"Quero saber quem é."

"Dante, agora não."

"Quero saber."

Rafael xingou baixo.

"Trinta segundos."

Os dois avançaram protegidos pelo muro.

O homem estava caído perto de uma árvore.

Ainda respirava.

Rafael chutou a arma para longe.

"Quem mandou você?"

O invasor cuspiu sangue.

Não respondeu.

Dante se ajoelhou.

Então viu.

Debaixo da jaqueta havia um distintivo metálico preso à cintura.

Dante puxou.

Seu rosto mudou.

Rafael também reconheceu.

"Isso não pode ser."

Mariana observava de dentro do carro.

"O que foi?"

Dante voltou segurando o objeto.

Era um símbolo discreto.

Uma letra M dentro de um círculo.

Na parte inferior, uma sequência numérica.

Rafael ficou pálido.

"Esse selo é interno."

Mariana franziu a testa.

"Interno de onde?"

Dante entrou no carro.

"Do Grupo Montenegro."

Isabela fechou os olhos.

A SUV arrancou.

Duas outras vieram atrás.

A casa desapareceu entre a neblina.

Durante vários minutos, ninguém falou.

Lucas estava abraçado à mãe.

Gabriel ainda soluçava.

Mariana passava a mão pelas costas dele.

Dante segurava o distintivo.

"Você sabia."

Isabela olhou para ele.

"Dante..."

"Você reconheceu."

"Eu reconheci o tipo de ataque."

"Então fala."

Ela respirou fundo.

"Não aqui."

"Não existe mais lugar seguro."

"Existe menos seguro."

Dante apertou o objeto.

"Três anos, Isabela."

A voz dele falhou.

"Eu perdi três anos."

Ela abaixou os olhos.

"Eu também."

"Então não me faça perder mais um minuto."

Isabela olhou para Lucas.

Depois para Mariana.

Finalmente voltou para Dante.

"O homem por trás de Victor é Augusto."

Dante não reagiu.

Talvez não tivesse entendido.

"Augusto quem?"

Isabela engoliu em seco.

"Augusto Montenegro."

O carro pareceu ficar menor.

PUBLICIDADE

Dante não respirou.

Mariana conhecia o nome.

Qualquer pessoa que acompanhasse negócios em São Paulo conhecia.

Augusto Montenegro.

Tio de Dante.

Vice-presidente honorário do Grupo Montenegro.

Presença constante em eventos.

O homem que costumava aparecer ao lado do sobrinho em fotografias oficiais.

Dante soltou uma risada curta.

"Não."

Isabela não desviou os olhos.

"Eu queria que fosse mentira."

"Não."

"Dante."

"Ele é meu tio."

"Eu sei."

"Foi ele que segurou minha mão no funeral do meu pai."

Isabela sentiu os olhos se encherem.

"Eu sei."

"Foi ele que me colocou na presidência."

"Não."

Dante parou.

"O quê?"

Isabela respirou fundo.

"Ele tentou impedir."

Dante ficou imóvel.

Rafael olhou pelo retrovisor.

"Continua."

Isabela assentiu.

"Quando seu pai morreu, Augusto assumiu o grupo temporariamente."

Dante lembrava.

Tinha vinte e nove anos.

A morte do pai havia sido súbita.

Um infarto, disseram.

Durante quase seis meses, Augusto havia administrado a empresa.

"Depois o conselho votou."

Isabela continuou.

"E escolheram você."

Dante apertou o distintivo com tanta força que os dedos ficaram brancos.

"Augusto disse que apoiou."

"Na frente das câmeras."

Ela olhou para ele.

"Nos bastidores, ele passou meses tentando convencer os conselheiros de que você era impulsivo demais."

Dante balançou a cabeça.

"Por que ninguém me contou?"

"Porque ele perdeu."

A voz de Isabela ficou amarga.

"E quando perdeu, decidiu esperar."

Mariana sentiu um arrepio.

"Esperar o quê?"

"Uma oportunidade para provar que Dante não tinha condições de comandar."

Dante olhou para ela.

"Minha surdez."

Isabela assentiu.

"Não era para você morrer."

Dante ficou em silêncio.

"Era pior."

Ela continuou.

"Augusto queria que você continuasse vivo."

Mariana franziu a testa.

"Por quê?"

"Porque um herdeiro morto vira mártir."

Isabela apertou Lucas.

"Um herdeiro incapaz vira problema."

Dante fechou os olhos.

Tudo começou a fazer sentido de uma forma repulsiva.

As reuniões.

Os conselheiros perguntando se ele precisava descansar.

Augusto oferecendo ajuda.

Victor assumindo cada vez mais responsabilidades.

As decisões chegando prontas.

"Ele queria me enfraquecer."

"Pouco a pouco."

Isabela assentiu.

"Primeiro a audição."

"Depois você."

"Sim."

"E depois?"

Ela olhou para Lucas.

Dante percebeu.

"O herdeiro."

Isabela começou a chorar.

"Quando descobri que estava grávida, Victor já sabia."

Dante virou bruscamente.

"Como?"

"Eu cometi o erro de contar para uma médica ligada ao grupo."

Rafael passou a mão pelo rosto.

"Augusto soube."

"Dois dias depois."

Isabela assentiu.

"Foi quando tudo mudou."

Ela contou que recebeu documentos.

Fotografias.

Mensagens.

Provas fabricadas de que Dante mantinha outra mulher.

Ao mesmo tempo, Dante recebeu provas falsas de que Isabela o traía.

"Queriam que vocês se odiassem."

Mariana falou.

"Sim."

Isabela limpou as lágrimas.

"Porque seria mais fácil me tirar de cena sem você procurar."

Dante olhou pela janela.

"Eu procurei."

"Mas procurou pelas pessoas que eles escolheram."

A frase doeu.

Dante não respondeu.

"Victor controlava os investigadores."

Isabela continuou.

"Augusto controlava parte da polícia."

Rafael apertou o volante.

"E a queda do carro?"

"Encenada."

Mariana ficou imóvel.

PUBLICIDADE

"Você aceitou fingir a própria morte?"

Isabela demorou.

"Eu aceitei desaparecer."

Dante olhou para ela.

"Por quê?"

"Porque me disseram que, se eu voltasse para você, você morreria."

A voz dela quebrou.

"E depois que Lucas nasceu, ameaçaram ele."

Dante respirou fundo.

"Quem fez a ameaça?"

"Victor entregou."

"Mas Augusto mandou."

"Sim."

Dante fechou os olhos.

Mariana percebeu que a raiva dele estava mudando.

Não era mais explosiva.

Estava ficando fria.

Organizada.

Perigosa.

"Eduardo."

Mariana falou.

Todos olharam.

"Você disse que ele também trabalhava para Augusto."

Isabela assentiu.

Mariana segurou Gabriel mais perto.

"Então ele se aproximou de mim por ordem dele."

"Sim."

Mariana perdeu a cor.

Gabriel continuava encostado nela, sem entender.

"Por quê?"

Isabela hesitou.

"Eu não sei tudo."

"Mas sabe alguma coisa."

"Sei."

Mariana apertou os lábios.

"Então fala."

Isabela respirou fundo.

"Eduardo era especialista em vigilância."

Mariana sentiu uma mistura de raiva e humilhação.

"Então nosso relacionamento inteiro foi uma mentira."

"No começo, sim."

Mariana fechou os olhos.

A frase a destruiu.

"No começo?"

"Ele mudou."

"Como você sabe?"

"Porque começou a ajudar escondido."

Mariana olhou para ela.

"Me ajudar?"

"Você e Gabriel."

O nome do filho fez Mariana endurecer.

"O que ele fez?"

"Depois que Gabriel nasceu, Augusto decidiu que você tinha se tornado um risco."

Mariana parou de respirar.

"Por quê?"

"Eu nunca descobri completamente."

Isabela olhou para Gabriel.

"Mas Eduardo ouviu uma conversa."

Dante franziu a testa.

"Sobre matar os dois."

Mariana apertou o filho contra si.

"Não."

Isabela ficou emocionada.

"Eduardo entrou em pânico."

"Ele falou com você?"

"Sim."

"Quando?"

"Pouco antes de desaparecer."

Mariana sentiu as lágrimas.

"Ele podia ter falado comigo."

"Ele achava que qualquer contato colocaria vocês em perigo."

"Então escolheu simplesmente sumir?"

"Não."

Isabela balançou a cabeça.

"Ele tentou desviar Augusto."

Mariana riu de forma amarga.

"Eu passei três anos acreditando que ele tinha fugido porque não queria ser pai."

Isabela abaixou os olhos.

"Talvez fosse exatamente o que ele queria que você acreditasse."

A SUV entrou em uma estrada privada.

Rafael explicou que estavam indo para uma propriedade segura usada por Dante nos arredores de São José dos Campos.

Dante continuava em silêncio.

Augusto.

O nome parecia ocupar o veículo inteiro.

"Victor ainda está trabalhando para ele?"

Rafael perguntou.

Isabela hesitou.

"Eu acho que sim."

"Então por que Victor fugiu?"

"Talvez porque tenha falhado."

Dante olhou para ela.

"Falhado em quê?"

"Em manter você surdo."

Ninguém falou.

Dante lembrou de Gabriel puxando o aparelho.

Uma criança de três anos havia desmontado um plano construído durante anos.

A SUV finalmente entrou em uma propriedade cercada.

Seguranças fecharam os portões.

Todos desceram.

Lucas segurava a mão de Dante pela primeira vez.

O gesto simples quase fez ele esquecer por alguns segundos tudo o que acabara de ouvir.

Mariana levou Gabriel até uma sala.

Isabela chamou.

"Mariana."

Ela virou.

Isabela abriu uma pequena bolsa.

Do fundo, retirou um celular antigo.

A tela estava rachada.

Mariana franziu a testa.

"De quem é?"

"Era meu."

"Por que guardou?"

"Porque tem uma coisa que nunca tive coragem de apagar."

Isabela ligou o aparelho.

Demorou.

Depois abriu uma conversa antiga.

"Eduardo me procurou dois dias antes de desaparecer."

Mariana aproximou-se.

Dante veio atrás.

Isabela rolou até a última mensagem.

A data era de quase três anos antes.

Eduardo havia escrito:

"Se alguma coisa acontecer comigo, proteja Mariana."

Mariana levou a mão à boca.

A mensagem continuava.

"Não confie em Victor."

Mais uma linha.

"Gabriel é a única prova que pode destruir Augusto."

Mariana olhou para o filho do outro lado da sala.

Gabriel estava sentado no chão brincando com Lucas.

Inocente.

Sorrindo.

Sem saber que homens poderosos haviam seguido cada passo de sua vida.

Ela voltou para o celular.

"Que prova?"

Isabela balançou a cabeça.

"Eduardo nunca me explicou."

Dante pegou o aparelho.

Leu outra vez.

Gabriel é a única prova que pode destruir Augusto.

Então ergueu os olhos para o menino.

E pela primeira vez, ninguém naquela sala soube dizer se Gabriel estava sendo caçado pelo que sabia.

Ou pelo que carregava.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia