《Joguei-a na Favela, Ela Comprou Meu Império》Capítulo 6

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A noite desabava sobre a Avenida Paulista com a fúria de uma tempestade tropical, descarregando torrentes de água cinzenta sobre o asfalto congestionado da capital financeira.

Dentro do escritório de advocacia de Mateus, a penumbra era iluminada apenas pelo brilho azulado de meia dezena de monitores de alta performance que exibiam fluxos contínuos de dados.

Mateus digitava comandos em ritmo alucinado, enquanto Sofia observava cada linha de código financeiro e transação offshore que selava o destino final do Grupo Albuquerque.

"As últimas ordens de compra de ações ordinárias acabaram de ser executadas com sucesso através dos fundos fantasmas nas Ilhas Cayman", anunciou Mateus com a voz trêmula de adrenalina.

Na tela principal, um gráfico circular verde brilhante expandia-se rapidamente, cobrindo quase a totalidade da fatia societária até dominar o painel de controle corporativo.

"O conglomerado inteiro, incluindo todas as subsidiárias de logística e as fazendas no interior, pertence agora legalmente à holding controlada por você, Sofia", concluiu ele com orgulho.

Sofia deu um passo à frente, encostando os dedos na tela sensível ao toque, sentindo a imensidão daquele poder absoluto que acabara de arrebatar das mãos de seus inimigos.

"Eles pensavam que estavam a um passo de engolir a nossa maior concorrente no mercado sul-americano, sem perceber que o próprio chão sob seus pés havia desaparecido", sussurrou Sofia.

Nenhum executivo na torre principal da Avenida Paulista imaginava que a empresa em que trabalhavam já não era mais propriedade da família que ditava as regras há décadas.

Através de uma engenharia financeira implacável e silenciosa, os títulos podres, as dívidas ocultas e as ações ordinárias haviam sido consolidados sob o nome de Sofia Rangel.

"O conselho de administração ainda está reunido no trigésimo andar, comemorando a suposta vitória da fusão com champanhe e charutos caros", comentou Mateus rindo ironicamente.

"Deixem que brindem às próprias ruínas por mais algumas horas; a ignorância é o último luxo que os Albuquerque poderão pagar antes da queda definitiva", retrucou Sofia.

Ela caminhou até a mesa de canto, pegou o carimbo de metal pesado com suas iniciais gravadas em relevo e abriu o tinteiro de cor preta profunda.

A última página do contrato de transferência de ativos globais jazia aberta sobre a madeira nobre, aguardando apenas o toque final da legítima herdeira dos Rangel.

"Pronta para assinar a certidão de óbito financeira da sua querida tia Vitória?", perguntou Mateus, estendendo-lhe uma elegante caneta-tinteiro de ouro branco.

Sofia pegou a caneta com firmeza, sentindo o peso da história de sua família esmagar qualquer resquício de hesitação que ainda pudesse habitar em sua mente.

"Isso não é uma certidão de óbito, Mateus; é a execução de uma sentença justa que demorou vinte e dois anos para ser assinada", declarou ela com voz gélida.

Com movimentos calculados e precisos, ela pressionou a ponta da caneta contra o papel oficial, redigindo sua assinatura com uma clareza impressionante e irrefutável.

Em seguida, carimbou o documento com o sinete metálico, ouvindo o som abafado do impacto contra a mesa ecoar como o veredito final de um tribunal implacável.

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"Feito", murmurou Sofia, fechando a capa de couro preto do dossiê com um estalo seco que cortou o silêncio eletrizante da sala de reuniões.

Lá fora, um relâmpago estrondoso iluminou o céu de São Paulo de ponta a ponta, seguido imediatamente por um trovão ensurdecedor que abalou as janelas do escritório.

"A tempestade chegou com força total, exatamente como planejamos para o evento de gala da próxima semana no Rio de Janeiro", observou Mateus olhando para a janela.

Sofia virou-se para a mescla de luz e sombra da cidade, tirando do bolso um envelope elegante com detalhes em relevo dourado que trazia o brasão oficial da alta sociedade fluminense.

Era o convite oficial impresso em papel importado para o prestigiado Baile de Gala no Copacabana Palace, enviado pessoalmente por Vitória para humilhar a suposta estagiária.

"Elas tiveram o desplante de me mandar um convite de última hora para que eu sirva champagne e carregue as bolsas da patroa durante a festa de comemoração", disse Sofia sorrindo.

"Vão receber a surpresa mais cara e dolorosa de toda a história econômica da América Latina", respondeu Mateus, puxando o corpo de Sofia para mais perto com delicadeza.

O abraço entre os dois misturava o calor da vitória iminente com a promessa tácita de que nenhum obstáculo conseguiria separá-los após o acerto de contas.

No entanto, antes que pudessem celebrar o momento de intimidade, o telefone celular cifrado de Mateus começou a vibrar violentamente sobre a mesa de vidro.

Mateus atendeu a chamada com um gesto rápido, ouvindo atentamente as atualizações em tom sussurrado que vinham diretamente do setor de inteligência da bolsa de valores.

Seu rosto empalideceu levemente por uma fração de segundo antes de recuperar a compostura fria exigida pela gravidade da situação em curso.

"O que aconteceu?", perguntou Sofia, estreitando os olhos ao perceber a mudança repentina na expressão do seu mais fiel aliado e estrategista jurídico.

"Bernardo acabou de tentar emitir uma ordem de transferência emergencial de fundos para uma conta secreta na Suíça para cobrir buracos no caixa pessoal", revelou Mateus.

"E o sistema bloqueou?", inquiriu Sofia, cruzando os braços com uma expressão de pura diversão diante do desespero antecipado do diretor financeiro corrupto.

"Bloqueou instantaneamente, claro; mas o alarme disparou diretamente no terminal de emergência pessoal da própria Vitória, que agora está furiosa na cobertura", explicou ele.

Sofia abriu um sorriso predatório, sabendo que a teia de aranha estava finalmente apertando o pescoço das vítimas antes mesmo do golpe de misericórdia oficial.

"Deixe-os correr em círculos como ratos acuados em um porão inundado; o pânico é o tempero perfeito para a nossa grande vitória", sentenciou Sofia com frieza.

Ela guardou o convite dourado do Copacabana Palace na bolsa, ajeitou o sobretudo e deu as costas para os monitores que piscavam em verde e vermelho.

O relógio marcava exatamente meia-noite quando os dois deixaram o escritório, caminhando resolutos em direção ao elevador que os levaria direto para o olho do furacão.

Enquanto isso, na cobertura blindada da Avenida Paulista, Vitória quebrava um copo de cristal contra a parede, gritando histericamente ao ver suas contas correndo para o zero.

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