《A Garçonete Que Ganhou o Respeito do Don》Capítulo 8

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Marco saiu da delegacia às seis da manhã. Parou diante de Sofia, ajeitou o punho amassado da camisa e sorriu.

— Devia ter ficado nas mesas.

Camila entrou entre os dois.

— Anda antes que eu encontre outra razão.

Antônio esperava junto ao carro. Quando Marco passou, ele tirou o relógio e o colocou sobre o capô.

— Tonio — Sofia chamou.

Ele não moveu os pés. Marco perdeu o sorriso e acelerou até o táxi.

— Se tocar nele, vira o que a defesa precisa — Sofia disse.

Antônio recolocou o relógio.

— Minha família já tem o que precisa.

No hospital, Dona Cida recusou repouso e pediu pão na chapa. Maria apareceu com flores, sentou ao lado da cama e as duas começaram a discutir preços de clínica antes de qualquer apresentação.

Sofia deixou o quarto para atender uma ligação da faculdade. A coordenadora confirmava sua readmissão e uma bolsa anônima para o último semestre.

Ela encontrou Antônio no corredor.

— Foi você?

— O quê?

— Bolsa de estudos.

— Minha mãe administra uma fundação.

— Perguntei se foi você.

Ele manteve as mãos nos bolsos.

— Pedi que analisassem sua matrícula. A decisão passou pelo conselho.

Sofia tirou a chave da casa Russo e colocou na mão dele.

— Eu tinha uma condição.

— Você mereceu essa vaga.

— Então eu consigo sem sua assinatura escondida.

Antônio fechou os dedos ao redor da chave. Os dentes metálicos marcaram a palma.

— Enzo vai usar você para chegar à minha mãe. Preciso afastar seu nome do meu.

— Já está fazendo isso.

— Em público. Hoje.

— Entendi.

— Sofia...

Ela entrou no elevador. Quando as portas fecharam, Antônio ainda segurava a chave com força.

Naquela tarde, ele deu entrevista na saída da holding. Chamou Sofia de funcionária temporária, negou envolvimento pessoal e anunciou que a segurança familiar cuidaria do caso.

Sofia assistiu pelo celular no corredor da faculdade. Guardou o aparelho quando a professora entregou o uniforme branco do estágio.

Bianca apareceu no fim da aula. Sentou no banco de concreto e colocou um pen drive entre as duas.

— A procuração chegou ao meu escritório com certificado válido — disse. — Descobri a fraude três meses depois.

— E ficou quieta.

— Enzo tinha meu irmão.

Ela mostrou uma fotografia de Paulo Ferretti dentro de um cassino clandestino, cercado por homens. Depois abriu mensagens: ameaças, parcelas de dívida e ordens para validar documentos.

— Por que soltou Marco?

— A ordem obrigou a polícia a procurar prova independente. Enzo acompanhava cada passo através de um agente comprado. A pasta do galpão tinha rastreador.

Sofia girou o pen drive.

— Você podia ter contado.

— Antônio teria queimado a cidade para achar Paulo. Meu irmão morreria antes da primeira esquina.

— E agora?

Bianca entregou o telefone. Paulo enviara localização, recibos bancários e o arquivo original da procuração. Os metadados mostravam criação no computador de Enzo antes da falsa assinatura de Maria.

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Paulo entrou na chamada de vídeo usando boné e barba por fazer. Falava de um quarto de hotel no Uruguai, com a cortina fechada.

— Eu devia dinheiro — disse. — Enzo comprou a dívida e me fez transportar pen drives. Bianca achava que eram contratos.

— O que havia neles? — Camila perguntou.

— Contas de campanha, nomes de fiscais, pagamentos. Quando tentei sair, mostraram uma foto da minha irmã entrando no fórum.

Bianca apertou o próprio joelho até a unha marcar o tecido branco.

Sofia afastou o copo de café da borda e o colocou diante dela. Bianca bebeu sem agradecer.

— Marco recebeu ordem de matar Maria? — Sofia perguntou.

Paulo balançou a cabeça.

— A primeira ordem era provocar episódios. Confusão, queda de pressão, qualquer coisa que sustentasse incapacidade. Depois que você viu a cápsula, Enzo escreveu: "encerra".

Camila pediu a tela da mensagem. Paulo mostrou a captura com data, horário e número vinculado ao telefone corporativo de Enzo.

Bianca cobriu a boca. Sofia segurou o copo antes que ele escapasse da mão dela.

Antônio foi chamado à cafeteria. Bianca se levantou ao vê-lo e recebeu um envelope com a demissão já assinada.

— Você sabia — ele disse.

— Sabia de fraude. Descobri o homicídio agora.

— Escolheu seu irmão.

— Escolheria outra vez.

Sofia colocou-se entre os dois.

— Enzo construiu isso contando que cada pessoa escondesse uma parte para salvar alguém. Continuem brigando e ele ganha mais uma hora.

Bianca abriu o notebook, entregou senhas e indicou uma conta usada para pagar funcionários do hospital. Antônio rasgou a demissão ao meio.

— Depois você sai do grupo — disse. — Hoje termina o serviço.

Camila localizou o técnico do oxigênio pelo pagamento. Ele havia entrado no hospital usando crachá de manutenção vinte minutos antes do incêndio.

Sofia já corria para a porta quando Antônio alcançou seu braço.

— Vou com você.

— Então acompanha. Não conduz.

— Guarda o original — Camila disse. — E não volte até eu confirmar proteção.

— Agora ele saiu do país — disse Bianca. — Eu posso falar.

Camila recebeu as cópias numa cafeteria, longe da delegacia. Pediu perícia independente e mandou guardar os originais em três locais.

O celular de Sofia tocou. Celina gritava do outro lado.

— O oxigênio de dona Maria pegou fogo!

Sofia correu para o hospital. O corredor do quarto estava cheio de fumaça; funcionários empurravam pacientes para a escada.

Ela molhou uma toalha, cobriu o rosto e entrou agachada. Maria estava na cama, tentando soltar a cânula.

Uma chama azul corria junto à conexão da parede.

Sofia alcançou a válvula. O metal queimou sua palma. Ela usou o cobertor para girá-la e puxou Maria pela cintura.

Atrás das duas, a tubulação estalou.

Bianca seguiu para o hospital transmitindo instruções para preservar servidores. Enzo tentava apagar os registros; Paulo forneceu uma cópia guardada fora do país.

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No carro, Sofia ligou para Celina. Ouviu alarme e passos.

— A porta travou. Tem fumaça na ventilação.

Sofia orientou toalhas molhadas, corpo perto do chão e distância do oxigênio. Maria pegou o telefone entre tosses.

— Dirige direito, meu filho. Sofia já tem trabalho demais.

Antônio apertou o volante. Sofia pousou a mão sobre o punho dele.

— Ela está consciente. Chegamos em três minutos.

Na entrada, Sofia recebeu máscara da brigada e atravessou o isolamento. Antônio ficou para trás enquanto a fumaça engolia o uniforme branco dela.

Depois do resgate, Bianca identificou o técnico pago por Enzo. Ele confessou ter usado solvente e trancado a porta pelo painel externo. A gravação confirmou sua entrada.

Camila recolheu o depoimento do técnico numa sala isolada. Ele descreveu os pagamentos em dinheiro, a foto de Maria usada para identificá-la e a ordem final enviada por Marco.

Sofia reconheceu na fotografia o corredor da clínica. A imagem fora tirada semanas antes do jantar.

— Eles procuravam uma cuidadora para culpar — disse.

Bianca confirmou. Outros três nomes apareciam nos arquivos de Enzo: uma enfermeira demitida, uma faxineira endividada e Sofia. Marco escolhera a garçonete depois de vê-la ajudar clientes idosos.

— Minha gentileza virou critério — Sofia disse.

Antônio fechou a pasta.

— Eles apostaram que você ficaria sozinha.

— Fiquei muitas vezes. Continuei falando.

Maria, deitada na maca, pediu a lista. Leu cada nome e determinou que as três mulheres recebessem proteção e assistência jurídica.

— Enzo usou a necessidade delas como esconderijo — disse. — Vamos acender todas as luzes.

Helena entregou alta provisória sob protesto. Maria assinou e pediu o vestido azul. A assembleia começaria em quatro horas.

Celina dobrou o vestido sobre a cadeira e prendeu as pérolas no pescoço de Maria. Sofia conferiu a pressão uma última vez. Os números estavam estáveis; a bengala tremia menos que a mão da senhora na mesa sete.

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