《Joguei-a na Favela, Ela Comprou Meu Império》Capítulo 10

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O documento amarelado de Paraty mal havia sido entregue por Mateus quando o alvoroço recomeçou na entrada principal do suntuoso salão de festas.

A viatura da polícia federal que já havia partido com a prisioneira teve que retornar às pressas, abrindo espaço para que os oficiais cumprissem a nova ordem judicial.

Arrancada à força do veículo pelos oficiais de justiça devido à cláusula testamentária fraudada, Vitória foi jogada de joelhos bem no centro do saguão.

A ex-magnata, antes temida e respeitada em toda a alta sociedade de São Paulo, desabava agora em um pranto miserável, com a maquiagem completamente borrada.

Diante dos flashes implacáveis da imprensa que transmitia tudo ao vivo para o país inteiro, a megera viu sua última cartada desesperada prestes a ser jogada.

Ela rastejou pelo piso de mármore polido, ignorando a própria dignidade despedaçada, até alcançar a barra do vestido de veludo escuro de Sofia.

"Sofia... minha sobrinha querida do meu coração, por favor, olhe para mim!", soluçava Vitória, estendendo as mãos trêmulas em uma súplica patética.

"Nós somos da mesma carne, temos o mesmo sangue correndo nas veias; a família Albuquerque é tudo o que temos neste mundo cruel!", berrou a prisioneira.

A chantagem emocional da cartada da família ecoou pelo salão, com Vitória apelando cinicamente para o falso afeto de sangue que ela mesma tentara destruir.

"O sangue nos une, Sofia! Pense nos bons momentos, na nossa história, no laço de sangue sagrado que nenhuma briga de negócios pode apagar!", choramingava a megera.

Os repórteres aproximaram-se ainda mais, esticando os microfones para capturar cada palavra daquele momento dramático digno das melhores produções de novelas.

Sofia permaneceu completamente imóvel, olhando para a mulher encolhida a seus pés com uma expressão de gélido desprezo e absoluta repulsa.

Ela não demonstrou a menor hesitação ou indício de piedade diante daquela cena repulsiva de autocomiseração e falso arrependimento encenado.

"Família? Sangue sagrado?", perguntou Sofia com uma voz cortante como uma lâmina de barbear, fazendo a multidão presente prender a respiração.

"Quando vocês assassinaram meus pais na estrada de Paraty e me jogaram como lixo na lama da Rocinha, onde estava esse bendito laço de sangue?", questionou ela.

O silêncio que se seguiu à pergunta de Sofia foi absoluto, quebrado apenas pelo zumbido constante das câmeras de televisão transmitindo a cena ao vivo.

Vitória arregalou os olhos em desespero, percebendo que sua estratégia manipuladora havia fracassado fragorosamente diante da frieza inabalável da jovem herdeira.

"Isso é mentira... calúnia de inimigos!", gaguejou a executiva derrocada, tentando se levantar enquanto as pernas falhavam sob o peso do próprio pânico.

Com um movimento calmo e deliberado, Sofia tirou do bolso interno de seu casaco uma pequena gravadora digital de alta precisão tecnológica.

"Você realmente achou que eu viria para este acerto de contas sem as provas definitivas da sua crueldade animalesca, tia Vitória?", sussurrou Sofia.

Ela pressionou o botão prateado de reprodução na lateral do aparelho, ativando um arquivo de áudio criptografado que continha gravações históricas e macabras.

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O som de uma discussão abafada dentro de um carro em alta velocidade preencheu o ambiente por meio das caixas de som do salão de festas.

"Mate-os de uma vez na curva do penhasco e garanta que não sobreviva ninguém, nem mesmo a menininha", exigia a voz cristalina e jovem da própria Vitória.

Outra voz, trêmula e apavorada, respondeu na gravação: "Mas Vitória, são nossos próprios irmãos; fazer isso vai nos custar a alma e o controle total da holding."

"A alma a gente compra de volta com o dinheiro do espólio; o importante é eliminar os herdeiros legítimos agora mesmo", arrematava o áudio sem qualquer remorso.

A segunda voz que aparecia na gravação confessando o crime pertencia, sem margem para dúvidas, ao atual diretor financeiro Bernardo Albuquerque.

No canto do salão, Bernardo desabou em uma cadeira ao reconhecer a própria voz confessando o assassinato, tremendo da cabeça aos pés com o rosto cinzento.

Os repórteres viraram as câmeras instantaneamente para Bernardo, registrando o pânico e a culpa escancarados na expressão do executivo acuado e sem saída.

"Monstros! Assassinos frios!", gritavam os populares aglomerados do lado de fora do hotel, revoltados com a crueldade revelada em rede nacional de televisão.

Sofia agachou-se lentamente, nivelando sua altura à de Vitória que continuava estatelada no chão frio, incapaz de desviar o olhar daquela pequena gravadora.

Ela aproximou o alto-falante do aparelho bem rente à orelha da tia prisioneira, deixando que o eco do passado torturasse a mente culpada da criminosa.

"Quando vocês me jogaram no lixo daquela favela, onde estava esse bendito laço de sangue? " disparou Sofia com um olhar mortal.

Vitória soltou um grito estrangulado de pura histeria, cobrindo os ouvidos com as mãos algemadas enquanto rolava no chão em um surto de loucura e desespero.

Os agentes federais intervieram imediatamente, levantando a prisioneira à força e arrastando-a para fora do recinto sob uma chuva de xingamentos da multidão enfurecida.

O império construído sobre cadáveres e mentiras havia se desintegrado por completo, deixando apenas cinzas e o julgamento implacável da história jurídica do país.

Mateus aproximou-se de Sofia, colocando uma mão firme e protetora sobre o ombro da jovem para lhe dar apoio após o clímax daquela catarse violenta.

"O ciclo de sangue e ódio finalmente foi fechado, Sofia; os culpados pagarão cada segundo nas celas mais escuras do sistema penitenciário", afirmou o advogado.

Sofia respirou fundo, sentindo o peso de vinte e dois anos de sofrimento desabar de seus ombros, substituído por uma indescritível sensação de paz e justiça.

No entanto, quando os dois se viraram para caminhar em direção à saída privativa do hotel, um reflexo metálico brilhou na penumbra da porta lateral.

Uma figura misteriosa, usando um sobretudo cinza e um chapéu abaulado, observava cada movimento do casal de herdeiros a uma distância calculada e sinistra.

Antes que Sofia pudesse alertar Mateus sobre a presença daquela sombra indesejada, o homem ergueu o rosto, revelando um sorriso enigmático que congelou o sangue de ambos.

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