localização atual: Novela Mágica Moderno Romance O Beijo Que Virou Dívida Capítulo 8

《O Beijo Que Virou Dívida》Capítulo 8

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Gabriel ordenou que os portões fossem fechados. Sara já corria pelo corredor.

O grito de Davi ainda parecia preso entre as paredes. Sara apertou o colete sobre o peito e não diminuiu o passo.

— O carro está no subsolo — gritou Lígia atrás dela.

No elevador, Gabriel apertou o botão da garagem e falou ao telefone.

— Ninguém se aproxima do sedã até eu chegar.

— Ele está com Davi — disse Sara.

— Eu vi.

— Então anda.

As portas abriram. O carro continuava ligado, vazio.

No banco traseiro havia fita cortada e uma mancha de sangue pequena. Um celular barato tocou no console.

Gabriel atendeu no viva-voz.

— Você demitiu o homem errado — disse Ricci.

— Onde está Davi?

— Pergunta à gerente. Ela gosta de resolver conta.

Sara tomou o telefone.

— Se quer negociar, fala comigo.

— Já estou falando. Seu irmão vale os documentos que vocês copiaram.

— Você não sai da cidade com arquivo roubado e tentativa de homicídio nas costas.

— Traz o telefone e a pasta para o depósito da Bellini. Sozinha.

A chamada terminou.

Lígia entrou na garagem com um notebook aberto.

— O aparelho durou trinta e oito segundos. Sinal na região do Pari.

— Depósito da Bellini — disse Sara.

Gabriel arrancou a chave do sedã.

— Você fica aqui.

— Não.

— Ele quer você.

— Quer os arquivos. Davi é meu irmão.

— E você virou alvo antes dele.

Sara se aproximou até o peito quase tocar o paletó dele.

— Eu fui buscar você no beco sem equipe, arma ou plano. Hoje tenho Lígia, endereço e você. Não me manda esperar.

Gabriel apertou a chave na palma. Abriu a porta do carro de Lígia.

— Você entra depois de mim.

— Eu entro quando a situação pedir.

— Sara.

— Gabriel.

Lígia fechou o notebook.

— Briguem no carro. O sinal mudou.

No caminho, Sara ligou para Davi. O telefone dele tocou dentro do sedã abandonado. Ela deixou cair a mão no colo.

— Passei a vida chegando depois — disse. — Depois da aposta, depois da cobrança, depois da mão quebrada. No beco eu vi a arma antes do tiro. Foi isso.

Gabriel dirigia. Os olhos permaneceram na avenida.

— Acordo às 1h17 desde aquela noite.

Sara virou para ele.

— Por quê?

— O relógio parou. Meu corpo não.

— Seu relógio está comigo.

— Eu sei.

— Como?

— Lígia viu na mesa quando saiu.

— E não pediu de volta.

Gabriel mudou de faixa.

— Queria um motivo para voltar.

Lígia, no banco traseiro, levantou os olhos para o teto.

— O depósito fica à direita.

O galpão tinha portão entreaberto e uma luz acesa no escritório superior. Gabriel parou duas ruas antes. Lígia distribuiu fones e mostrou a planta.

— Equipe entra pelo fundo. Sara fica no carro até eu confirmar Davi.

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Sara assentiu. Esperou os dois desaparecerem pela lateral e contou até vinte.

Um alarme de incêndio disparou dentro do prédio. A porta principal subiu. Dois homens correram para fora.

Davi surgiu no vão, mãos presas, e chutou uma lata metálica contra o sensor do portão.

— Sara!

Ela saiu do carro.

Ricci apareceu atrás dele e encostou uma faca na lateral do pescoço.

— Eu disse sozinha.

Sara ergueu o telefone com os arquivos.

— Solta ele e leva.

Davi balançou a cabeça.

— Não entrega.

— Cala a boca — disse Ricci.

— Ele fez outra aposta — continuou Davi. — Eu fiz. Tentei ganhar o dinheiro de volta. Quando ouvi que iam usar a Sara, vim oferecer informação do bar em troca dela.

Sara travou a mandíbula.

— Você ofereceu o quê?

— Nada que prestasse. Eu não sabia nada. Ele me pegou mesmo assim.

Ricci pressionou a lâmina. Davi fechou os olhos e bateu o calcanhar no botão vermelho da parede.

O sistema de carga desligou. O portão desceu entre Ricci e a saída. A lâmina afastou-se por reflexo.

Sara lançou o telefone para o lado oposto.

Ricci soltou Davi e mergulhou atrás do aparelho. Lígia saiu de trás das caixas e o atingiu no joelho. Gabriel puxou Davi pelo braço.

Os dois homens que haviam corrido voltaram, encontraram a equipe no corredor e levantaram as mãos.

Ricci rolou sob uma empilhadeira e escapou pela passagem de manutenção. Lígia foi atrás, mas voltou ao ouvir Gabriel chamar.

Davi estava no chão, respirando rápido. O corte no pescoço era superficial.

Sara se ajoelhou diante dele.

— Olha pra mim.

— Eu estraguei de novo.

— Olha.

Ele abriu os olhos.

— Acabou meu dinheiro, minhas mentiras e minhas buscas. Você vai escolher o que faz agora.

No carro, Sara entregou a Davi dois papéis. Um era admissão numa clínica para jogo compulsivo. O outro, contrato de barback no Renascença após o tratamento.

— Isso não é prêmio — disse. — É trabalho. Chegou atrasado, perde. Apostou, perde. Mentiu pra mim, eu saio.

Davi segurou a caneta com os dedos saudáveis.

— Se eu fugir de novo, não me salva.

Ele assinou.

O telefone de Sara vibrou. O aplicativo de segurança do lounge ocupou a tela em vermelho.

ALARME DE INCÊNDIO — ACESSO LATERAL VIOLADO.

Paula estava fechando o bar sozinha.

Sara ligou. O telefone chamou três vezes antes de Paula atender tossindo.

— Tem fumaça na despensa. A porta... travou.

— Sai pela cozinha.

— O corredor está pegando fogo.

A ligação caiu. Sara correu para a caminhonete. Gabriel tomou a chave da mão de um segurança e entrou no banco do motorista.

— A equipe dos bombeiros já foi acionada — disse Lígia.

— Paula tem dois minutos — Sara respondeu.

Gabriel arrancou. Davi ficou com Lígia e o médico, gritando o nome da irmã enquanto o portão do galpão desaparecia atrás deles.

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O Renascença ficava a doze minutos. Gabriel fez em sete. Sara abriu a porta antes de o carro parar por completo e viu fumaça saindo da lateral do prédio.

A fachada continuava intacta. O incêndio crescia por dentro.

— Paula! — ela gritou.

Um segurança apontou para a saída de serviço.

— Tem corrente pelo lado de fora.

Gabriel abriu o porta-malas e pegou um alicate grande. Sara puxou o casaco sobre a boca e correu com ele. A corrente cedeu no segundo corte.

O corredor devolveu uma onda de calor. Garrafas estouravam atrás do balcão. O alarme gritava, e os chuveiros do teto ainda estavam secos.

— Fecharam o registro — disse Sara.

— Você conhece outro caminho?

Ela apontou para o corredor dos funcionários.

— A despensa encosta no banheiro adaptado. A parede é de drywall.

Gabriel agarrou um extintor. Eles contornaram a fumaça pelo salão, rastejando sob a camada escura. Sara contou portas pelo tato. Na quarta, chutou duas vezes.

— Aqui!

Do outro lado, Paula bateu na parede.

Gabriel lançou o extintor contra o gesso. A placa abriu, expondo tubos e isolamento. Outro golpe criou espaço suficiente para uma mão.

— Paula, afasta! — Sara gritou.

Eles alargaram o buraco. Paula saiu de joelhos, tossindo, com sangue na testa. Sara a prendeu pelo braço e a levou para o corredor.

Um vulto cruzou a porta da cozinha.

Gabriel virou. Ricci estava entre a fumaça e a saída, uma pistola baixa junto à coxa.

— Leva ela — Gabriel disse.

Sara puxou Paula. A colega agarrou seu colete.

— Ele colocou gasolina no estoque. Eu vi.

Ricci levantou a arma.

O disparo arrancou mármore da parede. Gabriel empurrou as duas para trás do balcão e respondeu. Ricci perdeu a pistola e fechou a mão sobre o punho ensanguentado.

Lígia entrou pela saída lateral com dois agentes. Derrubou Ricci contra o piso e chutou a arma para longe.

Os chuveiros dispararam de uma vez. Água preta caiu sobre todos.

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