《A Garçonete Que Ganhou o Respeito do Don》Capítulo 9

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O estalo virou explosão quando Sofia alcançou a porta. O vidro da janela quebrou sobre a cama vazia, e uma onda de calor empurrou as duas para o corredor.

Sofia cobriu a cabeça de Maria. Enfermeiros apagaram as chamas enquanto Celina arrastava uma maca.

— Minha mão — Maria disse.

— Mexe os dedos.

— A sua, menina.

A palma de Sofia tinha duas bolhas abertas. Ela escondeu a mão contra o avental e ajudou Maria a sentar.

Antônio atravessou o corredor entre bombeiros. A gravata pendia solta. Ele caiu de joelhos diante da mãe e tocou o rosto dela.

Maria apontou para Sofia.

— Agradece a pessoa certa desta vez.

Ele olhou a mão queimada. Sofia recuou quando Antônio tentou pegá-la.

— Tem perícia trabalhando.

— Deixe eu ver.

— Depois.

— Você quase morreu.

— Sua entrevista disse que sou funcionária temporária. Funcionária preenche acidente de trabalho no RH.

Antônio fechou a boca. Maria pediu que Celina a levasse para exames, deixando os dois no corredor.

— Eu tentei tirar seu nome do alvo — ele disse.

— E me tirou da conversa.

— Enzo observa qualquer pessoa perto de mim.

— Então olha de volta. Não decide minha vida por ele.

Antônio encostou a testa na parede.

— Eu confiei em você na mesa sete antes de saber por quê. Depois passei a querer tocar você em cada sala e mandei todo mundo fingir que não via. Não sou bom em separar as duas coisas.

Sofia abriu a mão ferida. Ele a segurou pelo pulso, evitando a pele queimada.

— Aprende — ela disse.

A perícia encontrou solvente na conexão de oxigênio e digitais parciais de Marco numa caixa de ferramentas. Camila obteve novo mandado. Marco desaparecera.

Sofia passou a noite na unidade de queimados para troca de curativo. Antônio permaneceu do lado de fora da cortina enquanto a enfermeira limpava a palma.

— Você pode ir — ela disse.

— Posso.

Os sapatos dele continuaram visíveis sob o tecido.

— Então por que não vai?

— Estou aprendendo a esperar sua escolha.

Sofia abriu a cortina depois do curativo. Antônio segurava duas garrafas de água e um pacote de biscoitos da máquina.

— Jantar péssimo — ele disse.

— Finalmente um presente no seu orçamento emocional.

Eles comeram no corredor. Sofia contou como Dona Cida vendera a máquina de costura para pagar sua primeira matrícula. Antônio falou da mãe trabalhando na contabilidade do primeiro armazém, corrigindo livros que o marido escondia dela.

— Ela construiu metade do grupo e deixaram o nome do meu pai na fachada — ele disse.

— Então a assembleia começa com o nome dela.

Antônio entregou a última bolacha. Os dedos tocaram a faixa da mão ferida; ele recuou antes de apertar.

— Começa com você viva para falar.

— Eu vou falar.

Na manhã da assembleia, Maria escolheu as próprias pérolas diante do espelho do hospital. Sofia tentou convencê-la a usar cadeira de rodas. A senhora pegou a bengala e caminhou até o elevador.

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— Eles querem me declarar incapaz. Não vou chegar empurrada por homem pago por eles.

Sofia ajustou o colar de Maria. A mão enfaixada dificultou o fecho; Antônio aproximou-se por trás e ajudou sem tocar na pele ferida.

Os três apareceram juntos no espelho. Maria ergueu uma sobrancelha.

— Se vão namorar, façam depois de eu recuperar minha empresa.

— Não estamos namorando — Sofia respondeu.

— Ainda — Antônio disse.

Sofia pisou no sapato dele. Maria saiu rindo para o corredor, e os seguranças tiveram de acelerar para acompanhá-la.

Antes de entrar na sala, Sofia entregou a Antônio uma cópia da cápsula lacrada e manteve o original consigo.

— Prova espalhada — ele disse.

— Aprendeu.

Enzo convocou assembleia extraordinária para declarar Maria incapaz e assumir a presidência. Bianca pediu adiamento; ele recusou.

Dois dias depois, Sofia entrou na sala dos acionistas com a mão enfaixada. Colocou a cápsula branca diante do microfone central.

Enzo projetou fotografias dela na casa Russo, no carro de Antônio e no galpão. Uma montagem mostrava Sofia tocando o porta-comprimidos antes da chegada de Maria ao restaurante.

— Uma estudante endividada entra na vida da minha tia, provoca uma emergência e vira beneficiária de bolsa — disse. — Em quarenta e oito horas, dorme na casa do presidente.

Sofia aproximou o microfone.

— Você esqueceu a parte em que sua tia respirou.

Enzo sorriu para os acionistas.

— Vejam como fala com intimidade.

Dra. Helena entrou com laudos. Camila veio atrás, acompanhada por peritos. Bianca conectou o pen drive de Paulo.

Helena comprovou que a cápsula continha substância capaz de provocar choque em combinação com a medicação de Maria. O laboratório encontrara fibras do bolso de Marco no invólucro.

Camila apresentou o login das câmeras, o pagamento feito por uma empresa de Enzo e a localização do telefone usado para ameaçar Sofia.

Bianca exibiu os metadados da procuração. O arquivo nascera no computador de Enzo às duas e treze da madrugada, quatro dias antes da suposta assinatura.

Maria entrou andando com uma bengala.

— Incapaz é quem precisa falsificar minha assinatura para sentar na minha cadeira.

Os acionistas começaram a votar pela suspensão de Enzo. Ele deixou a mão direita dentro do paletó.

Antônio se posicionou entre ele e Maria.

— Acabou.

— Pra você sempre foi fácil — Enzo respondeu. — Nome, empresa, mãe viva pra aplaudir.

— Tira a mão daí — Camila ordenou.

Marco surgiu pela porta lateral usando uniforme de manutenção. Acertou um segurança com uma barra e correu para Enzo.

Camila sacou a arma. Antônio empurrou Sofia para trás da mesa.

Enzo retirou uma pistola do paletó e apontou para Maria.

Sofia agarrou a cadeira da senhora. O disparo estourou quando ela a empurrou para o chão.

Antes da assembleia, Camila instalou escutas e colocou agentes nas saídas. Bianca ensaiou a ordem das provas com Helena. Sofia escondeu a mão queimada no bolso; Antônio trouxe gelo num guardanapo e esperou que ela aceitasse.

Enzo apareceu cercado por advogados.

— Quando isto acabar, você volta a carregar prato.

Sofia levantou a faixa entre os dois.

— Você vai carregar algema.

Camila abriu a porta. Enzo entrou mantendo a mão junto ao paletó. Durante a votação, Sofia reconheceu o sapato de Marco sob a divisória técnica. Tentou avisar Camila. Enzo acompanhou seus olhos e levou a mão para dentro do terno.

Camila posicionou-se perto da divisória. Sofia tentou apontar o reflexo do sapato no vidro. Marco percebeu e desligou o projetor.

A sala mergulhou numa penumbra curta. Enzo usou o ruído para aproximar-se de Maria. Antônio bloqueou o caminho.

Quando a energia voltou, Marco já tinha trocado de posição. Sofia encontrou no chão uma presilha de identificação da manutenção e a empurrou com o pé até Camila.

A inspetora leu o nome falso, chamou reforço pelo rádio e fechou as portas. Enzo continuou discursando, acelerando as palavras. A mão dele permanecia junto ao paletó.

Bianca anunciou o último arquivo: um áudio em que Enzo ordenava "encerra a velha e põe na conta da garçonete". Os acionistas se levantaram. Marco saiu de trás do painel com a barra de metal.

Camila recebeu pelo rádio a confirmação do mandado contra Marco. Fez sinal para os agentes junto à porta, mas ele já segurava a barra acima do ombro.

Sofia puxou Maria para trás da mesa. Antônio avançou contra Marco, obrigando-o a mudar a direção do golpe. Enzo recuou até a janela, abriu o paletó e mostrou a coronha da pistola.

— Ninguém chega perto — ele disse.

Os acionistas se abaixaram. Bianca manteve o áudio tocando; a própria voz de Enzo preenchia a sala com a ordem de matar Maria. Ele arrancou o cabo do computador e apontou a arma.

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