localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Beijo Que Virou Dívida Capítulo 9

《O Beijo Que Virou Dívida》Capítulo 9

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Sara chegou ao Renascença antes dos bombeiros.

A porta lateral estava aberta. O cheiro de combustível atravessava a calçada.

Gabriel segurou seu braço.

— Espera a equipe.

Do segundo andar veio uma pancada. Depois três, em ritmo rápido.

— É Paula.

Sara soltou o braço e entrou.

O salão permanecia intacto. Fumaça fina descia pela escada de serviço. No corredor, uma faixa de líquido brilhava sob a luz de emergência.

— Não pisa — disse Gabriel atrás dela.

— Você mandou esperar.

— Eu também não obedeci.

Lígia levou Davi para a porta principal e pediu que mantivesse a saída livre. Sara cobriu nariz e boca com uma toalha do bar.

— Paula!

— Estoque! — respondeu uma voz abafada.

A porta do estoque estava presa por uma corrente externa. Gabriel puxou a arma. Sara colocou a mão sobre o cano e baixou.

— Faísca.

Ela pegou o extintor, bateu o cilindro contra o cadeado e errou. Gabriel tomou o extintor, acertou duas vezes e partiu o fecho.

Paula caiu para fora, tossindo. Um corte atravessava sua testa.

— Ricci levou o servidor — disse. — Eu copiei antes. Mandei pra Lígia.

Uma chama subiu no fim do corredor.

Gabriel entregou Paula a Sara e avançou. Sara agarrou a camisa dele.

— A prova já saiu. Todo mundo pra rua.

— Ele está aqui.

— Então sai com a gente e fecha o prédio.

Um disparo atingiu a parede acima dos dois. Pó de gesso caiu no cabelo de Sara.

Ricci apareceu na varanda interna com a arma apontada.

— Você sempre escolhe mulher errada pra ouvir, Gabriel.

Gabriel empurrou Sara e Paula atrás do balcão. Davi abriu a porta principal por fora e gritou para os bombeiros.

— O servidor não vale nada — disse Sara. — Os arquivos foram enviados.

Ricci virou a arma para ela.

Gabriel saiu da cobertura.

— Olha pra mim.

— Você entregou onze anos por uma bartender.

— Você entregou sozinho quando mandou homens ao beco.

Ricci recuou até a escada. Lígia surgiu no patamar superior e bloqueou a saída.

— Acabou — disse ela.

Ele disparou. A bala atingiu o corrimão. Gabriel respondeu, acertando a mão armada. A pistola de Ricci caiu para o salão.

O fogo alcançou uma cortina. O sistema automático ainda não havia disparado.

Sara empurrou Paula em direção à saída. Uma viga decorativa caiu entre elas e o corredor.

— Vai pela cozinha! — gritou Davi.

Ele conhecia a passagem das entregas desde o primeiro treinamento. Entrou rastejando sob a fumaça, alcançou Paula e a levou até a porta frigorífica, onde o ar estava mais limpo.

Sara procurou Gabriel. Encontrou-o no pé da escada, arma apontada para Ricci, que segurava a mão ferida.

— Gabriel! A gente precisa sair.

— Ele tentou matar você.

— E vai responder vivo.

— Afasta, Sara.

Ela cruzou o salão. Fuligem cobria seu rosto e o colete. Parou diante da arma, perto o suficiente para tocar Gabriel.

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— Olha pra mim.

Os olhos dele continuaram em Ricci.

Sara segurou o rosto de Gabriel com as duas mãos.

— Eu tô aqui. Abaixa.

O peito dele subia rápido. A arma desceu alguns centímetros.

Lígia algemou Ricci com uma abraçadeira e o empurrou para a escada de serviço.

O teto estalou. Gabriel guardou a arma, passou o braço pela cintura de Sara e a levou para fora.

No instante em que cruzaram a porta, os sprinklers dispararam. Água caiu pelo salão, apagando as chamas menores e encharcando os dois sob a marquise quebrada.

Sirene, botas e ordens ocuparam a rua. Paula estava sentada na ambulância. Davi permanecia ao lado dela, segurando o saco de gelo contra o corte.

Gabriel tocou a testa de Sara, procurando sangue. Ela afastou a mão e mostrou as palmas intactas.

Ele encostou a testa na dela.

— Eu quase cheguei tarde.

Sara segurou a lapela molhada.

— Então para de aparecer só quando tudo termina.

Os bombeiros empurraram Sara para a calçada. Paula recebeu oxigênio na ambulância, os olhos presos ao teto enquanto um paramédico limpava o corte da testa.

Gabriel ficou perto da viatura. A água escorria do cabelo para o colarinho e uma linha vermelha atravessava sua palma. Ele recusou o curativo duas vezes.

Sara pegou a caixa de gaze do paramédico e parou diante dele.

— Mão.

— É um corte.

— Eu sei reconhecer. Mão.

Ele entregou. Sara limpou o vidro preso perto do polegar e enrolou a faixa. A última vez que cuidara dele, mal sabia seu nome. Agora conhecia o modo como prendia a respiração quando o antisséptico ardia e como fingia olhar a rua para não acompanhar os dedos dela.

— Você voltou pro fogo — Gabriel disse.

— Paula estava lá.

— Ricci também.

Sara apertou o nó. Ele abriu e fechou a mão.

— Isso foi punição?

— Foi um lembrete.

Davi chegou no carro de Lígia, ainda com a fita hospitalar no pulso. Saltou antes de estacionarem e atravessou a rua mancando.

— Sara.

Ela virou a tempo de receber o abraço. A mão enfaixada dele ficou suspensa, sem saber onde tocar. Sara puxou o braço saudável para mais perto.

— Eu falei pra você ficar.

— Você também nunca fica.

Paula ergueu a máscara de oxigênio.

— Se terminaram a reunião de família, alguém avisa meu namorado que eu tô viva?

Davi foi até a ambulância. Tirou o próprio celular do bolso, lembrou da tela quebrada no estacionamento e pediu o aparelho a um bombeiro.

Lígia se aproximou com um saco de evidências. Dentro havia o telefone de Ricci, uma chave e um pen drive chamuscado.

— Ele fala em legítima defesa — disse.

Sara apontou para as câmeras externas.

— Entrou com dois galões. Paula viu. O aplicativo registrou o acesso dele.

— E o telefone tem as mensagens da emboscada — Lígia acrescentou. — O homem do beco aceitou depor.

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Gabriel olhou para a viatura onde Ricci estava algemado.

— Ele vai tentar comprar silêncio.

— Então guarda o recibo — Sara disse.

Um policial chamou Gabriel para reconhecer a arma. Ele deu dois passos e parou.

— Quando isto acabar, quero falar com você.

— Sobre o lounge?

— Sobre o motivo de eu estar no lounge toda noite.

Sara ajeitou a gaze que sobrava na mão dele.

— Você nunca fica até o fechamento.

— Vou começar.

O comandante dos bombeiros chamou Sara para dentro da área isolada. O sistema dos chuveiros havia sido fechado no subsolo, e a chave encontrada com Ricci encaixava na válvula. Um agente fotografou o lacre rompido.

— Ele conhecia a planta — disse Sara.

Gabriel apontou para a câmera acima da saída.

— E sabia onde não seria filmado.

Paula retirou a máscara mais uma vez.

— Filmou a si mesmo no espelho do estoque. A câmera nova pega o reflexo.

Sara correu até o monitor portátil dos bombeiros. Na gravação, Ricci atravessava o corredor com um galão. O vidro da adega devolvia o rosto inteiro e a arma presa à cintura.

Lígia copiou o arquivo em dois dispositivos.

— Um vai para a polícia. O outro fica com o advogado.

— E o original? — Sara perguntou.

— Servidor externo. Paula fez a troca na semana passada.

Paula levantou dois dedos pela porta da ambulância.

— Promoção?

— Depois da alta — Sara respondeu.

Davi voltou com o telefone emprestado e entregou a Paula. O namorado dela chorava no alto-falante, tão alto que o paramédico afastou o aparelho.

Gabriel retirou o próprio paletó molhado e colocou sobre os ombros de Sara. Ela tentou devolver.

— Você está tremendo.

— Água fria.

— Fica com ele.

Sara enfiou os braços nas mangas. O tecido carregava fumaça e o perfume discreto que reconhecera no apartamento. A barra quase alcançou os joelhos.

— Amanhã você manda a conta da lavanderia?

— Já está incluída no contrato.

— Eu pedi pra tirar as letras pequenas.

— Você escreveu metade delas.

O sorriso dele durou pouco. Um policial abriu a porta da viatura, e Ricci virou o rosto na direção deles.

— Ela vai embora quando entender o que você é! — gritou.

Sara caminhou até a fita de isolamento. Gabriel segurou o cotovelo dela, sem puxar.

— Não dá a ele outra frase.

Ela encarou Ricci através da janela gradeada.

— Ele já tem provas suficientes.

A viatura partiu. Gabriel soltou o braço, e os dedos desceram até a mão dela. Sara os entrelaçou antes que ele pudesse recuar.

Gabriel levantou o rosto. A resposta foi interrompida quando um policial chamou seu nome.

Sara soltou o paletó, mas ele capturou seus dedos antes que se afastassem.

Ficaram assim até Lígia entregar o telefone com as provas e dizer que o advogado esperava na delegacia.

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